Galeria 2016: Gonçalves

Fotografia digna de um álbum de família.
Fotografia digna de um álbum de família.

TRÊS MARCOS E UM MP LAFER

No dia 16 de abril de 2016 o Clube MP Lafer Brasil reuniu dezenas de carros no começo da Rodovia dos Bandeirantes em São Paulo, para a largada do passeio até Holambra.

Neste dia tivemos a oportunidade de fotografar três gerações da mesma família em torno de um MP Lafer, representadas por Marcos Aurélio Gonçalves (de boné), Marcos Aurélio Gonçalves Junior (de óculos escuros) e  Marcos Aurélio Gonçalves Neto (sentado ao volante). Eles vivem em Itaquá, ao lado de Arujá, pertinho da capital do estado.

Um belo testemunho de que a paixão pelo MP Lafer passa de pai para filho e promete se estender pelas gerações futuras.

Veja também:

20º Passeio do MP Lafer - Holambra 2016
Clube MP Lafer Brasil
Uma crônica napolitana

O último domingo do outono

A sombra da cerca viva se alinha com o friso central do capô do MP Lafer.
A sombra da cerca viva se alinha com o friso central do capô do MP Lafer.

O calendário de festividades do mundo moderno se apóia em tradições religiosas adaptadas pela lógica capitalista, especialmente nos países que adotam a cultura ocidental. Na Europa e nas Américas se comemora o Natal e a Páscoa, por exemplo. No Oriente Médio e em boa parte da África, o Ramadã é a principal época do ano.

Mas na antiguidade, quando os povos não conheciam Moisés, Jesus Cristo e Maomé, as pessoas prestavam mais atenção nas estrelas. Solstícios e equinócios eram as datas mais comemoradas ao longo do ano, pelas sociedades que seguiam o calendário solar. No Hemisfério Sul, o solstício de inverno representa o dia mais curto do ano, ao passo que no Hemisfério Norte temos o solstício de verão, com o dia mais longo acima da Linha do Equador. Nos equinócios, os dias tem a mesma duração nos dois hemisférios.

A essa altura você deve estar perguntando: "o que isso tem a ver com o site do MP Lafer?"

Calma, eu respondo. Caiu no meu ouvido que teremos o solstício de inverno no dia 20 de junho de 2016, numa segunda-feira. O que significa que hoje, quando escrevo estas linhas, é o último domingo do outono. Em memória de nossos antepassados, mas sem desrespeitar os religiosos, eu tinha que comemorar de alguma forma. Para tanto, escolhi fazer um passeio de MP Lafer, com a capota reclinada.

Nesse ano os brasileiros que vivem nas regiões sul e sudeste tiveram um outono diferente, com a chegada antecipada do frio. Um onda de ar polar fez a temperatura cair bem mais do que o normal e pude sentir isso com o aumento da minha pressão arterial. Meus amigos, envelhecer é uma droga, e estou relutando em depender delas para controlar minha pressão. Ainda sou moleque, só tenho 40 anos.

Mas hoje o dia estava ideal para guiar um MP Lafer. Frio sim, mas suportável. Logo que engato a primeira marcha, meu pensamento vai direto para a zona rural da cidade. A estrada estava quase deserta, esperando por mim.

O sol não chegava a provocar calor, mas não me deixava sentir frio, como dentro de casa. Poucas vezes senti uma sensação de equilíbrio térmico tão agradável nos últimos anos. No verão a gente fica suado quando dirige com a capota abaixada, e no pico do inverno é quase impossível não ranger os dentes nestas condições.

A blusa de lã repousa diretamente sobre a pele dos braços, deixando os raios de sol penetrarem nas pequenas frestas do tecido. Porém, não tive vontade de arregaçar as mangas. Nas trocas das marchas na ascendência da velocidade, tudo se compensava.

Quando atingi o que chamo de tobogã - uma longa reta em declive, com curvas de nível ligeiramente aplainadas - tive um caso de paixão com as árvores na margem da pista. Elas faziam sombras sobre nós - eu e o MP. No entanto, seus galhos vazavam as luzes outonais do sol. Um estímulo idílico para as retinas.

Se aquela estrada me levasse para a Patagônia, na Argentina, eu poderia dirigir o dia inteiro. E a noite também. Me ocorreu que aquele jogo de luzes e sombras era uma metáfora para a vida: os momentos felizes são valorizados por causa dos momentos que não são  necessariamente tristes, mas lembrados pela ausência de felicidade. E felicidade é um domingo de sol a bordo de um MP Lafer.

A curva chega e tento contorná-la sem frear. Desço de quarta para terceira marcha e deixo o motor nos segurar, enquanto seguro firme no volante de madeira do carro, ainda mais caramelizado com os reflexos da tarde, como se um editor de imagens aplicasse um filtro cor de uísque em tempo real.

Queria mesmo que esse passeio se transformasse numa viagem sem fim, impedindo com isso a chegada do inverno.

O que me fez mudar de ideia foi a saudade repentina que bateu da mulher amada. E compreendi que toda viagem que tem como destino os braços de uma mulher vale a pena ser empreendida.

Faço o "cul-de-sac" em segunda marcha, cruzando os braços diante do volante, sem tirar as mãos dele. Minha cabeça se inclina quase para fora do campo de proteção do para-brisa, e tomo o rumo de volta para casa.

O inverno vai chegar, sim. Mas depois vem a primavera. As estações do ano não deixam de ser um jogo de luzes e sombras na beira do caminho, que nos estimulam a viver a vida em sua plenitude.

Se você não olhar para as estrelas, de vez em quando, o que acabo de escrever não fará sentido. O último domingo deste outono me ensinou isso.

Saudações cordiais,
Jean Tosetto

Veja também:

Galeria 2016: Fusco

O neto de Aldo Fusco cuida do MP Lafer do avô.
O neto de Aldo Fusco cuida do MP Lafer do avô.

A PAIXÃO QUE PASSA

Mensagem recebida em 03 de março de 2016:

"Envio, em anexo, fotos de meu neto Rafael ajudando o tio a preparar o MP para o CAAT on the Road - 100 Milhas na Serra, do ano passado.

O carro foi pilotado por meu genro tendo minha filha, a mãe do Rafael, como navegadora.

Veja o cuidado com que ele limpa o carro após a adesivação.

Acho emblemático o retrato daquele momento, que mostra que paixão e respeito, adicionado de um pouco de carinho, garante vida longa aos nossos MPs.

Um forte abraço."

Precisamos responder alguma coisa?

O MP Lafer Ti sendo adesivado para um evento do CAAT.
O MP Lafer Ti sendo adesivado para um evento do CAAT.

Veja também:

Galeria 2012: Fusco
CAAT On The Road 2013
Clube de Autos Antigos de Taubaté

Loja de carros presta homenagem ao MP Lafer

O MP Lafer de Jean Tosetto estacionado em estrada vicinal que liga Paulínia e Americana, no interior de São Paulo.
O MP Lafer de Jean Tosetto estacionado em estrada vicinal que liga Paulínia e Americana, no interior de São Paulo.

Loja de carros de Americana, no interior de São Paulo, tem seu escritório decorado com uma foto do MP Lafer publicada originalmente no site mplafer.net

Imagine que você está numa aprazível cidade do interior paulista, escolhendo o novo carro que irá habitar a garagem de sua casa. Dentre tantas opções de veículos de primeira linha, fica difícil escolher um. Martelo batido, chega o momento de ir até a sala do gerente da loja e eis que você se depara com uma imagem de um MP Lafer vermelho, estacionado numa estrada repleta de árvores. Não, não é um Mitsubishi Lancer ou um Ford Fusion entre as copas dos eucaliptos: é mesmo um MP Lafer!

Esta cena é comum na cidade de Americana, para quem adquire um automóvel na Gel Motors, uma loja multimarcas do estado de São Paulo. No começo de 2016 a empresa realizou uma reforma em suas instalações, encarregando a Giovana Minatti, da FAG Design Gráfico, de pesquisar imagens de automóveis que pudessem decorar os ambientes.

Navegando pelo site mplafer.net a Giovana se interessou pela imagem que abre o artigo "Caçando estradas entre Paulínia e Americana" com fotografias do arquiteto Jean Tosetto, autor do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". Ela apresentou a fotografia para o Cido Gel, consultor de vendas da loja, que prontamente aprovou a escolha da imagem para decorar seu escritório.

A Giovana entrou em contato conosco, solicitando autorização para uso da imagem, e um arquivo da mesma em alta resolução, numa atitude profissional e ética, dado que já vimos esta mesma fotografia reproduzida na Internet, sem o nosso consentimento. Logicamente atendemos o pedido e ainda recebemos uma remuneração justa pelo serviço (aqui nós somos transparentes).

Fachada da loja multimarcas Gel Motors, na Rua José Bonifácio 211, Bairro Colina, em Americana.
Fachada da loja multimarcas Gel Motors, na Rua José Bonifácio 211, Bairro Colina, em Americana.

A imagem do MP Lafer ocupa a parede do escritório de Cido Gel, consultor de vendas da loja.
A imagem do MP Lafer ocupa a parede do escritório de Cido Gel, consultor de vendas da loja.

Registramos os parabéns para a Giovana Minatti, por sua conduta correta, e agradecemos ao Cido Gel por valorizar a memória do MP Lafer em sua loja multimarcas. Nossa torcida é para que muita gente passe pelo escritório para finalizar negócios neste empreendimento conduzido por gente que gosta do que faz.

Veja também:



Miniatura de lata para um carro de fibra

O MP Lafer original era feito com carroceria de fibra de vidro, mas esta miniatura é feita com lata de óleo.
O MP Lafer original tinha carroceria de fibra de vidro, mas esta miniatura é feita com lata de óleo.

O artesão Milton Cruz faz miniaturas de lata para modelos clássicos e antigos, dentre eles o mais bonito: o MP Lafer.

Por Jean Tosetto

O compromisso em São Paulo era no Consulado Italiano, que fica na Avenida Paulista. Fui acompanhar meu pai na entrega de documentos da família para o reconhecimento da cidadania italiana - um sonho acalentado por nós há mais de dez anos. Chegamos na cidade um dia antes, para evitar imprevistos com o horário agendado logo cedo, e resolvemos caminhar pelas redondezas, admirando a arquitetura da metrópole, vendo o agito do trânsito e o vai e vem das pessoas.

Um cidade como São Paulo tem muita gente nas ruas e muitos fantasmas também. São fantasmas de carne e osso, mas invisíveis para os demais. Para quem gosta de vagar pelas calçadas anonimamente isso é ótimo, mas deveras desumano, pois engloba também aqueles que não querem cair no esquecimento.

No meio daquela tensão, com pessoas olhando para os lados somente para se certificar de que não tem alguém querendo lhe surrupiar a carteira, tivemos um momento para nos lembrar de casa. Da garagem de nossa casa. Vimos uma linda miniatura de MP Lafer tomando sol sobre uma caixa de papelão. Perguntei o preço só para tirar o dinheiro suficiente do bolso, pois já estava decidido pela compra.

O senhor que me atendeu se chama Milton Cruz. Lembrei de te-lo visto uma vez em Águas de Lindóia, num encontro de carros antigos. Ele confirmou que esteve lá a convite de um clube que lhe ofertou a viagem. Além do MP Lafer, naquele dia ele tinha miniaturas de Fuscas e de um Ford V8 para vender. Mas ele também faz miniaturas do MG Avallone. Logo notamos que ele entende do assunto, pois conhece as marcas e os modelos com muita propriedade.

Milton Cruz e Jean Tosetto na esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo em São Paulo. (foto: Anibal Tosetto)
Milton Cruz e Jean Tosetto na esquina da Avenida Paulista com a Rua Haddock Lobo em São Paulo.

No estande de vendas sobre caixas de papelão, Milton oferece miniaturas do Ford V8 de 1932 e dos famosos Fuscas.
No estande de vendas sobre caixas de papelão, Milton oferece miniaturas do Ford V8 de 1932 e dos famosos Fuscas.

O volante controla as rodas e a suspensão dianteira tem curso: a desalinhada miniatura de lata do MP Lafer, feita pelo Milton Cruz, é perfeita para nós.
O volante controla as rodas e a suspensão dianteira tem curso: a desalinhada miniatura de lata do MP Lafer, feita pelo Milton Cruz, é perfeita para nós.

Logicamente nos tornamos amigos. Eu, meu pai Anibal e o Milton Cruz. Desejamos que ele venda muitas miniaturas, principalmente do MP Lafer. Ele não tem e-mail para contato, nem site, nem aplicativo de celular - apenas um telefone fixo que vamos repassar somente para os interessados. Para encontrar o Milton em São Paulo, você deve caminhar pela Avenida Paulista nos dias de semana. Ele também vai ao encontro de carros antigos da Estação da Luz em São Paulo, realizado no primeiro domingo de cada mês.

Estávamos em São Paulo em busca de reconhecimento. O reconhecimento da cidadania italiana. Mas acabamos reconhecendo o talento de um senhor que faz seu trabalho com paixão. Ele usa lata de óleo de motor para fazer seu carrinhos. Os para-brisas são de acetato, os faróis são compostos por botões de camisas. As rodas são feitas de tampa da garrafas de vidro - uma colada na outra. O aro da direção é um pedaço de fio de cobre encapado. Um olhar atento e verifica-se que não há esquadro nas formas da miniatura - não importa, ela é perfeita para nós.

Veja também:

Lafer LL 001

O Lafer LL 001 foi licenciado em 1978.
O Lafer LL 001 foi licenciado em 1978.

O Lafer LL 001 de 1978, com apenas 45 mil quilômetros rodados, está à venda na capital do Paraná, Curitiba, por 90 mil reais.

Alcido Edgar Reuter nasceu em Blumenau, mas atua como advogado e empresário em Curitiba, na capital do Paraná, onde é reconhecido como um grande antigomobilista, entusiasta do MP Lafer e do Lafer LL. Ele é membro do MP Lafer Auto Clube do Paraná, do qual inclusive já foi presidente entre 2005 e 2007.

No dia 08 de maio de 2016, o Cido Reuter entrou em contato com Jean Tosetto, editor do site mplafer.net, via Facebook, comunicando que seu Lafer LL, de número 001, foi posto para venda. Ele pede R$ 90.000,00 pelo veículo, que está apenas com 45.000 quilômetros rodados.

Resolvemos publicar as fotos e o contato do Alcido:  (041) 9973-1520. Então você pode perguntar quanto vamos ganhar de comissão neste negócio. E vamos responder: zero. E vamos repetir: ZERO.

Nosso objetivo é ajudar o Alcido Reuter a encontrar um novo dono para o carro, que saiba o valor histórico do mesmo e que possa compartilhar um pouco de sua beleza levando o Lafer LL para encontros de carros antigos e especiais, ou mesmo deixá-lo exposto num local de acesso aos entusiastas.

Sinceramente, não desejamos que este carro seja vendido para fora do Brasil, embora entendemos que isto seria justificável. De todo modo, solicitamos que o novo dono desta Raridade com "R" maiúsculo mantenha contato conosco. Afinal de contas, apenas cinco protótipos foram finalizados, com oito carrocerias desmoldadas.

As linhas do Lafer LL foram insperadas no Mercedes Benz SLC.
As linhas do Lafer LL foram inspiradas no Mercedes Benz SLC.

O motor 250-S, com 4.100 cm³, que equipa o Lafer LL é o mesmo que equipava o Chevrolet Opala.
O motor 250-S, com 4.100 cm³, que equipa o Lafer LL é o mesmo que equipava o Chevrolet Opala.

A carroceria em fibra de vidro foi desenvolvida sob a supervisão técnica de Rigoberto Soler.
A carroceria em fibra de vidro foi desenvolvida sob a supervisão técnica de Rigoberto Soler.

O corpo do volante do Lafer LL 001 é original, mas os mostradores digitais foram removidos.
O corpo do volante do Lafer LL 001 é original, mas os mostradores digitais foram removidos.

No console central do painel, onde ficava um monitor de instrumentos auxiliares forma instalados equipamentos analógicos.
No console central do painel, onde ficava um monitor de instrumentos auxiliares foram instalados equipamentos analógicos.

Este Lafer LL merece fazer parte da coleção de quem valoriza uma relíquia brasileira.
Este Lafer LL merece fazer parte da coleção de quem valoriza uma relíquia brasileira.

Veja também:

Desencontros: de Águas para Vinhedo

A praça central de Águas de Lindóia é um belo palco para autos especiais.
A praça central de Águas de Lindóia é um belo palco para autos especiais.

Os organizadores dos encontros de carros antigos de Águas de Lindóia e Vinhedo merecem todos os elogios, mas será que eles precisam insistir na mesma data?

Por Jean Tosetto *

Durante mais de uma década o encontro paulista de autos antigos foi realizado com sucesso de público e crítica na cidade de Águas de Lindóia. Seus organizadores resolveram respirar outros ares em 2014, levando o evento para Campos do Jordão. Como a prefeitura de Águas de Lindóia não queria perder o encontro em seu calendário, resolveram dar espaço para outros organizadores preparar o que seria um evento de porte nacional, e que se revelou promissor.

Este MG TD 1952 estava disponível para venda.
Este MG TD 1952 estava disponível para venda.

Nasceu, então, uma espécie de rivalidade que se repetiu no ano seguinte: um grande encontro de carros antigos se realizou em 2015 em Águas de Lindóia e poucos dias depois Campos do Jordão também teve sua festa. O auge dessa disputa velada - e desnecessária - aconteceu em 2016: as duas equipes organizadoras resolveram promover seus eventos no mesmo fim de semana prolongado, entre 21 e 24 de abril, quando a cidade de Vinhedo entrou no lugar de Campos do Jordão.

Para nós não cabe tomar posição para este ou aquele lado. Nós torcemos, sinceramente, pelo fortalecimento da cultura antigomobilista em geral, que a cada ano aumenta a rede de colecionadores que sustentam mecânicos, restauradores, estofadores, eletricistas, importadores e comerciantes de artigos correlatos.

O MG TC foi produzido entre 1946 e 1949.
O MG TC foi produzido entre 1946 e 1949.

Não somos contra a cobrança de inscrição para participação com carros nestes eventos que movimentam o turismo nas cidades que os acolhem. Restaurantes, hotéis e lojas em geral também ganham com isso. É válido que o espaço para o mercado de pulgas nestes eventos seja cobrado, embora sejam atividades exercidas em locais públicos. Organizar eventos do porte dos encontros paulistas e nacionais dá muito trabalho, mas cabe afirmar que esta é uma iniciativa muito rentável, ao menos nestes casos específicos.

Por isso, era de se esperar que as duas organizações tivessem o bom senso de não bater de frente uma com a outra. Ao marcar dois dos maiores encontros brasileiros de autos antigos na mesma data, os organizadores acabaram dividindo a atenção de colecionadores, do público e dos lojistas, dado que nem todos tem condições de formar duas turmas para prestigiar dois eventos simultaneamente.

O parque da Festa da Uva de Vinhedo emprestou seu charme para os carros antigos.
O parque da Festa da Uva de Vinhedo emprestou seu charme para os carros antigos.

É curioso notar que a imprensa especializada no tema do antigomobilismo não toca incisivamente neste assunto. Jornalistas e blogueiros que cobrem estes eventos são gente polida demais para se indispor com este ou aquele promotor de eventos. Como nós estamos vendo esta situação de fora, não temos problema algum em cutucar o tema. Também não temos procuração de ninguém para defender este ou aquele. Repetimos: queremos o bem da cultura da qual fazemos parte, através do site mplafer.net

Tanto Águas de Lindóia como Vinhedo ficam na região de Campinas. Primando pela imparcialidade, resolvemos visitar os dois eventos no mesmo dia. De manhã fomos para o circuito das águas e de tarde descemos para a metrópole campineira. Vamos abrir mão de tentar eleger o melhor encontro: a questão principal não é esta.

Este Triumph TR3 de 1959 remete ao filme "La Dolce Vita".
Este Triumph TR3 de 1959 remete ao filme "La Dolce Vita".

O que se viu na sexta-feira, dia 22 de abril, foram dois eventos de primeira grandeza: belos e raros carros antigos e especiais, clima agradável, pessoas atenciosas, ambientes descontraídos e paisagens exuberantes. O verde misturado com os cromados tinha cheiro de saudade trazida por gente de todo o Brasil e de países vizinhos. Não teríamos, mesmo, como eleger um evento que fosse melhor que o outro.

O que nos cabe é colaborar. Nossa sugestão, para os distintos promotores dos encontros de autos antigos de Águas de Lindóia e Vinhedo, é que eles se entendam para fazer um evento em cada semestre. Deste modo, por exemplo, teríamos um grande evento em abril e seis meses depois, em outubro, outro grande evento. O Estado de São Paulo comporta perfeitamente os dois encontros, que poderiam concentrar, novamente, o interesse de todos.

O MG TF Avallone estaciona ao lado de um Jaguar.
O MG TF Avallone estaciona ao lado de um Jaguar.

Será que a FBVA - Federação Brasileira de Veículos Antigos - ainda não pensou nisso, ou não quer interferir? Que outra associação teria autoridade para ordenar um calendário nacional neste sentido? Boas perguntas. Quem sabe, no ano que vem, teremos as respostas.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.


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