MP Lafer ao vivo e a cores

Reprodução de frame da primeira live sobre o MP, com Percival Lafer comentando a inserção do carro num filme de James Bond com cenas rodadas no Rio de Janeiro.
Reprodução de frame da primeira live sobre o MP, com Percival Lafer comentando a inserção do carro num filme de James Bond com cenas rodadas no Rio de Janeiro.

 

Em duas lives históricas com a participação de Percival Lafer e dirigentes do Clube do MP, são cinco horas de conversa sobre o conversível brasileiro.

O ano de 2020 bagunçou a normalidade saturada que a civilização estava vivendo até 2019. Diante de tanta tristeza provocada por uma doença causada por um vírus com nome de remédio (Covid-19: quem foi o gênio da publicidade que bolou este nome pela OMS?), boa parte da humanidade se retraiu em quarentena, estabelecendo um ritmo mais lento de atividades.

Como resultado da adoção do home office em milhares de empresas e escolas ao redor do planeta, surgiram as lives de todos os tipos - algumas tão saborosas quanto inesperadas e outras tão nocivas quanto espirrar perto de alguém sem usar a máscara, com gente difundindo ideologias extremistas, além daquelas músicas compostas por aplicativos randômicos.

Coube ao Clube do Carro Antigo do Brasil identificar uma lacuna sobre as histórias envolvendo veículos especiais que encantaram os brasileiros em décadas passadas. Ricardo Luna e Fábio Pagotto organizaram lives para falar sobre o SP2, a Kombi, o Galaxie, o Maverick e o Opala, além de contar a história da fusão temporária entre a Ford e a Volkswagen no Brasil, por meio da Autolatina. Para tanto, eles convidaram personagens correlatos: ex-funcionários das empresas, dirigentes de clubes e especialistas nas marcas. Um prato cheio para quem gosta de ferrugem.

Em setembro chegou a vez do MP Lafer. A conversa na primeira live foi tão boa que os organizadores repetiram a dose na semana seguinte, oferecendo aos entusiastas da marca um registro histórico: mais uma demonstração do carisma que esse conversível de linhas clássicas e esportivas exerce sobre as pessoas, mesmo aquelas que não são aficionadas pelo tema.

Participaram das duas lives sobre o MP Lafer, além dos organizadores: Flávio Fernandes, engenheiro aposentado da Ford e proprietário de MP Lafer; Paulo Guino, engenheiro aposentado da Volkswagen e proprietário de MP Lafer (isso diz algo sobre a qualidade do modelo); Walter Barboza e Romeu Nardini, diretores do Clube MP Lafer Brasil, Antonio Ferreira da Cruz, o Toninho da Tony Car, oficina de restauração especializada em MP Lafer; Jean Tosetto, autor do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone"; e Percival Lafer, simplesmente o idealizador do MP Lafer.

Ajeite-se bem na sua poltrona, pois são quase cinco horas de conversas sobre as histórias e os mitos do MP Lafer - e também do Lafer LL, não é mesmo, Flávio?

Parte 1: 



Parte 2:



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De pai para filha

O MP Lafer azul: o caçula da família Meneguin.
O MP Lafer azul: o caçula da família Meneguin.

 

A família é um dos pilares da cultura ocidental que trouxe o mundo até aqui. Neste site sobre carros, nós defendemos este fundamento, sem ressalvas.


Por Decio Meneguin

Após adquirir meu primeiro MP Lafer em junho de 2015 e iniciar novas amizades, comecei a frequentar encontros de antigos. O Sambódromo, evento semanal em São Paulo, era praticamente obrigatório. 

Na época, minha filha Giovana ainda não frequentava esses encontros comigo, pois estava estudando fora do Brasil. Algumas vezes a minha esposa me acompanhava, em outras ia sozinho com o meu MP e encontrava a turma por lá.

Mas em 2016 a Giovana estava de volta e, junto comigo, começou a participar ativamente dos shows de antigomobilismo – aliás, nesse ano ela não perdeu nenhum encontro do Sambódromo. Ela ficou conhecida pelo grupo do MP e pelo pessoal que vendia camisetas, adesivos, miniaturas e peças nos eventos. Além do Sambódromo, às terças, nós participávamos também dos encontros na Estação da Luz, no primeiro domingo de todo mês.

