Carro na estrada para Monte Alegre do Sul

Elevação posterior do portal de Monte Alegre do Sul.
Elevação posterior do portal de Monte Alegre do Sul.

Apenas um dia já pode ser suficiente para recuperar as baterias gastas nas engrenagens do cotidiano. Não é preciso esperar meses para fazer uma viagem curta. Se o carro está em ordem na garagem, o check-in no aeroporto pode esperar.

Por Jean Tosetto *

Quando você é jovem de corpo e alma, além de recém-chegado ao mercado de trabalho, ouvir as pessoas reclamarem do estresse não faz muito sentido. Você está com toda a energia e disposição para abraçar o mundo e não presta muita atenção nas dores alheias. Mas uma frase aqui e outra acolá fica enterrada no seu inconsciente e subitamente elas afloram quando chega a sua vez de perguntar:

- O que estou fazendo aqui?

Então um de seus primeiros clientes volta a conversar com você num flashback mental:

- As pessoas ficam estressadas, trabalhando o ano inteiro, esperando pelo seu mês de férias para aliviar o fardo. Quando viajam por vários dias, elas saem do seu ambiente viciado para sentir um alívio momentâneo, mas a situação só piora quando a pessoa volta para o ofício. No meu entendimento, devemos combater o estresse em nosso ambiente de trabalho e na nossa rotina, mudando hábitos e melhorando a qualidade do espaço que ocupamos. Por isso quero que você me projete uma casa bem aconchegante.

Logicamente não foram as palavras exatas que o advogado usou no meu escritório, que ele revelou ter ouvido de uma psicóloga, mas uma das belezas de ser arquiteto é que podemos aprender o tempo todo com as pessoas, se deixarmos o radar ligado.

Por ser um profissional liberal, tenho dificuldade para tirar férias prolongadas. Ao longo do tempo, descobri a terapia de fazer pequenas viagens em fins de semana, de modo que estas se introduziram na minha rotina, funcionando como válvulas de escape da pressão crescente que muitas vezes nós mesmos nos impomos.

Fazer um bate e volta, com a opção de se hospedar no destino escolhido, nos permite colocar o carro na estrada, onde podemos desfrutar do prazer em dirigir – que as cidades brasileiras sem planejamento urbano vêm nos roubando.

Será que a culpa é só do carro?

Embora não more numa grande cidade como São Paulo, me coloco no lugar de seus milhões de habitantes, muitos deles perdendo horas do seu dia para se deslocarem de casa para o trabalho. Os engarrafamentos, os radares, as lombadas, o rodízio, os amarelinhos ou marronzinhos: tudo isso vai tirando do cidadão o prazer de guiar o próprio automóvel. Eis um crime não tipificado no Código Penal, mas que penaliza a vítima sem piedade.

É compreensível que o sujeito, após uma semana inteira de trabalho, não queira nem chegar perto de seu carro no domingo. Ele muitas vezes prefere esperar as férias chegarem, já pagando as parcelas do pacote turístico para Orlando na Flórida, por exemplo. Daí vem uma constatação irônica: muitos brasileiros que viajam de avião para outros países, não conhecem cidades de interesse turístico que, não raramente, ficam num raio inferior a 200 km.

Quantos bilhões de reais o Brasil desperdiça por ano, por não ter uma política de turismo nacional realmente eficaz?

Não estamos aqui para reclamar dos agentes públicos, mas para fazer a nossa parte, com as ferramentas que temos em mãos e o com princípio da iniciativa privada. Falemos de nossas pequenas e acolhedoras cidades. Valorizemos nossa gente. Circulemos nosso dinheiro entre nós mesmos. E finalmente coloquemos nossos carros na estrada. Se eles foram feitos para isso, nós também fomos.

Santo de casa também faz milagre

Por vezes, para conhecer um lugar diferente e não muito longe de casa, precisamos apenas de um motivo, uma boa desculpa para sair da frente da TV ou dos corredores de um Shopping Center no fim de semana. A Festa do Morango em Monte Alegre do Sul, por exemplo.

Esta pequena cidade, com menos de oito mil habitantes, fica no Circuito das Águas Paulista, entre Amparo e Serra Negra, nas margens do Rio Camanducaia, que serpenteia entre os montes da Serra Mantiqueira. Rica em fontes de água mineral, a malha urbana desordenada do município, repleta de casas do tempo colonial no ciclo do café, lembra a composição de um presépio, quando vista do alto de algum mirante.

