O melhor de Lindóia


Entre prestigiar rituais e ansiar por caminhos novos, ficamos com os dois. No mesmo dia estivemos num dos eventos mais visitados por turistas no Estado de São Paulo e, a poucos quilômetros dali, num rincão esquecido, com cenas igualmente marcantes.

Por Jean Tosetto *

Coloquei o despertador para tocar às seis horas da manhã, mas não foi preciso: quatro minutos antes já estava em estado de alerta, ouvindo a chuva cair no quintal. Consultei a previsão do tempo para a região: nublado de manhã e pancadas de chuva de tarde. Se não fosse pela vontade de guiar na estrada, teria voltado para o travesseiro. Porém, meus amigos Dani e Luciano já estavam de pé. Nossa palavra também. Seguimos juntos para o IV Encontro Brasileiro de Autos Antigos, em Águas de Lindóia, no feriado de Tiradentes.

Chegamos antes dos estacionamentos abrirem, por isso deixamos o carro no pátio da igreja matriz da cidade - uma forma de colaborar com a comunidade local. Caminhamos pela enorme praça, onde carros - cada vez menos antigos e cada vez mais velhos - se esparramavam em torno do lago artificial. É preciso afirmar: os colecionadores de porte não estão mais levando seus melhores veículos para a cidade, embora o evento em Águas de Lindóia ainda seja o recordista de público no Brasil, apesar dos (poucos) banheiros imundos e da comida sempre cara.

O que nos leva ano sim, outro também, para a cidade, é a expectativa de reviver o impacto das primeiras edições do encontro, quando era organizado por outra entidade. A teimosia é alimentada ritualisticamente: o café na varanda do hotel central, o alô para os comerciantes de livros, o abraço em alguns colegas que só vemos por ali. Antes isso consumia um dia inteiro. Agora, a vontade de ir embora bateu logo depois do almoço. O vídeo acima resume bem o que foi a nossa manhã.

Se você está com mais tempo para voltar para casa, significa que não é preciso fazer o caminho mais curto. Dá tempo de parar em Serra Negra para outro café, onde escolhemos seguir pela vicinal até a rodovia que liga Amparo e Itapira. É o lugar ideal para testar a eficiência da caixa de marchas do Alfa Romeo 156, velho de guerra que aceita, sem frescuras, uma tocada esportivamente suave pelos cafezais da Serra da Mantiqueira.

É neste modo de guiar que o nosso olhar de arquiteto fica mais aguçado e consegue vislumbrar as ruínas do que parece ser uma estação de trem abandonada.

- Posso parar para fazer uma foto?

Era a pergunta que só aceitava uma resposta. Descemos da máquina, que chamo de "embaixada italiana", para ver de perto a construção de tijolos à vista, com grandes mãos francesas na cobertura e uma plataforma que confirma: era realmente uma estação de trem, provavelmente construída no fim do século XIX, para escorar a produção do café de Serra Negra, em fazendas tocadas pela mão-de-obra de imigrantes também italianos. O Alfa Romeo estava em casa.

O Alfa Romeo 156 diante da estação de trem abandonada.
O Alfa Romeo 156 diante da estação de trem abandonada.

Só não me peça para explicar qual era o trajeto da linha férrea, pois a topografia do local não indicava tal possibilidade. A poucos metros dali, começava outra estradinha vicinal asfaltada, tão estreita que não permitia a passagem simultânea de um caminhão com um carro - só se alguém fosse para o mato.

- Vamos ver até onde este caminho nos leva?

Se você gosta de falar "não", então pegue carona com outro sujeito. E toca desviar dos buracos, ansioso para saber o que tem do outro lado da montanha, só para descobrir que tem mais uma montanha. As surpresas vão se descortinando pelas curvas, como uma velha sede de fazenda próxima a um riacho. O casarão repousa sobre um terreno em aclive, com a porta social abastecida por duas escadas sobre arcos diante de um porão.

A sede da fazenda esperando a volta do Led Zeppelin, para servir de encarte para um novo álbum.
A sede da fazenda esperando a volta do Led Zeppelin, para servir de encarte para um novo álbum.

O Dani diz que aquele porão era uma espécie de senzala. Tenho minhas dúvidas, pois a fachada era rebuscada demais para ser do tempo colonial. Tinha dedo de artesãos italianos naqueles entablamentos, e estes, embora trabalhassem de sol a sol, não eram propriamente escravos. Para mim, aquele porão era um grande armazém - talvez uma adega. Só o questionamento diante de uma edificação, que raramente vemos nas cidades, já estava valendo a escapada da rota convencional.

Seguimos adiante. A largura do leito carroçável aumentou um pouco, indicando que estávamos na direção de algum povoado. Ao passar por um bambuzal, outra parada, para ver de perto as ruínas de mais um casarão, habitado agora por árvores que romperam o telhado. Alguns batentes de portas e janelas ainda estavam lá, a espera de alguém que trabalha com madeiras de demolição, que rendem móveis rústicos que custam os olhos da cara.

