O MP Lafer foi o primeiro modelo particular movido a álcool a rodar no Rio de Janeiro

MP Lafer diante do canavial: são necessárias grandes extensões de terra para produzir a matéria prima do álcool etílico usado como combustível alternativo à gasolina.
MP Lafer diante do canavial: são necessárias grandes extensões de terra para produzir a matéria prima do álcool etílico usado como combustível alternativo à gasolina.

Em 1979 as ruas de São Paulo e Rio de Janeiro começaram a receber os primeiros veículos particulares movidos a álcool. O MP Lafer foi pioneiro no Rio. Antes disso, somente as frotas governamentais podiam usar tal combustível.

Por Jean Tosetto *

No início da década de 1970 o Brasil vivia um período que ficou conhecido como "Milagre Econômico", quando o país tinha crescimento anual do Produto Interno Bruto acima dos 10%. Os tempos de bonança acabaram em 1973, em grande parte pela eclosão da crise mundial do petróleo, quando os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo reduziram drasticamente a oferta do produto, elevando o preço do barril em mais de três vezes, desencadeando um processo inflacionário em diversas nações.

Visando diminuir a dependência do petróleo, e consequentemente da gasolina e do óleo diesel, o governo federal, então controlado com mão de ferro pelos militares, lançou o Programa Proálcool nos estertores de  1975, baseado nos conceitos do físico José Walter Bautista Vidal e do engenheiro Urbano Ernesto Stumpf, este considerado como o "pai do motor a álcool".

O primeiro veículo equipado com motor a álcool foi um Dodge Polara, em caráter experimental. O primeiro modelo que teve a produção em série movida a álcool etílico - atualmente denominado como metanol - foi o Fiat 147, em 1979. Nos primeiros anos do programa, apenas veículos para testes e frotas governamentais podiam rodar com álcool, tão somente nas praças de São Paulo e Rio de Janeiro, as únicas até então que detinham os poucos postos de abastecimento para este combustível.

As grandes fabricantes de automóveis instaladas no Brasil desenvolviam motores movidos a álcool mais por pressão do governo do que por iniciativa própria, como fica claro em reprodução de uma carta da VW aos seus concessionários, publicada no jornal O Globo em 15 de novembro de 1979:

"Prezado Revendedor,

Conforme já amplamente divulgado, há anos a VWB desenvolve o "Projeto Álcool". Tais estudos, feitos em estreita colaboração com o Governo, visam a viabilizar o uso de alternativas energéticas, principalmente no campo dos combustíveis líquidos para fins veiculares.

O cronograma de fabricação de modelos VW a álcool prevê, inicialmente, o lançamento do Passat, seguindo-se, pela ordem, o Fusca, Brasília e Kombi. Já a partir de janeiro/fevereiro 1980, esses modelos passarão a ser vendidos, de acordo com o nível de pedidos, aos órgãos governamentais, por enquanto o único segmento autorizado a utilizá-los.

A propósito deste assunto, gostaríamos de prestar-lhe alguns esclarecimentos, que ajudarão seus funcionários nos contatos com os clientes: 

1. Conforme as autoridades públicas tem destacado, o Programa Álcool vem sendo desenvolvido para ser uma "alternativa" do uso da gasolina.

2. A venda de veículos movidos a álcool está atualmente restrita aos órgãos governamentais e somente poderá ser ampliada após a implantação de um amplo sistema de distribuição do álcool. Preenchida esta condição, será seguido um plano de comercialização que dará gradativamente preferência às frotas de táxis coletivos. A liberação para clientes particulares é a última etapa do Programa, a ser atingida em época remota, ainda imprevisível.

3. Prevê-se que o carro a álcool custará cerca de 10% a mais que o modelo a gasolina. As notícias sobre compensação indireta deste acréscimo não são ainda claras, exceto quanto ao aumento do prazo de financiamento.

4. Na certa o carro a álcool consumirá entre 10 a 20% a mais que o similar a gasolina e acredita-se que não disporá, por algum tempo, de abastecimento fácil, em todo o território nacional.