O município de forte presença de descendentes de italianos fica distante apenas 130 km de São Paulo – ou seja, dá para ir e voltar no mesmo dia. Mas se tiver vaga em alguma pousada rural, vale a consideração pelo pernoite, especialmente se o clima estiver convidativo, com aquele ar puro e gelado que desce gostoso até os pulmões.

Há três caminhos pavimentados para chegar até Monte Alegre. Os usuários da Rodovia Fernão Dias podem seguir para Socorro e acessar uma estradinha vicinal tinhosa, que se liga ao caminho de Pinhalzinho para chegar ao destino pelo sul. Quem vem de Serra Negra, ao norte, desce apenas 6 km por uma pista simples, mas deliciosa de guiar. Nós optamos pela estrada que vem de Amparo, a oeste – é lá que fica o portal da cidade, construído num estilo que poderia ser classificado como misto de neocolonial com neorrenascentista.

Vista do portal de Monte Alegre do Sul para quem chega por Amparo.
Vista do portal de Monte Alegre do Sul para quem chega por Amparo.

Fronteira entre estados de espírito

A passagem pelo portal, reduzindo a marcha do carro, é simbólica. Até parece que deixamos numa alfândega imaginária aquele excesso de bagagem mental, formada por picuinhas não resolvidas, assuntos sem importância e implicações relacionadas ao trabalho. Para ingressar num recanto perdido entre montanhas, devemos levar apenas a parte alta do nosso astral.

Se por acaso o astral não estiver num bom nível, a placa indicando a direção do Mirante do Cristo vem como elixir. O percurso até o topo do monte é estreito e formado por bloquinhos de concreto intertravados. Nem todos bem travados. Os pneus vão tateando um por um e algumas peças se movimentam, fazendo um “cloc-cloc-cloc” agradável aos ouvidos.

Logo, um código informal se estabelece instintivamente entre desconhecidos: como só passa um carro de cada vez em certos trechos, quando há um encontro de veículos em direções opostas, quem está subindo joga duas rodas sobre a guia, encostando-se ao paredão. Quem está descendo não pode correr o risco de queda livre, dando passagem para quem sobe.

O Alfa Ronosso parece receber a benção luminosa do Redentor.
O Alfa Ronosso parece receber a benção luminosa do Redentor.

O cheiro do aconchego

Não é preciso dizer que a vista lá do alto é compensadora. Na quietude do lugar podemos ouvir a brisa encobrindo a pulsação do universo. Lá embaixo as casinhas coloridas disputam nossa atenção com o verde predominante da intensa arborização da paisagem. Se houvesse um restaurante com terraço panorâmico ali, poderíamos ter a sensação de esbarrar com Audrey Hepburn e Cary Grant, se estranhando ao som de Henry Mancini, no filme Charada. Está certo: o lugar não é nevado, mas igualmente charmoso.

Os jardins bem cuidados são uma tônica na cidade.
Os jardins bem cuidados são uma tônica na cidade.

Charmosa também é a velha Ponte da Mogiana, construída com estrutura metálica pela norte-americana Keystone Bridge Company de Pittsburgh em 1887, e restaurada um século depois pelo governo estadual. A Mogiana era uma empresa de transporte ferroviário, que escoava para Santos a produção de café em toda a região expandida de Campinas. Hoje o pontilhão não serve mais aos trens, mas aos automóveis – sempre um de cada vez.

A Ponte da Mogiana sobre o Rio Camanducaia.
A Ponte da Mogiana sobre o Rio Camanducaia.

Seguimos pelos trilhos desativados até a antiga estação ferroviária convertida em espaço cultural. Ao lado dela repousa uma locomotiva inglesa a vapor fabricada em 1910, sob um pergolado protegido com painéis de policarbonato. Teoricamente ela ainda funciona, dado que sua chaminé está ligada a um exaustor na cobertura translúcida. O ramal férreo da cidade foi desativado em 1966, para desalento daqueles que iam de trem para a capital.

Nas imediações da Maria Fumaça, funcionários municipais interrompiam o tráfego nas ruas de paralelepípedo que conduziam ao centro. Procuramos uma vaga para o Alfa Ronosso – como chamamos o nosso Twin Spark 156. A caminhada entre casarões com fachada na calçada não seria tão longa até a praça, em frente ao Santuário do Senhor Bom Jesus, repleta de barraquinhas de produtores rurais, com seus morangos do tamanho de limões e cachaças artesanais famosas no interior.

