E o futuro finalmente alcançou o Lafer LL

Lafer LL completa 50 anos de história com premiação durante o maior encontro de carros antigos da América Latina

O Lafer LL 001 foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1976.
O Lafer LL 001 foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1976.

Produzido em apenas sete exemplares entre 1976 e 1979, o Lafer LL é um dos veículos mais exclusivos já concebidos no Brasil. Com carroceria em fibra de vidro, mecânica do Opala, interior inspirado nos sofisticados móveis da Lafer e um painel digital revolucionário para a época, o coupê de luxo foi um projeto visionário que reuniu design arrojado, tecnologia de vanguarda e espírito empreendedor. No 11º Encontro Brasileiro de Altos Antigos de Águas de Lindóia (EBAA), entusiastas do modelo se reuniram para resgatar a história quase arqueológica desse automóvel.

Por Jean Tosetto

Minha vidinha estava bem resolvida por volta de 2010. Trabalhava como arquiteto numa cidade pequena que estava crescendo rapidamente. Não faltava projeto para fazer. “Então é isso?” – Pensei. “A vida não pode ser apenas isso: trabalhar, ganhar dinheiro e poupar um pouco para a aposentadoria”.

Daí que arranjei sarna para me coçar. A culpa era do bloco de mármore ocupando espaço na minha cabeça e pesando na minha memória. Eram quase dez anos como responsável pelo site mplafer.net, acumulando conhecimentos esparsos que precisavam ser reunidos e concatenados num livro que contasse a história do MP Lafer. Comecei a trabalhar em mais um projeto. Não num projeto de arquitetura, mas num projeto editorial, com as durezas e os desafios para um marinheiro de primeira viagem.

Um dos capítulos mais difíceis de escrever foi justamente sobre o Lafer LL. Das oito carrocerias construídas, sabia que talvez cinco ou seis estavam finalizadas sobre o conjunto mecânico do GM Opala 4.1 de seis cilindros. Consegui o contato do proprietário de um dos protótipos, que morava no interior do Paraná. Escrevi um belo e-mail para ele, solicitando permissão para viajar mais de 600 km até sua cidade, para fotografar seu carro, posto que as imagens disponíveis até então eram poucas e estavam protegidas por direitos autorais inacessíveis. A resposta do sujeito foi lacônica. Um balde de água fria na minha vontade de fazer algo bem feito e caprichado.

A silhueta do Lafer LL convida para a direção esportiva.
A silhueta do Lafer LL convida para a direção esportiva.

Cavalheiros que se ajudam

Felizmente, recebi ajuda do próprio Percival Lafer, idealizador do modelo, que cedeu algumas fotografias de época, inclusive das cambotas de madeira compensada que deram suporte para a aplicação de argila, resultando na fonte para o molde das carrocerias de fibra de vidro.

Outro amigo que ajudou bastante foi o Flávio Fernandes, engenheiro de longa carreira por empresas como VW e Ford, que começou sua trajetória justamente na Lafer, estagiando na equipe coordenada pelo professor Rigoberto Soler da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo). Entrevistei o Flávio na varanda do Hotel Monte Real, durante uma edição do encontro de carros antigos de Águas de Lindóia. Ele contou coisas interessantes sobre o carro, fabricado artesanalmente entre 1976 e 1978.

O conjunto de faróis e grade destacada do Lafer LL 001 de 1976.
O conjunto de faróis e grade destacada do Lafer LL 001 de 1976.

O Lafer LL 007, de 1978, preserva o motor GM de seis cilindros, que também equipava o Chevrolet Opala.
O Lafer LL 007, de 1978, preserva o motor GM de seis cilindros, que também equipava o Chevrolet Opala.

Com o livro pronto começou uma peregrinação. Bati na porta de várias editoras. Nenhum fechou a porta na minha cara, pois simplesmente nenhuma a abriu para saber do que se tratava. Restou atuar como editor independente, providenciando tudo que uma editora constituída está habituada a fazer, inclusive contratar a gráfica.

O jornalista Flávio Gomes compartilhou uma nota que eu havia publicado sobre o livro do MP Lafer, que estaria no prelo. Foi o suficiente para o Horacio Zabala, consultor da Gráfica Gandrei, de Indaial em Santa Catarina, entrar em contato. Rapidamente chegamos num acordo para imprimir o livro em novembro de 2012, exatamente 40 anos após a apresentação do primeiro protótipo do MP Lafer no Salão do Automóvel de São Paulo.

Foram dias de luzes. No começo de 2013 o Zabala fundou a Revista MotorMachine, que circulou em algumas edições bimestrais na Região Sul e São Paulo. Fui convidado para colaborar com a publicação, de forma voluntária. O senso de gratidão se somou com o antigo (e não revelado) desejo de escrever sobre carros em mídia impressa.

No fim daquele ano passei um dia diferente na zona rural de Atibaia, no interior de São Paulo, amoitado sobre um barranco numa estrada vicinal de terra, para fotografar a última etapa do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade. O Zabala também estava lá, na comitiva do piloto catarinense Toninho Genoin e do navegador Sidinei Broering. Na ocasião, um pneu estourado tirou as chances de título na categoria 4x2, mas a dupla vice-campeã nos recebeu no motorhome para almoçarmos um arroz carreteiro para lá de saboroso. O relato foi publicado na sexta edição da revista, já em janeiro de 2014.

As lanternas traseiras do Lafer LL 001 foram modificadas com peças oriundas do Ford Del Rey.
As lanternas traseiras do Lafer LL 001 foram modificadas com peças oriundas do Ford Del Rey.

O conjunto traseiro do Lafer LL 007 permanece original.
O conjunto traseiro do Lafer LL 007 permanece original.

