Miniatura de lata para um carro de fibra

O MP Lafer original era feito com carroceria de fibra de vidro, mas esta miniatura é feita com lata de óleo.
O MP Lafer original tinha carroceria de fibra de vidro, mas esta miniatura é feita com lata de óleo.

O artesão Milton Cruz faz miniaturas de lata para modelos clássicos e antigos, dentre eles o mais bonito: o MP Lafer.

Por Jean Tosetto

O compromisso em São Paulo era no Consulado Italiano, que fica na Avenida Paulista. Fui acompanhar meu pai na entrega de documentos da família para o reconhecimento da cidadania italiana - um sonho acalentado por nós há mais de dez anos. Chegamos na cidade um dia antes, para evitar imprevistos com o horário agendado logo cedo, e resolvemos caminhar pelas redondezas, admirando a arquitetura da metrópole, vendo o agito do trânsito e o vai e vem das pessoas.

Um cidade como São Paulo tem muita gente nas ruas e muitos fantasmas também. São fantasmas de carne e osso, mas invisíveis para os demais. Para quem gosta de vagar pelas calçadas anonimamente isso é ótimo, mas deveras desumano, pois engloba também aqueles que não querem cair no esquecimento.

No meio daquela tensão, com pessoas olhando para os lados somente para se certificar de que não tem alguém querendo lhe surrupiar a carteira, tivemos um momento para nos lembrar de casa. Da garagem de nossa casa. Vimos uma linda miniatura de MP Lafer tomando sol sobre uma caixa de papelão. Perguntei o preço só para tirar o dinheiro suficiente do bolso, pois já estava decidido pela compra.

O senhor que me atendeu se chama Milton Cruz. Lembrei de te-lo visto uma vez em Águas de Lindóia, num encontro de carros antigos. Ele confirmou que esteve lá a convite de um clube que lhe ofertou a viagem. Além do MP Lafer, naquele dia ele tinha miniaturas de Fuscas e de um Ford V8 para vender. Mas ele também faz miniaturas do MG Avallone. Logo notamos que ele entende do assunto, pois conhece as marcas e os modelos com muita propriedade.

Milton Cruz e Jean Tosetto na esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo em São Paulo. (foto: Anibal Tosetto)
Milton Cruz e Jean Tosetto na esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo em São Paulo.

No estande de vendas sobre caixas de papelão, Milton oferece miniaturas do Ford V8 de 1932 e dos famosos Fuscas.
No estande de vendas sobre caixas de papelão, Milton oferece miniaturas do Ford V8 de 1932 e dos famosos Fuscas.

O volante controla as rodas e a suspensão dianteira tem curso: a desalinhada miniatura de lata do MP Lafer, feita pelo Milton Cruz, é perfeita para nós.
O volante controla as rodas e a suspensão dianteira tem curso: a desalinhada miniatura de lata do MP Lafer, feita pelo Milton Cruz, é perfeita para nós.

Logicamente nos tornamos amigos. Eu, meu pai Anibal e o Milton Cruz. Desejamos que ele venda muitas miniaturas, principalmente do MP Lafer. Ele não tem e-mail para contato, nem site, nem aplicativo de celular - apenas um telefone fixo que vamos repassar somente para os interessados. Para encontrar o Milton em São Paulo, você deve caminhar pela Avenida Paulista nos dias de semana. Ele também vai ao encontro de carros antigos da Estação da Luz em São Paulo, realizado no primeiro domingo de cada mês.

Estávamos em São Paulo em busca de reconhecimento. O reconhecimento da cidadania italiana. Mas acabamos reconhecendo o talento de um senhor que faz seu trabalho com paixão. Ele usa lata de óleo de motor para fazer seu carrinhos. Os para-brisas são de acetato, os faróis são compostos por botões de camisas. As rodas são feitas de tampa da garrafas de vidro - uma colada na outra. O aro da direção é um pedaço de fio de cobre encapado. Um olhar atento e verifica-se que não há esquadro nas formas da miniatura - não importa, ela é perfeita para nós.

Veja também:

Lafer LL 001

O Lafer LL 001 foi licenciado em 1978.
O Lafer LL 001 foi licenciado em 1978.

O Lafer LL 001 de 1978, com apenas 45 mil quilômetros rodados, está à venda na capital do Paraná, Curitiba, por 90 mil reais.

Alcido Edgar Reuter nasceu em Blumenau, mas atua como advogado e empresário em Curitiba, na capital do Paraná, onde é reconhecido como um grande antigomobilista, entusiasta do MP Lafer e do Lafer LL. Ele é membro do MP Lafer Auto Clube do Paraná, do qual inclusive já foi presidente entre 2005 e 2007.