A passarela de pedestres sobre o Rio Camanducaia é cercada de verde.
A passarela de pedestres sobre o Rio Camanducaia é cercada de verde.

A locomotiva a vapor fez sua última viagem oficial em 1966.
A locomotiva a vapor fez sua última viagem oficial em 1966. 

Menos pressa – mais sabor

Com a fome apertando, procuramos um lugar para almoçar ali perto. Escolhemos um bife à parmegiana, numa varanda com vista para a Festa do Morango. A trilha sonora do momento foi executada ao vivo pela banda municipal, cujo repertório passeou pela Bossa Nova, Samba, MPB, Beatles e até uma peça erudita de Verdi. 

Mas o engasgo na garganta veio com o Tema da Vitória. Depois de tantos anos ele ainda mexe com os brasileiros. Não há estatísticas sobre isso, mas talvez a cada três famílias, duas tem um Ayrton Senna que foi embora cedo demais. A gente, porém, ainda tinha uma tarde inteira pela frente em Monte Alegre do Sul.

Nas escadarias do Santuário do Senhor Bom Jesus as pessoas descansam.
Nas escadarias do Santuário do Senhor Bom Jesus as pessoas descansam.

Hora da sobremesa. Um pote de morangos mergulhados no creme de leite e outro no chocolate. Arruma-se um lugar para sentar nas escadarias da igreja, que se convertem em arquibancadas para ver as pessoas passarem. As colheradas glicosadas abastecem o tanque de coragem para vencer a caminhada – quase uma escalada – até o Mirante do Cruzeiro.

Permeada com 14 imagens da Via Crúcis, a trilha para o alto do morro castiga as panturrilhas. A vontade de desistir só não é maior do que a curiosidade de ver o que tem lá em cima: uma capela e uma cruz, separadas por um campo que parece um heliporto – ou seria um lugar para esperar a chegada de uma espaçonave?

A trilha para o Mirante do Cruzeiro é adornada com imagens da Via Crúcis.
A trilha para o Mirante do Cruzeiro é adornada com imagens da Via Crúcis.

Entre a capela e a cruz há espaço para uma missa campal.
Entre a capela e a cruz há espaço para uma missa campal.

A religiosidade em cidades pequenas é mais latente do que nas grandes metrópoles. Talvez alguns não acreditem no além, mas acreditam no vizinho, cujos laços comunitários vão sendo fortalecidos sempre que alguém pendura um estandarte sacro na fachada da casa.

O “Fecha Corpo”

No Brasil as crenças se misturam e Monte Alegre guarda uma tradição iniciada em 1948, quando o Seu Zezé Valente adoeceu. Ninguém sabia ao certo o que era e, portanto, não havia cura para seu sofrimento. Como último recurso Seu Zezé procurou uma curandeira. Ela lhe ensinou uma receita de cachaça com ervas, que deveria ser preparada na quinta-feira da Semana Santa.
 
A bebida teria que ficar ao relento para ser consumida somente na alvorada da Sexta-Feira da Paixão. Seu Zezé se curou! Em agradecimento ele fez uma promessa: servir a cachaça milagrosa de graça, para quem lhe pedisse, nos anos seguintes. O dia do “Fecha Corpo” já completou sete décadas, com a tradição passada para os herdeiros do patriarca. 

Filas quilométricas se formam na porta da casa da Família Valente, que ainda serve uma fatia de pão com aliche para completar o desjejum. Como eles não dão mais conta de atender todo mundo, a Adega do Italiano entrou na história para ajudar. Tempos depois, vários alambiques do município engrandeceram o evento, a ponto de reunir gente fervorosa – além da conta – que vai fechar o corpo várias vezes, fazendo um périplo para garantir vida longa.

Fachada da casa da Família Valente, onde é servido o “Fecha Corpo”.
Fachada da casa da Família Valente, onde é servido o “Fecha Corpo”.

Quem nos contou isso foi um senhor que encontramos num boteco onde compramos água. Ele estava de camisa regata, bermuda e chinelos, mas portava um anel de advogado no dedo anelar direito. Pelo tamanho da pedra vermelha, devia ser tão bom de serviço como era de prosa.