A placa traseira do Lafer LL 007 é protegida por uma tampa transparente de acrílico.
A placa traseira do Lafer LL 007 é protegida por uma tampa transparente de acrílico.

E a poupança Bamerindus?

Então, avancemos doze anos para demonstrar como esse mundo é pequeno. Em 2026 fui convidado pelo Ricardo Luna, do Clube do Carro Antigo, para gravar um podcast sobre os 50 anos do Lafer LL, durante o Encontro Brasileiro de Autos Antigos em Águas de Lindóia. A mesa seria dividida com o Carlos Castilho, mediador, Juan Dierckx, autor de livros sobre a Puma Veículos e o VW SP2, e Flávio Fernandes, o mesmo que me ajudou a escrever sobre o Lafer LL.

O engenheiro, agora aposentado, encontrou uma carroceria do Lafer LL prestes a ser desmantelada e conseguiu resgatá-la. Seu objetivo é completar a construção daquele que poderá ser o Lafer LL 008. Porém, para marcar o meio século do lançamento do primeiro protótipo do modelo, ele conseguiu, junto aos organizadores do evento de Águas de Lindóia, um espaço de destaque na exposição.

Para tanto, Fernandes passou semanas preparando a carroceria para o grande encontro. Ele e sua equipe adesivaram algumas partes do conjunto, para simular os faróis, lanternas e a grade frontal do veículo, usando superfícies de policarbonato escuro no lugar dos vidros das janelas e do para-brisa. Ele também convenceu um proprietário de dois protótipos do Lafer LL (o 001 e o 007) a levar os carros de Santa Catarina para o interior paulista. Seu nome? Toninho Genoin.

A carroceria do Lafer LL 008 em destaque, ladeada pelos carros do Toninho Genoin, em Águas de Lindóia.
A carroceria do Lafer LL 008 em destaque, ladeada pelos carros do Toninho Genoin, em Águas de Lindóia.

Assim que cheguei em Águas de Lindóia no dia 05 de junho, fui direto ao local onde, pela primeira vez, estariam reunidas três carrocerias do Lafer LL, das quais, duas estavam motorizadas. Logo avistei o Toninho tirando as capas de proteção de seus carros. Ele disse que havia os comprado do Alcido Reuter, de Curitiba, capital do Paraná.

Naquele momento, apontei para um MP Lafer prateado de seis rodas (quatro nas pontas dos eixos e duas sobressalentes nos paralamas), que teria sido o único exemplar saído assim da fábrica de São Bernardo do Campo, em 1985. Informei que, por coincidência, o carro também havia sido comprado do Reuter, por parte do Reinaldo Keller, de Socorro, cidade vizinha. Então, o próprio Keller se aproximou da gente. Apresentei os novos amigos e segui para o compromisso com o podcast.

O MP Lafer 1985 de seis rodas do Reinaldo Keller.
O MP Lafer 1985 de seis rodas do Reinaldo Keller.

Toninho Genoin e Reinaldo Keller diante do Lafer LL 007.
Toninho Genoin e Reinaldo Keller diante do Lafer LL 007.

Não tenho como reproduzir mais de uma hora e meia de conversa neste espaço. Mas posso compartilhar uma síntese do programa, que você pode assistir na íntegra, no canal do Clube do Carro Antigo no YouTube.

De móveis a automóveis: a história do Lafer LL

A Lafer tem raízes centenárias. Tudo começou em 1927, quando o imigrante polonês Bension Laufer fundou a Casa Lafer, uma loja de móveis em São Paulo. Com habilidade comercial, ele prosperou e educou quatro filhos. O caçula, Percival, formou-se em arquitetura pelo Mackenzie (pois não havia curso de desenho industrial à época) e alimentava desde a infância dois amores: o design de móveis e os automóveis.

Com o falecimento precoce do pai, os filhos uniram forças e deram um salto estratégico: passaram a projetar e fabricar os próprios móveis, em vez de apenas revendê-los. O crescimento foi vertiginoso. Nos anos 1960, a empresa embarcou no programa governamental de exportações (sob o slogan “exportar é o que importa”) e conquistou mercados competitivos como Dinamarca, Suécia, Alemanha e Itália. O nome MP Lafer — Móveis Patenteados Lafer — refletia a preocupação de registrar as criações para protegê-las de cópias.

O passo que abriria as portas para o setor automotivo veio de um contrato improvável: o orelhão. A Lafer adquiriu equipamentos para trabalhar com fibra de vidro e desenvolveu o modelo original da cabine telefônica da Telesp, concebido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. O desafio de executar aquela forma tão curva foi resolvido com a criatividade: de Antonio De Mitry, funcionário da empresa, que usou um balão de aniversário como molde. O resultado foi um contrato milionário, que pavimentou a entrada da Lafer no mercado de automóveis.

O Lafer LL 001 conta com estofamento original em couro, com o perfume de uma máquina do tempo.
O Lafer LL 001 conta com estofamento original em couro, com o perfume de uma máquina do tempo.

O acabamento das portas do Lafer LL 001 são ricos em madeira e couro, conforme o padrão da empresa na época.
O acabamento das portas do Lafer LL 001 são ricos em madeira e couro, conforme o padrão da empresa na época.

O nascimento do MP Lafer e do LL

O veículo MP Lafer não foi um acidente. Foi uma diversificação planejada, impulsionada pela paixão de Percival por automóveis. De Mitry montou uma equipe de artesãos, mecânicos e marceneiros para elaborar os primeiros moldes, baseados no MG TD inglês de 1952. Em 28 dias, construíram o primeiro protótipo, apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1972. Apesar do estande modesto, o carro roubou a cena. A produção oficial começou em 1974, e o próximo passo lógico era um modelo maior. Assim nasceu o projeto do Lafer LL.

