MP Lafer Ti exposto em Shopping de Blumenau

O MP Lafer Ti 1979 de Eliel Nascimento.
O MP Lafer Ti 1979 de Eliel Nascimento.

Eliel Nascimento escreve em 22 de fevereiro de 2017:

O MP Lafer Ti está em exposição no Shopping Park Europeu, em Blumenau (Santa Catarina).

Incrível foi constatar que muitos jovem e crianças pequenas não sabiam da existência do MP Lafer. Constatei a alegria das pessoas em conhecer a Lafer, um clássico nacional que está matando a saudade de muitos e provocando uma paixão na nova geração que não conhecia o carro.

Coloquei toda a historia deste exemplar, que saiu no programa Auto Esporte da Globo, revista Quatro Rodas e matéria da revista Fusca.

A colaboração e parceria do site mplafer.net no resgate das informações deste MP Lafer Ti foi maravilhosa pra mim. Tenho recomendado a todos que comprem p livro "MP Lafer: a recriação de um ícone".

Apesar de estar exposto num Shopping, o carro não está a venda.
Apesar de estar exposto num Shopping, o carro não está a venda.

Veja também:

Clube MP Lafer Brasil convida:

Os MPs foram para Águas de São Pedro pela primeira vez em 2009.
Os MPs foram para Águas de São Pedro pela primeira vez em 2009.

Clube MP Lafer Brasil21º Passeio Anual do MP Lafer - Águas de São Pedro 2017

Bom dia Laferista,

Este ano, nosso clube completa 20 anos.

São 20 anos de dedicação, de perseverança, de prazer de ver tantos MPs reunidos, de prazer de ver tanta gente feliz reunida em torno de um mito.

No ano passado, em Holambra, o encontro foi maravilhoso e contou com a presença de 92 carros.

E é com imensa satisfação que faremos nosso próximo passeio, o de número 21, e esperamos que ele seja tão bom quanto o anterior.

Desta vez, vamos para Águas de São Pedro, uma cidade super aconchegante, que nos recebeu maravilhosamente bem em 2009 e 2010.

Data: 08 de abril de 2017 (sábado). Local e hora de saída: Rodovia dos Bandeirantes, km 28 - Posto BR, às 10:00 horas. Previsão de chegada: 12:45 horas (trajeto: 155 km). Nossa confraternização: 15:00 horas.

Após a nossa chegada e acomodação dos carros, seria muito bom se fizéssemos logo nossas refeições.

Ficar na cidade é uma ótima ideia, pois ela é muito agradável e possui um bom comércio para turistas.

Seguem abaixo algumas sugestões de hotéis (na reserva, citar o clube):

- Hotel Santo Antonio: Reservas: (19) 3482.1924 -  diária de casal com café da manhã: R$ 300,00. - Hotel Avenida Charme: Reservas: (19) 3482.7900 - diária completa de casal: a partir de R$ 460,00. Demais opções de hotéis e pousadas poderão ser consultadas no site oficial da cidade.

Não se esqueça de ir uniformizado, de revisar e de abastecer o seu carro.

Vamos nessa!

Walter Barboza Arruda - Presidente
(11) 97122.6260 – walter.mplafer@uol.com.br

Romeu Nardini - Diretor
(11) 99154.4536 - meco98@uol.com.br

Veja também:

MPs em Holambra 2016
MPs em Serra Negra 2015
MPs em Águas de Lindóia

A Lafer completa 90 anos de fundação

A fachada da principal loja da Lafer, na Rua Lavapés nº 6 no Bairro Cambuci em São Paulo, no fim da década de 1960. (foto: arquivo da Lafer)
A fachada da principal loja da Lafer, na Rua Lavapés nº 6 no Bairro Cambuci em São Paulo, no fim da década de 1960.

Em 27 de fevereiro de 1927 era fundada a primeira Casa de Móveis Lafer, precursora da Lafer S.A. que se tornaria criadora e fabricante de centenas de móveis patenteados, atuando também no mobiliário urbano e lançando ainda um carro icônico.

Por Jean Tosetto

A Primeira Grande Guerra Mundial varreu o continente europeu entre 1914 e 1918, provocando uma onda de migração para os países do considerado "Novo Mundo", entre eles o Brasil. É neste cenário de esperança de uma vida melhor que o jovem polonês Bension Laufer desembarca em São Paulo, em 1922, com apenas 25 anos de idade. Assim como muitos de sua época, ele abrasileira seu nome, ficando conhecido nas ruas do Bom Retiro e do Bexiga, onde trabalhava na função de vendedor autônomo, como Benjamin Lafer.

A família Lafer nasceu antes da empresa, quando seu patriarca se casa com a ucraniana Cecília Blay. Somente após acumular o capital inicial com a ajuda da esposa é que Benjamin consegue adquirir um terreno numa esquina promissora do Bairro Cambuci, num raro entroncamento de cinco ruas bem movimentadas. Nascia a primeira Casa de Móveis Lafer em 27 de fevereiro de 1927 - a precursora da Lafer S.A. - exatamente há 90 anos.

O estande da Lafer em feira do Parque Anhembi, São Paulo, em meados dos anos de 1970, sempre um dos mais visitados. (foto: arquivo da Lafer)
O estande da Lafer em feira do Parque Anhembi, São Paulo, em meados dos anos de 1970, sempre um dos mais visitados.

O negócio prosperava assim como a família Lafer crescia, com a chegada dos filhos Samuel, Tininha, Oscar e o caçula Percival, que nasceu em abril de 1936. Aos poucos o fundador da Lafer comprava imóveis vizinhos da loja para ampliar suas instalações, chegando até a abrigar os equipamentos embrionários da fábrica de móveis na década de 1940 - uma atividade que seria retomada com força vinte anos depois.

Benjamin Lafer era centralizador nas questões que envolviam a plena satisfação dos clientes, que se sentiam honrados em lidar diretamente com o proprietário da loja. Acometido de complicações cardíacas que aumentavam paulatinamente, o fundador da Lafer descansou somente depois de ver seus filhos formados, no começo da década de 1960.

A segunda geração da empresa revelou-se extremamente promissora. A divisão do trabalho entre os irmãos Lafer, auxiliados pelo cunhado José Portenoy, permitiu que Percival Lafer, arquiteto de formação, pudesse se dedicar à criação de móveis modernos de estilo sofisticado, que logo ganharam os mercados mais disputados do mundo, tanto na América do Norte como na Europa. Uma linda história contada, em parte, pelo livro "MP Lafer: a recriação de um ícone".

Ainda na década de 2010 é possível ver um MP Lafer pelas estradas afora.
Ainda na década de 2010 é possível ver um MP Lafer pelas estradas afora.

O MP Lafer, a propósito, foi apenas uma das centenas de criações da empresa, que teve também maciça presença em quase todas as cidades brasileiras, através das cabines telefônicas conhecidas como "orelhões", fabricados com exclusividade pela Lafer por quase dez anos, desde sua criação no limiar dos anos de 1970.

Atualmente os móveis patenteados Lafer continuam embelezando os ambientes mais refinados do Brasil e do mundo. Não apenas residências e espaços corporativos seguem agraciados com o design prático e genuíno de Percival Lafer, senão também os hospitais, através da linha "Healthcare".

Nós aqui do site mplafer.net fazemos votos para que esta história, de uma empresa que viu o Brasil se urbanizar através da industrialização, atravessando vários ciclos de prosperidade e recessão junto com o país, tenha ainda muitos capítulos de sucesso para serem registrados para a posteridade.

Veja também:


O MP Lafer foi o primeiro modelo particular movido a álcool a rodar no Rio de Janeiro

MP Lafer diante do canavial: são necessárias grandes extensões de terra para produzir a matéria prima do álcool etílico usado como combustível alternativo à gasolina.
MP Lafer diante do canavial: são necessárias grandes extensões de terra para produzir a matéria prima do álcool etílico usado como combustível alternativo à gasolina.

Em 1979 as ruas de São Paulo e Rio de Janeiro começaram a receber os primeiros veículos particulares movidos a álcool. O MP Lafer foi pioneiro no Rio. Antes disso, somente as frotas governamentais podiam usar tal combustível.

Por Jean Tosetto *

No início da década de 1970 o Brasil vivia um período que ficou conhecido como "Milagre Econômico", quando o país tinha crescimento anual do Produto Interno Bruto acima dos 10%. Os tempos de bonança acabaram em 1973, em grande parte pela eclosão da crise mundial do petróleo, quando os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo reduziram drasticamente a oferta do produto, elevando o preço do barril em mais de três vezes, desencadeando um processo inflacionário em diversas nações.

Visando diminuir a dependência do petróleo, e consequentemente da gasolina e do óleo diesel, o governo federal, então controlado com mão de ferro pelos militares, lançou o Programa Proálcool nos estertores de  1975, baseado nos conceitos do físico José Walter Bautista Vidal e do engenheiro Urbano Ernesto Stumpf, este considerado como o "pai do motor a álcool".

O primeiro veículo equipado com motor a álcool foi um Dodge Polara, em caráter experimental. O primeiro modelo que teve a produção em série movida a álcool etílico - atualmente denominado como metanol - foi o Fiat 147, em 1979. Nos primeiros anos do programa, apenas veículos para testes e frotas governamentais podiam rodar com álcool, tão somente nas praças de São Paulo e Rio de Janeiro, as únicas até então que detinham os poucos postos de abastecimento para este combustível.

As grandes fabricantes de automóveis instaladas no Brasil desenvolviam motores movidos a álcool mais por pressão do governo do que por iniciativa própria, como fica claro em reprodução de uma carta da VW aos seus concessionários, publicada no jornal O Globo em 15 de novembro de 1979:

"Prezado Revendedor,

Conforme já amplamente divulgado, há anos a VWB desenvolve o "Projeto Álcool". Tais estudos, feitos em estreita colaboração com o Governo, visam a viabilizar o uso de alternativas energéticas, principalmente no campo dos combustíveis líquidos para fins veiculares.

O cronograma de fabricação de modelos VW a álcool prevê, inicialmente, o lançamento do Passat, seguindo-se, pela ordem, o Fusca, Brasília e Kombi. Já a partir de janeiro/fevereiro 1980, esses modelos passarão a ser vendidos, de acordo com o nível de pedidos, aos órgãos governamentais, por enquanto o único segmento autorizado a utilizá-los.

A propósito deste assunto, gostaríamos de prestar-lhe alguns esclarecimentos, que ajudarão seus funcionários nos contatos com os clientes: 

1. Conforme as autoridades públicas tem destacado, o Programa Álcool vem sendo desenvolvido para ser uma "alternativa" do uso da gasolina.

2. A venda de veículos movidos a álcool está atualmente restrita aos órgãos governamentais e somente poderá ser ampliada após a implantação de um amplo sistema de distribuição do álcool. Preenchida esta condição, será seguido um plano de comercialização que dará gradativamente preferência às frotas de táxis coletivos. A liberação para clientes particulares é a última etapa do Programa, a ser atingida em época remota, ainda imprevisível.

3. Prevê-se que o carro a álcool custará cerca de 10% a mais que o modelo a gasolina. As notícias sobre compensação indireta deste acréscimo não são ainda claras, exceto quanto ao aumento do prazo de financiamento.

4. Na certa o carro a álcool consumirá entre 10 a 20% a mais que o similar a gasolina e acredita-se que não disporá, por algum tempo, de abastecimento fácil, em todo o território nacional.

5. Os motores a álcool são irreversíveis, isto é, não existe a possibilidade de adaptá-los para utilização de gasolina.

6. Nos carros a gasolina haverá sempre a possibilidade de transformação para uso do álcool. A VWB desenvolve estudos no sentido de oferecer oportunamente solução técnica e economicamente viável para esta adaptação.

Estes argumentos são definitivos para assegurar a comercialização normal dos veículos a gasolina, o que, em última análise, é absolutamente necessário, também, para viabilizar a implantação do programa do álcool carburante."

Mediante a expressa má vontade da Volkswagen em oferecer alternativas para cidadãos comuns comprarem carros movidos a álcool no fim da década de 1970, era de se esperar que os primeiros veículos nesta condição, a rodar nas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro, fossem de pequenos fabricantes, com seus motores adaptados por terceiros.

Ao menos foi o que aconteceu no caso do Rio de Janeiro. Coube ao MP Lafer a honra de mais este pioneirismo, não com um automóvel, mas com dois conversíveis movidos a álcool que passaram a trafegar nas vias cariocas, ainda no primeiro semestre de 1979. Com a anuência da Lafer, os motores originais da VW foram adaptados em São Paulo pela empresa Motorit, que tratou de aumentar, também, a capacidade do tanque de combustível de 45 para 92 litros, teoricamente desrespeitando uma regulamentação federal da época, que impunha limites de capacidade para os tanques.

Os dois MPs foram comercializados no Rio de Janeiro pelos revendedores Shaft e Luciana Automóveis. Seus compradores, o contador Wanderley de Souza Sardinha e a cantora Sônia Santos, ainda se beneficiaram com um desconto promocional na Taxa Rodoviária Única, que cobrava 7% do valor de carros movidos a gasolina e apenas 3% para carros movidos a álcool.

Estes MPs eram gastões: faziam de seis a sete quilômetros com um litro de álcool, ao passo que a versão a gasolina fazia mais de nove. A garantia da Lafer, no entanto, era inalterada: seis meses ou dez mil quilômetros, com assistência técnica autorizada através da Saveiro Comercial de Veículos em São Paulo, e Auto Mecânica Teins no Rio de Janeiro.

A reportagem do jornal O Globo quis saber dos primeiros proprietários de veículos particulares movidos a álcool do Rio de Janeiro, as suas impressões sobre a novidade tecnológica. O contador Wanderley Sardinha revelou sua decepção com o motor a álcool:

"Até o início de mês estava satisfeito, tinha rodado com o carro no Rio, sem problemas. No feriado de Finados, resolvi ir a Volta Redonda e surgiram sérios defeitos mecânicos que, se persistirem, pedirei para que o motor seja convertido para gasolina.

Quando subi a Serra das Araras, o carro parou e teve que ser rebocado por um caminhão até uma oficina mecânica, no topo da serra. Pedi, então, que substituíssem a bomba e o veículo voltou a rodar, mas apresentou o mesmo defeito logo depois. Tive que parar umas três vezes.

O jiglê acumula impurezas e, em consequência, o carro falha nas velocidades baixas. Toda semana tenho que tirar o jiglê para limpá-lo: só assim o veículo volta a funcionar. Outro defeito é que o modelo dispõe de tanque especial para 92 litros de combustível, mas o mostrador é o mesmo modelo comum. Assim, quando o ponteiro do mostrador está na reserva, o carro dispõe ainda de 45 litros de combustível."

A cantora Sônia Santos, porém, deu um testemunho claramente positivo:

"O desempenho do carro está ótimo. Rodo com ele no Rio, já fiz uma viagem a Miracema, sem nenhum problema. Optei pelo carro a álcool porque sou uma pessoa entusiasmada pelo Brasil. Acho uma pena que as autoridades ainda não tenham tomado providências para estimular o uso do carro a álcool. Quando fiz minha opção, visei não somente a minha economia individual. Quis dar minha contribuição à redução do consumo dos derivados do petróleo."

Os problemas técnicos apontados por Wanderley, associados à dificuldade de ligar o motor depois de um bom tempo parado, ou com a temperatura ambiental abaixo dos 15 graus Celsius, foram sendo resolvidos na medida da popularização do álcool nas bombas de combustíveis e na oferta de modelos por parte das grandes fabricantes.

Na década de 1980, veículos movidos a gasolina perderam mercado para os carros do Proálcool - situação que se reverteu com a baixa do preço do barril do petróleo nos anos posteriores. A tecnologia do álcool, no entanto, nunca mais seria abandonada no Brasil, com a adição crescente do álcool na própria gasolina, e também com a criação de motores do tipo flex, que funcionam tanto com gasolina quanto álcool (metanol) em qualquer proporção, embora sem a eficiência de um motor puro sangue.

O que importa para o leitor do mplafer.net - acima de tudo - é saber que o MP Lafer desenvolveu um papel pioneiro nesta história. Uma vantagem a mais para contar na próxima roda de conversa entre amigos entusiastas de automóveis antigos.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.
* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.

Veja também:

Oficinas & restaurantes

O caos parece imperar numa oficina, tal qual na cozinha de um restaurante.
O caos parece imperar numa oficina, tal qual na cozinha de um restaurante.

Oficinas de restauração de veículos guardam mais semelhanças com restaurantes do que um simples jogo de palavras.

Por Jean Tosetto *

Em português a palavra “restaurante” define os lugares nos quais as pessoas vão para almoçar ou jantar. Lá elas restauram suas energias e, dependendo do ambiente e da companhia, restauram também o bom astral, embora o verbo “restaurar” não seja facilmente associado com uma boa comida ou bebida.

Já as oficinas de carros, especialmente as especializadas em restauração dos mesmos, carregam um significado mais óbvio. São nestes espaços que os automóveis são recuperados e, se você prestar atenção, para cada tipo de restaurante há um tipo parecido de oficina.

Vamos começar pelos restaurantes de fast-food? Você chega lá, faz a sua escolha e, enquanto paga, o lanche já está sendo entregue numa bandeja que você mesmo leva para a mesa. Existem oficinas do tipo fast-food também, nelas a preferência são os carros novos ou seminovos e se trabalha na base da troca das peças. Nada de desamassar um para-lama: troca-se o mesmo. Se você não aprecia lanches, não leve seu carro antigo nestes lugares.

Na outra ponta temos os restaurantes da linha gourmet, tocados por chefes badalados. Neste tipo de casa não adianta chegar em cima da hora: é preciso fazer uma reserva com boa antecedência. No caso de oficinas renomadas por sua especialidade, tal espera pode durar meses apenas para ingressar com o carro na garagem. A entrega do serviço também é demorada e o custo é bem alto. É preciso ver se é condizente com a qualidade do serviço.

E os restaurantes de beira de estrada? Se você estiver viajando, tome cuidado com eles. Nunca se sabe o que tem na cozinha destes lugares. Pode ser uma comida saborosa, mas pode ser também uma bomba de sujeira temperada com sódio e salitre. O mesmo se aplica para tais oficinas – um reparo de emergência pode custar os olhos da cara e ser apenas um remendo temporário, ou o serviço pode ser perfeito por um preço irrisório. Quase nunca dá para saber.

Existem também os restaurantes que na Itália são conhecidos como osterias. São pequenas casas familiares que abrem um espaço para servir vinho e comida simples. Geralmente são lugares muito acolhedores, mas para poucas pessoas. Existem mecânicos que abrem oficinas na garagem de suas casas. Eles geralmente trabalham com um ou dois carros de cada vez. Se você conhece algum profissional nesta condição, sorte sua. O serviço não será tão rápido, mas será acessível.

Por fim temos os restaurantes de rua, famosos apenas em suas cidades. Muitos deles já são tradicionais e passam de pai para filho. A decoração não é lá essas coisas, mas o vínculo de amizade que vai se formando entre proprietários e clientes dificulta que os últimos saiam para procurar alternativas. O Brasil está repleto de oficinas assim, especialmente nas cidades menores.

Como sempre, confiança é base de tudo. É preciso acreditar tanto no restaurante onde você levará sua família como na oficina que você escolheu para deixar seu carro. É bom visitar a cozinha de vez em quando, para saber se tudo está em ordem, como também é bom dar uma passada na oficina para saber do andamento dos serviços. Porém, isto não pode ser exagerado, sob o risco de atrapalhar o cozinheiro ou o mecânico em seus atributos.

Bons restaurantes e oficinas costumam ser recomendados por pessoas de bom gosto. Neste ponto, tenho certeza de que você tem um leque de boas opções para compartilhar. Ao menos bom gosto você tem, ou não teria nos prestigiado até aqui com a leitura desta crônica, que se encerra com a palavra "obrigado".

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012. Este artigo foi publicado originalmente na Revista MotorMachine número 13, em junho de 2015.


Veja também:


Galeria 2017: França

O MP 1986 - um dos últimos produzidos pela Lafer - a espera das placas pretas.
O MP 1986 - um dos últimos produzidos pela Lafer - a espera das placas pretas.

ORIGINAL DE FÁBRICA - NUNCA RESTAURADO

Amigos do mplafer.net, vocês sabem que não trabalhamos com anúncios de compra e venda de MP Lafer, pois trata-se de uma grande responsabilidade que exigiria um tempo diário para gerenciar a tarefa - um tempo que não temos. Por isso recomendamos o Portal Maxicar. Lá os seus editores respiram carros antigos 24 horas por dia e, sempre que nos procuram para comprar ou vender um MP Lafer, damos a mesma resposta.

Isso não nos impede de, eventualmente, ajudar pessoas que conhecemos, nas quais confiamos e de quem nunca pedimos nada em troca. É o caso do Cassiano França, de Caçapava no Vale do Paraíba, em São Paulo. Nós o conhecemos desde sempre. Em 2016 ele entrou em contato conosco, pedindo uma opinião sobre um Hot Rod que ele estava pensando em comprar. Pelo valor pedido ele poderia adquirir um ótimo MP Lafer e, como nossa opinião é suspeita, pedimos para ele considerar isso.

Por coincidência, na mesma semana, um jovem nos enviou fotografias do MP Lafer 1986 de seu tio, que estava parado numa garagem de São Paulo há muitos anos. O tio havia comprado o carro ainda semi-novo, desfrutando dele por um tempo. Porém, a idade chegou e o veículo foi encostado. Era, sem dúvida, um MP Lafer esperando pela pessoa certa. Essa pessoa era o Cassiano.

As rodas da Mangels possuem calotas com raios concêntricos - uma raridade no mercado atual.
As rodas da Mangels possuem calotas com raios concêntricos - uma raridade no mercado atual.

A capota negra, feita de tecido sintético náutico, nunca foi trocada.
A capota negra, feita de tecido sintético náutico, nunca foi trocada.

As lentes das lanternas traseiras estão levemente desbotadas - um item fácil de corrigir.
As lentes das lanternas traseiras estão levemente desbotadas - um item fácil de corrigir.

A negociação se arrastou por alguns dias, enquanto o MP Lafer passava por uma revisão geral no motor, nas suspensões e no sistema de freios. Como era um carro absolutamente original, mas que necessitava de cuidados, demorou um pouco para que os interessados no negócio chegassem a um acordo, baseado num preço justo. Não vamos esconder que ajudamos o Cassiano a bater o martelo, pois o cavalo encilhado só passa uma vez - como reza o ditado.

Quando fomos convidados pelo CAAT - Clube de Autos Antigos de Taubaté - para participar do primeiro passeio do MP Lafer no Vale do Paraíba, vislumbramos a oportunidade de guiar o MP Lafer do Cassiano, morador da vizinha Caçapava. Não deu outra: fomos juntos para a largada do evento e dirigimos o carro pela estrada velha entre Rio e São Paulo, recentemente recapeada.

O motorzinho do MP do França está muito bem regulado. Os carburadores parecem gêmeos univitelinos. Os pneus estavam com a calibragem um pouco abaixo da recomendada, deixando a direção um pouco mais pesada nas manobras de baixa velocidade. Nada que tirasse o prazer de guiar o conversível de capota reclinada, com a brisa levando o calor embora.

A assinatura da Lafer na tampa do motor: referência para quem deseja ter o componente em seu MP.
A assinatura da Lafer na tampa do motor: referência para quem deseja ter o componente em seu MP.

No bagageiro frontal, a bateria foi substituída recentemente. A marca da mesma - Cral - é especializada em carros antigos.
No bagageiro frontal, a bateria foi substituída recentemente. A marca da mesma - Cral - é especializada em carros antigos.

O motor 1.6 boxer refrigerado a ar da VW, com dupla carburação e filtros específicos.
O motor 1.6 boxer refrigerado a ar da VW, com dupla carburação e filtros específicos.

O estofamento de couro ecológico segue a padronagem usada em meados da década de 1980 pela Lafer.
O estofamento de couro ecológico segue a padronagem usada em meados da década de 1980 pela Lafer.

Volante de três raios com aro de madeira e painel de compensado naval com sete mostradores: tudo original.

De perto vemos que o carro precisa de uma nova pintura, mas nada que impeça o seu pleno uso.
De perto vemos que o carro precisa de uma nova pintura, mas nada que impeça o seu pleno uso.

De perto vemos que o carro preciso de uma nova pintura, mas nada que impeça o seu pleno uso.
As partes cromadas igualmente perderam um pouco de seu brilho, merecendo um trato no futuro.

Antes de devolver o MP Lafer para o Cassiano, tratamos de fazer uma seção completa de fotografia, para compartilhar o resultado com vocês. Esta publicação é uma das mais completas da página, pois tivemos a oportunidade de fotografar um veículo absolutamente original - o que servirá de referência para muitos que desejam restaurar um MP Lafer, principalmente da década de 1980, preservando as características de fábrica.

Está certo que o conversível carece de um rejuvenescimento estético, mas enquanto isso não entra na agenda de seu dono, ele pode curtir o automóvel sem receio de ficar no acostamento. Somos gratos ao França por nos permitir dirigir e fotografar este belo e original MP Lafer. Agora só falta um exemplar do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone" na estante, certo amigo?

O charme e a beleza do MP Lafer permaneceram intocados
O charme e a beleza do MP Lafer permaneceram intocados.

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O Lafer LL no Museu do Automóvel de Canela

O engenheiro Flavio Fernandes ao lado do Lafer LL que ajudou a fabricar.
O engenheiro Flavio Fernandes ao lado do Lafer LL que ajudou a fabricar.

O Lafer LL foi um investimento da marca para atender o mercado brasileiro de ponta após a proibição da importação de veículos na década de 1970.

No livro "MP Lafer: a recriação do um ícone" um dos capítulos mais difíceis - e também mais prazerosos - para escrever foi justamente sobre o projeto do Lafer LL, do qual foram construídos menos de dez protótipos e sobre o qual havia pouca informação registrada.

Conseguimos entrar em contato com pouquíssimos proprietários e ex-proprietários do modelo, solicitando fotografias do mesmo, ou mesmo permissão para ir até o local de guarda do carro para fotografar. A despeito da cordial formalidade a nós dispensada, o que recebemos foram respostas lacônicas.

Felizmente a própria Lafer, após tomar conhecimento da nossa proposta editorial, nos forneceu preciosas imagens de arquivo que enriqueceram a entrevista feita com o engenheiro Flavio Fernandes, que atualmente trabalha para uma marca gigante do automobilismo mundial, mas que iniciou a carreira justamente na sala de projetos da Lafer, entre 1978 e 1979.

A conversa se desenvolveu na varanda de um grande hotel de Águas de Lindóia em São Paulo, onde ocorre o principal encontro anual de carros antigos e especiais do Brasil. Nossa felicidade em constatar que estávamos diante de um amigo foi confirmada quando ele se lembrou de nós anos depois, passando férias de fim de ano na Serra Gaúcha.

Em visita ao Museu do Automóvel de Canela ele se deparou com um Lafer LL 1978 estacionado ao lado de um Brasinca Uirapuru: "Vou te dizer que fiquei emocionado ao chegar ao lado desse carro. Muita vontade de resgatar aquele LL encontrado em Manaus."

Agradecemos ao Flavio por se lembrar do mplafer.net num momento que certamente teve um significado especial para ele. De nossa parte, não guardamos imagens em memórias de smartphones: fazemos questão de compartilhar com todos os laferistas que visitam nossa página que bateu seu recorde histórico de pageviews em dezembro de 2016, mesmo com um tal de Facebook para atrapalhar.

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