Rhön recebe 15º encontro do MP Lafer na Europa

Dez MPs, um Karmann-Ghia e uma Kombi vistos de cima. Paixão movida pelo motor boxer da VW.
Dez MPs, um Karmann-Ghia e uma Kombi vistos de cima. Paixão movida pelo motor boxer da VW.

Em tempos de instabilidade, os carros antigos oferecem nostalgia e um ponto de apoio. Enquanto o mundo muda rapidamente, reunir-se para cuidar de um MP Lafer, viajar e conversar sobre coisas triviais nos reconecta ao "aqui e agora". Foi assim no 15º encontro do MP Lafer Germany, realizado na Rhön, na Alemanha, com uma pequena comunidade gerando grandes amizades em um gesto de desaceleração.

Quem vive a rotina diária de trabalho ou estudo pode imaginar que o mundo e a sociedade são coisas estagnadas, que nunca mudam ou que mudam lentamente. Então, eventos impactantes, como a queda do Muro de Berlim em 1989, a queda das Torres Gêmeas em 2001 e, mais recentemente, a eclosão da Pandemia do Coronavírus em 2020, bagunçam as nossas percepções, causando a sensação de ver a História (com H maiúsculo) acontecendo.

Em 2026, quem se conecta à Internet,  trocou a impressão de calmaria pela sensação de instabilidade: guerra na Ucrânia e no Irã, Inteligência Artificial, democracias em risco em vários países, populismo tomando conta de grandes nações, ondas de imigração, conflitos comerciais, a eletrificação dos automóveis, o avanço da China sobre a infraestrutura de países periféricos da África e da América Latina. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e não sabemos onde tudo vai parar.

É por isso que algumas pessoas se agarram em certas coisas que nos trazem um pouco de estabilidade, de acolhimento e de confiabilidade. Os carros antigos se encaixam nisso, assim como discos de vinil e as turnês das velhas bandas de Rock. As pessoas querem se apoiar em algo sólido do passado, como muletas para seguir em frente, ou mesmo como um descanso momentâneo para o cotidiano sem sentido que invade mentes e corações.

Um MP Lafer proporciona reconexão com a natureza e consigo mesmo.
Um MP Lafer proporciona reconexão com a natureza e consigo mesmo.

Compartilhar esses gostos com outras pessoas também parece ser saudável. Logo, é comum vermos gente combinando passeios de motos em grupo, para sair das grandes cidades em direção a algum recanto do interior. Talvez isso ajude a explicar o motivo de, ano após ano, proprietários de MP Lafer se reunirem uma vez por ano, no Brasil e na Alemanha.

São poucas pessoas, é verdade. Mas nestas ocasiões, colegas de esquerda ou de direita não falam de política. Aprender a polir metais com pasta de dente e esponja de aço é mais importante, pois coisas assim forçam os indivíduos a se concentrarem em algo trivial que os traga para o "aqui e agora", quando todo o resto pode esperar. Neste sentido, participar de um encontro de carros antigos é uma ótima forma de gerenciar o estresse. Isso, no fim das contas, colabora para uma vida mais longa e prazerosa.

Onde tem reunião de MP Lafer, tem alguém contrariando a lógica imposta pelo cotidiano.
Onde tem reunião de MP Lafer, tem alguém contrariando a lógica imposta pelo cotidiano.

Quem participou do 15º encontro anual do MP Lafer Germany poderá se identificar com esta breve explanação, ou quem sabe dar outras explicações a respeito do que motiva alguém a se deslocar para outra cidade, nem sempre perto de casa, para passar um fim de semana com gente que sequer é da mesma família. Tem uma beleza intrínseca nisso.

Neste turbulento 2026, os amigos do MP Lafer na Alemanha se reuniram entre os dias 5 e 7 de junho no Wohlfühlhotel Sonnentau — Restaurante & Café, em Fladungen, a cidade mais ao norte do estado da Baviera. Localizada no distrito de Rhön-Grabfeld, ela fica situada entre as montanhas de Rhön, na fronteira com os estados de Hesse e Turíngia. É um destino turístico apreciado por sua história medieval, arquitetura enxaimel e forte proximidade com a natureza.

De acordo com Ludwig Stolz, criador do MP Lafer Germany, "Rhön é uma região montanhosa de origem vulcânica situada na área de fronteira entre os estados alemães da Baviera, Hesse e Turíngia. Conhecida como Terra das Extensões Abertas, possui uma paisagem cultural diversificada, composta por florestas, prados e habitats ricos em espécies. Desde 1991, a região é reconhecida como Reserva da Biosfera da UNESCO."

O hotel Sonnentau é administrado pelas famílias Goldbach e Karlein. Conforme a declaração na página deles, "Não só os nossos hóspedes, mas nós próprios muitas vezes sentimos uma conexão incrível com o céu aqui, na encosta sul de Fladungen, de uma beleza estonteante. Não há muitos alojamentos na Alemanha onde se possa estar tão perto das estrelas! Queremos que vivencie isto com todos os seus sentidos – por isso, o bem-estar e o spa, o prazer consciente, a saúde e as experiências na natureza são prioridades para nós."

Os carros antigos se agrupam no estacionamento do Wohlfühlhotel Sonnentau — Restaurante & Café.
Os carros antigos se agrupam no estacionamento do Wohlfühlhotel Sonnentau — Restaurante & Café. 

Visão panorâmica da singela cidade de Fladungen na Alemanha, com os MPs em destaque.
Visão panorâmica da singela cidade de Fladungen na Alemanha, com os MPs em destaque.