Aquela menina, que chamava o MP de “carro velho” quando compramos o vermelho, criou uma paixão imensurável por antigos. Além de admirar, fotografar, ler e escrever sobre antigos, ela cuida do vermelhinho, apelido do carro, como uma verdadeira joia ou até mesmo um filho.

Devido à paixão pelo MP Lafer, resolvi que ela deveria ter o próprio. Também, com dois carros, toda família poderia começar a participar dos encontros, eventos e passeios. Então, no início de 2018, quando visitei com o Gilberto a oficina (ateliê) do Toninho, resolvi restaurar um MP para presentear a Giovana. 

Assim, sem segredos, em julho de 2019 começamos o restauro.  A Giovana pôde opinar em tudo, como cor e acabamento, mas sempre ouvindo os conselhos do expert Toninho. A escolha da cor foi longa, já que o carro fica lindo com qualquer cor - o Tony chegou a preparar diversas plaquinhas (pelo menos umas dez), mas a cor escolhida foi o azul boreal do Honda Fit 2017, adotada em outro MP que estava sendo finalizado na oficina naquela época.

Carroceria do MP a espera da escolha da nova cor.
Carroceria do MP a espera da escolha da nova cor.

Foi emocionante ver o “nascimento” do carro. Foram quase nove meses até o término e todas as etapas nós registramos no perfil do Instagram @mp.lafer

Durante o restauro, o Toninho abriu a oficina para nós em alguns sábados. Parte do ritual, que contava com fotografias e momentos de apreciação, eram os cappuccinos que tomávamos no posto de gasolina próximo quando a visita terminava.

O MP azul quase pronto no ateliê do Toninho.
O MP azul quase pronto no ateliê do Toninho.

O Toninho e o Beto capricharam demais no carro - uma obra de arte e um trabalho exemplar da oficina Tony Car. A felicidade deles e da Giovana quando o MP azul ficou pronto, foi indescritível. 

Infelizmente, a pandemia que sofremos neste ano de 2020 atrapalhou um pouco a entrega, principalmente no quesito documentação. Mas, no final, tudo deu certo.

Agradeço a Deus por poder presentear minha filha. Um sonho meu da adolescência e agora também dela, realizado. A felicidade e o brilho nos olhos da minha filha não têm preço.

Bem-vinda à família MP Lafer!

Volante e painel de madeira: beleza em cada detalhe.
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O MP Lafer 1977 champagne, estacionado no Park Shopping de São Caetano do Sul.
O MP Lafer 1977 champagne, estacionado no Park Shopping de São Caetano do Sul.

Há 19 anos, desde 15 de agosto de 2001, compartilhamos histórias de gente entusiasmada pelo MP Lafer. A cada história, nossa paixão se renova. Todas são especiais, como esta, de Osmir Piguin. Nós podemos imaginar o que ele sentiu quando guiou seu MP Lafer pela primeira vez. Isso nos revigora.

MEU RELATO COM O MP LAFER

A minha história com o MP Lafer começa em 1978. Nesta época, muito jovem, fiquei encantado quando um tio que tinha um poder aquisitivo razoável apareceu na minha casa com um modelo prata. Achei fantástico e muito charmoso. 

Logo o Lafer toma as ruas em um segmento diferenciado, por ser um modelo de alto preço.

Anos se passam e nunca o esqueci. Vários amigos que iam em exposições e achavam algum souvenir relacionado ao carro, eles compravam e me presenteavam.

Sempre pensei comigo: “Vou comprar um para mim quando me aposentar”. Mas este dia estava muito longe e os modelos cada vez mais escassos e valorizados e, quando os achava, nem sempre os detalhes de originalidade estavam mantidos.

Os anos passaram, com filhos em fase escolar e a vida para ganhar até que, em 2018, eu daria entrada na aposentadoria. Comecei a procurar um MP, embora meu filho mais novo ainda estivesse na faculdade, mas minha filha já independente e formada. Foi uma longa e angustiante pesquisa para encontrar um modelo que me agradasse principalmente - o que me chamava muito a atenção: o painel em madeira.

Pois bem – achei um exemplar e fiquei namorando o anúncio por meses, mas o valor já era além daquilo que considerava razoável para um carro de coleção. A cada vez que vencia o prazo do anúncio, me desesperava, pensando que o tinha perdido. 