5. Os motores a álcool são irreversíveis, isto é, não existe a possibilidade de adaptá-los para utilização de gasolina.

6. Nos carros a gasolina haverá sempre a possibilidade de transformação para uso do álcool. A VWB desenvolve estudos no sentido de oferecer oportunamente solução técnica e economicamente viável para esta adaptação.

Estes argumentos são definitivos para assegurar a comercialização normal dos veículos a gasolina, o que, em última análise, é absolutamente necessário, também, para viabilizar a implantação do programa do álcool carburante."

Mediante a expressa má vontade da Volkswagen em oferecer alternativas para cidadãos comuns comprarem carros movidos a álcool no fim da década de 1970, era de se esperar que os primeiros veículos nesta condição, a rodar nas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro, fossem de pequenos fabricantes, com seus motores adaptados por terceiros.

Ao menos foi o que aconteceu no caso do Rio de Janeiro. Coube ao MP Lafer a honra de mais este pioneirismo, não com um automóvel, mas com dois conversíveis movidos a álcool que passaram a trafegar nas vias cariocas, ainda no primeiro semestre de 1979. Com a anuência da Lafer, os motores originais da VW foram adaptados em São Paulo pela empresa Motorit, que tratou de aumentar, também, a capacidade do tanque de combustível de 45 para 92 litros, teoricamente desrespeitando uma regulamentação federal da época, que impunha limites de capacidade para os tanques.

Os dois MPs foram comercializados no Rio de Janeiro pelos revendedores Shaft e Luciana Automóveis. Seus compradores, o contador Wanderley de Souza Sardinha e a cantora Sônia Santos, ainda se beneficiaram com um desconto promocional na Taxa Rodoviária Única, que cobrava 7% do valor de carros movidos a gasolina e apenas 3% para carros movidos a álcool.

Estes MPs eram gastões: faziam de seis a sete quilômetros com um litro de álcool, ao passo que a versão a gasolina fazia mais de nove. A garantia da Lafer, no entanto, era inalterada: seis meses ou dez mil quilômetros, com assistência técnica autorizada através da Saveiro Comercial de Veículos em São Paulo, e Auto Mecânica Teins no Rio de Janeiro.

A reportagem do jornal O Globo quis saber dos primeiros proprietários de veículos particulares movidos a álcool do Rio de Janeiro, as suas impressões sobre a novidade tecnológica. O contador Wanderley Sardinha revelou sua decepção com o motor a álcool:

"Até o início de mês estava satisfeito, tinha rodado com o carro no Rio, sem problemas. No feriado de Finados, resolvi ir a Volta Redonda e surgiram sérios defeitos mecânicos que, se persistirem, pedirei para que o motor seja convertido para gasolina.

Quando subi a Serra das Araras, o carro parou e teve que ser rebocado por um caminhão até uma oficina mecânica, no topo da serra. Pedi, então, que substituíssem a bomba e o veículo voltou a rodar, mas apresentou o mesmo defeito logo depois. Tive que parar umas três vezes.

O jiglê acumula impurezas e, em consequência, o carro falha nas velocidades baixas. Toda semana tenho que tirar o jiglê para limpá-lo: só assim o veículo volta a funcionar. Outro defeito é que o modelo dispõe de tanque especial para 92 litros de combustível, mas o mostrador é o mesmo modelo comum. Assim, quando o ponteiro do mostrador está na reserva, o carro dispõe ainda de 45 litros de combustível."

A cantora Sônia Santos, porém, deu um testemunho claramente positivo:

"O desempenho do carro está ótimo. Rodo com ele no Rio, já fiz uma viagem a Miracema, sem nenhum problema. Optei pelo carro a álcool porque sou uma pessoa entusiasmada pelo Brasil. Acho uma pena que as autoridades ainda não tenham tomado providências para estimular o uso do carro a álcool. Quando fiz minha opção, visei não somente a minha economia individual. Quis dar minha contribuição à redução do consumo dos derivados do petróleo."

Os problemas técnicos apontados por Wanderley, associados à dificuldade de ligar o motor depois de um bom tempo parado, ou com a temperatura ambiental abaixo dos 15 graus Celsius, foram sendo resolvidos na medida da popularização do álcool nas bombas de combustíveis e na oferta de modelos por parte das grandes fabricantes.