No dia 08 de maio de 2016, o Cido Reuter entrou em contato com Jean Tosetto, editor do site mplafer.net, via Facebook, comunicando que seu Lafer LL, de número 001, foi posto para venda. Ele pede R$ 90.000,00 pelo veículo, que está apenas com 45.000 quilômetros rodados.

Resolvemos publicar as fotos e o contato do Alcido:  (041) 9973-1520. Então você pode perguntar quanto vamos ganhar de comissão neste negócio. E vamos responder: zero. E vamos repetir: ZERO.

Nosso objetivo é ajudar o Alcido Reuter a encontrar um novo dono para o carro, que saiba o valor histórico do mesmo e que possa compartilhar um pouco de sua beleza levando o Lafer LL para encontros de carros antigos e especiais, ou mesmo deixá-lo exposto num local de acesso aos entusiastas.

Sinceramente, não desejamos que este carro seja vendido para fora do Brasil, embora entendemos que isto seria justificável. De todo modo, solicitamos que o novo dono desta Raridade com "R" maiúsculo mantenha contato conosco. Afinal de contas, apenas cinco protótipos foram finalizados, com oito carrocerias desmoldadas.

As linhas do Lafer LL foram insperadas no Mercedes Benz SLC.
As linhas do Lafer LL foram inspiradas no Mercedes Benz SLC.

O motor 250-S, com 4.100 cm³, que equipa o Lafer LL é o mesmo que equipava o Chevrolet Opala.
O motor 250-S, com 4.100 cm³, que equipa o Lafer LL é o mesmo que equipava o Chevrolet Opala.

A carroceria em fibra de vidro foi desenvolvida sob a supervisão técnica de Rigoberto Soler.
A carroceria em fibra de vidro foi desenvolvida sob a supervisão técnica de Rigoberto Soler.

O corpo do volante do Lafer LL 001 é original, mas os mostradores digitais foram removidos.
O corpo do volante do Lafer LL 001 é original, mas os mostradores digitais foram removidos.

No console central do painel, onde ficava um monitor de instrumentos auxiliares forma instalados equipamentos analógicos.
No console central do painel, onde ficava um monitor de instrumentos auxiliares foram instalados equipamentos analógicos.

Este Lafer LL merece fazer parte da coleção de quem valoriza uma relíquia brasileira.
Este Lafer LL merece fazer parte da coleção de quem valoriza uma relíquia brasileira.

Veja também:

Desencontros: de Águas para Vinhedo

A praça central de Águas de Lindóia é um belo palco para autos especiais.
A praça central de Águas de Lindóia é um belo palco para autos especiais.

Os organizadores dos encontros de carros antigos de Águas de Lindóia e Vinhedo merecem todos os elogios, mas será que eles precisam insistir na mesma data?

Por Jean Tosetto *

Durante mais de uma década o encontro paulista de autos antigos foi realizado com sucesso de público e crítica na cidade de Águas de Lindóia. Seus organizadores resolveram respirar outros ares em 2014, levando o evento para Campos do Jordão. Como a prefeitura de Águas de Lindóia não queria perder o encontro em seu calendário, resolveram dar espaço para outros organizadores preparar o que seria um evento de porte nacional, e que se revelou promissor.

Este MG TD 1952 estava disponível para venda.
Este MG TD 1952 estava disponível para venda.

Nasceu, então, uma espécie de rivalidade que se repetiu no ano seguinte: um grande encontro de carros antigos se realizou em 2015 em Águas de Lindóia e poucos dias depois Campos do Jordão também teve sua festa. O auge dessa disputa velada - e desnecessária - aconteceu em 2016: as duas equipes organizadoras resolveram promover seus eventos no mesmo fim de semana prolongado, entre 21 e 24 de abril, quando a cidade de Vinhedo entrou no lugar de Campos do Jordão.

Para nós não cabe tomar posição para este ou aquele lado. Nós torcemos, sinceramente, pelo fortalecimento da cultura antigomobilista em geral, que a cada ano aumenta a rede de colecionadores que sustentam mecânicos, restauradores, estofadores, eletricistas, importadores e comerciantes de artigos correlatos.

O MG TC foi produzido entre 1946 e 1949.
O MG TC foi produzido entre 1946 e 1949.

Não somos contra a cobrança de inscrição para participação com carros nestes eventos que movimentam o turismo nas cidades que os acolhem. Restaurantes, hotéis e lojas em geral também ganham com isso. É válido que o espaço para o mercado de pulgas nestes eventos seja cobrado, embora sejam atividades exercidas em locais públicos. Organizar eventos do porte dos encontros paulistas e nacionais dá muito trabalho, mas cabe afirmar que esta é uma iniciativa muito rentável, ao menos nestes casos específicos.