Como sempre, quem nos ajudou a registrar este evento envolvendo o MP Lafer na Alemanha, foi o Miro Dudek. Embora não tenha participado da reunião, pois seu MP Lafer 1977 precisa ter o chicote elétrico reformado, ele nos encaminhou as imagens que selecionamos e editamos para compartilhar com você. Portanto, vale sempre o agradecimento, que nesta ocasião se estende para Erhard Rübsam, designado organizador do evento neste ano. Empresário na cidade de Fulda, Rübsam teve seu primeiro MP Lafer ainda na década de 1980. Em 2021 ele voltou a ser proprietário de um MP, incorporado em sua coleção de carros antigos.

Dentre as atrações de 2026, os laferistas visitaram a Noah’s Segel, uma torre de observação localizada no Ellenbogen, uma elevação de aproximadamente 813 metros, próxima a Oberweid e Frankenheim. O próprio nome Noah's Segel significa “Vela de Noé”, numa referência ao formato da estrutura. A torre tem cerca de 22 metros de altura e oferece uma vista panorâmica da paisagem da Rhön, embora se localize na Turíngia.

Dois MPs diante da Noah’s Segel, no Ellenbogen, região de Rhön, Turíngia, Alemanha.
Dois MPs diante da Noah’s Segel, no Ellenbogen, região de Rhön, Turíngia, Alemanha.

A torre de observação tem aproximadamente 22 metros de altura, deixando os MPs pequenos na imagem.
A torre de observação tem aproximadamente 22 metros de altura, deixando os MPs pequenos na imagem.

Outro ponto turístico visitado foi o Radom, no topo da Wasserkuppe, em Hesse. O enorme domo esférico é uma antiga cúpula de radar. Atualmente, o local funciona como espaço cultural e plataforma de observação panorâmica de 360°. A passarela que circunda a cúpula é considerada a plataforma de observação mais alta de Hesse.

O Radom foi originalmente uma instalação militar, ligada à vigilância durante a Guerra Fria. Hoje, o local abriga inclusive uma exposição permanente sobre a importância estratégica da Wasserkuppe naquele período. A Wasserkuppe, por sua vez,  tem 950 metros de altitude e é o ponto culminante de Hesse e de toda a Rhön. A região fica no encontro dos territórios de Hesse, Baviera e Turíngia.

Os MPs em Wasserkuppe, diante do Radom, antiga cúpula de radar e atual mirante panorâmico, na região da Rhön, Hesse, Alemanha.
Os MPs em Wasserkuppe, diante do Radom, antiga cúpula de radar e atual mirante panorâmico, na região da Rhön, Hesse, Alemanha.

Assim, a cada ano dos participantes dos encontros do MP Lafer Germany conhecem um lugar diferente, não apenas na Alemanha como em países vizinhos que incluem a França, a Bélgica e os Paises Baixos. Ludvig Stolz nos lembra que o clube, apesar de ser informal, é aberto para todos os proprietários de MP Lafer na Europa. Seguem os dados para contato:

ludwigstolz@t-online.de

mp-lafer-germany@t-online.de

www.mp-lafer-germany.de

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São Lourenço convida para o Encontro Mineiro de Veículos Antigos de 2026

EMVA 2026 homenageia os carros brasileiros fora de série.
EMVA 2026 homenageia os carros brasileiros fora de série.

Há alguns dias recebemos o contato do André Cavalcanti, curador do Museu Garagem do Automóvel, que fica em Carmo da Mata, Minas Gerais, e possui mais de 150 automóveis clássicos em ótimo estado de funcionamento, conservação e originalidade. Ele também está na organização do EMVA 2026, o Encontro Mineiro de Veículos Antigos, que será realizado entre os dias 14 e 16 de agosto, na cidade de São Lourenço.

A temática do evento será centrada nos clássicos brasileiros fora de série com mais de 30 anos de fabricação, como Puma, MP Lafer, Miura, Bianco, Santa Matilde, Farus, Concorde, Avallone e outros. A intenção da organização, com aval da Prefeitura Municipal e apoio da Garage Brazil, que levará parte de seu acervo para a exposição, é reunir carros e personalidades relacionadas com um dos períodos mais criativos da indústria automobilística brasileira, incluindo criadores dos modelos, funcionários das fábricas, especialistas nas marcas e escritores.

Portanto, não será apenas uma exposição estática de automóveis, mas um evento cultural que inclui um rally de regularidade a ser disputado no sábado.

São Lourenço, no sul de Minas Gerais, é uma das principais estâncias hidrominerais do Brasil. Situada na Serra da Mantiqueira, possui pouco menos de 45 mil habitantes e se destaca pelo turismo voltado ao bem-estar, à saúde e ao contato com a natureza. O clima é tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos e frios, em que as temperaturas podem chegar a zero grau.

A história da cidade começa no século XIX, quando foram descobertas as propriedades medicinais de suas águas. Em 1890, a Companhia de Águas Minerais São Lourenço começou a engarrafar água mineral em escala industrial, tornando-se pioneira na América Latina. O município foi oficialmente fundado em 1927.

O grande símbolo da cidade é o Parque das Águas, onde diversas fontes oferecem águas com diferentes propriedades terapêuticas. Além disso, São Lourenço oferece passeios de pedalinho, teleférico com vista panorâmica, trilhas pela Serra da Mantiqueira e até voos de balão, que atraem visitantes em busca de experiências únicas.

A economia local gira em torno do turismo e da cultura, com destaque para o Festival Internacional de Corais, o Festival da Cachaça, o Festival de Inverno, exposições de orquídeas e encontros de balonismo. A festa do padroeiro São Lourenço, celebrada em agosto, congrega música, gastronomia e tradições religiosas.