Muito se comenta que o LL seria uma cópia do Mercedes SLC. Não é. O design do carro foi definido pelo método clássico do clay, modelado em argila para encontrar a forma final, absorvendo o melhor do design europeu da época. O carro lembra o Mercedes porque esse era o veículo referencial do período, mas as influências são múltiplas. O Lafer LL não copiou, mas incorporou um arquétipo. Assim como as SUVs de hoje são todas parecidas porque seguem uma forma comum, o LL expressava o espírito do tempo — o Zeitgeist — dos GTs europeus dos anos 1970. E ao exterior refinado, Percival somou o diferencial que a Lafer dominava como ninguém: o interior. Os bancos em couro e o acabamento em madeira nobre remetiam diretamente ao vocabulário dos móveis Lafer. Sentar no LL era como estar num sofá da sala.

O interior do Lafer LL 007 foi modificado com um volante convencional, bancos revestidos em courvin e painel com instrumentos analógicos no lugar dos mostradores digitais.
O interior do Lafer LL 007 foi modificado com um volante convencional, bancos revestidos em courvin e painel com instrumentos analógicos no lugar dos mostradores digitais.

Vanguarda tecnológica cinquenta anos atrás

O Lafer LL foi pioneiro também do ponto de vista tecnológico. Em 1976, o carro apresentava um painel digital, algo inconcebível para a época. Como os equipamentos não existiam no mercado, foram fabricados dentro da própria Lafer. No lugar de instrumentos analógicos convencionais, lâmpadas acendiam progressivamente no centro do volante: verde para indicar progresso, vermelho para alertar sobre rotações perigosas. Para quem precisava de valores numéricos exatos, havia uma televisão de tubo de 17 polegadas atrás da alavanca do câmbio: o bisavô das telas que hoje equipam os automóveis.

Outros detalhes revelavam o mesmo espírito inventivo. A fiação elétrica, o que hoje chamamos de chicote, era produzida artesanalmente em bancadas de 15 a 20 metros, fio a fio, cor a cor, unida com adesivo industrial. O para-choque dianteiro avançava 15 centímetros a partir de 60 km/h graças a um sistema hidráulico, absorvendo impactos. Cada carro saía da fábrica com uma placa dourada no painel, gravada com o número do veículo e o nome do primeiro proprietário.

O volante do Lafer LL 001 ainda é original, mas os mostradores digitais estão desativados. Instrumentos analógicos ocupam o lugar do monitor de 17 polegadas perto da alavanca de marchas.
O volante do Lafer LL 001 ainda é original, mas os mostradores digitais estão desativados. Instrumentos analógicos ocupam o lugar do monitor de 17 polegadas perto da alavanca de marchas.

O desenvolvimento foi igualmente artesanal nos testes. Sem dummies de ergonomia, usavam pessoas reais para avaliar posicionamento e conforto. Para medir a velocidade máxima (o motor era o 250 da linha GM, o mesmo do Opala), a equipe escolheu uma rodovia com posto policial equipado com cronômetro. Os pilotos de testes passavam a 180, 185 km/h, um policial anotava o tempo e, no posto seguinte, outro aplicava a multa. A taxa era irrisória. Os dados, preciosos.

As limitações e o fim de uma era

A complexidade tecnológica do LL cobrava seu preço. O painel, desenvolvido por dois ou três engenheiros, deveria ser de manutenção exclusiva da fábrica, pois qualquer proprietário que levasse o carro a um eletricista comum arriscava queimar metade dos instrumentos. A Lafer garantia a manutenção dos exemplares, mas a fragilidade era estrutural. Com o tempo, os proprietários foram substituindo componentes: painéis, faróis, grades, lanternas. O para-choque hidráulico tornou-se uma dor de cabeça e quase nenhum exemplar o mantém funcionando até hoje.

Detalhe do para-choque traseiro do Lafer LL 007.
Detalhe do para-choque traseiro do Lafer LL 007.

Financeiramente, o LL foi um prejuízo. Saiu do papel porque a Lafer tinha alta rentabilidade em seu negócio principal: os móveis. Se Percival desistiu do Lafer LL, ele seguiu acreditando no projeto do MP Lafer até 1988, mesmo diante da crise do petróleo de 1979 e da hiperinflação dos anos 1980, contrariando consultores. A empresa encerrou as atividades apenas em 2022. Resistiu tanto tempo graças às patentes dos móveis. Quando elas começaram a vencer, fabricantes chineses já tinham cópias prontas para assumir os contratos de exportação aos europeus. O modelo de negócio chegou ao fim.

Um legado maior do que os números

O Lafer LL é a prova de que o Brasil tem criatividade e o que os franceses chamam de savoir-faire — a capacidade de fazer acontecer. A dificuldade, histórica, vem depois: na gestão de longo prazo, na escala, na perenidade. E aí o problema raramente é o empresário. É o sistema. O ambiente tributário e regulatório brasileiro não contribui com quem começa pequeno e quer empreender. A Lafer surfou no momento em que o país precisava gerar divisas e a proibição de importar automóveis favorecia iniciativas como o LL, o Santa Matilde e o Miura. Esses empresários não eram amigos do poder. Eram teimosos.

O carro era de fibra de vidro. Mas as pessoas que o fabricavam também eram de fibra.

As rodas do Lafer LL foram projetadas exclusivamente para o modelo e são tão raras quanto os próprios carros.
As rodas do Lafer LL foram projetadas exclusivamente para o modelo e são tão raras quanto os próprios carros.