Subindo a montanha

Anoitece mais cedo em cidades que dormem nas várzeas de rios que cortam as montanhas. As sombras que elas projetam nas ruas funcionam como ponteiros de relógios, a indicar a hora de pegar a estrada de novo. Antes conversamos com a Ludmila. Ela vive no Sítio do Júlio, distante mais de 20 km do centro, perto do Distrito de Mostardas. Levamos uma caixa de morangos para saber se realmente eles são os melhores do Brasil.

A Festa do Morango ocorre em julho, quando a Ludmila vende a safra do Júlio.
A Festa do Morango ocorre em julho, quando a Ludmila vende a safra do Júlio.

Seguimos para Serra Negra antes de voltar para casa. A subida da serra é curta, mas garante a diversão para aqueles que gostam de uma boa tocada. Eucaliptais fazem às vezes de guard-rails nas curvas em “C” que conversam com curvas em “S”. Tem curvas em “U” também, e algumas retas curtas para respirar. A paisagem é bucólica.

Essa estrada foi palco de três edições de uma corrida da modalidade “Subida de Montanha”. A última aconteceu em outubro de 2017. É o tipo de evento que atrai aficionados por máquinas de todos os tipos. Mas para levar a disputa a sério ali, a melhor pedida é um carro com tração traseira, livre de todo o peso extra de veículos convencionais.

Na subida para Serra Negra, as curvas são cercadas por eucaliptos.
Na subida para Serra Negra, as curvas são cercadas por eucaliptos.

E aquele peso extra que deixamos na alfândega imaginária do portal ficou para trás. No lugar dele, levamos de volta o perfume dos morangos e o desejo de voltar mais vezes. Em Monte Alegre do Sul não tem aeroporto e não tem mais estação ferroviária. Então a gente vai de carro mesmo – essa invenção sobre rodas que nos dá a liberdade de vasculhar o que há de bom perto de nós.


* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor dos livros “MP Lafer: a recriação de um ícone” (2012), "Arquiteto 1.0 - Um manual para o profissional recém-formado (2015), "Guia Suno Dividendos" (2017) e "Guia Suno de Contabilidade para Investidores" (2018). Saiba mais em www.vivalendo.com

Veja também:

MP Lafer em Kassel? Só pode ser conto de fadas

Uma coleção de MP Lafer diante do Castelo Garvensburg, fotografada em 19 de agosto de 2018.
Uma coleção de MP Lafer diante do Castelo Garvensburg, fotografada em 19 de agosto de 2018.

Folder promocional da reunião de MP Lafer em Kassel, na Alemanha.
Folder promocional da reunião de MP Lafer em Kassel, na Alemanha.

MP Lafer Germany realiza o sétimo encontro anual do modelo - a maior reunião de exemplares da marca fora do Brasil. A cidade escolhida neste ano é famosa pelos contos de fadas dos Irmãos Grimm.

Imagens gentilmente cedidas por Miro Dudek

O Brasil teve em Monteiro Lobato um de seus maiores escritores que abordaram a literatura infanto-juvenil através de contos e livros que hoje são considerados clássicos. Uma pequena cidade no Vale do Paraíba, em São Paulo, leva seu nome em homenagem. Chega-se até lá, a partir de Caçapava, pela Estrada do Livro, mas apesar disso poucos brasileiros conhecem o lugar.

Se pudéssemos traçar um paralelo entre Brasil e Alemanha neste quesito, os Irmãos Grimm ocupariam a posição de Monteiro Lobato na literatura alemã, dado que dedicaram a vida ao registro de fábulas, cujos contos alcançaram vários países e fizeram de Kassel, no atual estado de Hasse, a cidade dos contos de fadas.

Em 2018 ela foi escolhida como sede do sétimo encontro anual de MP Lafer na Alemanha. O evento ocorreu entre os dias 17 e 19 de agosto, no Schloss Hotel, de onde os participantes, que reuniram 15 exemplares do MP Lafer, seguiram uma programação para conhecer as atrações turísticas da região, com direito à recepção por parte de Annemarie Huck, que atua como a  Senhora dos Flocos de Neve, personagem de um dos contos de dos Irmãos Grimm.

Os MPs chegam em Kassel no dia 17 de agosto, numa sexta-feira de noite.
Os MPs chegam em Kassel no dia 17 de agosto, numa sexta-feira de noite.