Na década de 1980, veículos movidos a gasolina perderam mercado para os carros do Proálcool - situação que se reverteu com a baixa do preço do barril do petróleo nos anos posteriores. A tecnologia do álcool, no entanto, nunca mais seria abandonada no Brasil, com a adição crescente do álcool na própria gasolina, e também com a criação de motores do tipo "flex", que funcionam tanto com gasolina quanto álcool (metanol) em qualquer proporção, embora sem a eficiência de um motor "puro sangue".

O que importa para o leitor do mplafer.net - acima de tudo - é saber que o MP Lafer desenvolveu um papel pioneiro nesta história. Uma "vantagem" a mais para contar na próxima roda de conversa entre amigos entusiastas de automóveis antigos.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.
* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.

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Oficinas & restaurantes

O caos parece imperar numa oficina, tal qual na cozinha de um restaurante.
O caos parece imperar numa oficina, tal qual na cozinha de um restaurante.

Oficinas de restauração de veículos guardam mais semelhanças com restaurantes do que um simples jogo de palavras.

Por Jean Tosetto *

Em português a palavra “restaurante” define os lugares nos quais as pessoas vão para almoçar ou jantar. Lá elas restauram suas energias e, dependendo do ambiente e da companhia, restauram também o bom astral, embora o verbo “restaurar” não seja facilmente associado com uma boa comida ou bebida.

Já as oficinas de carros, especialmente as especializadas em restauração dos mesmos, carregam um significado mais óbvio. São nestes espaços que os automóveis são recuperados e, se você prestar atenção, para cada tipo de restaurante há um tipo parecido de oficina.

Vamos começar pelos restaurantes de fast-food? Você chega lá, faz a sua escolha e, enquanto paga, o lanche já está sendo entregue numa bandeja que você mesmo leva para a mesa. Existem oficinas do tipo fast-food também, nelas a preferência são os carros novos ou seminovos e se trabalha na base da troca das peças. Nada de desamassar um para-lama: troca-se o mesmo. Se você não aprecia lanches, não leve seu carro antigo nestes lugares.

Na outra ponta temos os restaurantes da linha gourmet, tocados por chefes badalados. Neste tipo de casa não adianta chegar em cima da hora: é preciso fazer uma reserva com boa antecedência. No caso de oficinas renomadas por sua especialidade, tal espera pode durar meses apenas para ingressar com o carro na garagem. A entrega do serviço também é demorada e o custo é bem alto. É preciso ver se é condizente com a qualidade do serviço.

E os restaurantes de beira de estrada? Se você estiver viajando, tome cuidado com eles. Nunca se sabe o que tem na cozinha destes lugares. Pode ser uma comida saborosa, mas pode ser também uma bomba de sujeira temperada com sódio e salitre. O mesmo se aplica para tais oficinas – um reparo de emergência pode custar os olhos da cara e ser apenas um remendo temporário, ou o serviço pode ser perfeito por um preço irrisório. Quase nunca dá para saber.

Existem também os restaurantes que na Itália são conhecidos como osterias. São pequenas casas familiares que abrem um espaço para servir vinho e comida simples. Geralmente são lugares muito acolhedores, mas para poucas pessoas. Existem mecânicos que abrem oficinas na garagem de suas casas. Eles geralmente trabalham com um ou dois carros de cada vez. Se você conhece algum profissional nesta condição, sorte sua. O serviço não será tão rápido, mas será acessível.

Por fim temos os restaurantes de rua, famosos apenas em suas cidades. Muitos deles já são tradicionais e passam de pai para filho. A decoração não é lá essas coisas, mas o vínculo de amizade que vai se formando entre proprietários e clientes dificulta que os últimos saiam para procurar alternativas. O Brasil está repleto de oficinas assim, especialmente nas cidades menores.

Como sempre, confiança é base de tudo. É preciso acreditar tanto no restaurante onde você levará sua família como na oficina que você escolheu para deixar seu carro. É bom visitar a cozinha de vez em quando, para saber se tudo está em ordem, como também é bom dar uma passada na oficina para saber do andamento dos serviços. Porém, isto não pode ser exagerado, sob o risco de atrapalhar o cozinheiro ou o mecânico em seus atributos.