O depoimento de quem dirige dois Lafer LL

Quando saí do estúdio do podcast, montado no gramado da Praça Adhemar de Barros, bem ao lado da exposição tripla do Lafer LL, o Toninho Genoin e o Reinaldo Keller já não estavam mais por perto. Após retornar para minha cidade, fiquei sabendo que ambos tiveram seus carros premiados na grande mostra que, dizem, atraiu um público de 500 mil pessoas num fim de semana prolongado. Um reconhecimento mais do que merecido para ambos.

O tanque de combustível do Lafer LL fica entre o banco dos passageiros e o bagageiro. O abastecimento é feito pela coluna C.
O tanque de combustível do Lafer LL fica entre o banco dos passageiros e o bagageiro. O abastecimento é feito pela coluna C.

Em contato com o Genoin, pedi para ele registrar um depoimento sobre como é dirigir um Lafer LL, algo que pouquíssimas pessoas neste pequeno mundo tiveram o privilégio de fazer. Segue o relato dele especialmente para os amigos do mplafer.net:

“Jean, você sabe que eu piloto até avião pegando fogo. Então, o que posso dizer sobre o Lafer LL é que ele é um carro sensacional. O 001, com aquele interior todo original de época, tem bancos que parecem um sofá — de um conforto extraordinário. Motorização, suspensão, equilíbrio: é fantástico de guiar. Motor forte, carroceria leve, tamanho compacto. Uma nave dos anos 1970.

Há pouco tempo dei uma volta com o 007 e, numa curva molhada, acelerei sem querer demais. Tive de lembrar dos tempos de Rally de Velocidade — o carro veio de lado, puxei para o outro e ele se endireitou em linha. Emocionante, como só um carro desse pode proporcionar. Aliás, a nossa equipe de Rally tinha um lema: ‘Na dúvida... Acelera!!!’. Chegamos a conquistar dois títulos brasileiros de Rally de Velocidade e três vice-campeonatos, sempre sem patrocínio, mas com muita determinação. Esses títulos me renderam dois Capacetes de Ouro — o Oscar do automobilismo brasileiro.

Sobre os carros em si: temos o primeiro e o último Lafer LL fabricados. A fábrica encerrou a produção com sete unidades, e o Flávio encontrou recentemente a carroceria que seria o oitavo exemplar. Possuir o 001 e o 007 é ter nas mãos a abertura e o fechamento de uma história única do automobilismo nacional.

O 001 passou recentemente por uma revisão com o Mario, preparador esportivo especializado em Opala de terra. Ao abrir os freios, ele ficou perplexo: após mais de trinta anos trabalhando com Opalas, nunca tinha visto um disco, uma pinça e uma pastilha de freio com a marca GM originais de fábrica. Uma raridade dentro de outra raridade.

Percival foi um homem de visão extraordinária. Um carro daquele porte, com para-choque retrátil, concebido nos anos 1970, quando as opções eram poucas — isso diz tudo. Dirigir um Lafer LL é estar na estrada e, ao mesmo tempo, no sofá de casa. Tenho muito orgulho de ser guardião dessas duas joias e fico feliz que a presença delas no EBAA 2026 tenha marcado história. O LL é um carro que, como dizia a vinheta, não existiu — e, ainda assim, está aí, vivo, presente e inesquecível.”

Marcos, Toninho e Elaine Genoin: zeladores da trajetória do Lafer LL.
Marcos, Toninho e Elaine Genoin: zeladores da trajetória do Lafer LL.

A história continua

E assim terminamos mais uma tentativa de honrar a memória de um projeto automobilístico que antecipou tendências que se confirmaram apensas anos ou décadas depois. Obviamente, muitas pontas ainda continuam soltas na história do Lafer LL, ao passo que outras se ataram, envolvendo pessoas repletas de entusiasmo. É justamente com entusiasmo que as próximas páginas sobre o Lafer de luxo deverão ser escritas, posto que se este mundo é pequeno e a vida é curta, não há razão para desperdiçar o tempo e o espaço com decisões estritamente racionais. É justamente por dar abertura para as emoções, que arquitetos de formação cartesiana escrevem livros e concebem automóveis fora-de-série.

Veja também:

Precisamos falar sobre o encontro de carros antigos em Águas de Lindóia

Encontro Brasileiro de Autos Antigos em Águas de Lindóia: infraestrutura e segurança acompanham o crescimento do evento?

Um formigueiro humano em Águas de Lindóia: multidão lembra saída de estádio de futebol em dia de final de campeonato.
Um formigueiro humano em Águas de Lindóia, no dia 05 de junho de 2026: multidão lembra saída de estádio de futebol em dia de final de campeonato.

Águas de Lindóia recebe há mais de 25 anos um dos maiores encontros de carros antigos do Brasil. O evento cresce a cada edição em veículos, visitantes e impacto econômico, e merece ser celebrado. Mas justamente por seu sucesso, algumas perguntas precisam ser feitas: a infraestrutura urbana, a segurança pública e os serviços de emergência estão crescendo na mesma velocidade que a festa?

Por Jean Tosetto

Considerando que a atual organização já acumula mais de uma década à frente da iniciativa, trata-se de uma tradição sólida no calendário nacional do antigomobilismo.

Os números impressionam. Uma cidade com cerca de 18 mil habitantes chega a receber centenas de milhares de visitantes durante o fim de semana prolongado em que acontece o Encontro Brasileiro de Autos Antigos. Fala-se em 500 mil pessoas visitando a cidade num fim de semana prolongado. Os participantes pagam valores consideráveis para expor seus veículos, os hotéis da cidade e da região operam com ocupação máxima, e uma enorme cadeia econômica é beneficiada pelo evento.

