Galeria 2020: Rodrigues

O MP Lafer 1983 estacionado diante do Estádio Mangueirão, em Belém do Pará.
O MP Lafer 1983 estacionado diante do Estádio Mangueirão, em Belém do Pará.

O MP LAFER NÃO PÁRA: TEM MP LAFER NO PARÁ

Estamos sempre com o radar ligado nas redes sociais. Nunca se sabe de onde vem uma colaboração para o mplafer.net - estas fotos vieram pelo nosso perfil no Twitter, por exemplo. Foram enviadas pelo Alacid Barreto Rodrigues. Ele mora em Ananindeua, o segundo município mais populoso do Pará, na região metropolitana de Belém, a capital do estado.

Ele fez um passeio de MP Lafer pela região e suas fotos revelam alguns pontos turísticos do entorno, como o Mangueirão, como é conhecido o Estádio Olímpico do Pará (cuja denominação oficial é: "Estádio Estadual Jornalista Edgar Augusto Proença"), palco dos clássicos entre Remo e Paysandu, times de futebol que já disputaram a primeira divisão do campeonato nacional.

O Mangueirão foi inaugurado em 1978 e tem capacidade para 45 mil espectadores. Recebe também os jogos do Sport Club Belém. Como já havia sido reformado no ano 2000, o Mangueirão precisava de poucos ajustes para ser uma das sedes da Copa de 2014, disputada no Brasil. Porém, os organizadores escolheram levar a sede amazônica dos jogos para Manaus, onde construíram um "elefante branco" com o dinheiro do contribuinte.

O para-choque deste MP Lafer tem uma haste superior que não existia na peça original.
O para-choque deste MP Lafer tem uma haste superior que não existia na peça original.

Belém é uma cidade pujante, fundada em 1616 pelos portugueses que colonizaram o Brasil e que ali estabeleceram um porto que se revelou de importância estratégica comercial e militar, ao longo dos séculos. Atualmente conta com cerca de 1,5 milhão de habitantes, sendo a segunda cidade mais populosa da Região Norte e a 12º do Brasil.

Em 2016 o governo estadual do Pará avançou com o prolongamento da Avenida João Paulo II, importante ligação entre Belém e Ananindeua. Sobre os lagos Bolonha e Água Preta foram construídas pontes de estruturas metálicas formando arcos superiores, devidamente montadas em terra firme e deslocadas sobre os poucos pontos de apoio imersos nos recursos hídricos. O local tornou-se uma espécie de cartão postal da cidade.

Seria o Batmóvel na chefatura da polícia de Gotham City? Não: é o MP Lafer diante de uma biblioteca.
Seria o Batmóvel na chefatura da polícia de Gotham City? Não: é o MP Lafer diante de uma biblioteca.

Nosso breve passeio termina diante da Biblioteca Municipal Avertano Rocha, no Distrito de Icoaraci em Belém do Pará. O belo prédio, de estilo eclético típico da Belle Époque, foi construído por um português que deu nome ao chalé: Tavares Cardoso, livreiro que enriqueceu na cidade durante o Ciclo da Borracha, que teve o auge no Brasil entre 1880 e 1910.

Em 1972 a edificação foi encampada pela municipalidade, sendo integrada ao Ginásio Municipal. Mesmo assim, ficou décadas abandonada até de ser restaurada em 1999, passando a abrigar, também, o Museu de Artes Populares.

Assim encerramos mais uma atualização do nosso site, que incentiva a curtição pelo MP Lafer e o prazer da leitura, sem ressalvas. Seguimos cultivando esses valores por tempo indefinido. Até a próxima!


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Passeio informal até Ibiúna - 2020

Posto Shell na Rodovia Raposo Tavares, pertinho de São Paulo.
Posto Shell na Rodovia Raposo Tavares, pertinho de São Paulo.

Gilberto Martines escrevem em 17 de outubro de 2020:

Esta semana o nosso grupo paulistano combinou de fazer um passeio com os MPs. Nosso amigo laferista Renato Bicudo tem um amigo chamado Marcelo, que é colecionador e tem uma garagem maravilhosa na cidade de Ibiúna, na região de Sorocaba, no interior de São Paulo.

O Marcelo convidou o Bicudo para conhecer a garagem dele e estendeu o convite para ele levar alguns amigos. Assim surgiu a ideia de irmos conhecer a garagem com os MPs, fazendo um pequeno passeio.