São Lourenço fica distante aproximadamente 378 km de Belo Horizonte, 233 km de Juiz de Fora, 268 km do Rio de Janeiro, 286 km de São Paulo e 206 km de São José dos Campos. Ou seja, proprietários de veículos antigos fora de série do interior de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, especialmente os moradores do Vale do Paraíba, estão a apenas algumas horas de volante, em boas estradas, rumo ao evento a ser realizado na Praça João Lage.

Para mais informações, entre em contato, via WhatsApp, com os organizadores:

Atila - (35) 98813-9400

Theodoro - (35) 98862-1463

André Cavalcanti / Pedro Cândido - (31) 99306-7004

Cartaz promocional do EMVA 2026 em São Lourenço (MG).
Cartaz promocional do EMVA 2026 em São Lourenço (MG).

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O Lafer LL 001 foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1976.
O Lafer LL 001 foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1976.

Produzido em apenas sete exemplares entre 1976 e 1979, o Lafer LL é um dos veículos mais exclusivos já concebidos no Brasil. Com carroceria em fibra de vidro, mecânica do Opala, interior inspirado nos sofisticados móveis da Lafer e um painel digital revolucionário para a época, o coupê de luxo foi um projeto visionário que reuniu design arrojado, tecnologia de vanguarda e espírito empreendedor. No 11º Encontro Brasileiro de Autos Antigos de Águas de Lindóia (EBAA), entusiastas do modelo se reuniram para resgatar a história quase arqueológica desse automóvel.

Por Jean Tosetto

Minha vidinha estava bem resolvida por volta de 2010. Trabalhava como arquiteto numa cidade pequena que estava crescendo rapidamente. Não faltava projeto para fazer. “Então é isso?” – Pensei. “A vida não pode ser apenas isso: trabalhar, ganhar dinheiro e poupar um pouco para a aposentadoria”.

Daí que arranjei sarna para me coçar. A culpa era do bloco de mármore ocupando espaço na minha cabeça e pesando na minha memória. Eram quase dez anos como responsável pelo site mplafer.net, acumulando conhecimentos esparsos que precisavam ser reunidos e concatenados num livro que contasse a história do MP Lafer. Comecei a trabalhar em mais um projeto. Não num projeto de arquitetura, mas num projeto editorial, com as durezas e os desafios para um marinheiro de primeira viagem.

Um dos capítulos mais difíceis de escrever foi justamente sobre o Lafer LL. Das oito carrocerias construídas, sabia que talvez cinco ou seis estavam finalizadas sobre o conjunto mecânico do GM Opala 4.1 de seis cilindros. Consegui o contato do proprietário de um dos protótipos, que morava no interior do Paraná. Escrevi um belo e-mail para ele, solicitando permissão para viajar mais de 600 km até sua cidade, para fotografar seu carro, posto que as imagens disponíveis até então eram poucas e estavam protegidas por direitos autorais inacessíveis. A resposta do sujeito foi lacônica. Um balde de água fria na minha vontade de fazer algo bem feito e caprichado.

A silhueta do Lafer LL convida para a direção esportiva.
A silhueta do Lafer LL convida para a direção esportiva.

Cavalheiros que se ajudam

Felizmente, recebi ajuda do próprio Percival Lafer, idealizador do modelo, que cedeu algumas fotografias de época, inclusive das cambotas de madeira compensada que deram suporte para a aplicação de argila, resultando na fonte para o molde das carrocerias de fibra de vidro.

Outro amigo que ajudou bastante foi o Flávio Fernandes, engenheiro de longa carreira por empresas como VW e Ford, que começou sua trajetória justamente na Lafer, estagiando na equipe coordenada pelo professor Rigoberto Soler da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo). Entrevistei o Flávio na varanda do Hotel Monte Real, durante uma edição do encontro de carros antigos de Águas de Lindóia. Ele contou coisas interessantes sobre o carro, fabricado artesanalmente entre 1976 e 1978.

O conjunto de faróis e grade destacada do Lafer LL 001 de 1976.
O conjunto de faróis e grade destacada do Lafer LL 001 de 1976.

O Lafer LL 007, de 1978, preserva o motor GM de seis cilindros, que também equipava o Chevrolet Opala.
O Lafer LL 007, de 1978, preserva o motor GM de seis cilindros, que também equipava o Chevrolet Opala.

Com o livro pronto, começou uma peregrinação. Bati na porta de várias editoras. Nenhuma fechou a porta na minha cara, pois simplesmente nenhuma a abriu para saber do que se tratava. Restou atuar como editor independente, providenciando tudo que uma editora constituída está habituada a fazer, inclusive contratar a gráfica.

O jornalista Flávio Gomes compartilhou uma nota que eu havia publicado sobre o livro do MP Lafer, que estaria no prelo. Foi o suficiente para o Horacio Zabala, consultor da Gráfica Gandrei, de Indaial em Santa Catarina, entrar em contato. Rapidamente chegamos num acordo para imprimir o livro em novembro de 2012, exatamente 40 anos após a apresentação do primeiro protótipo do MP Lafer no Salão do Automóvel de São Paulo.

Foram dias de luzes. No começo de 2013 o Zabala fundou a Revista MotorMachine, que circulou em algumas edições bimestrais na Região Sul e São Paulo. Fui convidado para colaborar com a publicação, de forma voluntária. O senso de gratidão se somou com o antigo (e não revelado) desejo de escrever sobre carros em mídia impressa.

No fim daquele ano passei um dia diferente na zona rural de Atibaia, no interior de São Paulo, amoitado sobre um barranco numa estrada vicinal de terra, para fotografar a última etapa do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade. O Zabala também estava lá, na comitiva do piloto catarinense Toninho Genoin e do navegador Sidinei Broering. Na ocasião, um pneu estourado tirou as chances de título na categoria 4x2, mas a dupla vice-campeã nos recebeu no motorhome para almoçarmos um arroz carreteiro para lá de saboroso. O relato foi publicado na sexta edição da revista, já em janeiro de 2014.