Após um ano de espera, finalmente acontece um novo encontro de MP Lafer na Alemanha.
Após um ano de espera, finalmente acontece um novo encontro de MP Lafer na Alemanha.

No dia seguinte, o sábado de sol oferta um colorido especial na fila de MP Lafer.
No dia seguinte, o sábado de sol oferta um colorido especial na fila de MP Lafer.

O Schlosshotel de Kassel tem um projeto claramente inspirado na escola alemã de Arquitetura, a Bauhaus.
O Schlosshotel de Kassel tem um projeto claramente inspirado na escola alemã de Arquitetura, a Bauhaus.

Cena panorâmica de encher os olhos: 13 dos 15 MPs do evento registrados para a posteridade.
Cena panorâmica de encher os olhos: 13 dos 15 MPs do evento registrados para a posteridade.

Da janela do hotel, um ângulo diferente para ver os conversíveis esparramados pelo jardim.
Da janela do hotel, um ângulo diferente para ver os conversíveis esparramados pelo jardim.

A divulgação e a memória do MP Lafer na Alemanha se deve à iniciativa de Ludwig Stolz, que organizou os primeiros eventos e criou o site www.mp-lafer-germany.de - ao longo dos anos ele também foi envolvendo sua família na paixão pelo carro, ao ponto de hoje terem quatro exemplares cujos cuidados são divididos com a esposa Heike e ainda o Christian Stolz.

Nos últimos anos, porém, eles ganharam a ajuda do Casal Dudek, que vive justamente em Kassel. O polonês e alemão Miro Dudek é casado com a brasileira Iracema Rocha. Ele já trabalhou alguns anos no Brasil, onde comprou um MP Lafer que foi com ele para a Alemanha.

No sexto encontro do MP Lafer na Alemanha, o Miro Dudek teve participação decisiva ao intermediar o convite para a participação de Percival Lafer, criador do MP Lafer, e sua esposa Branca, no evento realizado em Colônia. Em 2018 ele e Iracema foram além, coordenando diretamente os preparativos para a reunião do ano.

Dentre as iniciativas adotadas, eles providenciaram a tradução para o alemão do oitavo capítulo do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". Além disso, eles encomendaram ao autor um pequeno conto de fadas que tivesse como personagem justamente o criador do modelo esportivo de linhas nostálgicas. A história, de apenas uma página, foi impressa em pergaminhos e entregue aos participantes ainda no primeiro dia do evento, sendo reproduzida a seguir.

Participantes do encontro de MP Lafer visitam o Castelo Waldeck.
Participantes do encontro de MP Lafer visitam o Castelo Waldeck.

MP Lafer passa sob arco pleno de pedra, durante carreata do modelo.
MP Lafer passa sob arco pleno de pedra, durante carreata do modelo.

Maria Cristina Gervasi veio com a família novamente da Suíça, para prestigiar o evento do MP Lafer Germany.
Maria Cristina Gervasi veio com a família novamente da Suíça, para prestigiar o evento do MP Lafer Germany.

Equipe de reportagem da N-TV: na Alemanha a imprensa tradicional não faz pouco caso dos carros antigos.
Equipe de reportagem da N-TV: na Alemanha a imprensa tradicional não faz pouco caso dos carros antigos.

O pergaminho com o miniconto de fadas sobre Percival Lafer, ofertado aos participantes do sétimo encontro anual de MP Lafer na Alemanha.
O pergaminho com o miniconto de fadas sobre Percival Lafer, ofertado aos participantes do sétimo encontro anual de MP Lafer na Alemanha.

O HOMEM QUE PROJETA A PRÓPRIA JUVENTUDE

Era uma vez um jovem chamado Percival Lafer, filho caçula do fundador de uma loja de móveis que, por causa dele e seus irmãos, se transformou numa fábrica de móveis e automóveis.

Quando criança, Percival sempre foi irrequieto. Queria saber como as coisas eram feitas e se poderiam ser aperfeiçoadas. Ainda garoto fez a maquete em madeira de um automóvel, com suspensões que trabalhavam e portas que se abriam. Adolescente e maravilhado com a chegada da televisão no Brasil, criou uma antena para captar melhor as imagens. Ele e um primo fabricavam e vendiam as antenas, subindo nos telhados das casas para admirar o horizonte de São Paulo, enfeitado pela Serra da Cantareira e Serra do Mar.