Uma festa que movimenta toda a região

Hotéis de Águas de Lindóia, Lindóia, Monte Sião, Socorro e Serra Negra recebem visitantes. Ambulantes, restaurantes, comerciantes locais, vendedores de peças, colecionadores de memorabilia e negociantes de automóveis movimentam milhões de reais. Trata-se de um acontecimento que gera emprego, renda e projeção turística para toda a região.

Por essa razão, não estamos aqui para criticar a existência do evento. Pelo contrário: quanto mais iniciativas capazes de movimentar a economia das pequenas cidades, melhor. O objetivo desta reflexão é outro: discutir se a infraestrutura acompanha o crescimento constante da festa.

O evento que não para de crescer

Quem frequenta o encontro há vários anos percebe que ele cresce continuamente. A exposição, antes concentrada na Praça Adhemar de Barros, expandiu-se para outras áreas da cidade. O número de veículos expostos aumentou significativamente e hoje gira em torno de mil unidades. Consequentemente, o fluxo de visitantes também cresceu.

Em determinados momentos, as alamedas da praça e as ruas do entorno ficam completamente tomadas por pessoas. A circulação torna-se difícil. Em alguns trechos, a sensação é semelhante à movimentação observada na entrada ou na saída de um grande estádio de futebol.

Segurança: as perguntas que precisam ser feitas

É justamente nesse ponto que surgem questionamentos sobre segurança e infraestrutura.

Será que as lanchonetes itinerantes possuem equipamentos adequados de prevenção e combate a incêndios? Existe um plano eficiente para evacuação da área em caso de emergência? As vias de acesso permitem o deslocamento rápido de ambulâncias, viaturas policiais e equipes de resgate?

Quem conhece o evento sabe que o trânsito da cidade fica extremamente congestionado. A entrada e a saída de Águas de Lindóia tornam-se lentas. A situação se repete em Lindóia, cidade vizinha, por onde passam muitos dos veículos que retornam para rodovias em direção a Socorro, Serra Negra e outras localidades. Mesmo as rotas alternativas acabam absorvendo um volume elevado de tráfego.

Diante desse cenário, cabe perguntar: se houver necessidade de atendimento emergencial, as equipes de socorro conseguirão chegar rapidamente ao local?

Bombeiros, hospitais e helicópteros: a capacidade está à altura?

Outra questão importante diz respeito à estrutura permanente da cidade. Águas de Lindóia conta com bombeiros voluntários, enquanto a unidade mais próxima do Corpo de Bombeiros Militar está localizada em Lindóia. Em dias normais, a distância entre as duas cidades é percorrida em poucos minutos. Entretanto, durante o encontro, o congestionamento pode aumentar significativamente o tempo de deslocamento.

Da mesma forma, cabe perguntar se a capacidade hospitalar local é compatível com a população temporária presente durante os dias de maior movimento. O hospital da cidade atende adequadamente as necessidades de uma população de aproximadamente 18 mil habitantes, mas estará preparado para dar suporte a uma concentração diária que pode alcançar dezenas de milhares de pessoas?

Também vale refletir sobre a existência de áreas adequadas para pouso de helicópteros de resgate, caso seja necessário o transporte aéreo de pacientes em situações mais graves.

Se nada for equacionado neste sentido, pode ser que numa edição futura do evento ocorra um incidente que cause um tumulto generalizado, resultando numa tragédia sem precedentes.

Conforto, sinalização e acessibilidade

Além da segurança, existem aspectos relacionados ao conforto e à experiência dos visitantes que merecem atenção. Uma reclamação recorrente diz respeito à quantidade insuficiente de sanitários, especialmente para o público feminino. Também é possível perceber oportunidades de melhoria na comunicação visual, tanto na praça do encontro de carros quanto na sinalização urbana da cidade.

Parte dos recursos gerados por um evento dessa magnitude poderia ser direcionada a investimentos permanentes em infraestrutura. Melhorias em sinalização, acessibilidade, organização do trânsito e serviços públicos beneficiariam não apenas os visitantes do encontro, mas também os moradores da cidade ao longo de todo o ano.

Outro ponto relevante é a acessibilidade universal. O Brasil está envelhecendo, e cresce o número de pessoas com mobilidade reduzida. Apesar disso, ainda são percebidas dificuldades para cadeirantes, idosos e visitantes com necessidades especiais circularem com conforto em meio às multidões e às condições do espaço utilizado pelo evento.

Celebrar e evoluir: os dois lados da mesma moeda

Nada disso diminui os méritos do Encontro Brasileiro de Autos Antigos. O evento continua sendo uma grande celebração da cultura automobilística e um importante ponto de encontro para pessoas de diferentes regiões do Brasil. Muitos visitantes retornam anualmente não apenas pelos automóveis expostos, mas pela oportunidade de rever amigos, encontrar colegas que conhecem apenas pela Internet e compartilhar uma paixão comum.

Águas de Lindóia oferece um cenário privilegiado para isso. O clima ameno do outono, o relevo montanhoso e o charme característico do Circuito das Águas Paulista ajudam a explicar por que tantas pessoas escolhem voltar todos os anos.

Justamente por seu sucesso, o encontro precisa continuar evoluindo.

Os pontos positivos são evidentes e merecem ser celebrados. Os pontos que ainda apresentam fragilidades precisam ser discutidos de forma construtiva. Prefeitura, organizadores, comerciantes e visitantes compartilham o interesse de ver o evento crescer de maneira sustentável e segura.

Logo, perguntar não é criticar. Perguntar é contribuir. E talvez a principal pergunta seja esta: a infraestrutura está crescendo na mesma velocidade que o evento?

Se a resposta ainda não for totalmente positiva, existe uma oportunidade para planejar melhorias que beneficiem tanto o Encontro Brasileiro de Autos Antigos quanto a própria cidade de Águas de Lindóia pelas próximas décadas.

Veja também:

Desencontros: de Águas para Vinhedo

Como foi: 6º Encontro Brasileiro de Autos Antigos - Águas de Lindóia 2019

As histórias rolam nas Águas de Lindóia

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29º Encontro Nacional do Clube do MP Lafer Brasil: sol, carreata e amizade em Holambra

A beleza somada dos MPs  estacionados em Holambra, no interior de São Paulo.
A beleza somada dos MPs  estacionados em Holambra, no interior de São Paulo.

O 29º Encontro Nacional do Clube do MP Lafer Brasil reuniu, entre os dias 15 e 17 de maio de 2026, dezenas de entusiastas do clássico automóvel brasileiro na cidade de Holambra, interior de São Paulo. Apesar das previsões de chuva que afastaram parte dos participantes, o sol prevaleceu nos dois dias de programação, garantindo exposição de carros, almoço coletivo, buzinaço pelas ruas da cidade e uma noite animada de confraternização.

Por Gilberto Martines

Como ocorre há 29 anos, entre os meses de abril e maio o Clube do MP Lafer Brasil promove o seu Encontro Nacional. O convite foi enviado aos laferistas no início de abril, por meio do site mplafer.net e por e-mail aos associados cadastrados. Holambra foi escolhida novamente como sede — e deve permanecer assim nas próximas edições. Os motivos são práticos e já testados: a cidade fica a distância razoável de São Paulo, tem acesso por boas rodovias, boa infraestrutura para hospedagem, lojas para visitação, bons restaurantes e uma relação favorável com a prefeitura, que cede espaço para a exposição dos carros.

A chegada: garoa na capital, sol no interior

Na sexta-feira (15), quem não quis esperar partiu cedo. Com uma garoa discreta em São Paulo e a Marginais congestionadas, a viagem teve uma parada estratégica no posto do quilômetro 28 da Rodovia Bandeirantes — onde, por coincidência, já estava um grupo de cinco laferistas prestes a partir em carreata para Holambra. A cena despertou saudade dos tempos em que mais de 50 carros percorriam as estradas em fila indiana, causando alvoroço por onde passavam. Hoje, esse formato se tornou logisticamente mais difícil, mas a ideia de organizar grupos menores para retomar a aventura não está descartada. No portal de entrada de Holambra, o mesmo grupo dos cinco foi reencontrado — o acaso fez sua parte.

O MP Lafer do Giba diante de um dos acessos de Holambra.
O MP Lafer do Giba diante de um dos acessos de Holambra.

Sábado ensolarado: exposição, almoço e carreata

A previsão do tempo para o fim de semana era de chuva, o que desestimulou a participação de muitos. Mas o sábado amanheceu com sol. Às 9h30, o primeiro carro já estava estacionado no espaço reservado pela prefeitura. Às 12h30, 23 MPs estavam presentes. Ao meio-dia, o grupo seguiu em bloco para o Restaurante Clube Fazenda Ribeirão — já conhecido dos laferistas, com boa comida e localização próxima ao local do evento.

Um jardim de flores e de MPs.
Um jardim de flores e de MPs.

Após o almoço, uma chuva rápida interrompeu brevemente a programação. Assim que passou, os participantes se reuniram novamente junto aos carros para ouvir as palavras do presidente Walter Arruda, seguidas das falas do diretor Romeu Nardini e do companheiro Macrini. Foi anunciado que a carreata seria antecipada para as 16h, diante da previsão de chuva para o domingo. Antes de partir, houve um sorteio de camisetas do Clube e de um par de lanternas traseiras de MP, cedidas por Toninho, da Tony Car Restaurações — presença constante nos encontros, sempre acompanhado dos filhos Beto e Leo, que com ele formam uma equipe especializada na conservação dos carros.

Às 16h em ponto, a carreata percorreu as ruas de Holambra com o tradicional buzinaço. De volta ao estacionamento, ficou combinado: se o domingo não trouxesse chuva, o grupo se reencontraria às 9h para uma nova volta pela cidade às 10h.

Noite de confraternização

À noite, cerca de 20 pessoas se reuniram para jantar no Hotel Royal Tulip Holambra. O ambiente agradável e a conversa animada fizeram da noite um dos pontos altos do encontro.

Fachada do Hotel Royal Tulip Holambra.
Fachada do Hotel Royal Tulip Holambra.

Domingo: mais sol, mais carreata, até o ano que vem

O domingo também contrariou a previsão do tempo. Com o céu aberto, 11 MPs compareceram para a carreata matinal — quatro deles chegando pela primeira vez no evento, apenas no segundo dia. Somados aos presentes no sábado, o encontro reuniu ao todo 27 carros. Após a carreata, fotografias, abraços e despedidas. Cada um seguiu seu caminho.

A grande família laferista reunida no domingo de manhã.
A grande família laferista reunida no domingo de manhã.

Parabéns e agradecimentos a todos os participantes e aos organizadores Walter, Romeu e Jean. E um lembrete para a agenda: em 2027 será o 30º Encontro Nacional. Que venham ainda mais laferistas.

A bandeira do Clube MP Lafer Brasil demarcando o território.
A bandeira do Clube MP Lafer Brasil demarcando o território.

27 MPs não deixaram a tradição acabar em 2026.
27 MPs não deixaram a tradição acabar em 2026.

Nunca é só um encontro de carros antigos. É sobretudo um encontro de gente.
Nunca é só um encontro de carros antigos. É sobretudo um encontro de gente.

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Encontro do Clube MP Lafer Brasil em Holambra: chuva, carreata e a magia dos conversíveis clássicos

A 29ª edição do encontro do Clube MP Lafer Brasil em Holambra reuniu entusiastas, sorrisos de crianças e uma carreata surpresa sob céu instável.
A 29ª edição do encontro do Clube MP Lafer Brasil em Holambra reuniu entusiastas, sorrisos de crianças e uma carreata surpresa sob céu instável.

Apesar das previsões de chuva que intimidaram parte dos participantes, a 29ª edição do encontro do Clube MP Lafer Brasil, realizada em Holambra nos dias 16 e 17 de maio de 2026, provou que o entusiasmo dos proprietários de conversíveis clássicos supera eventuais adversidades climáticas. Com 27 MPs reunidos ao longo do fim de semana, o evento contou com uma carreata improvisada pelas ruas arborizadas da cidade, jantares descontraídos entre amigos e, no encerramento, crianças de olhos brilhantes atrás do volante de um ícone do automobilismo brasileiro.

Por Jean Tosetto

Uma vez por ano, o Clube MP Lafer Brasil organiza um encontro da marca. As últimas edições têm se concentrado em Holambra, no primeiro fim de semana após o Dia das Mães, numa época do ano com menor histórico de chuvas no interior de São Paulo. Em 2026, porém, as previsões meteorológicas apontavam precipitações durante todo o fim de semana, o que levou muitos participantes a desistir.

A realidade foi diferente. No sábado, houve apenas uma pancada isolada à tarde. O deslocamento até Holambra, tanto na ida quanto na volta, foi marcado por chuva, mas o evento em si transcorreu em condições satisfatórias. Ainda assim, o número de participantes ficou abaixo do esperado: ao longo dos dois dias, foram reunidos 27 MPs diferentes. Vários proprietários optaram por vir em seus carros convencionais. Se tivessem vindo de MP, a estimativa é que o total ultrapassaria 35 unidades.

Como Walter Arruda, presidente do Clube MPLA Brasil, observou, quem é apenas convidado pode desistir até o último momento. Já quem faz parte da organização mantém o compromisso, e foi assim que parte do grupo se deslocou para Holambra ainda na sexta-feira.

Um conversível que não teme a chuva

O deslocamento de Paulínia até Holambra foi feito sob chuva por pouco mais de uma hora. A primeira parada foi na Secretaria de Turismo da cidade, para retirar as chaves dos cadeados que trancam as correntes do estacionamento da prefeitura, reservado ao clube durante o fim de semana.

Embora o MP Lafer seja um conversível amplamente associado ao sol (característica especialmente valorizada em um país tropical como o Brasil), o modelo se comporta bem também sob chuva. Basta fechar a capota e seguir em frente. A mecânica Volkswagen é confiável, e uma viagem de 100 a 150 quilômetros sob chuva fina é perfeitamente viável. Percursos mais longos, de 300 a 400 quilômetros, tendem a se tornar cansativos nesse tipo de situação.

Ainda na sexta-feira, circulando por Holambra, já era possível ver alguns conversíveis estacionados diante de restaurantes ou transitando pelas ruas: sinal animador para o dia seguinte.

Holambra recebe os conversíveis com sol e boas vindas

Na manhã de sábado, ao contrário do que indicavam as previsões, o dia amanheceu ensolarado, com temperatura amena e clima agradável. Aos poucos, os MP Lafer foram chegando de diversas cidades: Paulínia, Americana, Campinas, São Paulo, São Bernardo do Campo, Arujá, Socorro, São João da Boa Vista e Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Outros vieram de localidades ainda mais distantes, como Birigui, Marília e São José do Rio Preto.

O estacionamento reservado pela prefeitura foi ocupado gradualmente. Assim que o recinto foi aberto pela manhã, uma moradora tentou estacionar em uma das vagas reservadas para os MP Lafer. Após a explicação, ela comentou que a prefeitura vinha atraindo muita gente e muitos carros de fora, e que os próprios moradores precisavam se adaptar a isso.

A observação é legítima. Se, por um lado, os veículos do clube ocupam vagas que poderiam ser usadas pelos moradores, por outro, representam uma atração turística adicional, atraindo visitantes de outras cidades e até de outros estados. Durante o fim de semana, foram registradas conversas com turistas vindos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Holambra: turismo, arquitetura e gastronomia

Holambra, com menos de 16 mil habitantes, tem se destacado no cenário turístico nacional. A cidade possui uma organização espacial diferenciada, com um urbanismo que remete a cidades europeias e norte-americanas: muros baixos, grandes jardins nas frentes das casas e uma área central repleta de bares e restaurantes com fachadas de influência holandesa e europeia.

A infraestrutura turística é sólida, com boa oferta de hotéis, pousadas e restaurantes para diferentes perfis de visitantes. No plano gastronômico, é possível almoçar um pastel ao lado da igreja matriz ou saborear um prato mais elaborado em um restaurante com vista para um lago.

O acesso também facilita a visita. A cidade é conectada a São Paulo por rodovias de pista dupla em cerca de 98% do percurso, com apenas os quilômetros finais em pista simples.

A chuva que virou festa: a carreata improvisada

No sábado à tarde, por volta das 15h15, o sol deu lugar a nuvens e uma pancada de chuva se formou rapidamente. Os participantes se concentraram na varanda do espaço público da Prefeitura de Holambra. Diante do cenário, a diretoria do clube decidiu antecipar a carreata prevista para o domingo e realizá-la ainda naquela tarde, garantindo que todos pudessem conhecer as principais ruas da cidade, caso a chuva voltasse no dia seguinte.

A decisão valeu a pena. O passeio colocou motoristas e passageiros dos MP Lafer em contato direto com turistas e moradores. Em alguns pontos do percurso, o buzinaço fez a festa de crianças e adultos que acenavam para os conversíveis nas ruas arborizadas do município.