As lanternas traseiras do Lafer LL 001 foram modificadas com peças oriundas do Ford Del Rey.
As lanternas traseiras do Lafer LL 001 foram modificadas com peças oriundas do Ford Del Rey.

O conjunto traseiro do Lafer LL 007 permanece original.
O conjunto traseiro do Lafer LL 007 permanece original.

A placa traseira do Lafer LL 007 é protegida por uma tampa transparente de acrílico.
A placa traseira do Lafer LL 007 é protegida por uma tampa transparente de acrílico.

E a poupança Bamerindus?

Então, avancemos doze anos para demonstrar como esse mundo é pequeno. Em 2026 fui convidado pelo Ricardo Luna, do Clube do Carro Antigo, para gravar um podcast sobre os 50 anos do Lafer LL, durante o Encontro Brasileiro de Autos Antigos em Águas de Lindóia. A mesa seria dividida com o Carlos Castilho, mediador, Juan Dierckx, autor de livros sobre a Puma Veículos e o VW SP2, e Flávio Fernandes, o mesmo que me ajudou a escrever sobre o Lafer LL.

O engenheiro, agora aposentado, encontrou uma carroceria do Lafer LL prestes a ser desmantelada e conseguiu resgatá-la. Seu objetivo é completar a construção daquele que poderá ser o Lafer LL 008. Porém, para marcar o meio século do lançamento do primeiro protótipo do modelo, ele conseguiu, junto aos organizadores do evento de Águas de Lindóia, um espaço de destaque na exposição.

Para tanto, Fernandes passou semanas preparando a carroceria para o grande encontro. Ele e sua equipe adesivaram algumas partes do conjunto, para simular os faróis, lanternas e a grade frontal do veículo, usando superfícies de policarbonato escuro no lugar dos vidros das janelas e do para-brisa. Ele também convenceu um proprietário de dois protótipos do Lafer LL (o 001 e o 007) a levar os carros de Santa Catarina para o interior paulista. Seu nome? Toninho Genoin.

A carroceria do Lafer LL 008 em destaque, ladeada pelos carros do Toninho Genoin, em Águas de Lindóia.
A carroceria do Lafer LL 008 em destaque, ladeada pelos carros do Toninho Genoin, em Águas de Lindóia.

Assim que cheguei em Águas de Lindóia no dia 05 de junho, fui direto ao local onde, pela primeira vez, estariam reunidas três carrocerias do Lafer LL, das quais, duas estavam motorizadas. Logo avistei o Toninho tirando as capas de proteção de seus carros. Ele disse que havia os comprado do Alcido Reuter, de Curitiba, capital do Paraná.

Naquele momento, apontei para um MP Lafer prateado de seis rodas (quatro nas pontas dos eixos e duas sobressalentes nos paralamas), que teria sido o único exemplar saído assim da fábrica de São Bernardo do Campo, em 1985. Informei que, por coincidência, o carro também havia sido comprado do Reuter, por parte do Reinaldo Keller, de Socorro, cidade vizinha. Então, o próprio Keller se aproximou da gente. Apresentei os novos amigos e segui para o compromisso com o podcast.

O MP Lafer 1985 de seis rodas do Reinaldo Keller.
O MP Lafer 1985 de seis rodas do Reinaldo Keller.

Toninho Genoin e Reinaldo Keller diante do Lafer LL 007.
Toninho Genoin e Reinaldo Keller diante do Lafer LL 007.

Não tenho como reproduzir mais de uma hora e meia de conversa neste espaço. Mas posso compartilhar uma síntese do programa, que você pode assistir na íntegra, no canal do Clube do Carro Antigo no YouTube.

De móveis a automóveis: a história do Lafer LL

A Lafer tem raízes centenárias. Tudo começou em 1927, quando o imigrante polonês Bension Laufer fundou a Casa Lafer, uma loja de móveis em São Paulo. Com habilidade comercial, ele prosperou e educou quatro filhos. O caçula, Percival, formou-se em arquitetura pelo Mackenzie (pois não havia curso de desenho industrial à época) e alimentava desde a infância dois amores: o design de móveis e os automóveis.

Com o falecimento precoce do pai, os filhos uniram forças e deram um salto estratégico: passaram a projetar e fabricar os próprios móveis, em vez de apenas revendê-los. O crescimento foi vertiginoso. Nos anos 1960, a empresa embarcou no programa governamental de exportações (sob o slogan “exportar é o que importa”) e conquistou mercados competitivos como Dinamarca, Suécia, Alemanha e Itália. O nome MP Lafer — Móveis Patenteados Lafer — refletia a preocupação de registrar as criações para protegê-las de cópias.

O passo que abriria as portas para o setor automotivo veio de um contrato improvável: o orelhão. A Lafer adquiriu equipamentos para trabalhar com fibra de vidro e desenvolveu o modelo original da cabine telefônica da Telesp, concebido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. O desafio de executar aquela forma tão curva foi resolvido com a criatividade: de Antonio De Mitry, funcionário da empresa, que usou um balão de aniversário como molde. O resultado foi um contrato milionário, que pavimentou a entrada da Lafer no mercado de automóveis.

O Lafer LL 001 conta com estofamento original em couro, com o perfume de uma máquina do tempo.
O Lafer LL 001 conta com estofamento original em couro, com o perfume de uma máquina do tempo.

O acabamento das portas do Lafer LL 001 é rico em madeira e couro, conforme o padrão da empresa na época.
O acabamento das portas do Lafer LL 001 é rico em madeira e couro, conforme o padrão da empresa na época.