Combinamos de nos encontrar no km 10 da Rodovia Raposo Tavares, no posto Shell às 10 horas, e seguir até a cidade de São Roque, que fica bem próximo de Ibiúna. O nosso amigo Jabá sugeriu almoçarmos no restaurante e vinícola Quinta do Olivardo, de culinária portuguesa. 

Saímos do posto as 10 horas e próximo das 12 horas já estávamos no restaurante. Fomos muito bem recebidos pelo próprio Olivardo. O nosso grupo estava com mais de dez MPs. O restaurante também estava recebendo um grupo de proprietários de Mini Cooper e um outro grupo de motociclistas.

O restaurante conta com uma boa estrutura para receber os clientes e uma área de recreação com lago, pedalinhos, tirolesa  e quiosques. Almoçamos muito bem e seguimos para Ibiúna para conhecer a garagem onde fomos recebidos pelo Marcelo, que nos deixou muito a vontade para visitar e conhecer sua coleção de automóveis antigos.

Sua garagem é decorada com muito bom gosto, além guardar de carros maravilhosos. Seguem algumas fotos desse nosso passeio muito agradável. Quero aproveitar para mandar um abraço a todos os amigos laferistas e ao Marcelo, pela oportunidade de conhecer suas joias.

MPs de primeira na Quinta do Olivardo.
MPs de primeira na Quinta do Olivardo.

Mini Cooper: modelo contemporâneo que resgata uma proposta antiga de sucesso.
Mini Cooper: modelo contemporâneo que resgata uma proposta antiga de sucesso.

Quinta do Olivardo: lugar aprazível para almoçar nos fins de semana.
Quinta do Olivardo: lugar aprazível para almoçar nos fins de semana.

Cabine telefônica ao lado da geladeira: para conversar de cuca fresca.
Cabine telefônica ao lado da geladeira: para conversar de cuca fresca na garagem do Marcelo.

Nash Rambler 1952: carro difícil de ver nos encontros brasileiros.
Nash Rambler 1952: carro difícil de ver nos encontros brasileiros.

Ferrari e Corvette: europeus e americanos lado a lado na garagem de Ibiúna.
Ferrari e Corvette: europeus e americanos lado a lado na garagem de Ibiúna.

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Galeria 2020: Henriques

O casal Henriques antes da largada do passeio do Clube MP Lafer Brasil para Artur Nogueira, em 2019.
O casal Henriques antes da largada do passeio do Clube MP Lafer Brasil para Artur Nogueira, em 2019.

Estofamento em tom caramelo com painel e volante de madeira ante o capô amarelado: cores quentes para um conversível tropical.
Estofamento em tom caramelo com painel e volante de madeira ante o capô amarelado: cores quentes para um conversível tropical.

Beleza e originalidade: atributos que valorizam o MP Lafer.
Beleza e originalidade: atributos que valorizam o MP Lafer.

GIALLO & BIANCO

Quando a gente fala em 2019, ainda no segundo semestre de 2020, parece que foi há tanto tempo! Essa percepção está obviamente contaminada pelos efeitos da longa pandemia que estamos vivendo, que nos impôs quarentenas de durações e graus e variados.

Mas foi em 2019 que fotografamos o MP Lafer do Sérgio Henriques, pouco antes da largada do 23º Passeio do Clube MP Lafer Brasil, realizado para Artur Nogueira. No relato deste evento, inclusive, o Sérgio aparece com destaque, numa fotografia realizada com os carros em movimento.

Naquele dia ele nos contou que havia comprado seu MP Lafer depois de muitos anos de casado, mas que no seu tempo de solteiro, tinha simplesmente um Bianco 1977 que adorava. Ser jovem e guiar um carro como este no Brasil, nos idos de 1980, era como ter um passaporte para a felicidade.

Segundo Henriques, seu Bianco havia sido da esposa do apresentador Nelson Rubens, que também é entusiasta do MP Lafer. Morador da Grande São Paulo, ele ia com seu carro para o litoral e para a montanha, até que seu namoro ficou sério.

Como o Bianco era seu único bem na época, Sérgio teve que vender o carro para poder se casar e começar uma nova família. Na ocasião, ele anunciou o modelo no jornal de classificados Primeiramão. Imediatamente apareceram três interessados no seu raríssimo exemplar perolado do tipo Targa, o que o permitiu vender o carro pelo melhor preço possível.

Mais de um terço de século depois, já com um MP Lafer amarelo em sua garagem, Sérgio teve o prazer de conhecer Toni Bianco pessoalmente, num evento promovido em sua homenagem, também em 2019. Parece que foi há tanto tempo... mas foi apenas no ano passado.

Sérgio Henriques e seu Bianco 1977, durante viagem para Campos do Jordão, na década de 1980.
Sérgio Henriques e seu Bianco 1977, durante viagem para Campos do Jordão, na década de 1980.

Henrique teve que vender seu Bianco em 1985, para poder se casar.
Henrique teve que vender seu Bianco em 1985, para poder se casar.

Toni Bianco em Sérgio Henriques: o encontro do criador do Bianco com um de seus grandes entusiastas, em 2019.
Toni Bianco em Sérgio Henriques: o encontro do criador do Bianco com um de seus grandes entusiastas, em 2019.


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MP Lafer ao vivo e a cores

Reprodução de frame da primeira live sobre o MP, com Percival Lafer comentando a inserção do carro num filme de James Bond com cenas rodadas no Rio de Janeiro.
Reprodução de frame da primeira live sobre o MP, com Percival Lafer comentando a inserção do carro num filme de James Bond com cenas rodadas no Rio de Janeiro.

 

Em duas lives históricas com a participação de Percival Lafer e dirigentes do Clube do MP, são cinco horas de conversa sobre o conversível brasileiro.

O ano de 2020 bagunçou a normalidade saturada que a civilização estava vivendo até 2019. Diante de tanta tristeza provocada por uma doença causada por um vírus com nome de remédio (Covid-19: quem foi o gênio da publicidade que bolou este nome pela OMS?), boa parte da humanidade se retraiu em quarentena, estabelecendo um ritmo mais lento de atividades.

Como resultado da adoção do home office em milhares de empresas e escolas ao redor do planeta, surgiram as lives de todos os tipos - algumas tão saborosas quanto inesperadas e outras tão nocivas quanto espirrar perto de alguém sem usar a máscara, com gente difundindo ideologias extremistas, além daquelas músicas compostas por aplicativos randômicos.

Coube ao Clube do Carro Antigo do Brasil identificar uma lacuna sobre as histórias envolvendo veículos especiais que encantaram os brasileiros em décadas passadas. Ricardo Luna e Fábio Pagotto organizaram lives para falar sobre o SP2, a Kombi, o Galaxie, o Maverick e o Opala, além de contar a história da fusão temporária entre a Ford e a Volkswagen no Brasil, por meio da Autolatina. Para tanto, eles convidaram personagens correlatos: ex-funcionários das empresas, dirigentes de clubes e especialistas nas marcas. Um prato cheio para quem gosta de ferrugem.

Em setembro chegou a vez do MP Lafer. A conversa na primeira live foi tão boa que os organizadores repetiram a dose na semana seguinte, oferecendo aos entusiastas da marca um registro histórico: mais uma demonstração do carisma que esse conversível de linhas clássicas e esportivas exerce sobre as pessoas, mesmo aquelas que não são aficionadas pelo tema.

Participaram das duas lives sobre o MP Lafer, além dos organizadores: Flávio Fernandes, engenheiro aposentado da Ford e proprietário de MP Lafer; Paulo Guino, engenheiro aposentado da Volkswagen e proprietário de MP Lafer (isso diz algo sobre a qualidade do modelo); Walter Barboza e Romeu Nardini, diretores do Clube MP Lafer Brasil, Antonio Ferreira da Cruz, o Toninho da Tony Car, oficina de restauração especializada em MP Lafer; Jean Tosetto, autor do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone"; e Percival Lafer, simplesmente o idealizador do MP Lafer.

Ajeite-se bem na sua poltrona, pois são quase cinco horas de conversas sobre as histórias e os mitos do MP Lafer - e também do Lafer LL, não é mesmo, Flávio?

Parte 1: 



Parte 2:



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De pai para filha

O MP Lafer azul: o caçula da família Meneguin.
O MP Lafer azul: o caçula da família Meneguin.

 

A família é um dos pilares da cultura ocidental que trouxe o mundo até aqui. Neste site sobre carros, nós defendemos este fundamento, sem ressalvas.