Por isso, era de se esperar que as duas organizações tivessem o bom senso de não bater de frente uma com a outra. Ao marcar dois dos maiores encontros brasileiros de autos antigos na mesma data, os organizadores acabaram dividindo a atenção de colecionadores, do público e dos lojistas, dado que nem todos tem condições de formar duas turmas para prestigiar dois eventos simultaneamente.

O parque da Festa da Uva de Vinhedo emprestou seu charme para os carros antigos.
O parque da Festa da Uva de Vinhedo emprestou seu charme para os carros antigos.

É curioso notar que a imprensa especializada no tema do antigomobilismo não toca incisivamente neste assunto. Jornalistas e blogueiros que cobrem estes eventos são gente polida demais para se indispor com este ou aquele promotor de eventos. Como nós estamos vendo esta situação de fora, não temos problema algum em cutucar o tema. Também não temos procuração de ninguém para defender este ou aquele. Repetimos: queremos o bem da cultura da qual fazemos parte, através do site mplafer.net

Tanto Águas de Lindóia como Vinhedo ficam na região de Campinas. Primando pela imparcialidade, resolvemos visitar os dois eventos no mesmo dia. De manhã fomos para o circuito das águas e de tarde descemos para a metrópole campineira. Vamos abrir mão de tentar eleger o melhor encontro: a questão principal não é esta.

Este Triumph TR3 de 1959 remete ao filme "La Dolce Vita".
Este Triumph TR3 de 1959 remete ao filme "La Dolce Vita".

O que se viu na sexta-feira, dia 22 de abril, foram dois eventos de primeira grandeza: belos e raros carros antigos e especiais, clima agradável, pessoas atenciosas, ambientes descontraídos e paisagens exuberantes. O verde misturado com os cromados tinha cheiro de saudade trazida por gente de todo o Brasil e de países vizinhos. Não teríamos, mesmo, como eleger um evento que fosse melhor que o outro.

O que nos cabe é colaborar. Nossa sugestão, para os distintos promotores dos encontros de autos antigos de Águas de Lindóia e Vinhedo, é que eles se entendam para fazer um evento em cada semestre. Deste modo, por exemplo, teríamos um grande evento em abril e seis meses depois, em outubro, outro grande evento. O Estado de São Paulo comporta perfeitamente os dois encontros, que poderiam concentrar, novamente, o interesse de todos.

O MG TF Avallone estaciona ao lado de um Jaguar.
O MG TF Avallone estaciona ao lado de um Jaguar.

Será que a FBVA - Federação Brasileira de Veículos Antigos - ainda não pensou nisso, ou não quer interferir? Que outra associação teria autoridade para ordenar um calendário nacional neste sentido? Boas perguntas. Quem sabe, no ano que vem, teremos as respostas.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.


Veja também:

Colorido e história na Praça Vitória Régia

O Jornal da Cidade de Holambra, em sua edição 1095, de 22 de abril de 2016, dedicou duas páginas para o passeio do MP Lafer realizado na Estância Turística. Clique nas imagens abaixo para ampliar, ou acesse a seguir, a versão eletrônica da publicação.

Jornal da Cidade de Holambra, edição 1095, página 14.

Jornal da Cidade de Holambra, edição 1095, página 15.


MPs em Holambra 2016

Holambra 2016 por Gilberto Martines

Reunião no posto de combustíveis, logo cedo.
Reunião no posto de combustíveis, logo cedo.

Estou enviando fotos e o relato do 20° Passeio do Clube MP Lafer Brasil. Este ano completamos 19 anos da fundação da nossa agremiação e a cidade escolhida como destino foi Holambra, no interior de São Paulo. Conhecida como a “Capital Nacional das Flores”, é responsável pela maior produção de flores e plantas ornamentais, isso faz de Holambra a principal cidade exportadora de flores da América Latina.

Holambra foi fundada por uma comunidade mista de brasileiros e imigrantes holandeses, mantendo as tradições trazidas pelos colonos europeus. Podemos observar isso na arquitetura colonial holandesa na região central da cidade. Apesar de estar apenas 140 km da região metropolitana de São Paulo, Holambra é uma cidade repleta de lagos e muitas áreas verdes, trazendo para o visitante muita tranquilidade.

Vou relatar agora um pouco do que aconteceu no passeio para aqueles laferistas que não puderam comparecer ao encontro.

Sábado dia 16 de abril de 2016, manhã  ensolarada, dia de rever os amigos, colocar as nossas “baratas” na estrada, deixando o final de semana um pouco mais animado, pois nestes dias o cenário politico nacional está passando pelo processo de Impeachment  da Presidente do Brasil, na Câmara dos Deputados Federais. Isso causou em muitos laferistas uma certa inibição para usar o nosso uniforme vermelho, mas isso não inibiu a nossa alegria e a felicidade proporcionada pelo  passeio.

O ponto de encontro para saída foi o posto BR da Rodovia dos Bandeirantes no km 28.  Ao chegarmos lá fomos recebidos pelo Romeu Nardini e Walter Arruda, que entregavam a cada participante um mapa com o trajeto a perseguir até nosso destino.

Por volta de 10:30 horas partimos em direção a Holambra. No momento da partida fiz uma contagem de quantos MPs estavam presentes: 73 carros. Seguimos pela Rodovia dos Bandeirantes até o km 95, entramos na Rodovia Alberto Panzan até a saída 103-B, chegando à Rodovia Dom Pedro até a saída 135, acesso à Rodovia Adhemar de Barros até a saída 140, para Holambra.

Nas melhores rodovias brasileiras o pedágio não é barato.
Nas melhores rodovias brasileiras o pedágio não é barato.

Pelo trajeto, como sempre, os nossos carrinhos provocam o maior murmúrio  na estrada. Este ano achei que o buzinaço na praça dos pedágios foi menor, porém a alegria continuava estampada no rosto de todos.

Às 12:30 horas estávamos cruzando o portal de Holambra. Passamos pelo centro da cidade, pelo Boulevard Holandês e estacionamos os carros na Praça Vitória Régia, em frente ao lago. Os carros estacionados deixaram ainda mais linda a paisagem, misturando as cores diversas com o verde da natureza. Neste momento o nosso comboio contava com 92 carros.

O portal de Holambra avisa que a viagem de ida está acabando.
O portal de Holambra avisa que a viagem de ida está acabando.

Um breve descanso e seguimos até o restaurante, para o almoço merecido. O restaurante do Clube da Fazenda foi o escolhido pela maioria dos participantes, que tinha comida boa, com espaço suficiente para receber todos com conforto, música ao vivo, tudo muito agradável. Após o almoço, aproveitei para conhecer um museu localizado ao lado do restaurante.

Almoço no restaurante do Clube da Fazenda Ribeirão.
Almoço no restaurante do Clube da Fazenda Ribeirão.

Coleção de tratores antigos no museu holambrense.
Coleção de tratores antigos no museu holambrense.

Coleção de MPs na Praça Vitória Régia.
Coleção de MPs na Praça Vitória Régia.

Às 15:00 horas teve o início da nossa confraternização. Nossa caixa de som foi montada n sombra das arvores ao lado do “Deck do Amor”. O nosso presidente Walter fez uso da palavra para agradecer a Senhora Alessandra, do departamento de turismo da cidade, que ajudou na realização da nossa confraternização. Em seguida fizeram uso da palavra, Romeu Nardini e Jean Tosetto.

O Senhor Percival Lafer também estava presente e nesta semana ele completou 80 anos de vida. O clube o surpreendeu com um bolo de aniversário e um parabéns cantado por todos os laferistas presentes. Emocionado, o Senhor Percival agradeceu.

Os primos Lucas e Carol no para-lama de um MP Lafer.
Os primos Lucas e Carol no para-lama de um MP Lafer.

Percival Lafer, Romeu Nardini e Walter Arruda.
Percival Lafer, Romeu Nardini e Walter Arruda.

Após a confraternização cada um seguiu o seu roteiro. Alguns retornaram para São Paulo, muitos aproveitaram para pernoitar na cidade e desfrutar das belezas por ela oferecida, saboreando a culinária típica holandesa.

Os laferistas ficaram meio espalhados, alguns em hotéis e outros em pousadas. De noite fomos  jantar em um grupo  no Boulevard, no restaurante Casa Bela. Após o jantar conversamos um pouco retornamos para o hotel para o descanso merecido.

No domingo após o café da manhã a maioria do pessoal resolveu retornar para São Paulo, pois estavam  preocupados com eventuais bloqueios nas estradas, em protestos relacionados com a atual conjuntura politica do país.

As fachadas das lojas em Holambra.
As fachadas das lojas em Holambra.

Agora gostaria de deixar meus agradecimentos aos amigos Walter e Romeu, que organizaram o passeio e parabenizar o Jean,  pela sugestão de Holambra para a realização do nosso passeio, obrigado e parabéns a todos vocês.

Abraço a todos os laferistas e até o almoço de final de ano.

MPs em Holambra 2016