O nascimento do MP Lafer e do LL

O veículo MP Lafer não foi um acidente. Foi uma diversificação planejada, impulsionada pela paixão de Percival por automóveis. De Mitry montou uma equipe de artesãos, mecânicos e marceneiros para elaborar os primeiros moldes, baseados no MG TD inglês de 1952. Em 28 dias, construíram o primeiro protótipo, apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1972. Apesar do estande modesto, o carro roubou a cena. A produção oficial começou em 1974, e o próximo passo lógico era um modelo maior. Assim nasceu o projeto do Lafer LL.

Muito se comenta que o LL seria uma cópia do Mercedes SLC. Não é. O design do carro foi definido pelo método clássico do clay, modelado em argila para encontrar a forma final, absorvendo o melhor do design europeu da época. O carro lembra o Mercedes porque esse era o veículo referencial do período, mas as influências são múltiplas. O Lafer LL não copiou, mas incorporou um arquétipo. Assim como as SUVs de hoje são todas parecidas porque seguem uma forma comum, o LL expressava o espírito do tempo — o Zeitgeist — dos GTs europeus dos anos 1970. E ao exterior refinado, Percival somou o diferencial que a Lafer dominava como ninguém: o interior. Os bancos em couro e o acabamento em madeira nobre remetiam diretamente ao vocabulário dos móveis Lafer. Sentar no LL era como estar num sofá da sala.

O interior do Lafer LL 007 foi modificado com um volante convencional, bancos revestidos em courvin e painel com instrumentos analógicos no lugar dos mostradores digitais.
O interior do Lafer LL 007 foi modificado com um volante convencional, bancos revestidos em courvin e painel com instrumentos analógicos no lugar dos mostradores digitais.

Vanguarda tecnológica cinquenta anos atrás

O Lafer LL foi pioneiro também do ponto de vista tecnológico. Em 1976, o carro apresentava um painel digital, algo inconcebível para a época. Como os equipamentos não existiam no mercado, foram fabricados dentro da própria Lafer. No lugar de instrumentos analógicos convencionais, lâmpadas acendiam progressivamente no centro do volante: verde para indicar progresso, vermelho para alertar sobre rotações perigosas. Para quem precisava de valores numéricos exatos, havia uma televisão de tubo de 17 polegadas atrás da alavanca do câmbio: o bisavô das telas que hoje equipam os automóveis.

Outros detalhes revelavam o mesmo espírito inventivo. A fiação elétrica, o que hoje chamamos de chicote, era produzida artesanalmente em bancadas de 15 a 20 metros, fio a fio, cor a cor, unida com adesivo industrial. O para-choque dianteiro avançava 15 centímetros a partir de 60 km/h graças a um sistema hidráulico, absorvendo impactos. Cada carro saía da fábrica com uma placa dourada no painel, gravada com o número do veículo e o nome do primeiro proprietário.

O volante do Lafer LL 001 ainda é original, mas os mostradores digitais estão desativados. Instrumentos analógicos ocupam o lugar do monitor de 17 polegadas perto da alavanca de marchas.
O volante do Lafer LL 001 ainda é original, mas os mostradores digitais estão desativados. Instrumentos analógicos ocupam o lugar do monitor de 17 polegadas perto da alavanca de marchas.

O desenvolvimento foi igualmente artesanal nos testes. Sem dummies de ergonomia, usavam pessoas reais para avaliar posicionamento e conforto. Para medir a velocidade máxima (o motor era o 250 da linha GM, o mesmo do Opala), a equipe escolheu uma rodovia com posto policial equipado com cronômetro. Os pilotos de testes passavam a 180, 185 km/h; um policial anotava o tempo e, no posto seguinte, outro aplicava a multa. A taxa era irrisória. Os dados, preciosos.

As limitações e o fim de uma era

A complexidade tecnológica do LL cobrava seu preço. O painel, desenvolvido por dois ou três engenheiros, deveria ser de manutenção exclusiva da fábrica, pois qualquer proprietário que levasse o carro a um eletricista comum arriscava queimar metade dos instrumentos. A Lafer garantia a manutenção dos exemplares, mas a fragilidade era estrutural. Com o tempo, os proprietários foram substituindo componentes: painéis, faróis, grades, lanternas. O para-choque hidráulico tornou-se uma dor de cabeça e quase nenhum exemplar o mantém funcionando até hoje.

Detalhe do para-choque traseiro do Lafer LL 007.
Detalhe do para-choque traseiro do Lafer LL 007.

Financeiramente, o LL foi um prejuízo. Saiu do papel porque a Lafer tinha alta rentabilidade em seu negócio principal: os móveis. Se Percival desistiu do Lafer LL, ele seguiu acreditando no projeto do MP Lafer até 1988, mesmo diante da crise do petróleo de 1979 e da hiperinflação dos anos 1980, contrariando consultores. A empresa encerrou as atividades apenas em 2022. Resistiu tanto tempo graças às patentes dos móveis. Quando elas começaram a vencer, fabricantes chineses já tinham cópias prontas para assumir os contratos de exportação aos europeus. O modelo de negócio chegou ao fim.

Um legado maior do que os números

O Lafer LL é a prova de que o Brasil tem criatividade e o que os franceses chamam de savoir-faire — a capacidade de fazer acontecer. A dificuldade, histórica, vem depois: na gestão de longo prazo, na escala, na perenidade. E aí o problema raramente é o empresário. É o sistema. O ambiente tributário e regulatório brasileiro não contribui com quem começa pequeno e quer empreender. A Lafer surfou no momento em que o país precisava gerar divisas e a proibição de importar automóveis favorecia iniciativas como o LL, o Santa Matilde e o Miura. Esses empresários não eram amigos do poder. Eram teimosos.

