19º Passeio do MP Lafer - Serra Negra 2015

O A e o Z: o primeiro protótipo da Lafer, apresentado em 1972, ao lado do último MP da versão TI licenciado pela fábrica, em 1989.
O A e o Z: o primeiro protótipo da Lafer, apresentado em 1972, ao lado do último MP da versão TI licenciado pela fábrica, em 1989.

Romeu Nardini, diretor do Clube do MP, mudou-se para Andradina, distante mais de 600 km de São Paulo. Neste ano ele foi de carona.
Romeu Nardini, diretor do Clube do MP, mudou-se para Andradina, distante mais de 600 km de São Paulo. Neste ano ele foi de carona.

Um momento emocionante, quando os MPs ligam seus motores no km 28 da Rodovia dos Bandeirantes, antes de percorrer quase 180 km até Serra Negra.
Um momento emocionante, quando os MPs ligam seus motores no km 28 da Rodovia dos Bandeirantes, antes de percorrer quase 180 km até Serra Negra.

Uma escolha sensata

Pela terceira vez o Clube MP Lafer Brasil levou seu passeio anual para a cidade de Serra Negra, no Circuito das Águas de São Paulo, na aconchegante Serra da Mantiqueira. Foi para lá que o primeiro passeio do MP foi realizado, em 1998, reunindo 42 carros. Em 2006 a marca impressionante de 100 unidades foi atingida diante da presença ilustre de Percival Lafer, o idealizador do modelo que pela primeira vez prestigiou um evento desta entidade.

Agora em 2015, após algumas edições com menos de 60 carros participantes, o Clube do MP voltou a reunir respeitáveis 80 carros - um número a festejar diante da "diáspora" de MPs verificada nos últimos anos, com vários conversíveis seguindo para outros estados brasileiros e até mesmo países, dificultando a aglomeração destes nos encontros semestrais (passeios e almoços natalinos).

Tudo ajudou neste 25 de abril: não choveu, a temperatura estava moderada e o sol se escondia, de vez em quando, atrás das nuvens de outono. As estradas escolhidas para o passeio estavam em ótimas condições e nem o trânsito pesado na Rodovia dos Bandeirantes tirou o brilho dos cromados. Alguns carros ficaram no acostamento, é verdade, mas o socorro mecânico da oficina Tony Car prevaleceu mais uma vez.

Nas praças de pedágio, deveriam pagar aos motoristas de MP por deixarem as estradas mais bonitas, mas as cobranças foram normais.
Nas praças de pedágio, deveriam pagar aos motoristas de MP por deixarem as estradas mais bonitas, mas as cobranças foram normais.

Da mureta de um viaduto, o fotógrafo captura a passagem de um MP Lafer pela região de Campinas.
Da mureta de um viaduto, o fotógrafo captura a passagem de um MP Lafer pela região de Campinas.

O calor do asfalto, próximo ao horário do sol a pino, impede a nitidez de visualização da traseira do MP que vai a frente.
O calor do asfalto, próximo ao horário do sol a pino, impede a nitidez de visualização da traseira do MP que vai a frente.

Sob a copa de uma árvore frondosa, a Serra da Mantiqueira se descortina diante de uma plêiade de conversíveis.
Sob a copa de uma árvore frondosa, a Serra da Mantiqueira se descortina diante de uma plêiade de conversíveis.

Percorrendo vales verdejantes e aspirando o ar puro dos campos: o interior do nosso Brasil é lindo demais.
Percorrendo vales verdejantes e aspirando o ar puro dos campos: o interior do nosso Brasil é lindo demais.

Ao pé da montanha um roadster segue o outro, contornando curvas e tangenciando frames de prazer.
Ao pé da montanha um roadster segue o outro, contornando curvas e tangenciando frames de prazer.
Um tipo de mágica

Quando dezenas de MPs ligam seus motores ao mesmo tempo, e partem em fila indiana pelos rincões desbravados outrora por bandeirantes, junto com a queima de combustíveis fósseis são liberadas na atmosfera nuvens de um pó invisível - como se fosse de pirlimpimpim - que se não fazem as pessoas voarem, as fazem se sentirem muito próximas umas das outras.

Isso é muito bom, especialmente  num país que vem se acostumando com o radicalismo nas questões políticas. É gratificante observar as pessoas apertando as mãos ao lado de seus MPs, sabendo que uns são progressistas de carteirinha e outros são conservadores assumidos. O mesmo se aplica para questões religiosas e neste ponto o Clube do MP é claramente ecumênico, reunindo cristãos, judeus, budistas, muçulmanos, espíritas e também os agnósticos.

Jovens, idosos, negros, brancos, pardos e amarelos. Vemos todos eles representandos nos cockpits do MP Lafer, cujas cores, que partem do prateado e vão até o cor de rosa, refletem a bandeira da tolerância. Pudéssemos ter dinheiro de sobra para fabricar novos MPs e entregá-los para nossos líderes se reunirem numa estrada e então resolveríamos os problemas mais simples e paradoxalmente complexos da humanidade.

E nesse passe de mágica liberada pelos escapamentos dos MPs, sentimos que temos os melhores amigos do mundo, viajando juntos nos melhores carros do mundo. Pena que tudo passa rápido demais, porém as reminiscências geradas por esse transe coletivo fazem bem ao coração.

Antes de chegar em Serra Negra, uma breve passagem pela pacata cidade de Lindóia, com pouco mais de seis mil habitantes.
Antes de chegar em Serra Negra, uma breve passagem pela pacata cidade de Lindóia, com pouco mais de seis mil habitantes.

No último trecho do percurso, já no miolo do Circuito das Águas de São Paulo, o clima ameno não impede o bronzeamento de braços e rostos daqueles que transitaram com a capota abaixada.
No último trecho do percurso, já no miolo do Circuito das Águas de São Paulo, o clima ameno não impede o bronzeamento de braços e rostos daqueles que transitaram com a capota abaixada.

Neste sábado de sol, o único trabalho do dia: controlar o volante, passar as marchas, frear e acelerar a máquina que deixa as pessoas mais felizes.
Neste sábado de sol, o único trabalho do dia: controlar o volante, passar as marchas, frear e acelerar a máquina que deixa as pessoas mais felizes.

No centro de Serra Negra uma parte da avenida foi interditada para abrigar a coleção de MPs que apontam para o infinito.
No centro de Serra Negra uma parte da avenida foi interditada para abrigar a coleção de MPs que apontam para o infinito.

Enquanto a turma foi almoçar, aproveitamos para fotografar os conversíveis descansando em Serra Negra.
Enquanto a turma foi almoçar, aproveitamos para fotografar os conversíveis descansando em Serra Negra.

Os sete bravos do Rio de Janeiro

A grande marca do passeio do MP Lafer para Serra Negra, em 2015, foi a presença de sete MPs vindos do Rio de Janeiro, perfazendo quase 10% dos carros reunidos na cidade. Vestindo a camisa dos Amigos do MP Lafer, com bandeiras do Rio de Janeiro e São Paulo afixadas nos para-brisas dos carros, eles partiram na madrugada de sexta-feira em direção ao interior de São Paulo, fazendo várias paradas para descanso e chegando ao hotel depois de nove horas de viagem.

No sábado eles se dirigiram para a saída de Lindóia, esperando a passagem dos demais carros que participaram do evento, podendo sentir, por alguns quilômetros, a sensação de viajar acompanhado por dezenas de carros do mesmo modelo. Os laferistas do Rio de Janeiro não vieram sozinhos guiando os conversíveis: estavam acompanhados de suas esposas e colegas que guiaram carros convencionais.

No momento em que este artigo está sendo escrito, na manhã de domingo, nossos amigos do Rio de Janeiro ainda estão na estrada, fazendo o caminho de volta. Alguns deles moram na região de Cabo Frio e terão percorrido quase 1.500 quilômetros ao fim desta epopeia. Eis uma inevitável prova de amor e entusiamo que merece nossas mais sinceras e cristalinas homenagens.

Estes sete MPs vieram de diversas cidades do Rio de Janeiro especialmente para o evento.
Estes sete MPs vieram de diversas cidades do Rio de Janeiro especialmente para o evento.

Os Amigos do MP Lafer do Rio de Janeiro e os membros do Clube MP Lafer Brasil, de camisas vermelhas. (foto: Dani Manzan)
Os Amigos do MP Lafer do Rio de Janeiro e os membros do Clube MP Lafer Brasil, de camisas vermelhas.

Parabéns aos cariocas e fluminenses que cruzam fronteiras para demonstrar sua paixão pelo MP Lafer.
Parabéns aos cariocas e fluminenses que cruzam fronteiras para demonstrar sua paixão pelo MP Lafer.

Em 2016 tem mais!

Por Jean Tosetto

Veja também:

O conversível paulista que fez sucesso nas ruas cariocas

Anúncio do MP Lafer publicado em 04 de maio de 1975 no jornal "O Globo".
Anúncio do MP Lafer publicado em 04 de maio de 1975 no jornal "O Globo".

Em homenagem aos Amigos do MP Lafer do Rio de Janeiro, resgatamos um anúncio do modelo publicado no jornal "O Globo" em meados de 1975. Na ocasião quatro concessionárias se reuniram para divulgar as qualidades do MP Lafer através de um desenho estilizado do carro, junto de um casal diante de um cenário tropical. Eram elas: a "União dos Revendedores", a "Auto Industrial", a "Auto Modêlo" e a "Guanauto".


Veja também: 


O slogan destacado na comunicação não poderia ser mais ousado: "Um carro como o MP-Lafer aparece em cada 100 anos. Aproveite." - Se considerarmos que em 1975 o advento do automóvel ainda estava completando um século, conclui-se que o conversível de São Bernardo do Campo seria um carro único. Se querem saber nossa opinião, achamos que ele é mesmo.


Clube MP Lafer Brasil convida:

Uma das praças mais charmosas do Brasil fica em Serra Negra. (foto: Jean Tosetto)
Uma das praças mais charmosas do Brasil fica em Serra Negra.

Clube MP Lafer Brasil19º Passeio Anual do MP Lafer - Serra Negra 2015

Bom dia Laferista,

Este ano, o passeio do MP Lafer terá como destino a cidade que é um marco para o nosso clube.

Serra Negra foi o palco do nosso Primeiro Passeio em 1998 e, por isso mesmo, tem uma importância muito grande para nós.

Data: 25 de abril de 2015 (sábado)

Local e hora de saída: Rodovia dos Bandeirantes, km 28 - Posto BR, às 09:45 horas.

Após a nossa chegada e acomodação dos carros no centro da cidade, será muito bom se fizermos logo as nossas refeições, pois às 15 horas faremos nossa confraternização junto aos carros.

Para quem deseja se hospedar na cidade é só consultar o guia de hotéis no site: www.serranegra.com.br

Para eventuais emergências no nosso trajeto, contaremos com o apoio mecânico do “Toninho” da Tony-Car – Especializada MP Lafer do ABC.

Não se esqueça de ir uniformizado e de revisar e abastecer o seu carro.

Vamos juntos nessa!

Walter Barboza Arruda - Presidente
(11) 97122.6260 – walter.mplafer@uol.com.br
Facebook: o mesmo nome

Romeu Nardini - Diretor
(11) 99154.4536 - meco98@uol.com.br

Atualizado em 01/04/2015:


Bom dia Laferista, 
Como encontramos dificuldades nos hotéis de Serra Negra para conseguir que aceitassem somente uma diária, não colocamos no convite nenhuma referência.
Agora, um hotel se prontificou a aceitar nossa proposta. Ele fica no centro e foram muitos gentis em nos atender. 
Como vale a pena pernoitar e aproveitar a cidade, quem se interessar pode contatar os seguintes telefones para fazer a reserva: 
Hotel Serra Negra Palace: (19) 3892.4477 – (19)3892.1586 – falar com Bruna ou Bianca. 
O site é www.serranegrapalacehotel.com.br 
Abraços, 
Walter Barboza Arruda - Presidente

Veja também:

MPs em Serra Negra 2015
MPs em Águas de Lindóia
MPs em Piracicaba 2013

Tony Car ganha site próprio

Reprodução da capa do site da Tony Car Restaurações.

O Toninho, da Tony Car Restaurações de MP Lafer, está no ramo há quarenta anos. Agora o contato com sua equipe ficou ainda mais fácil.

A Lafer iniciou o projeto do MP em 1972 e licenciou a última unidade em 1990. Foram 18 anos de um sonho contado no livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". Houve um hiato até 1996, quando o Toninho, convencido pelos membros embrionários do Clube MP Lafer Brasil, fundou a Tony Car Restaurações, especializada em MP Lafer, iniciando uma trajetória que ultrapassa outros 18 anos, atingindo a sua maioridade.

Nesse tempo outras oficinas surgiram e desapareceram, mas o Toninho e sua equipe permaneceram fiéis aos princípios norteados pela qualidade dedicada ao MP Lafer, na mesma cidade onde o carro foi produzido, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Se contarmos a data de admissão do Toninho na fábrica da Lafer, já são quarenta anos de envolvimento com a marca.

Sempre recebemos mensagens de pessoas procurando por carrocerias avulsas de MP Lafer para comprar - as famigeradas réplicas que necessitam de várias adaptações sobre chassis usados de Fusca ou Brasília. Sempre respondemos que é melhor adquirir um MP Lafer original, mesmo que seja necessário restaurar. Resposta semelhante damos para aqueles que ainda alimentam a esperança em ver o MP Lafer de volta a uma linha de montagem: um MP Lafer restaurado pela Tony Car é como se fosse fabricado do zero.

Agora o entusiasta da marca que deseja conservar seu carro, preservando suas características originais, tem um canal de comunicação direto com a equipe da Tony Car:
mplaferoficina.com.br

Registramos os votos de sucesso para o novo site, e que o sonho do MP Lafer possa se renovar com o passar dos anos.

Veja também:

Não há via expressa para o Paraíso

Portão para a luz em caminho cavado na pedra.
Portão para a luz em caminho cavado na pedra.

Certas viagens dispensam o pagamento de pedágios, filas de checagem em aeroportos, reservas em hotéis de luxo. O prazer de encontrar um recanto perdido, que a TV não mostra, é inversamente proporcional à fama do lugar.

Por Jean Tosetto *

O filósofo Sêneca já afirmava, antes de Cristo, que a felicidade não está onde a maioria procura. Antes mesmo de ler os escritos do notório grego, de certa forma eu já praticava tal premissa, sempre que percorria uma estrada perdida, fazendo um caminho diferente para chegar a um destino pouco procurado.

Por exemplo? Gosto de ir para a região de Socorro, no interior de São Paulo. O caminho mais conhecido para lá, saindo de Paulínia, é seguir até Lindóia e virar à direita na entrada da cidade. Porém, abasteci o carro em Monte Alegre do Sul e o frentista parecia ser um velho amigo. Perguntei sobre um corta caminho para Socorro e ele me explicou sobre umas quebradas que passavam perto de Pinhalzinho.

Que estradinha deliciosa. Vi uma igrejinha no pé de uma montanha e tenho certeza de que ali tinha algo de divino, com algumas casinhas humildes por perto e o gado pastando junto do campinho de futebol, na beira de um riacho.

Capelinha evangélica perdida no pé da serra.
Capelinha evangélica perdida no pé da serra.

Em Socorro gosto muito de caminhar pelas arruelas que cercam a Praça da Matriz. Certa vez, paramos numa casa de sucos para saborear uma tigela de açaí. Saindo dela, o momento de epifania:

O sol por trás dos galhos das árvores, pouco acima da encosta, quase se pondo antes da hora naquele miolo de serra. A máquina fotográfica, sempre a tira colo, foi acionada instantaneamente. Se você não consegue ver beleza nisto, sinto muito.

Praça central de Socorro.
Praça central de Socorro.

De Socorro a gente se encaminha para Bueno Brandão, no sul de Minas Gerais, uma cidadezinha guardada numa gaveta da Serra da Mantiqueira.

Para chegar lá pela primeira vez, recusei o uso de GPS: fui perguntando o caminho para as pessoas mesmo, com seus sotaques misturados, usando referências claras para elas e quase incompreensíveis para mim. Parte do prazer era reconhecer os lugares citados, como se estivesse resolvendo um enigma.

E a estradinha era realmente linda, repleta de cafezais pendurados nas encostas, algumas casas coloniais abandonadas, naturalmente amareladas pela pátina do tempo. E aqueles Fusquinhas estacionados nas varandas dos casebres? Cada um merecia uma foto.

Foto? Eu teria que parar a cada 50 metros para fazer uma. E as fotos não captariam o cheiro da brisa e a sensação de êxtase ao encher os pulmões com ar puro, fazendo uma curva fechada e descobrindo a existência de um vale verdejante, que a natureza criou para beneficiar o por do sol de quem mora naquele chalé, no alto da montanha, entre pedras e ciprestes.

Como domar a vontade de parar nos alambiques para saborear as cachaças artesanais? Mesmo para um sujeito que deixa a cerveja vencer na geladeira, saborear uma pinga caseira, uma vez na vida, não seria um pecado.

Cachoeira das Andorinhas em Monte Alegre do Sul.
Cachoeira das Andorinhas em Monte Alegre do Sul.

Também recusei a me embrenhar pelas vias vicinais que conduziam às inúmeras cachoeiras da região. Num único dia não haveria tempo para tantos mergulhos.

Em Bueno Brandão, estacionei o carro na frente da Igreja Matriz, e provei minha passagem por lá, clicando sua fachada.

Igreja Matriz de Bueno Brandão.
Igreja Matriz de Bueno Brandão.

Minha esposa - e companheira de aventuras - perguntou sobre minha mania de fotografar igrejas. Respondi que, quando fosse para a estância de São Pedro, mostraria minha coleção de fotos de igrejas e capelas e, quem sabe com isso, facilitaria meu ingresso no Paraíso.

Acho que vou precisar de um pendrive transcendental.


Leia mais artigos da coluna "Editor Volante".
* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.