Até que um dia, em conversa de família reunida, me apoiaram a comprar já que era meu sonho e eu já havia então me aposentado, após 38 anos de trabalho. Alguns sobrinhos ainda falaram: 

“Desde que me conheço por gente meu tio é apaixonado por esse carro.”

Liguei e consegui falar com o filho do dono e, para minha surpresa, o carro era aqui em São Paulo, mesmo. Sem ver o carro pessoalmente, trocamos algumas propostas, mas era ainda dúvida. Até que um dia fui agraciado por uma ligação – era o filho do proprietário me dizendo que o pai tinha aceitado o valor proposto.

Na hora falei:

 – É meu! Quer um sinal?

Fui com minha esposa ver o carro e era exatamente o que procurava. Um modelo clássico na cor champagne, ano 1977, e ainda por cima já com placa preta – sensacional. A esposa não curte muito e sempre achou o valor alto para o modelo, mas cedeu. 

Porém, o que me deixou muito envolvido com a família do antigo proprietário do MP, foi o dia de ir buscar o carro. A família toda me convida para se juntar ao café da manhã e ali rolou toda a história do Lafer a qual estava com eles há 18 anos. Foi muito bom.

Hoje, com 57 anos, procuro curtir os passeios de MP Lafer ao máximo, até quando não puder mais dirigir.

- Osmir Piguin

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Jaques Woller, Decio Meneguin e Gilberto Martines em sua antiga garagem da Mooca.
Jaques Woller, Decio Meneguin e Gilberto Martines em sua antiga garagem da Mooca.


A Lafer parou de fabricar o MP, mas continua fabricando amizades e bons momentos entre famílias, pois as histórias se renovam a bordo deste carrinho.

Por Decio Meneguin

Entre os anos de 2011 e 2013, quando buscava as minhas filhas no colégio Agostiniano, no Belenzinho, em São Paulo, muitas vezes me deparava com um belo carro champagne, provavelmente de alguém que também esperava o filho ou a filha, e que trazia a nostalgia dos anos bons da minha adolescência na década de 80, quando terminei o colégio e ingressei na faculdade - época boa, de grandes conquistas e sonhos.

O carro em questão era um MP Lafer. Naquele momento, não tinha uma ideia precisa de onde vinha essa paixão por esse modelo. Afinal, entre os anos 1970 e 1980, outros esportivos também reinavam e me faziam sonhar, como Puma, Karmann Ghia e SP2.

Ficava receoso de abordar o proprietário para perguntar sobre o carro e dizer o quanto gostaria de ter um. O fato do carro ser "aberto" me reprimia, pois, vivendo em uma época marcada por assaltos, pensava que o proprietário pudesse não gostar de ser questionado dessa forma. Além disso, esses encontros eram ocasionais, ora no horário do almoço, ora no fim da tarde, e ocorriam durante a saída da escola, vapt vupt.

Entre idas e vindas, mais ou menos em 2014, tive o prazer de ver um MP champagne, semelhante ao MP que via na época em que buscava as minhas filhas no colégio, parado no mesmo estacionamento onde deixava o meu carro, próximo ao meu trabalho, na Mooca. Por curiosidade, perguntei para o funcionário quem era o dono daquele carro e descobri que o MP pertencia ao Gilberto, um dentista cujo consultório era nos arredores do estacionamento. Conclui de que se tratava do mesmo carro.

Mais alguns meses se passaram até que, no primeiro semestre de 2015, deparei-me com uma novidade no estacionamento: um MP vermelho passou a ocupar uma das vagas. Questionei o funcionário sobre o carro e, por um momento, meu coração bateu mais forte e meus olhos brilharam quando ele contou que estava à venda e que pertencia ao Gilberto.

Chegando em casa, todo animado, contei para minha esposa e filhas. A Ana, minha esposa, é quem sempre me orienta nas nossas decisões e, lógico, ela me apoiou e incentivou para ir ver o carrinho, uma vez que ela sabia sobre o meu sonho antigo e sobre a nostalgia que o MP trazia para mim. A minha filha mais nova também apoiou. Já a minha filha mais velha, Giovana, disse "pai, é carro velho, vai dar problema e enferrujar". Respondi dizendo que era um carro de fibra, mas mal sabia que o assoalho poderia enferrujar (felizmente, o assoalho do MP vermelho estava e ainda está em ordem).

Nessa mesma época, também contatei um colega de profissão, e amigo, Jaques. Sendo ele proprietário de um belo MP vinho, conhecedor do modelo e alguém que também sempre me apoiou e ajudou com dicas. Pedi que fosse comigo ver o carro.