O carro era de fibra de vidro. Mas as pessoas que o fabricavam também eram de fibra.

As rodas do Lafer LL foram projetadas exclusivamente para o modelo e são tão raras quanto os próprios carros.
As rodas do Lafer LL foram projetadas exclusivamente para o modelo e são tão raras quanto os próprios carros.

O depoimento de quem dirige dois Lafer LL

Quando saí do estúdio do podcast, montado no gramado da Praça Adhemar de Barros, bem ao lado da exposição tripla do Lafer LL, o Toninho Genoin e o Reinaldo Keller já não estavam mais por perto. Após retornar para minha cidade, fiquei sabendo que ambos tiveram seus carros premiados na grande mostra que, dizem, atraiu um público de 500 mil pessoas num fim de semana prolongado. Um reconhecimento mais do que merecido para ambos.

O tanque de combustível do Lafer LL fica entre o banco dos passageiros e o bagageiro. O abastecimento é feito pela coluna C.
O tanque de combustível do Lafer LL fica entre o banco dos passageiros e o bagageiro. O abastecimento é feito pela coluna C.

Em contato com o Genoin, pedi para ele registrar um depoimento sobre como é dirigir um Lafer LL, algo que pouquíssimas pessoas neste pequeno mundo tiveram o privilégio de fazer. Segue o relato dele especialmente para os amigos do mplafer.net:

“Jean, você sabe que eu piloto até avião pegando fogo. Então, o que posso dizer sobre o Lafer LL é que ele é um carro sensacional. O 001, com aquele interior todo original de época, tem bancos que parecem um sofá — de um conforto extraordinário. Motorização, suspensão, equilíbrio: é fantástico de guiar. Motor forte, carroceria leve, tamanho compacto. Uma nave dos anos 1970.

Há pouco tempo dei uma volta com o 007 e, numa curva molhada, acelerei sem querer demais. Tive de lembrar dos tempos de Rally de Velocidade — o carro veio de lado, puxei para o outro e ele se endireitou em linha. Emocionante, como só um carro desse pode proporcionar. Aliás, a nossa equipe de Rally tinha um lema: ‘Na dúvida... Acelera!!!’. Chegamos a conquistar dois títulos brasileiros de Rally de Velocidade e três vice-campeonatos, sempre sem patrocínio, mas com muita determinação. Esses títulos me renderam dois Capacetes de Ouro — o Oscar do automobilismo brasileiro.

Sobre os carros em si: temos o primeiro e o último Lafer LL fabricados. A fábrica encerrou a produção com sete unidades, e o Flávio encontrou recentemente a carroceria que seria o oitavo exemplar. Possuir o 001 e o 007 é ter nas mãos a abertura e o fechamento de uma história única do automobilismo nacional.

O 001 passou recentemente por uma revisão com o Mario, preparador esportivo especializado em Opala de terra. Ao abrir os freios, ele ficou perplexo: após mais de trinta anos trabalhando com Opalas, nunca tinha visto um disco, uma pinça e uma pastilha de freio com a marca GM originais de fábrica. Uma raridade dentro de outra raridade.

Percival foi um homem de visão extraordinária. Um carro daquele porte, com para-choque retrátil, concebido nos anos 1970, quando as opções eram poucas — isso diz tudo. Dirigir um Lafer LL é estar na estrada e, ao mesmo tempo, no sofá de casa. Tenho muito orgulho de ser guardião dessas duas joias e fico feliz que a presença delas no EBAA 2026 tenha marcado história. O LL é um carro que, como dizia a vinheta, não existiu — e, ainda assim, está aí, vivo, presente e inesquecível.”

Marcos, Toninho e Elaine Genoin: zeladores da trajetória do Lafer LL.
Marcos, Toninho e Elaine Genoin: zeladores da trajetória do Lafer LL.

A história continua

E assim terminamos mais uma tentativa de honrar a memória de um projeto automobilístico que antecipou tendências que se confirmaram apenas anos ou décadas depois. Obviamente, muitas pontas ainda continuam soltas na história do Lafer LL, ao passo que outras se ataram, envolvendo pessoas repletas de entusiasmo. É justamente com entusiasmo que as próximas páginas sobre o Lafer de luxo deverão ser escritas, posto que se este mundo é pequeno e a vida é curta, não há razão para desperdiçar o tempo e o espaço com decisões estritamente racionais. É justamente por dar abertura para as emoções, que arquitetos de formação cartesiana escrevem livros e concebem automóveis fora-de-série.

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Encontro Brasileiro de Autos Antigos em Águas de Lindóia: infraestrutura e segurança acompanham o crescimento do evento?

Um formigueiro humano em Águas de Lindóia: multidão lembra saída de estádio de futebol em dia de final de campeonato.
Um formigueiro humano em Águas de Lindóia, no dia 05 de junho de 2026: multidão lembra saída de estádio de futebol em dia de final de campeonato.

Águas de Lindóia recebe há mais de 25 anos um dos maiores encontros de carros antigos do Brasil. O evento cresce a cada edição em veículos, visitantes e impacto econômico, e merece ser celebrado. Mas justamente por seu sucesso, algumas perguntas precisam ser feitas: a infraestrutura urbana, a segurança pública e os serviços de emergência estão crescendo na mesma velocidade que a festa?

Por Jean Tosetto

Considerando que a atual organização já acumula mais de uma década à frente da iniciativa, trata-se de uma tradição sólida no calendário nacional do antigomobilismo.