Enquanto estudava Arquitetura em sua cidade natal, Percival desenvolveu uma caneta nanquim, muito usada na ocasião por projetistas de várias pranchetas. Melhorar o que já era bom era uma de suas obsessões.

Certo dia seus irmãos o chamaram para desenhar os móveis da fábrica que estavam criando no Brasil para atender os lares de um novo tempo. Muitos duvidavam que fosse possível desenhar, fabricar e vender móveis modernos para uma sociedade que ainda era regida por costumes antigos. Percival provou o contrário, ao lançar uma poltrona que mesclava o que havia de melhor na técnica construtiva dos brasileiros, com uma estética futurista, que apresentava aquele algo novo que as pessoas tanto procuravam numa nação cada vez mais urbanizada.

Perseguindo o novo e o atemporal – que é tudo aquilo que não envelhece – a Lafer alcançou o mercado de reinos além do mar, que antes pareciam tão distantes. Os móveis modernos, bonitos, práticos e confortáveis desenhados por Percival Lafer, logo entraram nas casas de principados europeus e condados americanos. Suas criações chegaram muito além do alcance da visão daquele garoto que instalava antenas para captar o espírito novo de seu tempo.

Ao pedir a mão de sua musa inspiradora em casamento, o incansável Percival sabia que ainda tinha muito para conquistar. Um de seus grandes sonhos era fabricar um automóvel e Branca o manteve incentivado, mesmo contra os conselhos das pessoas que não acreditavam ser possível fabricar, no Brasil, um automóvel com qualidades para exportação.

E como estamos numa história fantástica, o automóvel criado por Percival conciliou linhas nostálgicas com o espírito da liberdade. Deste modo a Lafer foi pioneira na fabricação de um conversível de caráter esportivo, trazendo de volta para o presente o que de melhor esse tipo de veículo representou no passado.

Dirigir um MP Lafer é algo mágico: você tem a sensação de que a felicidade está na iminência de acontecer, especialmente quando há alguém ao lado que toca seu coração.

Deste modo - misturando o que é novo ao que é atemporal - Percival Lafer não envelhece nunca, pois ser jovem é acreditar que ainda estamos em busca do ápice. Enquanto estivermos a bordo de um MP Lafer, seremos felizes para sempre, como num conto de fadas.

- Por Jean Tosetto

Michael Heußner, o prefeito de Hessisch Lichtenau, ao lado da Senhora dos Flocos de Neve.
Michael Heußner, o prefeito de Hessisch Lichtenau, ao lado da Senhora dos Flocos de Neve.

O menino Jacob na terra da Senhora dos Flocos de Neve em Hessisch Lichtenau, na entrada para a floresta de Kaufungen e Meißner.
O menino Jacob na terra da Senhora dos Flocos de Neve em Hessisch Lichtenau, na entrada para a floresta de Kaufungen e Meißner.

Annemarie Huck a bordo do MP Lafer do Casal Dudek.
Annemarie Huck a bordo do MP Lafer do Casal Dudek.

Os MPs passeiam pelo campo, durante o verão no Hemisfério Norte.
Os MPs passeiam pelo campo, durante o verão no Hemisfério Norte.

Parada para almoço no parque florestal da região de Kassel.
Parada para almoço no parque florestal da região de Kassel.

Um fim de semana que passou voando.
Um fim de semana que passou voando.

Os preparativos para o encontro de MP Lafer na Alemanha em 2019 já começaram: até a próxima!
Os preparativos para o encontro de MP Lafer na Alemanha em 2019 já começaram: até a próxima!

Veja também:

Galeria 2018: Villas Boas

O MP Lafer Ti 1978 introduziu o acabamento negro no lugar dos cromados da versão clássica do modelo.
O MP Lafer Ti 1978 introduziu o acabamento negro no lugar dos cromados da versão clássica do modelo.

COMO É BOM TER 17 ANOS

O site mplafer.net fez sua estreia na Internet em 15 de agosto de 2001, ainda hospedado num sistema que não existe mais, o hpG. 17 anos e um livro depois, recebemos via PagSeguro o pedido do Ricardo Villas Boas, de Resende, no Rio de Janeiro, para encaminhar mais um exemplar de "MP Lafer: a recriação de um ícone".