A chuva, que inicialmente parecia uma ameaça, acabou contribuindo para criar um momento espontâneo e descontraído, transformando a carreata em uma atração inesperada naquela tarde de sábado.

À noite, os participantes que pernoitaram em Holambra se reuniram em restaurantes para momentos de descontração, sem assuntos pesados: apenas amenidades e a boa companhia de amigos que se encontram de tempos em tempos.

Os primeiros MPs estacionam em Holambra, no sábado de manhã.
Os primeiros MPs estacionam em Holambra, no sábado de manhã.

Turistas, moradores de Holambra e entusiastas de MP Lafer interagem entre carros e flores.
Turistas, moradores de Holambra e entusiastas de MP Lafer interagem entre carros e flores.

A imagem revela o dia bonito em 16 de maio de 2026.
A imagem revela o dia bonito em 16 de maio de 2026.

A Barateiro Miniaturas prestigiou o encontro anual de MP Lafer, com seu estande montado no acesso do estacionamento.
A Barateiro Miniaturas prestigiou o encontro anual de MP Lafer, com seu estande montado no acesso do estacionamento. 

Um MP Lafer Ti entre várias unidades da versão tradicional, inspirada no MG TD.
Um MP Lafer Ti entre várias unidades da versão tradicional, inspirada no MG TD.

Ciclistas de Sumaré rodaram dezenas de quilômetros e passaram pelo evento dos MPs.
Ciclistas de Sumaré rodaram dezenas de quilômetros e passaram pelo evento dos MPs.

Os MPs perfilados são capturados pela lente da fotógrafa.
Os MPs perfilados são capturados pela lente da fotógrafa.

Logo depois do almoço: o melhor horário para fotografar os MPs sem tanta gente na frente.
Logo depois do almoço: o melhor horário para fotografar os MPs sem tanta gente na frente.

A chuva repentina fez todos correrem para se abrigar na varanda da prefeitura de Holambra.
A chuva repentina fez todos correrem para se abrigar na varanda da prefeitura de Holambra.

A chuva lavou a carroceira dos MPs e a alma das pessoas.
A chuva lavou a carroceira dos MPs e a alma das pessoas.

Ainda bem que os MPs não são feitos de açúcar.
Ainda bem que os MPs não são feitos de açúcar.

Assim que o sol voltou, foi fácil chamar todos para uma foto da grande família.
Assim que o sol voltou, foi fácil chamar todos para uma foto da grande família.

No fim da tarde de sábado, os MPs percorrem as ruas de Holambra.
No fim da tarde de sábado, os MPs percorrem as ruas de Holambra.

Domingo de sol e olhares que emocionam

A manhã de domingo, 17 de maio de 2026, amanheceu ainda melhor do que a do dia anterior: clima mais agradável, temperatura amena e céu aberto. O comparecimento, porém, foi menor: 13 veículos estiveram presentes, dos quais 4 não haviam participado no sábado. Somados aos 23 do dia anterior, chegou-se ao total de 27 MP Lafer diferentes ao longo do fim de semana. A carreata de domingo contou com 11 carros, já que dois MPs haviam deixado a cidade antes do passeio.

Logo após o almoço, os participantes de cidades mais distantes começaram a se despedir. E foi justamente no encerramento que aconteceu um dos momentos mais marcantes do encontro.

Turistas vindos do Rio de Janeiro e de São Paulo se aproximaram dos carros estacionados. As crianças, de olhos brilhantes diante dos MP Lafer, claramente queriam tirar fotos. As famílias foram convidadas a se aproximar e, com o estacionamento mais tranquilo e o movimento menor, algumas crianças tiveram a oportunidade de sentar no banco do motorista, segurar o volante e até dar pequenas voltas pelo entorno, como caronas num parque de diversão.

É difícil descrever com precisão o impacto que o MP Lafer causa nas pessoas. As crianças, com sua espontaneidade e ausência de reservas, não precisam disfarçar a emoção. O sorriso delas diante do volante de um conversível clássico transmite uma energia genuína — e resume bem o que esses encontros representam.

Como tudo que é muito bom também passa rápido, chegou o momento de fechar novamente as correntes do estacionamento e devolver as chaves à guarita da prefeitura.

No domingo da manhã a festa prosseguiu com menos gente.
No domingo da manhã a festa prosseguiu com menos gente.

O colorido dos MPs se mistura com o colorido das flores.
O colorido dos MPs se mistura com o colorido das flores.

Neste dia, a preocupações do cotidiano ficaram em casa.
Neste dia, a preocupações do cotidiano ficaram em casa.

Enquanto os homens ficavam perto de seus brinquedos, as mulheres passeavam pelo centro de Holambra.
Enquanto os homens ficavam perto de seus brinquedos, as mulheres passeavam pelo centro de Holambra.

Turistas de Rio de Janeiro e São Paulo circulam entre os MPs.
Turistas de Rio de Janeiro e São Paulo circulam entre os MPs.

Que nota você dá para esse sorriso angelical?
Que nota você dá para esse sorriso angelical? 

Agradecimentos 

O encontro não teria sido possível sem a dedicação de Walter Arruda e Romeu Nardini, do Clube MP Lafer Brasil; o apoio de Alfeu Cabral na organização; e a presença fiel de Gilberto Martines, recordista de participação: em 29 edições, faltou apenas uma vez. Um agradecimento especial também a Alessandra Caratti e Marcos Melo, da Secretaria de Turismo de Holambra, pelo acolhimento de sempre. Não podemos esquecer da Danila, que cuidou da limpeza do recinto e do Toninho, Beto e Leo, da Tony Car Restaurações de MP Lafer, sempre atenciosos.

Até a próxima edição — a de número 30!

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