Os números impressionam. Uma cidade com cerca de 18 mil habitantes chega a receber centenas de milhares de visitantes durante o fim de semana prolongado em que acontece o Encontro Brasileiro de Autos Antigos. Fala-se em 500 mil pessoas visitando a cidade num fim de semana prolongado. Os participantes pagam valores consideráveis para expor seus veículos, os hotéis da cidade e da região operam com ocupação máxima, e uma enorme cadeia econômica é beneficiada pelo evento.

Uma festa que movimenta toda a região

Hotéis de Águas de Lindóia, Lindóia, Monte Sião, Socorro e Serra Negra recebem visitantes. Ambulantes, restaurantes, comerciantes locais, vendedores de peças, colecionadores de memorabilia e negociantes de automóveis movimentam milhões de reais. Trata-se de um acontecimento que gera emprego, renda e projeção turística para toda a região.

Por essa razão, não estamos aqui para criticar a existência do evento. Pelo contrário: quanto mais iniciativas capazes de movimentar a economia das pequenas cidades, melhor. O objetivo desta reflexão é outro: discutir se a infraestrutura acompanha o crescimento constante da festa.

O evento que não para de crescer

Quem frequenta o encontro há vários anos percebe que ele cresce continuamente. A exposição, antes concentrada na Praça Adhemar de Barros, expandiu-se para outras áreas da cidade. O número de veículos expostos aumentou significativamente e hoje gira em torno de mil unidades. Consequentemente, o fluxo de visitantes também cresceu.

Em determinados momentos, as alamedas da praça e as ruas do entorno ficam completamente tomadas por pessoas. A circulação torna-se difícil. Em alguns trechos, a sensação é semelhante à movimentação observada na entrada ou na saída de um grande estádio de futebol.

Segurança: as perguntas que precisam ser feitas

É justamente nesse ponto que surgem questionamentos sobre segurança e infraestrutura.

Será que as lanchonetes itinerantes possuem equipamentos adequados de prevenção e combate a incêndios? Existe um plano eficiente para evacuação da área em caso de emergência? As vias de acesso permitem o deslocamento rápido de ambulâncias, viaturas policiais e equipes de resgate?

Quem conhece o evento sabe que o trânsito da cidade fica extremamente congestionado. A entrada e a saída de Águas de Lindóia tornam-se lentas. A situação se repete em Lindóia, cidade vizinha, por onde passam muitos dos veículos que retornam para rodovias em direção a Socorro, Serra Negra e outras localidades. Mesmo as rotas alternativas acabam absorvendo um volume elevado de tráfego.

Diante desse cenário, cabe perguntar: se houver necessidade de atendimento emergencial, as equipes de socorro conseguirão chegar rapidamente ao local?

Bombeiros, hospitais e helicópteros: a capacidade está à altura?

Outra questão importante diz respeito à estrutura permanente da cidade. Águas de Lindóia conta com bombeiros voluntários, enquanto a unidade mais próxima do Corpo de Bombeiros Militar está localizada em Lindóia. Em dias normais, a distância entre as duas cidades é percorrida em poucos minutos. Entretanto, durante o encontro, o congestionamento pode aumentar significativamente o tempo de deslocamento.

Da mesma forma, cabe perguntar se a capacidade hospitalar local é compatível com a população temporária presente durante os dias de maior movimento. O hospital da cidade atende adequadamente as necessidades de uma população de aproximadamente 18 mil habitantes, mas estará preparado para dar suporte a uma concentração diária que pode alcançar dezenas de milhares de pessoas?

Também vale refletir sobre a existência de áreas adequadas para pouso de helicópteros de resgate, caso seja necessário o transporte aéreo de pacientes em situações mais graves.

Se nada for equacionado neste sentido, pode ser que numa edição futura do evento ocorra um incidente que cause um tumulto generalizado, resultando numa tragédia sem precedentes.

Conforto, sinalização e acessibilidade

Além da segurança, existem aspectos relacionados ao conforto e à experiência dos visitantes que merecem atenção. Uma reclamação recorrente diz respeito à quantidade insuficiente de sanitários, especialmente para o público feminino. Também é possível perceber oportunidades de melhoria na comunicação visual, tanto na praça do encontro de carros quanto na sinalização urbana da cidade.

Parte dos recursos gerados por um evento dessa magnitude poderia ser direcionada a investimentos permanentes em infraestrutura. Melhorias em sinalização, acessibilidade, organização do trânsito e serviços públicos beneficiariam não apenas os visitantes do encontro, mas também os moradores da cidade ao longo de todo o ano.

Outro ponto relevante é a acessibilidade universal. O Brasil está envelhecendo, e cresce o número de pessoas com mobilidade reduzida. Apesar disso, ainda são percebidas dificuldades para cadeirantes, idosos e visitantes com necessidades especiais circularem com conforto em meio às multidões e às condições do espaço utilizado pelo evento.

Celebrar e evoluir: os dois lados da mesma moeda

Nada disso diminui os méritos do Encontro Brasileiro de Autos Antigos. O evento continua sendo uma grande celebração da cultura automobilística e um importante ponto de encontro para pessoas de diferentes regiões do Brasil. Muitos visitantes retornam anualmente não apenas pelos automóveis expostos, mas pela oportunidade de rever amigos, encontrar colegas que conhecem apenas pela Internet e compartilhar uma paixão comum.

Águas de Lindóia oferece um cenário privilegiado para isso. O clima ameno do outono, o relevo montanhoso e o charme característico do Circuito das Águas Paulista ajudam a explicar por que tantas pessoas escolhem voltar todos os anos.

Justamente por seu sucesso, o encontro precisa continuar evoluindo.

Os pontos positivos são evidentes e merecem ser celebrados. Os pontos que ainda apresentam fragilidades precisam ser discutidos de forma construtiva. Prefeitura, organizadores, comerciantes e visitantes compartilham o interesse de ver o evento crescer de maneira sustentável e segura.

Logo, perguntar não é criticar. Perguntar é contribuir. E talvez a principal pergunta seja esta: a infraestrutura está crescendo na mesma velocidade que o evento?

Se a resposta ainda não for totalmente positiva, existe uma oportunidade para planejar melhorias que beneficiem tanto o Encontro Brasileiro de Autos Antigos quanto a própria cidade de Águas de Lindóia pelas próximas décadas.

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29º Encontro Nacional do Clube do MP Lafer Brasil: sol, carreata e amizade em Holambra

A beleza somada dos MPs  estacionados em Holambra, no interior de São Paulo.
A beleza somada dos MPs  estacionados em Holambra, no interior de São Paulo.

O 29º Encontro Nacional do Clube do MP Lafer Brasil reuniu, entre os dias 15 e 17 de maio de 2026, dezenas de entusiastas do clássico automóvel brasileiro na cidade de Holambra, interior de São Paulo. Apesar das previsões de chuva que afastaram parte dos participantes, o sol prevaleceu nos dois dias de programação, garantindo exposição de carros, almoço coletivo, buzinaço pelas ruas da cidade e uma noite animada de confraternização.

Por Gilberto Martines

Como ocorre há 29 anos, entre os meses de abril e maio o Clube do MP Lafer Brasil promove o seu Encontro Nacional. O convite foi enviado aos laferistas no início de abril, por meio do site mplafer.net e por e-mail aos associados cadastrados. Holambra foi escolhida novamente como sede — e deve permanecer assim nas próximas edições. Os motivos são práticos e já testados: a cidade fica a distância razoável de São Paulo, tem acesso por boas rodovias, boa infraestrutura para hospedagem, lojas para visitação, bons restaurantes e uma relação favorável com a prefeitura, que cede espaço para a exposição dos carros.

A chegada: garoa na capital, sol no interior

Na sexta-feira (15), quem não quis esperar partiu cedo. Com uma garoa discreta em São Paulo e a Marginais congestionadas, a viagem teve uma parada estratégica no posto do quilômetro 28 da Rodovia Bandeirantes — onde, por coincidência, já estava um grupo de cinco laferistas prestes a partir em carreata para Holambra. A cena despertou saudade dos tempos em que mais de 50 carros percorriam as estradas em fila indiana, causando alvoroço por onde passavam. Hoje, esse formato se tornou logisticamente mais difícil, mas a ideia de organizar grupos menores para retomar a aventura não está descartada. No portal de entrada de Holambra, o mesmo grupo dos cinco foi reencontrado — o acaso fez sua parte.

O MP Lafer do Giba diante de um dos acessos de Holambra.
O MP Lafer do Giba diante de um dos acessos de Holambra.

Sábado ensolarado: exposição, almoço e carreata

A previsão do tempo para o fim de semana era de chuva, o que desestimulou a participação de muitos. Mas o sábado amanheceu com sol. Às 9h30, o primeiro carro já estava estacionado no espaço reservado pela prefeitura. Às 12h30, 23 MPs estavam presentes. Ao meio-dia, o grupo seguiu em bloco para o Restaurante Clube Fazenda Ribeirão — já conhecido dos laferistas, com boa comida e localização próxima ao local do evento.

Um jardim de flores e de MPs.
Um jardim de flores e de MPs.

Após o almoço, uma chuva rápida interrompeu brevemente a programação. Assim que passou, os participantes se reuniram novamente junto aos carros para ouvir as palavras do presidente Walter Arruda, seguidas das falas do diretor Romeu Nardini e do companheiro Macrini. Foi anunciado que a carreata seria antecipada para as 16h, diante da previsão de chuva para o domingo. Antes de partir, houve um sorteio de camisetas do Clube e de um par de lanternas traseiras de MP, cedidas por Toninho, da Tony Car Restaurações — presença constante nos encontros, sempre acompanhado dos filhos Beto e Leo, que com ele formam uma equipe especializada na conservação dos carros.

Às 16h em ponto, a carreata percorreu as ruas de Holambra com o tradicional buzinaço. De volta ao estacionamento, ficou combinado: se o domingo não trouxesse chuva, o grupo se reencontraria às 9h para uma nova volta pela cidade às 10h.

Noite de confraternização

À noite, cerca de 20 pessoas se reuniram para jantar no Hotel Royal Tulip Holambra. O ambiente agradável e a conversa animada fizeram da noite um dos pontos altos do encontro.

Fachada do Hotel Royal Tulip Holambra.
Fachada do Hotel Royal Tulip Holambra.

Domingo: mais sol, mais carreata, até o ano que vem

O domingo também contrariou a previsão do tempo. Com o céu aberto, 11 MPs compareceram para a carreata matinal — quatro deles chegando pela primeira vez no evento, apenas no segundo dia. Somados aos presentes no sábado, o encontro reuniu ao todo 27 carros. Após a carreata, fotografias, abraços e despedidas. Cada um seguiu seu caminho.

A grande família laferista reunida no domingo de manhã.
A grande família laferista reunida no domingo de manhã.

Parabéns e agradecimentos a todos os participantes e aos organizadores Walter, Romeu e Jean. E um lembrete para a agenda: em 2027 será o 30º Encontro Nacional. Que venham ainda mais laferistas.

A bandeira do Clube MP Lafer Brasil demarcando o território.
A bandeira do Clube MP Lafer Brasil demarcando o território.

27 MPs não deixaram a tradição acabar em 2026.
27 MPs não deixaram a tradição acabar em 2026.

Nunca é só um encontro de carros antigos. É sobretudo um encontro de gente.
Nunca é só um encontro de carros antigos. É sobretudo um encontro de gente.

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