Peguei o telefone do Gilberto e marquei para olhar o MP já no sábado. Eu, minha família e o Jaques iríamos conhecer o carro de perto e a bela garagem do Gilberto, um verdadeiro mini museu do MP Lafer, na Mooca. Até então, não conhecia o Giba, gigante conhecedor do MP, e mal sabia que ele se tornaria um grande amigo a partir desse encontro.

Também não entendia absolutamente nada de MP Lafer. Sabia apenas que era um carro feito de fibra, o que já era uma grande coisa. Mas quanto a detalhes, por mais simples que fossem, eu não sabia nada – quer dizer, apenas sabia admirá-lo. A essa altura, a verdade era que já havia decidido que queria o carro, mas não disse nada logo de cara.

Finalmente, chegou o dia de ver o carrinho e a minha filha continuava insistindo que "carro velho só dá problemas". Na garagem do Gilberto, ficamos deslumbrados com as reportagens, coleções de revistas, carros em miniatura, quadros e acessórios de oficinas e postos de gasolina. Tudo lá era organizado caprichosa e meticulosamente. A garagem era o cartão postal, de apresentação, do Gilberto, um ser humano de coração gigante. E lá estava o MP vermelho, de capota abaixada.

O Giba ofereceu o carro para que eu desse uma volta no quarteirão. Lembro que fiquei um pouco receoso, mas, por fim. aceitei. Foram três voltas: uma com a minha esposa, outra com a minha filha mais nova e, a última, com a Giovana. Ela, loira e de cabelos longos, que voavam, passeou no MP de capota abaixada com os olhos brilhando.

- E aí, Gi, o que você acha? - perguntei.

- Olha, pai, é carro velho, mas se você quer mesmo, eu acho que você tem que comprar. É, acho que tem que comprar, mas é velho - ela falou com a voz afinada -  acho que tem que comprar, você gosta e sempre gostou, então tem que comprar, tem que comprar! - ela enfatizou.

Estacionamos o carro em frente a garagem enquanto o Jaques chegava com a sua bela moto (além de gostar de MPs, ele também é apaixonado por motos, assim como o Gilberto).

No mesmo dia, batemos o martelo e fechamos com o Giba a compra de um carro e de uma maravilhosa amizade, que cresce mais a cada dia.

Em todos esses anos que paquerei o MP Lafer do Giba, não lembrava ao certo quando essa admiração pelo modelo teve início. Mas, em 2018, almoçando com um amigo do colegial (o ensino médio de hoje), mostrei algumas fotos do meu MP e ele comentou que já na época de escola, por volta dos meus 16 anos, eu comentava sobre o carro e dizia que um dia teria um para mim.

Decio Meneguin e seu MP Lafer "Vermelho Maçã do Amor".
Decio Meneguin e seu MP Lafer "Vermelho Maçã do Amor".

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Passeios de MP Lafer: a tradição continua na Alemanha

Os alemães são determinados: combatem pandemias e valorizam dias de sol.
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Ao contrário do Brasil, o país europeu teve um bom desempenho no combate à Pandemia da Covid-19, o que permitiu aos alemães ingressarem no verão com menos restrições típicas de períodos de quarentena.

Por Iracema & Miro Dudek

Mais um ano chegou: 2020. Neste ano o clube informal do MP Lafer na Alemanha completa nove anos e o evento comemorativo prometia muitas novidades e, como sempre, bons reencontros. Tudo estava programado para os dias 3, 4 e 5 de julho, neste fim de semana. Porém, veio o Coronavírus e tivemos que readaptar a programação. 

Determinados que somos, para proteger todos os integrantes do Grupo MP Lafer Germany, optamos por fazer, neste ano, mini encontros regionais, em locais satélites, onde aqueles que morassem próximo, pudessem se juntar e realizar um passeio por uma determinada rota.

Deste modo, nós de Hesse, Turíngia e Baviera (Iracema e Miro, Ruth e Erhard, Ingrid e Hans) nos encontrarmos em Schonungen, na Baviera, para iniciar nosso simbólico encontro. Por fim, quase que de surpresa, ainda agregamos à turma uma participante que veio da região da Renania-Palatinado (Rheiland-Pfalz), da cidade de Freilingen, cerca de 260 quilômetros de onde tínhamos programado para nos reunirmos.