Vocês pensam que é fácil a vida de quem escreve e vende livros? A Receita Federal deve considerar que escritores e livreiros movimentam somas vultosas, feito políticos e seus "patrocinadores". Então a entidade estabeleceu que os Correios deveriam cobrar de quem vende qualquer produto no Brasil a apresentação de uma nota fiscal ou de uma declaração de conteúdo com o CPF ou CNPJ, tanto do comprador como do vendedor.

Como a Editora Vivalendo está enquadrada como MEI e vende relativamente poucos livros em comparação com as empresas tradicionais, nós optamos por preencher as famigeradas declarações de conteúdo para os Correios. E toca incomodar quem nos prestigia com a aquisição de um livro, para solicitar o CPF que tanto prezamos, como fizemos em relação ao Villas Boas:

"Caro Ricardo Villas Boas, bom dia! Meu nome é Jean Tosetto e sou autor do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". O PagSeguro nos informou de seu pedido e esta é a razão do contato. Para despachar o livro via PAC os Correios agora estão pedindo uma declaração de conteúdo que mencione o CPF do destinatário. É um medida pouco simpática, mas necessária. Poderia informar seu CPF, por favor? Grato pela compreensão."

Felizmente quem tem um MP Lafer tem também algo que nos deixa muito contentes: a gentileza. O Ricardo respondeu prontamente:

"Caro Jean, bom dia! Segue o número do CPF. Gostaria que você autografasse o livro. Comprei recentemente um MP Lafer Ti 1978 placa preta e pretendo participar dos encontros. Gostaria muito de conhecê-lo pessoalmente pois sei que você também é um amante deste clássico e tenho umas dúvidas para tirar. Enviarei fotos do veículo. Desde já agradeço! Forte abraço."

É claro que autografamos o livro com prazer e ainda por cima recebemos fotos do MP Lafer para compartilhar com os nossos amigos. A gente faz isso com o entusiasmo de um adolescente de 17 anos, feito o site que tratamos como filho.

Este exemplar teve algumas peças de reposição oriundas da versão tradicional do MP Lafer, como grade frontal e retrovisores.
Este exemplar teve algumas peças de reposição oriundas da versão tradicional do MP Lafer, como grade frontal e retrovisores.

Um dos pontos fortes do MP Lafer: conforto e ergonomia num conversível da década de 1970.
Um dos pontos fortes do MP Lafer: conforto e ergonomia num conversível da década de 1970.

O carro do Villas Boas fazendo bonito num encontro do estado do Rio de Janeiro.
O carro do Villas Boas fazendo bonito num encontro do estado do Rio de Janeiro.


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Galeria 2018: Índice

Galeria 2018: Villas Boas

Galeria 2018: Louis

MP Lafer: a recriação de um ícone. O livro mais esperado dos últimos 40 anos (pelos laferistas). Clique na imagem para acessar a loja virtual.
MP Lafer: a recriação de um ícone. O livro mais esperado dos últimos 40 anos (pelos laferistas). Clique na imagem para acessar a loja virtual.

AUTOentusiasta por um dia

BMW M2 e Alfa Romeo 156: ao todo são 525 cavalos de emoção.
BMW M2 e Alfa Romeo 156: ao todo são 525 cavalos de emoção.

Se pudéssemos comparar os sites brasileiros sobre automóveis com as equipes de Fórmula 1, eu reputaria o AUTOentusiastas como a Ferrari da internet nacional. Você concordará que uma página que publica artigos de Bob Sharp, Arnaldo Keller, Boris Feldman, Fernando Calmon, Roberto Nasser, Josias Silveira, Wagner Gonzalez e Nora Gonzalez, entre tantos outros talentos, é imbatível no quesito da qualidade e da tradição.

Existem os sites no estilo Red Bull, bombando em audiência e com grande apelo entre a turma da novíssima geração, mas nenhum deles tem o charme e o peso simbólico do AE. E o site mplafer.net? Como ficaria neste grid?

Não tenho problema algum em reconhecer que somos a Minardi - ou quem sabe a Force India - desta analogia. Embora o MP Lafer seja um modelo muito simpático entre aqueles que admiram carros antigos e especiais, sabemos que o alcance dele, neste universo, é limitado. E daí? Não somos menos felizes por isso. Por vezes também beliscamos alguns pontos publicando algo inusitado, que nenhum outro site sobre veículos teria condições de fazer.