Bons restaurantes e oficinas costumam ser recomendados por pessoas de bom gosto. Neste ponto, tenho certeza de que você tem um leque de boas opções para compartilhar. Ao menos bom gosto você tem, ou não teria nos prestigiado até aqui com a leitura desta crônica, que se encerra com a palavra "obrigado".

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012. Este artigo foi publicado originalmente na Revista MotorMachine número 13, em junho de 2015.


Veja também:


Galeria 2017: França

O MP 1986 - um dos últimos produzidos pela Lafer - a espera das placas pretas.
O MP 1986 - um dos últimos produzidos pela Lafer - a espera das placas pretas.

ORIGINAL DE FÁBRICA - NUNCA RESTAURADO

Amigos do mplafer.net, vocês sabem que não trabalhamos com anúncios de compra e venda de MP Lafer, pois trata-se de uma grande responsabilidade que exigiria um tempo diário para gerenciar a tarefa - um tempo que não temos. Por isso recomendamos o Portal Maxicar. Lá os seus editores respiram carros antigos 24 horas por dia e, sempre que nos procuram para comprar ou vender um MP Lafer, damos a mesma resposta.

Isso não nos impede de, eventualmente, ajudar pessoas que conhecemos, nas quais confiamos e de quem nunca pedimos nada em troca. É o caso do Cassiano França, de Caçapava no Vale do Paraíba, em São Paulo. Nós o conhecemos desde sempre. Em 2016 ele entrou em contato conosco, pedindo uma opinião sobre um Hot Rod que ele estava pensando em comprar. Pelo valor pedido ele poderia adquirir um ótimo MP Lafer e, como nossa opinião é suspeita, pedimos para ele considerar isso.

Por coincidência, na mesma semana, um jovem nos enviou fotografias do MP Lafer 1986 de seu tio, que estava parado numa garagem de São Paulo há muitos anos. O tio havia comprado o carro ainda semi-novo, desfrutando dele por um tempo. Porém, a idade chegou e o veículo foi encostado. Era, sem dúvida, um MP Lafer esperando pela pessoa certa. Essa pessoa era o Cassiano.

As rodas da Mangels possuem calotas com raios concêntricos - uma raridade no mercado atual.
As rodas da Mangels possuem calotas com raios concêntricos - uma raridade no mercado atual.

A capota negra, feita de tecido sintético náutico, nunca foi trocada.
A capota negra, feita de tecido sintético náutico, nunca foi trocada.

As lentes das lanternas traseiras estão levemente desbotadas - um item fácil de corrigir.
As lentes das lanternas traseiras estão levemente desbotadas - um item fácil de corrigir.

A negociação se arrastou por alguns dias, enquanto o MP Lafer passava por uma revisão geral no motor, nas suspensões e no sistema de freios. Como era um carro absolutamente original, mas que necessitava de cuidados, demorou um pouco para que os interessados no negócio chegassem a um acordo, baseado num preço justo. Não vamos esconder que ajudamos o Cassiano a bater o martelo, pois o cavalo encilhado só passa uma vez - como reza o ditado.

Quando fomos convidados pelo CAAT - Clube de Autos Antigos de Taubaté - para participar do primeiro passeio do MP Lafer no Vale do Paraíba, vislumbramos a oportunidade de guiar o MP Lafer do Cassiano, morador da vizinha Caçapava. Não deu outra: fomos juntos para a largada do evento e dirigimos o carro pela estrada velha entre Rio e São Paulo, recentemente recapeada.

O motorzinho do MP do França está muito bem regulado. Os carburadores parecem gêmeos univitelinos. Os pneus estavam com a calibragem um pouco abaixo da recomendada, deixando a direção um pouco mais pesada nas manobras de baixa velocidade. Nada que tirasse o prazer de guiar o conversível de capota reclinada, com a brisa levando o calor embora.

A assinatura da Lafer na tampa do motor: referência para quem deseja ter o componente em seu MP.
A assinatura da Lafer na tampa do motor: referência para quem deseja ter o componente em seu MP.

No bagageiro frontal, a bateria foi substituída recentemente. A marca da mesma - Cral - é especializada em carros antigos.
No bagageiro frontal, a bateria foi substituída recentemente. A marca da mesma - Cral - é especializada em carros antigos.

O motor 1.6 boxer refrigerado a ar da VW, com dupla carburação e filtros específicos.
O motor 1.6 boxer refrigerado a ar da VW, com dupla carburação e filtros específicos.

O estofamento de couro ecológico segue a padronagem usada em meados da década de 1980 pela Lafer.
O estofamento de couro ecológico segue a padronagem usada em meados da década de 1980 pela Lafer.

Volante de três raios com aro de madeira e painel de compensado naval com sete mostradores: tudo original.

De perto vemos que o carro precisa de uma nova pintura, mas nada que impeça o seu pleno uso.
De perto vemos que o carro precisa de uma nova pintura, mas nada que impeça o seu pleno uso.

De perto vemos que o carro preciso de uma nova pintura, mas nada que impeça o seu pleno uso.
As partes cromadas igualmente perderam um pouco de seu brilho, merecendo um trato no futuro.

Antes de devolver o MP Lafer para o Cassiano, tratamos de fazer uma seção completa de fotografia, para compartilhar o resultado com vocês. Esta publicação é uma das mais completas da página, pois tivemos a oportunidade de fotografar um veículo absolutamente original - o que servirá de referência para muitos que desejam restaurar um MP Lafer, principalmente da década de 1980, preservando as características de fábrica.

Está certo que o conversível carece de um rejuvenescimento estético, mas enquanto isso não entra na agenda de seu dono, ele pode curtir o automóvel sem receio de ficar no acostamento. Somos gratos ao França por nos permitir dirigir e fotografar este belo e original MP Lafer. Agora só falta um exemplar do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone" na estante, certo amigo?

O charme e a beleza do MP Lafer permaneceram intocados
O charme e a beleza do MP Lafer permaneceram intocados.

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O Lafer LL no Museu do Automóvel de Canela

O engenheiro Flavio Fernandes ao lado do Lafer LL que ajudou a fabricar.
O engenheiro Flavio Fernandes ao lado do Lafer LL que ajudou a fabricar.

O Lafer LL foi um investimento da marca para atender o mercado brasileiro de ponta após a proibição da importação de veículos na década de 1970.

No livro "MP Lafer: a recriação do um ícone" um dos capítulos mais difíceis - e também mais prazerosos - para escrever foi justamente sobre o projeto do Lafer LL, do qual foram construídos menos de dez protótipos e sobre o qual havia pouca informação registrada.

Conseguimos entrar em contato com pouquíssimos proprietários e ex-proprietários do modelo, solicitando fotografias do mesmo, ou mesmo permissão para ir até o local de guarda do carro para fotografar. A despeito da cordial formalidade a nós dispensada, o que recebemos foram respostas lacônicas.

Felizmente a própria Lafer, após tomar conhecimento da nossa proposta editorial, nos forneceu preciosas imagens de arquivo que enriqueceram a entrevista feita com o engenheiro Flavio Fernandes, que atualmente trabalha para uma marca gigante do automobilismo mundial, mas que iniciou a carreira justamente na sala de projetos da Lafer, entre 1978 e 1979.

A conversa se desenvolveu na varanda de um grande hotel de Águas de Lindóia em São Paulo, onde ocorre o principal encontro anual de carros antigos e especiais do Brasil. Nossa felicidade em constatar que estávamos diante de um amigo foi confirmada quando ele se lembrou de nós anos depois, passando férias de fim de ano na Serra Gaúcha.

Em visita ao Museu do Automóvel de Canela ele se deparou com um Lafer LL 1978 estacionado ao lado de um Brasinca Uirapuru: "Vou te dizer que fiquei emocionado ao chegar ao lado desse carro. Muita vontade de resgatar aquele LL encontrado em Manaus."

Agradecemos ao Flavio por se lembrar do mplafer.net num momento que certamente teve um significado especial para ele. De nossa parte, não guardamos imagens em memórias de smartphones: fazemos questão de compartilhar com todos os laferistas que visitam nossa página que bateu seu recorde histórico de pageviews em dezembro de 2016, mesmo com um tal de Facebook para atrapalhar.

Veja também:

As chaves da boa esperança

Às vezes o que é extraordinário está escondido nas entrelinhas de algo absolutamente corriqueiro.

Às vezes o que é extraordinário está escondido nas entrelinhas de algo absolutamente corriqueiro. 

Por Jean Tosetto *

Caro 26 de Dezembro,

As pessoas não dão muita importância para você. Na TV os canais anunciam as retrospectivas de cada ano e nem te levam em consideração. Você é como aquele minuto de desconto de um jogo de futebol com o placar definido, quando o narrador pede para os telespectadores não perderem o próximo capítulo da novela.

Mas deixe-me contar o que aconteceu no seu dia.

Peguei o carro da esposa e fui ao centro resolver pendências. O trânsito da cidade estava surpreendentemente tranquilo, como antigamente. Mesmo assim estacionei numa rua paralela da avenida, para evitar os sinais de trânsito.

Fui num banco fazer um depósito e no outro para retirar um cheque mal preenchido. E tome fila e chá de cadeira - situação atenuada pela falta de pressa nessa época do ano.

Finalmente voltei para o carro. Fui pescar a chave no bolso e nada. Percebi que havia um trecho dele com a costura desfeita. A chave havia sumido...

Refiz todo o trajeto vagarosamente, esquadrinhando cada metro quadrado de chão com os olhos. E nada. Falei com o segurança de um banco. Nada. Falei com o segurança do outro. Nada.

Comecei a pensar no transtorno de ligar para a esposa e pedir para ela trazer a chave reserva. Ainda teria que ir à agência pedir outra chave e reprogramar o chip que as chaves modernas possuem. E a chatice que seria providenciar isso?

Então pensei que talvez a chave estivesse no volante do carro. A poucos metros dele o celular tocou. Era a minha esposa.

- Você perdeu a chave do carro?

- Como você sabe?

O vizinho tinha avisado. Ele recebeu um telefonema da Polícia Militar, avisando que a chave estava na sede da Defesa Civil de Paulínia, bem na esquina onde eu havia estacionado o carro.

O alívio foi proporcional ao transtorno de antes. Agradeci efusivamente aos membros da Defesa Civil. Eles disseram que dois bombeiros haviam deixado a chave com eles.

Antes de entrar em casa fui agradecer ao vizinho. Ele disse que a Polícia ligou para a sua casa, pois o nosso telefone residencial não consta na lista. Certamente nos localizaram por causa da placa do carro, mas isso não fechou o mistério.

De noite fui até a padaria comprar pão. Logo em seguida entraram dois homens fardados - eram do Corpo de Bombeiros.

- Você é o dono do Pálio Weekend?

- Sim, pois não?

- Você encontrou a chave?

Nesse momento vi uma ambulância de resgate estacionada lá fora. Eles tinham atendido uma ocorrência perto do meu bairro e viram o carro da minha esposa na padaria.

Eles me contaram que um senhor havia encontrado a chave no chão, do lado do carro. Ele testou o botão do alarme e certificou que era a chave deste, entregando-a para os bombeiros que passavam por ali, que a deixaram na Defesa Civil.

Mais agradecimentos e o aviso para contarem comigo no que fosse preciso.

Voltando para casa, de novo, concluí que o mundo ainda tem esperança, que ainda existem pessoas honestas, que a Polícia existe para proteger e servir, e que os bombeiros são heróis anônimos da sociedade.

Isso tudo aconteceu num 26 de Dezembro, meu caro. Sabe o motivo?

É que você é um dia especial.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012. Este artigo foi publicado originalmente na Revista MotorMachine número 07, em março de 2014.

Veja também:

Feliz Natal e Próspero 2017!

Boas Festas! São os votos de MPLAFER.net!

Chega o fim do ano e você está uma pilha - uma pilha de nervos.
Sabemos como é.
Você tem um pilha de pendências para resolver.
Em breve terá um pilha de contas para pagar.
Todos teremos...

Mas nós lhe oferecemos outro tipo de pilha.
Uma pilha de carrinhos? Também.
Mas a pilha que importa é a pilha de motivos para renovarmos a esperança.
Não importa o credo se o que desejamos vem carregado de sinceridade.

Por isso desejamos para você e sua família um
Feliz Natal e um Próspero Ano Novo
de pilhas recarregadas!

Almoço do Clube do MP em Itapecerica da Serra - 2016

Com a inauguração de modernas - e caras - arenas em São Paulo, o Pacaembu se volta cada vez mais para eventos esporádicos de outras expressões de cultura.
Com a inauguração de modernas - e caras - arenas em São Paulo, o Pacaembu se volta cada vez mais para eventos esporádicos de outras expressões de cultura.

Dos anos de 1980 nos bastaria reviver o glamour de carros como o MP Lafer, mas os brasileiros estão revivendo teimosamente, no campo econômico, a década perdida. Em termos políticos nem sabemos onde estamos. Que bom que podemos, de vez em quando, almoçar juntos para revigorar o senso de humor.

Por Gilberto Martines

O ano de 2016 foi um ano bastante difícil para a maioria dos brasileiros: tivemos muitos problemas econômicos, políticos, sociais e finalizando com a triste tragédia do acidente aéreo envolvendo o avião que transportava o time de futebol da Chapecoense, o que abalou os brasileiros.

Porém, o motivo do meu contato é pra falar de coisas boas, falar do almoço de final de ano que agrega os entusiastas do Clube MP Lafer Brasil. Este ano repetiram o local em que foi realizado o almoço do ano passado.

Repetimos o almoço na “Churrascaria Dr. Costela", pois o buffet oferecido agrada muita gente, localizada na Rodovia Regis Bittencourt, km 293,5, no município de Itapecerica da Serra. O ponto de encontro foi a Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu. O sábado amanheceu ensolarado com muito calor, mas a previsão do tempo era de chuva, isso fez com que alguns laferistas deixassem de participar do almoço. No momento da partida estavam presentes aproximadamente 30 MPs.

Cheguei ao Pacaembu às 9:15 horas e já estavam presentes alguns carros. Reencontramos os amigos, num momento de tirar fotos e aguardar a partida. Esteve presente o nosso amigo e diretor Romeu Nardini,  mesmo não morando mais em São Paulo veio especialmente para participar do almoço.

Uma mão no volante e outra para acionar a máquina fotográfica, no acostamento da estrada.
Uma mão no volante e outra para acionar a máquina fotográfica, no acostamento da estrada.

Às 10 horas partimos em carreata fazendo o seguinte trajeto: Avenida Pacaembu, Avenida Doutor Arnaldo, Avenida Rebouças, Avenida Eusébio Matoso, Avenida Francisco Morato, passando por Taboão da Serra, chegando até a Rodovia Regis Bittencourt até chegar ao nosso destino.

Ao chegarmos ao restaurante mais alguns carros já nos aguardavam. Eles por facilidade usaram o Rodoanel para chegar ao restaurante e neste momento contávamos com a presença de 40 MPs.

Publicidade gratuita para o restaurante: em tempos de crise, as ações colaborativas são ressaltadas.
Publicidade gratuita para o restaurante: em tempos de crise, as ações colaborativas são ressaltadas.

Fomos recebidos na porta pelo dono do restaurante que aproveitou nossa chegada para fazer umas fotos para registro. O restaurante é muito  agradável e aconchegante, com música ao vivo e comida boa: rodízio de carnes com destaque para a costela assada e buffet de saladas e guarnições, o almoço como sempre foi muito gostoso e animado.

As camisas vermelhas saíram do armário novamente, depois de um período turbilento na política.
As camisas vermelhas saíram do armário novamente, depois de um período turbilento na política.

Após o almoço o nosso presidente Walter fez o sorteio de alguns brindes e uso da palavra para agradecer a presença de todos, aproveitando para desejar um Feliz Natal e um 2017 com muita saúde e paz a todos os presentes.

Aproveito aqui para dar meus parabéns e o agradecer ao Walter pela escolha e organização do almoço, e desejar aos amigos laferistas votos de muita alegria e saúde para o próximo ano.

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