Fique tranquilo: na Alemanha de julho de 2020, pequenas reuniões já são permitidas.
Fique tranquilo: na Alemanha de julho de 2020, pequenas reuniões já são permitidas.
 
Agora sente-se, que aqui começa a aventura: essa participante, que chegou de última hora, era nada mais, nada menos, do que uma senhorinha de 78 anos, Gisela, que veio bravamente dirigindo sozinha o seu majestoso Pássaro da Liberdade - um MP Lafer 1978 importado da Itália em 2018 - pela autoestrada que leva até Schweinfurt.

Gisela, de 78 anos, e seu MP Lafer 1978.
Gisela, de 78 anos, e seu MP Lafer 1978.
 
Na sexta, nos reunimos de dois em dois casas e, como o tempo estava bom, fizemos um churrasquinho alemão para acertar a rota do próximo dia. O sábado começou e o tempo estava belíssimo para o passeio, um presente dos deuses para os laferistas. Tivemos céu limpo, 27 graus e estradas tranquilas para explorar o nosso percurso. 

A rota escolhida não poderia ser mais paradisíaca: percorremos as pequenas cidades produtoras de vinho da Baviera. A rota passou por Mainberg, Bergrheinfeld, Garstadt, Wipfeld, Obereisenheim, Untereisenheim, Vogelsburg, Volkach, Theilheim, Randersacker, finalizando em Würzburg.

Construir com beleza na Alemanha não é uma opção: é uma obsessão.
Construir com beleza na Alemanha não é uma opção: é uma obsessão.

Uma vinícola na Baviera: o paraíso na Terra existe.
Uma vinícola na Baviera: o paraíso na Terra existe.

Tudo correndo como se o próprio Deus Dionísio tivesse planejado aquele dia. Até que uma pequena surpresa acontece. O MP Lafer de Gisela, aquela valente senhorinha que atravessou os 260 quilômetros pelas autoestradas alemãs, para comparecer ao nosso encontro, sofreu uma pane. 

Então, Dionísio saiu de cena e entrou o santo protetor dos laferistas. O carro resolveu parar de vez, exatamente a apenas 30 metros de distância de uma oficina. A sorte – opa, o milagre – já tinha sido grande, mas tem mais: nessa oficina trabalhava simplesmente um senhor que colecionava carros antigos, motos e Hot Rods. 

Qual seria a graça de um passeio de MP sem um imprevisto?
Qual seria a graça de um passeio de MP sem um imprevisto?

OK, aqui você pode dizer: “Essas mágicas sincronias só acontecem com o MP Lafer”. Mas espere aí, não acabou.

Empurramos o conversível da Gisela até lá e prontamente recebemos ajuda deste senhor, o dono da oficina, além de dois outros jovens que recepcionaram nossa amiga e começaram a trabalhar no carro. Depois de quebrar a cabeça daqui e dali – uma vez que o Santo Toninho da Tony-Car não estava por perto para ajudar – o problema foi descoberto. Tratava-se de um defeito na parte elétrica da chave de ignição e do cabo alternador até a bateria.

Gisela e seu MP Lafer consertado.
Gisela e seu MP Lafer consertado.

Graças a Deus e ao santo protetor dos laferistas, o problema foi resolvido e Gisela pode retornar ao seu hotel com segurança. Tudo muito bom, tudo muito bem, final feliz, fim do dia, por do sol lindo, cervejinha com os amigos para comemorar o encontro abençoado. No entanto, o santo que obrou esse milagre ainda deixou para revelar a obra completa no dia seguinte.

Resolvemos pernoitar em Würzburg para aproveitar mais um dia com amigos nossos, que vieram das redondezas de Munique para nos visitar. Na manhã seguinte, antes de partirmos, resolvemos fazer uma caminhada às bordas do Rio Meno, para nos despedirmos do encontro. 

Neste passeio, adivinha quem vem caminhando no sentido contrário? Pois bem: um dos rapazes da oficina, lá daquela cidadezinha (Randersacker) onde o MP Lafer (nascido brasileiro, envelhecido italiano e agora alemão) deu pane. Nos surpreendemos com o feliz encontro e paramos para nos saudarmos e perguntar mais detalhes do que ocorreu no dia anterior.

Jörg e Miro: o gosto por carros promovendo novas amizades.
Jörg e Miro: o gosto por carros promovendo novas amizades.
 
Agora, preste atenção na história: esse rapaz – o Jörg – que resolveu o problema do carro, era mecânico, sim. Mas na realidade nem trabalhava naquela oficina. Tinha passado ali, naquele exato momento, apenas para visitar o dono, que há muito não via.

Hot Rods na garagem que também é uma oficina: seriam primos de segundo grau do MP Lafer?
Hot Rods na garagem que também é uma oficina: seriam primos de segundo grau do MP Lafer?
 
Ah! E aquela oficina, na realidade, nem funcionava mais. O dono só aparecia de vez em quando para cuidar dos seus próprios carros de coleção, que ele guarda lá dentro. Ficamos boquiabertos com a história, mas acabamos o encontro com um pensamento: 

- Deus é laferista, né não?!

 
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O primeiro passeio do MP Lafer azul após sete meses de restauração.
O primeiro passeio do MP Lafer azul após sete meses de restauração.

Um MP Lafer recém restaurado pelo Toninho é entregue para aliviar o clima de um ano estranho que não começou e que, ao mesmo tempo, não quer terminar.


DIAS ESTRANHOS A BORDO DE UM CONHECIDO CONVERSÍVEL

Se você não veio de Marte para a Terra hoje, ou não passou os últimos meses isolado numa colina do Tibet, então não precisamos explicar o que está acontecendo com este controverso ano de 2020.

Quase tudo parou por uns dias, menos os serviços essenciais. A oficina do Toninho em São Bernardo do Campo também não parou. Restaurar um MP Lafer não deixa de ser um trabalho essencial, ao menos para quem se alegra com o modelo só de ver um exemplar passar pela rua. Com todas as razões para ficarmos tristes, imagine poder passar alguns momentos ao volante de um conversível num dia de sol.

Foi isso que Decio Meneguin experimentou no último fim de semana de maio. Seu MP Lafer azul com capota bege ficou mais de um semestre no estaleiro. E se a felicidade só existe quando é compartilhada, mesmo com as orientações para evitar aglomerações, coube ao Gilberto Martines presenciar este primeiro giro, registrando a ocasião para os amigos de mplafer.net

"Esse carro ficou mais de sete meses em restauração. Foi feito tudo: assoalho, pintura completa, cromação, painel, instrumentos, tapeçaria,vidros e capota. Tudo novo, agora só  falta a placa preta" - nos conta o Giba, que complementa:

"Eu e o Décio fomos de São Paulo até o primeiro posto de combustível da Rodovia Ayrton Senna. Ele fez o primeiro  passeio com seu novo carro, um belo exemplar azul perolado com o interior caramelo. Fizemos um passeio curto, porém muito gostoso, para tentar esquecer esses dias e ver se em breve teremos novos dias de alegrias e saúde para todos os brasileiros." 

No primeiro test-drive, a companhia do amigo de todos os laferistas: o Gilberto Martines.
No primeiro test-drive, a companhia do amigo de todos os laferistas: o Gilberto Martines.

O símbolo da liberdade no topo do colete de um carro inspirado neste sentimento.
O símbolo da liberdade no topo do colete de um carro inspirado neste sentimento.


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Um MP Lafer na Bulgária

Reprodução de página de site búlgaro com MP Lafer em destaque.
Reprodução de página de site búlgaro com MP Lafer em destaque.

Nem a Cortina de Ferro foi suficiente para conter o avanço do MP Lafer pelos países da Europa. Demorou, mas um modelo foi avistado na búlgara Plovdiv.

A Bulgária é um pequeno país no sudeste da Europa, com pouco mais de 7 milhões de habitantes, que faz divisas com Romênia, Sérvia, Macedônia do Norte, Grécia e Turquia. Neste caldeirão cultural, a capital é Sofia. Outras cidades importantes na terra dos ancestrais de nossa ex-presidenta são Plovdiv, Varna e Burgas.

Antes uma monarquia, a Bulgária tornou-se uma república socialista logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946. O país viveu sob o jugo do Partido Comunista, alinhado com a União Soviética, no lado de lá da Cortina de Ferro, até o período da queda do Muro de Berlim, em 1989. Somente em 1991 a Bulgária adotou uma constituição democrática, abrindo sua economia para os países da União Europeia e demais continentes.

Isso privou o país de importar o MP Lafer, cuja produção encerrou-se definitivamente no Brasil em 1990. Nas décadas de 1970 e 1980 a Lafer exportou centenas de exemplares do MP para países europeus capitalistas, como Alemanha e Itália. Por isso, somente agora, em 2020, um exemplar da marca foi visto rodando nas ruas de Plovdiv - que você acabou de ler que é uma das principais cidades da Bulgária.

O feito foi registrado no site Plovdiv24.BG e tomamos a liberdade de reproduzir o texto deles em português, dado que o autor, Georgi Vasilev, fez bem sua lição de casa. Caso você saiba ler em búlgaro, segue o link aqui, para acessar o texto original.

"Um carro retrô único que atravessou a cidade sob as colinas atingiu as lentes do Plovdiv24.bg. É sobre a produção no Brasil no período entre 1974 e 1990. O carro em questão tinha um registro alemão, criado pelo fabricante de móveis Percival Lafer, com revestimento de fibra de vidro, dois assentos e sem teto, o que lembra os carros esportivos clássicos britânicos dos anos 40 e 50. Por outro lado, o chassi, o motor e a transmissão manual são do famoso Volkswagen Beatle, conhecido na Bulgária como 'tartaruga'. 
Nos 16 anos de produção, cerca de 4300 carros saíram da fábrica. Cerca de 1.000 foram exportados para o exterior, principalmente para a Europa, mas também para os Estados Unidos."

Em complemento ao que informou nosso colega búlgaro, trazemos um relato inédito de Percival Lafer sobre a criação deste modelo esportivo de linhas clássicas:

"Preciso esclarecer o ponto de partida do projeto MP, que está muito bem descrito no livro do Jean, mas que eu quero realçar, para dar a devida importância a dois personagens: o Luiz Ortega, que na época era meu agente de marcas e patentes, foi dele a ideia de fazer uma réplica do MGTD. E o Antonio De Mitry, o homem que me incentivou e assessorou na criação do setor de fibra de vidro na fábrica. 
A decisão de partir para o projeto foi a oportunidade de juntar minha paixão por automóveis, com um objetivo mais do que racional, de explorar o mercado americano, onde nascia o interesse pela reprodução de carros clássicos do passado; um mercado que já estávamos explorando com os nossos móveis. Uma vez que já detínhamos o know how industrial e comercial para executar esse trabalho, foi só juntar a fome com a vontade de comer!"

Pulando para a outra ponta da história do MP, quando perguntado sobre o destino dos moldes da carroceria do carro, que teriam sido "enterrados" no chão da antiga fábrica de São Bernardo do Campo, em meados da década de 1990, Percival esclarece:

"A verdade: os moldes não foram 'enterrados', eles foram soterrados, quando o Grupo Pão de Açúcar, que comprou nossa propriedade, aterrou a área toda, por causa das inundações que vinhamos sofrendo, elevando em quase três metros o nível do terreno. Os moldes estavam no páteo, e lá ficaram, porque não tínhamos espaço para guardá-los."

Felizmente, aqui no mplafer.net temos bastante espaço para guardar as memórias do nosso querido carrinho. Não interessa que estamos no meio de um furdúncio ao avesso, que mistura palavras como "pandemia" e "quarentena": seguimos entregando conteúdo para os entusiastas da marca, reforçando o pedido para que, se possível, fiquem em casa. Se saírem de MP (ou de qualquer outra coisa), usem a máscara.

Atualização em 10 de junho de 2020:

Amigos, o mundo está cada vez mais pequeno, mesmo. Confiram a mensagem que recebemos do Miro Dudek, que vive atualmente na Alemanha, mas já passou uma boa temporada trabalhando no Brasil:

"Olá, bom dia Jean! Hoje pela manhã eu li o seu mais novo artigo no site mplafer.net, que trata sobre um MP do nosso amigo Chavdar Hristov da Bulgária, que é médico e mora na Alemanha. Que legal! Mais um país conquistado pelo o MP Lafer, hein?"


Valentina e Chavdar no encontro de MP Lafer em Kassel, na Alemanha, em 2018.
Valentina e Chavdar no encontro de MP Lafer em Kassel, na Alemanha, em 2018.

Encontro de 2017 em Colônia, também na Alemanha: Percival Lafer autografa o MP de Chavdar.
Encontro de 2017 em Colônia, também na Alemanha: Percival Lafer autografa o MP de Chavdar.

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