Por Decio Meneguin

Após adquirir meu primeiro MP Lafer em junho de 2015 e iniciar novas amizades, comecei a frequentar encontros de antigos. O Sambódromo, evento semanal em São Paulo, era praticamente obrigatório. 

Na época, minha filha Giovana ainda não frequentava esses encontros comigo, pois estava estudando fora do Brasil. Algumas vezes a minha esposa me acompanhava, em outras ia sozinho com o meu MP e encontrava a turma por lá.

Mas em 2016 a Giovana estava de volta e, junto comigo, começou a participar ativamente dos shows de antigomobilismo – aliás, nesse ano ela não perdeu nenhum encontro do Sambódromo. Ela ficou conhecida pelo grupo do MP e pelo pessoal que vendia camisetas, adesivos, miniaturas e peças nos eventos. Além do Sambódromo, às terças, nós participávamos também dos encontros na Estação da Luz, no primeiro domingo de todo mês.

Aquela menina, que chamava o MP de “carro velho” quando compramos o vermelho, criou uma paixão imensurável por antigos. Além de admirar, fotografar, ler e escrever sobre antigos, ela cuida do vermelhinho, apelido do carro, como uma verdadeira joia ou até mesmo um filho.

Devido à paixão pelo MP Lafer, resolvi que ela deveria ter o próprio. Também, com dois carros, toda família poderia começar a participar dos encontros, eventos e passeios. Então, no início de 2018, quando visitei com o Gilberto a oficina (ateliê) do Toninho, resolvi restaurar um MP para presentear a Giovana. 

Assim, sem segredos, em julho de 2019 começamos o restauro.  A Giovana pôde opinar em tudo, como cor e acabamento, mas sempre ouvindo os conselhos do expert Toninho. A escolha da cor foi longa, já que o carro fica lindo com qualquer cor - o Tony chegou a preparar diversas plaquinhas (pelo menos umas dez), mas a cor escolhida foi o azul boreal do Honda Fit 2017, adotada em outro MP que estava sendo finalizado na oficina naquela época.

Carroceria do MP a espera da escolha da nova cor.
Carroceria do MP a espera da escolha da nova cor.

Foi emocionante ver o “nascimento” do carro. Foram quase nove meses até o término e todas as etapas nós registramos no perfil do Instagram @mp.lafer

Durante o restauro, o Toninho abriu a oficina para nós em alguns sábados. Parte do ritual, que contava com fotografias e momentos de apreciação, eram os cappuccinos que tomávamos no posto de gasolina próximo quando a visita terminava.

O MP azul quase pronto no ateliê do Toninho.
O MP azul quase pronto no ateliê do Toninho.

O Toninho e o Beto capricharam demais no carro - uma obra de arte e um trabalho exemplar da oficina Tony Car. A felicidade deles e da Giovana quando o MP azul ficou pronto, foi indescritível. 

Infelizmente, a pandemia que sofremos neste ano de 2020 atrapalhou um pouco a entrega, principalmente no quesito documentação. Mas, no final, tudo deu certo.

Agradeço a Deus por poder presentear minha filha. Um sonho meu da adolescência e agora também dela, realizado. A felicidade e o brilho nos olhos da minha filha não têm preço.

Bem-vinda à família MP Lafer!

Volante e painel de madeira: beleza em cada detalhe.
Volante e painel de madeira: beleza em cada detalhe.


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A compra do MP “Vermelho Maçã do Amor”

Galeria 2020: Meneguin

Um carro que fala ao coração

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Galeria 2020: Piguin

O MP Lafer 1977 champagne, estacionado no Park Shopping de São Caetano do Sul.
O MP Lafer 1977 champagne, estacionado no Park Shopping de São Caetano do Sul.

Há 19 anos, desde 15 de agosto de 2001, compartilhamos histórias de gente entusiasmada pelo MP Lafer. A cada história, nossa paixão se renova. Todas são especiais, como esta, de Osmir Piguin. Nós podemos imaginar o que ele sentiu quando guiou seu MP Lafer pela primeira vez. Isso nos revigora.

MEU RELATO COM O MP LAFER

A minha história com o MP Lafer começa em 1978. Nesta época, muito jovem, fiquei encantado quando um tio que tinha um poder aquisitivo razoável apareceu na minha casa com um modelo prata. Achei fantástico e muito charmoso. 

Logo o Lafer toma as ruas em um segmento diferenciado, por ser um modelo de alto preço.

Anos se passam e nunca o esqueci. Vários amigos que iam em exposições e achavam algum souvenir relacionado ao carro, eles compravam e me presenteavam.

Sempre pensei comigo: “Vou comprar um para mim quando me aposentar”. Mas este dia estava muito longe e os modelos cada vez mais escassos e valorizados e, quando os achava, nem sempre os detalhes de originalidade estavam mantidos.

Os anos passaram, com filhos em fase escolar e a vida para ganhar até que, em 2018, eu daria entrada na aposentadoria. Comecei a procurar um MP, embora meu filho mais novo ainda estivesse na faculdade, mas minha filha já independente e formada. Foi uma longa e angustiante pesquisa para encontrar um modelo que me agradasse principalmente - o que me chamava muito a atenção: o painel em madeira.

Pois bem – achei um exemplar e fiquei namorando o anúncio por meses, mas o valor já era além daquilo que considerava razoável para um carro de coleção. A cada vez que vencia o prazo do anúncio, me desesperava, pensando que o tinha perdido. 

Até que um dia, em conversa de família reunida, me apoiaram a comprar já que era meu sonho e eu já havia então me aposentado, após 38 anos de trabalho. Alguns sobrinhos ainda falaram: 

“Desde que me conheço por gente meu tio é apaixonado por esse carro.”

Liguei e consegui falar com o filho do dono e, para minha surpresa, o carro era aqui em São Paulo, mesmo. Sem ver o carro pessoalmente, trocamos algumas propostas, mas era ainda dúvida. Até que um dia fui agraciado por uma ligação – era o filho do proprietário me dizendo que o pai tinha aceitado o valor proposto.

Na hora falei:

 – É meu! Quer um sinal?

Fui com minha esposa ver o carro e era exatamente o que procurava. Um modelo clássico na cor champagne, ano 1977, e ainda por cima já com placa preta – sensacional. A esposa não curte muito e sempre achou o valor alto para o modelo, mas cedeu. 

Porém, o que me deixou muito envolvido com a família do antigo proprietário do MP, foi o dia de ir buscar o carro. A família toda me convida para se juntar ao café da manhã e ali rolou toda a história do Lafer a qual estava com eles há 18 anos. Foi muito bom.

Hoje, com 57 anos, procuro curtir os passeios de MP Lafer ao máximo, até quando não puder mais dirigir.

- Osmir Piguin

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MP Lafer no Limite da ESPN Brasil

Obrigado, Roger Moore

Jaguar XK 120 – versão Nicoletti

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A compra do MP “Vermelho Maçã do Amor”

Jaques Woller, Decio Meneguin e Gilberto Martines em sua antiga garagem da Mooca.
Jaques Woller, Decio Meneguin e Gilberto Martines em sua antiga garagem da Mooca.


A Lafer parou de fabricar o MP, mas continua fabricando amizades e bons momentos entre famílias, pois as histórias se renovam a bordo deste carrinho.

Por Decio Meneguin

Entre os anos de 2011 e 2013, quando buscava as minhas filhas no colégio Agostiniano, no Belenzinho, em São Paulo, muitas vezes me deparava com um belo carro champagne, provavelmente de alguém que também esperava o filho ou a filha, e que trazia a nostalgia dos anos bons da minha adolescência na década de 80, quando terminei o colégio e ingressei na faculdade - época boa, de grandes conquistas e sonhos.

O carro em questão era um MP Lafer. Naquele momento, não tinha uma ideia precisa de onde vinha essa paixão por esse modelo. Afinal, entre os anos 1970 e 1980, outros esportivos também reinavam e me faziam sonhar, como Puma, Karmann Ghia e SP2.

Ficava receoso de abordar o proprietário para perguntar sobre o carro e dizer o quanto gostaria de ter um. O fato do carro ser "aberto" me reprimia, pois, vivendo em uma época marcada por assaltos, pensava que o proprietário pudesse não gostar de ser questionado dessa forma. Além disso, esses encontros eram ocasionais, ora no horário do almoço, ora no fim da tarde, e ocorriam durante a saída da escola, vapt vupt.

Entre idas e vindas, mais ou menos em 2014, tive o prazer de ver um MP champagne, semelhante ao MP que via na época em que buscava as minhas filhas no colégio, parado no mesmo estacionamento onde deixava o meu carro, próximo ao meu trabalho, na Mooca. Por curiosidade, perguntei para o funcionário quem era o dono daquele carro e descobri que o MP pertencia ao Gilberto, um dentista cujo consultório era nos arredores do estacionamento. Conclui de que se tratava do mesmo carro.

Mais alguns meses se passaram até que, no primeiro semestre de 2015, deparei-me com uma novidade no estacionamento: um MP vermelho passou a ocupar uma das vagas. Questionei o funcionário sobre o carro e, por um momento, meu coração bateu mais forte e meus olhos brilharam quando ele contou que estava à venda e que pertencia ao Gilberto.

Chegando em casa, todo animado, contei para minha esposa e filhas. A Ana, minha esposa, é quem sempre me orienta nas nossas decisões e, lógico, ela me apoiou e incentivou para ir ver o carrinho, uma vez que ela sabia sobre o meu sonho antigo e sobre a nostalgia que o MP trazia para mim. A minha filha mais nova também apoiou. Já a minha filha mais velha, Giovana, disse "pai, é carro velho, vai dar problema e enferrujar". Respondi dizendo que era um carro de fibra, mas mal sabia que o assoalho poderia enferrujar (felizmente, o assoalho do MP vermelho estava e ainda está em ordem).

Nessa mesma época, também contatei um colega de profissão, e amigo, Jaques. Sendo ele proprietário de um belo MP vinho, conhecedor do modelo e alguém que também sempre me apoiou e ajudou com dicas. Pedi que fosse comigo ver o carro.

Peguei o telefone do Gilberto e marquei para olhar o MP já no sábado. Eu, minha família e o Jaques iríamos conhecer o carro de perto e a bela garagem do Gilberto, um verdadeiro mini museu do MP Lafer, na Mooca. Até então, não conhecia o Giba, gigante conhecedor do MP, e mal sabia que ele se tornaria um grande amigo a partir desse encontro.

Também não entendia absolutamente nada de MP Lafer. Sabia apenas que era um carro feito de fibra, o que já era uma grande coisa. Mas quanto a detalhes, por mais simples que fossem, eu não sabia nada – quer dizer, apenas sabia admirá-lo. A essa altura, a verdade era que já havia decidido que queria o carro, mas não disse nada logo de cara.

Finalmente, chegou o dia de ver o carrinho e a minha filha continuava insistindo que "carro velho só dá problemas". Na garagem do Gilberto, ficamos deslumbrados com as reportagens, coleções de revistas, carros em miniatura, quadros e acessórios de oficinas e postos de gasolina. Tudo lá era organizado caprichosa e meticulosamente. A garagem era o cartão postal, de apresentação, do Gilberto, um ser humano de coração gigante. E lá estava o MP vermelho, de capota abaixada.

O Giba ofereceu o carro para que eu desse uma volta no quarteirão. Lembro que fiquei um pouco receoso, mas, por fim. aceitei. Foram três voltas: uma com a minha esposa, outra com a minha filha mais nova e, a última, com a Giovana. Ela, loira e de cabelos longos, que voavam, passeou no MP de capota abaixada com os olhos brilhando.

- E aí, Gi, o que você acha? - perguntei.

- Olha, pai, é carro velho, mas se você quer mesmo, eu acho que você tem que comprar. É, acho que tem que comprar, mas é velho - ela falou com a voz afinada -  acho que tem que comprar, você gosta e sempre gostou, então tem que comprar, tem que comprar! - ela enfatizou.

Estacionamos o carro em frente a garagem enquanto o Jaques chegava com a sua bela moto (além de gostar de MPs, ele também é apaixonado por motos, assim como o Gilberto).

No mesmo dia, batemos o martelo e fechamos com o Giba a compra de um carro e de uma maravilhosa amizade, que cresce mais a cada dia.

Em todos esses anos que paquerei o MP Lafer do Giba, não lembrava ao certo quando essa admiração pelo modelo teve início. Mas, em 2018, almoçando com um amigo do colegial (o ensino médio de hoje), mostrei algumas fotos do meu MP e ele comentou que já na época de escola, por volta dos meus 16 anos, eu comentava sobre o carro e dizia que um dia teria um para mim.

Decio Meneguin e seu MP Lafer "Vermelho Maçã do Amor".
Decio Meneguin e seu MP Lafer "Vermelho Maçã do Amor".

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