Vai dizer que a Ferrari não fica de olho nos pilotos das equipes pequenas? Claro que fica. Um dia uma mola escapa da suspensão do carro do Barrichello e vai direto na testa do Felipe Massa. A Ferrari não pode deixar de correr a próxima corrida em função deste infortúnio. Então ela vai lá na Force India e pesca o piloto Giancarlo Fisichella, que começou a correr na Fórmula 1 sabe onde? Na Minardi.

Felizmente ninguém se machucou no AUTOentusiastas. Longe disso. Quem escreve neste site tem uma excelente vitrine para o mercado automobilístico nacional. Não raramente empresas do ramo contratam quem tem o dom de escrever sobre carros para reforçar seus times também. Isso abre algumas brechas e convites inusitados.

Foi o que aconteceu recentemente comigo.

Ronaldo Borges, Arnaldo Keller e Jean Tosetto - quem?
Ronaldo Borges, Arnaldo Keller e Jean Tosetto - quem?

Não meus amigos, não estou deixando o site do MP Lafer de lado. Isto é incogitável. Mas estou feliz em comunicar que tive meu dia de AUTOentusiasta, escrevendo um artigo a convite do mestre em gentefinisse Arnaldo Keller.

Ele estava com um BMW M2 para teste, saudade de guiar um Alfa Romeo 156 e as portas abertas para sentar no cockpit do meu exemplar, desde que ele foi comprado há cinco anos, com o incentivo do próprio Keller. Marcamos um encontro para ver os dois carros de perto e a história deste evento está contada em oito rodas e quatro mãos no site AUTOentusiastas. Clique aqui para ler o texto na íntegra.

O escudo do clube na placa: demos um jeito de colocar o MP Lafer entre os gigantes.
O escudo do clube na placa: demos um jeito de colocar o MP Lafer entre os gigantes.

O Jean Tosetto aqui teve seu dia de Giancarlo Fisichella, correndo na mesma equipe que já teve Niki Lauda, Schumacher e Villeneuve. Tratei de fazer um contrabando neste episódio: emplaquei meu Alfa Romeo 156 com o escudo do Clube do MP Lafer do Brasil, dando visibilidade para a entidade num grande site.

Foi um dia feliz. Foi um dia de AUTOentusiasta.

Veja também:

Santana de Parnaíba 2018


21 MPs estacionados no centro de Santana de Parnaíba.
21 MPs estacionados no centro de Santana de Parnaíba.

Gilberto Martines escreve em 24 de junho de 2018:

"Estou enviando algumas fotos do 17° encontro anual de antigomobilismo de Santana de Parnaíba.

Neste ano o Clube MP Lafer Brasil esteve representado por mais de 21 MPs, quando a disposição dos nossos carros foi  um pouco diferente dos anos anteriores, pois o local onde é de costume ocorrer o evento está sofrendo uma restauração: tanto a praça  principal da cidade quanto a igreja matriz estão em reformas.

Ficamos estacionados em 45° numa rua paralela à igreja. Ao nosso lado ficou o Clube da Puma, que também esteve presente com vários carros.

Ao meio dia nosso grupo se reuniu para almoçar - como sempre fizemos uma reserva de trinta lugares no Restaurante São Paulo Antigo, onde sempre é oferecido comida muito boa , com o espetacular leitão a pururuca.

Esse evento é  muito bom pois o centro antigo de Santana de Parnaíba é lindo, com suas casas coloniais. A prefeitura disponibiliza banheiros químicos,  tem feira de artesanato, boa praça de alimentação e comércio de peças.

Após  o almoço, alguns já se despediram para retornar para São Paulo, outros ainda foram fazer mais um passeio pela cidade.

Fica aí mais um registro da presença  do Clube MP Lafer Brasil."

Linhas e cores clássicas no automóvel e no imóvel.
Linhas e cores clássicas no automóvel e no imóvel.

No restaurante, os homens ficaram de um lado...
No restaurante, os homens ficaram de um lado...

... e as mulheres do outro.
... e as mulheres do outro.

As camisas vermelhas do Clube do MP.
As camisas vermelhas do Clube do MP.

A réplica brasileira de um Alfa Romeo da década de 1930.
A réplica brasileira de um Alfa Romeo da década de 1930.

O esportivo recebeu um par de santantônios.
O esportivo recebeu um par de santantônios.

Veja também: