Lafer encerra atividades após 95 anos de história

Reprodução do comunicado de encerramento das atividades da Lafer.
Reprodução do comunicado de encerramento das atividades da Lafer.

Recebemos com consternação a notícia de que a Lafer deixará de projetar, fabricar e comercializar móveis. O comunicado foi publicado no dia 20 de outubro de 2022 nas redes sociais da empresa, com as seguintes palavras:

"A Lafer, depois de 95 anos criando produtos que deixaram sua marca na história do móvel brasileiro, está encerrando suas atividades.

Registramos aqui nosso agradecimento aos clientes, funcionários e parceiros que fizeram parte dessa história, que certamente ficará na memória de muitas gerações."

Como isso, fecha-se um ciclo iniciado em 27 de fevereiro de 1927, quando o imigrante polonês Bension Laufer, tendo abrasileirado seu nome para Benjamin Lafer, fundou a primeira Casa de Móveis Lafer no Bairro do Cambuci em São Paulo, junto com sua esposa, a ucraniana Cecília Blay.

A segunda geração da família - formada pelos filhos Samuel, Oscar e o caçula Percival Lafer, auxiliados pelo cunhado José Portenoy, casado com a Tininha - assumiu os negócios no começo da década de 1960, quando a Lafer se tornou uma próspera criadora e produtora de móveis articulados modernos, com design refinado.

Ainda nos anos de 1960 ocorreram as primeiras exportações de móveis para os rigorosos mercados norte-americano e europeu. Na virada para a década de 1970 ocorreu a diversificação de atividades, com a entrada no ramo de artefatos de fibra de vidro, incluindo a primeira patente de produção das cabines telefônicas brasileiras, conhecidas como "orelhões".

Em 1972, a Lafer MP (de Móveis Patenteados) ingressa no ramo automobilístico, apresentando o protótipo do modelo que seria fabricado a partir de 1974, com o nome de MP Lafer. Em 1976 veio o projeto do Lafer LL e em 1978 surgiu a versão Ti do MP Lafer. A empresa também exportou seus carros para diversos países do mundo, a partir de suas instalações fabris de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

O início da década de 1980, marcado pela inflação acentuada, foi muito difícil para o Brasil e para a Lafer, que teve que se reestruturar para operar de forma mais enxuta e saudável. A produção dos conversíveis foi encerrada em 1988. No começo dos anos de 1990 o terreno da fábrica de São Bernardo do Campo foi vendido e a Lafer construiu uma nova fábrica em São Paulo.

No novo milênio a Lafer ingressou no mobiliário hospitalar, fazendo grande sucesso. Aos poucos, o prestígio da companhia foi sendo resgatado por admiradores da marca, seja no ramo dos móveis ou dos automóveis. Prêmios, livros, exposições e o merecido reconhecimento foram se acumulando desde então.

Porém, nem tudo dura para sempre. Nos últimos anos, a empresa estava fechando paulatinamente as suas lojas filiais, até restar somente a primeira. A Pandemia do Coronavírus acelerou este processo. Ainda assim, havia a esperança de que a Lafer completaria um século de atividades. Isso não foi possível, mas a história da Lafer não será menos inspiradora em função disso.

Como tudo na Lafer, até o encerramento digno de suas atividades foi planejado com antecedência, de modo que para muitos na companhia isso não foi uma surpresa. Temos plena consciência de que muitos colaboradores da Lafer seguirão suas carreiras com sucesso em novos desafios.

Para todos aqueles que participaram da trajetória da Lafer, o que inclui seus inúmeros entusiastas, fica o nosso respeito e a nossa admiração. Nos sentimos um pouco órfãos com essa notícia, mas devemos seguir em frente, sempre lembrando e defendendo o legado da Lafer, ao menos no âmbito dos carros que tanto amamos dirigir e cuidar.

- Jean Tosetto

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Um comentário:

  1. Que notícia triste! Uma pena uma marca tão representativa passar a figurar apenas na memória á partir de hj. Sou fã dos carros, dos móveis, da empresa, do Percival...

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