Percival Lafer, 90

Percival Lafer completa 90 anos de idade em 12 de abril de 2026.
Percival Lafer completa 90 anos de idade em 12 de abril de 2026.

Sabe aquela conversa do "no meu tempo era melhor"? Então, você não vai ouvi-la de Percival Lafer. Se perguntarmos para ele qual é o melhor tempo, a resposta certamente apontará para o futuro. O futuro sempre pode ser melhor se pudermos idealizar algo, planejar, projetar, construir, fabricar, dar a nossa contribuição.

Dizem que quem trabalha quieto vai longe. Mas quem é irrequieto, também. Esse é um aparente paradoxo que define a personalidade do arquiteto e empresário Percival Lafer: um sujeito irrequieto que trabalha quietamente. Como designer de dezenas de móveis patenteados e fabricados pela Lafer em décadas de história, ele nunca assinou pessoalmente uma criação. Tudo era em feito em nome da Lafer, empresa que assumiu no começo dos anos de 1960 junto com dois irmãos e um cunhado, após o passamento prematuro de seu pai.

Manter-se longe do olho do furacão  talvez esteja no segredo de sua longevidade, alcançada com rara autonomia e lucidez para uma pessoa nonagenária. Essa mistura de discrição com prudência e sabedoria também ajuda a defini-lo. Como resultado dessa combinação, temos em Percival um senhor elegante, mesmo com seu jeito despojado de se vestir. Ele mede bem as palavras antes de soltá-las ao vento.

Conheci o Percival há exatos vinte anos, em 8 de abril de 2006, durante o passeio do Clube MP Lafer Brasil para Serra Negra. Desde então, estive com ele pessoalmente em algumas oportunidades, dividindo mesas de restaurante em dias festivos e de livrarias, durante o lançamento de alguns livros. Também prestigiei ele durante uma mostra de seu trabalho numa galeria de móveis e teve uma vez que passamos uma tarde juntos, tomando um café especial. Então, creio que posso compartilhar algumas observações complementadas por nosso contato virtual, que ajudam a explicar como alguém pode alcançar os 90 anos de idade em tão boa forma.

Antes disso vamos resolver um contradição. "Espere aí, se o Percival é alguém que se volta sempre para o futuro, como ele resolveu criar o MP Lafer, um carro dos anos de 1970 baseado num MG de 1952?"

Boa pergunta. O MP Lafer é mesmo um automóvel de linhas clássicas. Ainda assim foi um modelo pioneiro no Brasil: o primeiro conversível esportivo de desenho nostálgico, montado no país sobre uma plataforma contemporânea e global, posto que a VW também a produzia no México e na Alemanha, permitindo que o veículo idealizado por Percival pudesse ser exportado com sucesso para os Estados Unidos e a Europa. 

Além disso, a Lafer lançou um carro do futuro, sim: um carro do futuro para muitos jovens sonhadores, que desenvolveram suas carreiras, criaram seus filhos e finalmente realizaram o antigo desejo de possuir um MP Lafer, uma máquina capaz de fazer um sujeito a caminho da terceira idade se sentir como um adolescente apaixonado. Se não fosse assim, o MP não seria um modelo cultuado depois de meio século de sua aparição.

Agora vamos em frente, analisando o que o Percival fez de bom que podemos copiar, para chegar bem numa idade tão avançada, mesmo para os padrões internacionais. Comecemos pelo óbvio: ele não fuma e não bebe álcool ou refrigerantes. Ele não adiciona açúcar no café e se alimenta de forma equilibrada, com foco em saladas, mas sem recusar um pouco de carne e carboidratos. Ele, assim como sua esposa, a Branca, cultiva uma rotina quase diária de exercícios físicos, que incluem caminhadas e sessões com uma personal trainer.

Até aí, nada de novo debaixo do sol. O problema é que poucas pessoas seguem com disciplina uma vida longe dos vícios e perto de uma dieta balanceada, incluindo uma rotina de exercícios para combater o sedentarismo. Porém, mesmo que você siga esse roteiro básico da boa saúde física, ainda falta cuidar da saúde mental, com um bom gerenciamento sobre os níveis de estresse. E o nosso amigo Percival parece ser muito bom nisso, também.

Sua trajetória não foi apenas uma sequência de lançamentos de móveis articulados de design futurista e refinado, intercalados com viagens para as melhores feiras do ramo na Europa e nos Estados Unidos. Aconteceram alguns perrengues também, e que perrengues! Desde uma inundação na primeira fábrica de móveis até um incêndio parcial nas instalações construídas em São Bernardo do Campo, contido com a ajuda dos bombeiros da Mercedes-Benz, vizinha da Lafer na Via Anchieta. Fora as crises macroeconômicas do Brasil, que a cada mudança de estação batem nos empresários sem dó nem piedade: crise do petróleo nos anos 70, hiperinflação nos anos 80, confisco da poupança nos anos 90... Eu já teria surtado e pedido arrego. Porém, a Lafer passou por tudo isso e durou quase um século.

Daí vem uma lição importante: saber desapegar. A Lafer foi fundada em 1927 por Benjamin Lafer. Percival encerrou a empresa em 2022, após 95 anos de história. Qualquer sujeito orgulhoso teria mantido a empresa aberta por mais alguns anos, sem ser questionado. No entanto, o que começou bem terminou bem antes de se perder ou ficar insolvente. Aprender a encerrar ciclos de sucesso: uma lição de maturidade que conduz à longevidade. E aqui fica um conselho embutido: para alguém abrir mão da sua principal fonte de renda, é preciso ter um planejamento financeiro e patrimonial que garanta a subsistência mediante fontes alternativas de renda passiva.

Mais contradição. Mais paradoxo. Também é preciso saber se apegar. Apegar-se naquilo que importa. Percival está casado com a Branca há 64 anos. Eles moram na mesma casa desde o final dos anos de 1960. Estabilidade. Quando você consegue fazer de uma casa um lar para seus filhos, netos e bisnetos, não há motivo para se aventurar e colocar tudo a perder por causa de bobagens e de egos mal controlados. Isso certamente ajuda na longevidade.

Alcançar uma idade elevada traz desafios adicionais. A seguir o ciclo natural das coisas, perdemos nossos pais e tios. Depois começamos a perder nossos irmãos e primos, nossos amigos de infância. Nossos colegas de trabalho, que viram amigos íntimos, também se vão. A tendência é o isolamento, salvo o estabelecimento de novos laços familiares e de amizades. Agir com soberba diante dos mais jovens não funciona; É preciso criar um canal aberto de trocas com eles. Vai a experiência de um lado para o outro, vem o entusiasmo recarregado. 

Meu amigo Percival parece fazer isso muito bem. Recentemente ele fez uma parceria com a Lissa Carmona, curadora da ETEL Design, para relançar em escala artesanal algumas de suas peças mais icônicas. Além disso, eles estão lançando um projeto novo: o aparador PLE-90, feito com resíduos de madeira gerados na fabricação de outras peças. A apresentação formal da novidade foi marcada para um dia emblemático: 12 de abril de 2026, o aniversário de 90 anos de Percival Lafer, no pavilhão do Parque Ibirapuera, durante o evento SP-Arte.

Daí vem mais um dos componentes do segredo da longevidade de Percival Lafer, que é continuar trabalhando, mantendo a mente ativa e ocupada, renovando metas e aceitando novos desafios. Aposentar-se é um verbo proibido. Podemos até nos retirar do mercado formal de trabalho, mas não devemos deixar de trabalhar, nem que seja para fazer um serviço voluntário. Quando ficamos inativos ou sem objetivos concretos, a biologia do nosso corpo compreende isso como um sinal de finitude, um pedido que costuma ser atendido pela mãe natureza.

Por falar nisso, faltou argumentar sobre as predisposições genéticas sobre a longevidade. Certamente Percival as possui, mas não sou cientista para averiguar isso de perto, e nem vem ao caso. Sequer sou jornalista da grande mídia, obrigado a manter a compostura em nome da imparcialidade. Nestas linhas posso revelar que sou cristão. Isso me dá margem para crer que Percival e sua família são abençoados por Deus. Eles seguem os ritos e as tradições judaicas milenares e algo me diz que Deus aprecia essa dedicação. Isso revela que não somos apenas mente e corpo, mas também seres espirituais: estar consciente disso parece nos ajudar a ir mais longe. Acreditar em algo faz bem.

Posto isso, preciso encerrar esta epístola aberta. Agora posso ser bem convencional e desejar feliz aniversário para o meu amigo Percival Lafer. Que ele possa chegar aos 120 anos com saúde e disposição - ao menos se preparando para tanto, como reza o conselho recebido de seus antepassados, pois assim ele será um farol a iluminar os caminhos daqueles que o admiram.

Saudações cordiais,

Jean Tosetto

Paulínia/SP - 11 de abril de 2026

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Em 2026 a cidade de Holambra será palco de mais um encontro do MP Lafer!

29º Encontro do MP Lafer

Bom dia amigo Laferista,

Chegou mais uma oportunidade de colocar nossos carros na estrada.

Nosso encontro será em Holambra.

Vamos passar um ótimo fim-de-semana com nossos familiares e amigos.

Data: 16 e 17 de maio de 2025 (sábado e domingo)

Esperamos vocês a partir das 9:00 horas do sábado, dia 16, no estacionamento da Prefeitura situado na Alameda Maurício de Nassau (a mesma da Expoflora), esquina com a Rua Inácio Fonseca (entrar pelo portal do Moinho), sendo que o estacionamento ficará fechado para o nosso Clube.

Aproveite a oportunidade e fique com a família em um dos vários hotéis e pousadas lá existentes já a partir de sexta-feira, dia 15.

Seguem abaixo algumas sugestões de hotéis:

Parque Hotel Vila de Holanda: (19) 99129 7689 – parquehotel@viladeholanda.com.br

Hotel Pousada Europa: (19) 99692 0552 - hotel@pousadaeuropa.com.br

No domingo o aquecimento também será a partir das 9:00 horas e às 10:00 horas será dada a largada para uma carreata pelos pontos principais na cidade, saindo do estacionamento da Prefeitura.

Pede-se a gentileza de não buzinar ou tocar som alto no recinto do evento e suas imediações, que incluem a matriz da igreja católica, a unidade básica de saúde do município e um centro social para pessoas de terceira idade.

Não se esqueça de ir uniformizado e não deixe de revisar seu carro para desfrutar melhor sua viagem.

Até lá!

Walter Barboza de Arruda - Presidente - (11) 97122 6260 - walter.mplafer@uol.com.br

Romeu Nardini - Diretor - (11) 99154 4536 - meco98@uol.com.br 

Cartaz promocional do XXIX Encontro do MP Lafer - Holambra 2026. Compartilhe sem moderação! (Arte digital por Felipe Arruda)
Cartaz promocional do XXIX Encontro do MP Lafer - Holambra 2026. Compartilhe sem moderação! (Arte digital por Felipe Arruda)

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A Expedição Redentora pelo Circuito das Águas

"A Expedição Redentora pelo Circuito das Águas" disponível na Amazon.
Clique na imagem para acessar a loja da Amazon.

O autor do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone", prestes a completar 50 anos, realizou uma jornada por uma das regiões mais belas do Brasil, redescobrindo caminhos, interagindo com as pessoas e refletindo sobre a vida, bem como sobre aquilo que mais importa, independentemente de crenças religiosas e culturais.

Sinopse (passagens extraídas do livro)


“Quando o Natal e o Ano Novo se aproximam, parte das pessoas que vivem no modo automático e burocrático despertam para resolver pendências de diversas origens. O gestor do fundo de investimentos anseia por fechar o trimestre acima do benchmark, o obeso se incomoda com o peso verificado na balança, a balzaquiana se desespera, pois os primeiros sinais da menopausa surgiram e ela não realizou o sonho da maternidade. Os mais velhos, que ainda gozam de boa saúde, descobrem que precisam recuperar o tempo perdido, fazendo alguma viagem.

Meus sogros decidiram passar uns dias na Serra Gaúcha, para curtir o clima de Natal em Gramado. Não quiseram ir sozinhos, então convidaram minha esposa e minha filha para fazer companhia. Elas são filhas únicas, em vários sentidos. Fiquei por aqui mesmo, sozinho, pois ainda tinha trabalho para fazer e sei lidar bem com a solidão. Acho.

Trabalhei tanto nos últimos dias de 2025 que nem fiz planos para o primeiro dia de folga do recesso, no sábado, dia 20 de dezembro.

Acordei, fiz meu café e liguei a televisão. Zapeei pelo YouTube. A moça revelou 13 coisas que deixou de fazer e que mudaram o 
mindset dela para melhor. Cara, quem consegue lembrar de 13 coisas para não fazer? Decidi que não jogaria meu dia na lata de lixo, alternando telas enquanto a areia escorria pela ampulheta. Afinal de contas, era o último sábado de primavera. No domingo, o verão assumiria o leme no hemisfério sul, por volta de meio dia. Então, aquele sábado era também o dia mais comprido da primavera no Brasil, antes do solstício de verão.”

[...]

“Ao refletir sobre isso, constatei que nesta Saturnália nunca poderia ser um deus, mas poderia assumir outro papel. Ao invés de ser um sujeito de meia-idade, comprometido com o trabalho e com o pagamento das contas, seria um 
bon vivant apreciando a dolce vita.

Meu companheiro de escapada foi meu MP Lafer 1974, um conversível cinquentão, como serei em poucas semanas. Saí de casa por volta das nove da manhã.”

[...]

“Se tivesse que parar em cada lugar interessante para fotografar, não completaria a missão do dia: visitar os seis principais Cristos Redentores do Circuito das Águas Paulista. Estou denominando as estátuas dessa forma, pois elas claramente se inspiraram na mais notória do tipo, construída no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, com Jesus de braços abertos sobre a Guanabara.”

[...]

“Algumas pessoas fazem o Caminho de Santiago de Compostela na Europa, outras percorrem o Caminho da Fé para Aparecida, aqui na América do Sul. Na impossibilidade ocasional de empreender essas peregrinações que se estendem por vários dias, criei minha própria jornada espiritual: a Expedição Redentora pelo Circuito das Águas. Descobri que várias são as rotas que conduzem ao exame da própria
consciência, ao autoconhecimento e à superação pessoal. As mais inexploradas estão nos rincões da nossa mente.”

Sobre o autor


Jean Tosetto (1976) é arquiteto e urbanista graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, São Paulo. Tem escritório próprio desde 1999. O autor de “MP Lafer: a recriação de um ícone” (2012) e “Arquiteto 1.0 – Um manual para o profissional recém-formado” (2015) é editor associado de livros da Suno Research desde janeiro de 2017.


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Feliz Natal e Próspero 2026!

Feliz Natal e Próspero 2026! São os votos de mplafer.net

Quando o sentimento é bom, as coisas não precisam fazer sentido. MP Lafer também é poesia. E também é cultura. Feliz Natal e Próspero 2026 para todos!

Esqueça. Aqui não é lugar para falar dos absurdos do meio político e jurídico de um país que testa seus cidadãos a cada segundo. Ou da ambição dos candidatos ao posto de tirano-mor do século 21. Ou dos tiros disparados pela raiva irracional e fanática. São coisas sem sentido.

Sim, a gente sabe que você já pensou que esse mundo precisa acabar logo, para começarem um outro melhor. Mas, veja bem, ainda tem coisas legais por aqui. São coisas que a gente tenta cultivar, embora também sejam coisas sem sentido.

Ou você vê sentido num carro com grade de radiador diante do porta-malas na dianteira do conversível, com o motor traseiro refrigerado a ar? 

Quando chega o fim do ano, as pessoas começam a falar sobre uma festa que, aparentemente, também não faz sentido. Ainda mais no Brasil, um país de clima tropical que fica esperando a chegada de um velhinho lá do Polo Norte, mais encapotado que um esquimó siberiano.

Tem gente que não suporta essa época do ano, com suas hipocrisias e o excesso de consumismo, que faz muitos comerciantes fecharem a contas no azul. Essas pessoas estão parcialmente certas.

Porém, dizem que nesta época do ano devemos fazer votos de saúde e prosperidade para nossos amigos e inimigos (para que possam testemunhar nossos triunfos). É quando bate aquele remorso em alguns e eles saem por aí fazendo coisas boas, como doações de brinquedos em orfanatos e de fraldas geriátricas em asilos.

Outros se reconciliam com seus pais e com amigos com quem brigaram por causa de picuinhas sem sentido.

Enfim, nada parecer fazer sentido. Quem está certo? Quem está errado?

Ahhhh! Aqui também não é lugar para esse tipo de reflexão profunda. Vamos sintetizar:

- Quando o sentimento é bom, as coisas não precisam fazer sentido.

Feliz Natal!

Próspero 2026!

São os votos do seu amigo 

Jean Tosetto

Editor do site mplafer.net

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Almoço do Clube do MP em Itapecerica da Serra - 2025

Um almoço com Miro Dudek

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Lafer LL 006: o paradeiro no Pará

Almoço do Clube do MP em Itapecerica da Serra - 2025

MPs para preencher a fotografia digital.
MPs para preencher a fotografia digital.

Trânsito pesado? A gente contorna. Idade chegando? A gente ignora. O que vale é rever os amigos e recarregar as baterias para seguir adiante - sempre!

Por Jean Tosetto

Há um estudo europeu que relaciona a valorização de automóveis usados ao período de 25 anos após sua fabricação. Nessa cultura, em que o carro antigo é visto não apenas como paixão, mas também como investimento, observa-se que os modelos com potencial para se tornarem clássicos começam a se valorizar justamente após esse intervalo de tempo. Esse fenômeno faz sentido no caso do MP Lafer, apresentado no Salão do Automóvel de 1972. Exatamente 25 anos depois, em 1997, foi fundado o Clube MP Lafer Brasil.

O modelo foi fabricado até 1988, com algumas unidades licenciadas até 1990. E o que ocorreu 25 anos após essa data? Em dezembro de 2012 foi lançado o livro MP Lafer: A recriação de um ícone, cuja comercialização inicial se concentrou em 2013. Assim, entre 1997 e 2015 — período que cobre os 25 anos após o lançamento e também após o encerramento da produção — verificou-se o auge do “revival” em torno do MP Lafer, quando o modelo passou por forte valorização.

Esse movimento ocorreu porque o carro era admirado pelos jovens das décadas de 1970 e 1980, que na época não tinham condições financeiras ou estavam em fases da vida que priorizavam a família. Quando essas mesmas pessoas atingiram a meia-idade, já com situação financeira mais sólida e com os filhos encaminhados, puderam realizar o antigo desejo de possuir um MP Lafer. Esse fenômeno se repete com diversos outros modelos.

Após o período de revival, os automóveis com potencial para se tornarem clássicos continuam a se valorizar, mas sua liquidez diminui. Isso acontece porque os jovens das gerações seguintes não desenvolveram vínculo emocional com modelos que não marcaram a sua juventude. Ainda assim, tais veículos seguem valorizados por sua raridade e acabam sendo incorporados a coleções.

Portanto, para quem observa carros antigos sob a ótica do investimento, não adianta buscar apenas modelos que já passaram por grande valorização. O ideal é identificar veículos que despertaram interesse dos jovens de sua época e que estejam prestes a entrar no ciclo de revival, ou seja, aqueles com cerca de 18 a 20 anos de fabricação. Antecipar-se permite comprar automóveis próximos ao seu valor mínimo — já com a desvalorização praticamente esgotada — e captar a fase de revalorização que pode levá-los, anos depois, a valer mais do que custavam quando zero-quilômetro.

MP Lafer: o conversível brasileiro com potencial para ser um clássico.
MP Lafer: o conversível brasileiro com potencial para ser um clássico.

Essa longa introdução ajuda a compreender por que o Clube do MP Lafer Brasil alcançou seu auge de participação de carros em eventos entre 2002 e 2015 e, posteriormente, passou a registrar queda ano após ano. Uma das explicações está na dinâmica natural de valorização e interesse pelo modelo, conforme discutido anteriormente. A outra explicação decorre da dispersão geográfica dos veículos: muitos MPs que estavam concentrados na Grande São Paulo foram adquiridos por pessoas de outras regiões do país. O modelo passou a aparecer no Nordeste, no Sul e até no exterior, com unidades enviadas para países como Alemanha e Itália. Essa dispersão contribui para a redução do número de participantes nos encontros mais recentes.

No entanto, esse não é o único fator. Os proprietários que permaneceram na região metropolitana de São Paulo também envelheceram. Aqueles que estavam na meia-idade há vinte anos hoje se encontram na terceira idade e, naturalmente, ponderam mais antes de tirar o carro da garagem para enfrentar o trânsito complexo da capital e de seus arredores.

Posso testemunhar esse fenômeno mesmo não residindo na capital. Moro em Paulínia, no interior paulista, a 119 quilômetros de São Paulo. Quando o Clube do MP Lafer anunciou o almoço de fim de ano para 29 de novembro de 2025, no restaurante Dr. Costela, em Itapecerica da Serra — às margens da rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba — minha esposa e eu decidimos participar utilizando nosso carro convencional. Avaliei que percorrer essa distância com o MP Lafer, em meio a inúmeros caminhões e automóveis, seria uma experiência atribulada. Como a carta-convite permitia o uso de veículos convencionais, priorizando o encontro entre amigos em torno do modelo, optamos por seguir assim.

Também decidimos não passar pelo ponto de partida oficial, no km 12 da rodovia Raposo Tavares, pois isso exigiria acessar a Marginal Tietê e depois a Marginal Pinheiros, o que poderia atrasar nossa viagem ou nos obrigar a sair de casa muito mais cedo. Escolhemos ir diretamente ao restaurante, utilizando o Rodoanel como rota alternativa. Contudo, essa escolha não funcionou como esperado. Ao sair da rodovia Bandeirantes e entrar no Rodoanel, encontramos um congestionamento intenso, que se estendeu até a rodovia Castelo Branco. Apesar de obras em uma das faixas, o volume de veículos era expressivo. Após esse trecho, o fluxo melhorou um pouco, mas, ao chegar ao entroncamento com a Régis Bittencourt, deparamo-nos com um novo congestionamento, acompanhado de calor acima de 30 ºC.

Comentei com minha esposa que aqueles que decidiram participar com seus MPs estavam enfrentando uma situação ainda mais desconfortável. Por isso, é justo agradecer e parabenizar os 18 proprietários que levaram seus carros ao evento, apesar das dificuldades descritas.

Como chegamos mais cedo ao restaurante, tive a oportunidade de filmar a chegada dos primeiros MPs ao estacionamento. A entrada dos carros formava um verdadeiro balé de cores e movimentos aparentemente aleatórios, mas que, no conjunto, criavam uma cena belíssima. Foi então que se abriu aquela agradável janela de descanso mental: o momento de reencontrar amigos que compartilham dos mesmos interesses, fazer as conversas fluírem naturalmente, matar a saudade, colocar assuntos em dia e apreciar a culinária típica do Sul do Brasil. Afinal, a rodovia Régis Bittencourt funciona como uma espécie de portal paulista para a região Sul, onde as churrascarias de tradição gaúcha predominam às margens da estrada.

Os MPs escapam da rodovia e chegar num recinto tranquilo.
Os MPs escapam da rodovia e chegar num recinto tranquilo.

Um breve congestionamento de MPs procurando vagas para estacionar.
Um breve congestionamento de MPs procurando vagas para estacionar.

Esses momentos fugazes passam rápido demais. No nosso caso, passamos mais do dobro do tempo na estrada — entre ida e volta — do que no local do evento, tentando conversar com todos. E, ainda assim, não conseguimos falar com todo mundo. Eram muitas pessoas, todas em um astral tão positivo que acabou compensando o desconforto e o esforço da viagem.

Como sempre faço nos almoços de fim de ano do Clube do MP Lafer, aproveitei alguns instantes para me afastar das mesas e registrar fotografias dos carros estacionados, tentando encontrar algum ângulo novo — tarefa cada vez mais difícil depois de tantos anos. Também avistei uma bela réplica de uma Alfa Romeo da década de 1930. Estacionada ao lado de um MP Lafer, ela permitia estabelecer comparações visuais entre dois modelos que encantaram a juventude nos anos 1970.

 

Eu esperava que Gilberto Martines estivesse presente desde o início do evento para registrar a largada do passeio na rodovia Raposo Tavares. No entanto, ele demorou a chegar, e por um momento imaginei que não participaria do almoço. O atraso ocorreu porque ele perdeu o acesso ao Rodoanel — distração que o fez chegar mais tarde do que o previsto. Ainda assim, sua presença permitiu completar a cobertura fotográfica do encontro. É sempre necessário registrar nosso agradecimento ao Gilberto: sem ele, o site do MP Lafer seria incompleto.

Também devemos agradecer, como sempre, ao Walter Arruda, presidente do Clube MP Lafer Brasil, e à sua esposa, Regina. Ambos são incansáveis na organização desses eventos que rompem a rotina e trazem leveza aos participantes. O tradicional almoço de fim de ano e o Encontro Nacional, realizado por volta de abril ou maio, funcionam como válvulas de escape que nos ajudam a enfrentar o peso do cotidiano. A mesma gratidão se estende a Romeu Nardini, diretor do Clube MP Lafer Brasil, que mesmo residindo na divisa com o Mato Grosso do Sul faz questão de prestigiar essa grande família chamada MP Lafer.

O interior do restaurante Dr. Costela é rústico e aconchegante.
O interior do restaurante Dr. Costela é rústico e aconchegante.

Mas, como tudo que é bom dura pouco, chegou o momento de voltar para casa — e, com isso, de enfrentar novamente o congestionamento no entroncamento da Régis Bittencourt com o Rodoanel. O trânsito continuava lento; piorou após a Castelo Branco, até que pudemos acessar a rodovia dos Bandeirantes. E vale um registro importante: passamos por regiões cercadas de morros ocupados de forma aparentemente irregular. Sobre um dos túneis, inclusive, havia barracos de favela. É lamentável constatar que isso ainda ocorre em um país que se apresenta como uma das principais economias do mundo. Causa espanto também lembrar que São Paulo foi classificada entre as 20 melhores cidades do mundo para viver, trabalhar e visitar — difícil acreditar que tal avaliação tenha considerado um passeio de carro pelo Rodoanel. A sensação é de que estamos próximos de um colapso urbano: o Rodoanel, mesmo incompleto — falta o trecho Norte —, já não comporta o crescimento constante do trânsito na megalópole.

Ao nos afastarmos rumo ao interior, decidimos parar no Serra Azul, em Itupeva, para ir ao banheiro, aproveitando para entrar no Outlet local. A experiência durou apenas quinze minutos. O espaço estava completamente tomado por pessoas: filas para os banheiros, para comprar sorvete, café e até para pagar nas lojas. Diante disso, desistimos e seguimos viagem. Esse registro é pertinente porque aquele sábado era o primeiro após a Black Friday — tradição importada dos norte-americanos — e o adensamento excessivo de pessoas evidencia como a qualidade de vida vem sendo corroída. É impossível negar essa realidade.

E não adianta simplesmente substituir o carro a combustão por um carro elétrico. Os veículos elétricos, inclusive, tendem a ser mais largos do que os movidos a gasolina ou álcool, o que agrava ainda mais os problemas de circulação nas grandes cidades. Dessa forma, a solução para a mobilidade urbana precisa ser encarada de maneira coletiva, com investimentos maciços em transporte público de qualidade, especialmente em trens e, quando possível, no uso de hidrovias urbanas.

Aproveitando o tema dos automóveis elétricos, vale mencionar o recente comercial da fabricante chinesa BYD, que utilizou o personagem Primo Rico como garoto-propaganda. No anúncio, ele compara os custos do carro elétrico com os custos de um veículo a combustão, sugerindo que quem opta pelo elétrico está sendo mais econômico. Para reforçar a mensagem, o comercial opõe o “Primo Rico” ao “Primata”, figura que representaria quem insiste em manter um carro tradicional. Nesse contexto, chego a brincar que seria um “Primata Hard”, já que mantenho um MP Lafer na garagem — movido a combustão, equipado com dois carburadores, embreagem acionada por cabo e câmbio manual.

Ainda assim, fica a reflexão: será que os carros da BYD terão apelo suficiente para formar clubes de proprietários no futuro? Será que, daqui a 25 anos, os veículos elétricos — em especial — estarão valorizados, com potencial para se tornarem clássicos, assim como ocorre hoje com o MP Lafer? Quem viver, verá.

Uma última avistada nos MPs antes de ir embora com o coração acalentado.
Uma última avistada nos MPs antes de ir embora com o coração acalentado.

Contudo, no site do MP Lafer, não podemos encerrar um relato de qualquer jeito. É preciso transmitir uma mensagem edificante. O fim do ano se aproxima; é o momento em que lembramos dos familiares, dos amigos — inclusive daqueles que já partiram — e também de que o tempo passa para todos nós. Precisamos encontrar entusiasmo em cada etapa da vida, e cultivar uma paixão em comum, como a paixão pelo MP Lafer, ajuda nesse propósito. Essa afinidade aproxima pessoas de astral positivo e renova nossas energias para iniciar um novo ano.

Que o próximo ano seja magnífico para todos nós.

Um grande abraço e até a próxima!

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Almoço do Clube do MP em Santana de Parnaíba - 2024

A carta convite do Clube

Mais reuniões de fim de ano

MP Lafer: The recreation of an icon (Amazon)

Convite do Clube MP Lafer Brasil

MP Lafer e a arte de curtir a vida.
MP Lafer e a arte de curtir a vida.


O almoço de fim de ano do Clube MP Lafer Brasil será no Restaurante Dr. Costela, dia 29 de novembro de 2025 com saída no Posto Shell, km 12 da Raposo.

Quando as promoções de Black Friday começam a surgir, é sinal de que o fim do ano se aproxima — e, com ele, uma tradição muito especial para os apaixonados pelo MP Lafer: o almoço de confraternização do Clube MP Lafer Brasil, que em 2025 completa 28 anos de fundação.

O encontro natalino deste ano será realizado no sábado, dia 29 de novembro, com saída às 10h45 da manhã no Posto Shell, localizado no quilômetro 12 da Rodovia Raposo Tavares.

O destino será o acolhedor Restaurante Dr, Costela, situado na Rodovia Régis Bittencourt, quilômetro 293,5 — a rodovia que conecta São Paulo à capital paranaense, Curitiba. O valor por pessoa é de R$ 99,90, não incluindo bebidas e sobremesas.

O presidente do clube, Walter Barboza de Arruda, reforça: “Se você não puder ir com seu MP Lafer, vá assim mesmo, com outro carro. O importante é estarmos juntos, celebrando mais um ano de amizade e paixão por este automóvel que tanto nos une.”

Prepare o seu MP, convide os amigos e venha participar desse momento de alegria e camaradagem que encerra o calendário anual do clube. Confira a seguir a carta convite:

Almoço 2025: carta convite do Clube MP Lafer Brasil.
Clique acima para ampliar.

Já é cadastrado no Clube MP Lafer Brasil? Fale com a diretoria:

Walter Barboza Arruda – Presidente – (11) 9.7122.6260 - walter.mplafer@uol.com.br

Romeu Nardini – Diretor - (11) 9.9154.4536 - meco98@uol.com.br




Santana de Parnaíba 2024

Um almoço com Miro Dudek

O MP Lafer 1974, Jean Tosetto e Miro Dudek diante da casa onde nasceu o site mplafer.net em agosto de 2001.
O MP Lafer 1974, Jean Tosetto e Miro Dudek diante da casa onde nasceu o site mplafer.net em agosto de 2001.

O MP Lafer não leva apenas duas pessoas em seus assentos, mas incontáveis entusiastas que vencem o tempo e a distância para celebrar o melhor da vida.

Caro amigo do MP Lafer, pode ser a primeira vez que você acessa este site, então deixe eu me apresentar: meu nome é Jean Tosetto, tenho 49 anos e, aos 21, ganhei um MP Lafer vermelho 1974 dos meus pais. Não por acaso, é esse mesmo MP Lafer na fotografia acima, tirada no jardim da casa deles, onde morei até 2009 e onde comecei a editar este mesmo site em 15 de agosto de 2001. Só por aí você pode ter uma ideia do quanto sou apreciador da marca. Mas não parou por aí. Em 2012 lancei o livro "MP Lafer: a recriação de um ícone", que escrevi com a ajuda de Percival Lafer, o criador do carro.

Chega, já falei demais sobre mim mesmo. Agora preciso contar sobre o Miro Dudek. Ele nasceu na Polônia, mas aos 9 anos de idade se mudou com os pais para a Alemanha. Lá ele cursou o que nós chamamos de SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Ainda bem jovem, ele ingressou nas fileiras da Volkswagen, a maior fabricante de carros da Alemanha e uma das maiores do mundo.

Tenho razões para acreditar que ele foi um bom profissional, pois a Volkswagen o selecionou para uma bolsa de estudos. Assim, no começo dos anos 2000, ele ingressou numa faculdade de engenharia. Vamos pular para 2008, se me lembro bem. Foi quando ele conheceu a Iracema numa festa. Ela é brasileira, mas estava na Alemanha estudando Medicina. Desde então, o contato pela Internet evoluiu até o casamento.

Desejando aprender português e viver uma experiência diferente, o Miro pediu para os seus superiores a oportunidade de passar um tempo trabalhando no Brasil. Logo, ele deve ser bom no que faz, pois conseguiu o que queria. Veio para São Paulo em 2013.

Nesse período, um antigo professor da faculdade da Iracema, que mora no Maranhão (ela pode me corrigir se eu estiver errado) pediu para o Miro fazer algumas visitas na Tony-Car Restaurações de MP Lafer, de São Bernardo do Campo, para acompanhar um serviço em seu carro. Aí o Miro conheceu o Toninho e se apaixonou, não pelo Toninho, mas pelo MP Lafer. Ele comprou um exemplar de 1977.

Também nessa época o Miro e a Iracema fizeram amizade com os vizinhos Aurora e Manuel, que são mexicanos e também estavam vivendo temporariamente no Brasil. Eles criaram um laço de irmandade muito forte.

No final de 2015, a Iracema e o Miro voltaram para Kassel, na Alemanha. Foi quando a gente se conheceu, ao menos virtualmente. O Miro colocou seu MP Lafer num container e o despachou para a Europa. Publiquei as fotos desse evento no começo de 2016.

Aí, adivinha o que aconteceu? O Miro entrou em contato com o Ludwig Stolz, que em 2011 havia fundado o MP Lafer Germany, um tipo de associação para congregar os proprietários de MP Lafer na Alemanha, que aos poucos foi ganhando adeptos de outros países como Bélgica, Holanda, França, Itália e Bulgária.

Desde então, nossa correspondência nunca se interrompeu. O Miro tornou-se uma espécie de ponte cultural entre os laferistas do Brasil e da Europa. Sem a ajuda dele, vários registros dos encontros anuais do MP Lafer na Alemanha não teria sido feitos.

Agora, em 27 setembro de 2025, finalmente nos encontramos pessoalmente. A família Dudek, que AGORA inclui a pequena Maria Luisa, veio passar uns dias no Brasil para descansar e resolver alguns assuntos. Quem também resolveu voltar ao Brasil passar férias? A Aurora e o Manuel.

A gente se reuniu em casa para um almoço. A Renata, minha esposa, cuidou de tudo. A Carol, nossa filha, tocou um pouco de piano. Também convidei meus pais (minha mãe trouxe o seu famoso bolo de carne) e a família da minha afilhada para a breve reunião que acabou se estendendo pela tarde inteira, pois no fim do dia fomos até a chácara dos meus pais tomar um café e, claro, dar uma volta de MP Lafer.

Mexicanos, alemães e brasileiros reunidos por causa do MP Lafer.
Mexicanos, alemães, poloneses, italianos e brasileiros reunidos por causa do MP Lafer.

Deixei o Miro guiar o meu MP por alguns quilômetros, pelas estradas vicinais da região de Paulínia, onde ainda vou buscar um pouco de inspiração para as coisas que escrevo. O dia estava quase perfeito: temperatura amena, sem ventos fortes ou chuva. Pena que o motor Volkswagen do MP Lafer, sempre confiável, apresentou falhas de ignição em um dos pistões, quando se engatava a segunda marcha. 

No dia seguinte, fucei nos cabos de vela e na tampa do platinado. Assim, meio sem querer, arrumei o tempo do motor na segunda marcha, mas aí o carro começou a pipocar em terceira. O motor só enchia plenamente na quarta-marcha. Vai entender o que o carro queria dizer para nós?

Talvez que a vida passa rápido e que as chances de celebrá-la não devem ser desperdiçadas, especialmente quando amigos que se tratam como irmãos que moram tão longe uns do outros.

Quando tivemos que nos despedir, embarguei o nó na garganta, para não perder a compostura. Afinal de contas, sou da safra de 1976 e o Miro é da safra de 1977. Não cai bem para homens da nossa geração demonstrar sintomas de saudade sobre um momento tão fugaz.

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