O novo e o velho: a dicotomia sempre esconde as nuances.
O novo e o velho: a dicotomia sempre esconde as nuances.

A quietude do entorno, envernizada pelo som do vento alisando as folhas no alto das árvores, nos permite ouvir os pensamentos: como pode, algo belo e imponente, entrar em decadência até se arruinar completamente?

É bom constatar que a previsão do tempo falhou: as pancadas de chuva não vieram, mas estava na hora de voltar para Paulínia, e fotografando cada cenário revelado não faríamos isso antes do anoitecer. Nossa última parada foi diante da Capela da Sagrada Família, que está sendo reformada por voluntários que trabalham nos feriados e fins de semana. Eles alegaram trabalhar na construtora "Odebrecha".

A paineira não consegue oferecer sombra para a Kombi. Não importa: tudo debaixo do sol é passageiro.
A paineira não consegue oferecer sombra para a Kombi. Não importa: tudo debaixo do sol é passageiro.

O bom humor deles era o testemunho do entusiamo reinante na cena. Algo que contagia e nos faz querer arregaçar as mangas para ajudar. Faria isso certamente, se não estivesse longe de casa, com boas dezenas de quilômetros para percorrer. Perguntei para o líder deles qual era o nome daquele bairro rural.

- Bairro dos Leais.

Eles não foram ao encontro de carros antigos de Águas de Lindóia.
Eles não foram ao encontro de carros antigos de Águas de Lindóia.

Nem tudo é decadência, portanto. Algo importante está em reconstrução. O Bairro dos Leais, em Serra Negra, é um retrato do Brasil.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.

Veja também:

Águas de São Pedro 2017 por Gilberto Martines

Antes do começo do passeio, o começo de uma paixão: o garotinho lustra o MP do papai.
Antes do começo do passeio, o começo de uma paixão: o garotinho lustra o MP do papai.

O Gilberto Martines esteve em todos os 21 passeios do MP Lafer. Seus relatos são parte da tradição deste site.

Estou enviando algumas fotos do 21° Passeio Anual do Clube MP Lafer Brasil , realizado em 08 de abril de 2017.

Tenho muita satisfação em fazer parte desse clube desde o seu início. Neste ano completamos 20 anos da sua fundação e podemos dizer que nos tornamos uma grande família - a “Família Larerista”. Um dos maiores prazeres dessa família é aguardar o mês de abril para se reunir e participar do passeio anual do nosso clube, para poder desfrutar das alegrias que o nossos carrinhos nos proporcionam.

Vamos entregar o Giba: ele subiu na plataforma de um caminhão para tirar esta foto.
Vamos entregar o Giba: ele subiu na plataforma de um caminhão para tirar esta foto.

Neste ano a cidade escolhida foi Águas de São Pedro, uma estância hidromineral do interior de São Paulo, a cerca de 180 quilômetros da capital. Tive a oportunidade de participar de todos os passeios realizados pelo Clube do MP Lafer e esta é a terceira vez que realizamos o evento nesta cidade, por ser muito hospitaleira e aconchegante, e por oferecer quase tudo que precisamos para realizar o nosso evento.

Como estou sempre nos encontros de carros antigos e ser muito ativo dentro do nosso clube, é comum alguns laferistas me questionarem sobre a escolha das cidades onde são realizados os passeios. Eles geralmente questionam o motivo de repetir as cidades, as quais já visitamos.

Costumo dizer que, para realizar um passeio como os nossos, deve-se levar em conta vários fatores: a cidade que nos acolhe deve ter alguns itens que possam nos ajudar e estar localizada numa distância máxima de 200 quilômetros da capital, para não cansar muito os condutores.

MPs alinhados no acesso secundário de Águas de São Pedro.
MPs alinhados no acesso secundário de Águas de São Pedro.

Além disso, necessitamos de rodovias de acesso fácil para o bom deslocamento do nosso grupo, e a cidade precisa ter capacidade para receber a chegada de 60 a 100 carros. Deve haver espaço para estacionar os carros, local para alimentação, hospedagem e atrativos para serem visitados. Não é muito fácil para conseguir isso 21 vezes, mas o principal espírito do nosso encontro não é conhecer cidades e sim a reunião dos amigos.

Este ano não deu para ficar hospedado na cidade, pois tinha um compromisso em São Paulo. Mesmo assim não deixei de participar e vou relatar um pouco sobre o que rolou no passeio, até o momento em que pude estar presente.

O ponto de partida foi o posto de combustíveis da BR no km 28 da Rodovia dos Bandeirantes. O sábado amanheceu com o tempo fechado e saí de casa com garoa: tempo nada favorável para um passeio de carro conversível. Costumo brincar que nossos carrinhos não são feitos de leite em pó -eles podem sair na chuva que não derretem - mas a chuva é um fator que sempre inibe muita gente.

O jardim do Parque Doutor Octavio de Moura Andrade ficou repleto de carros exóticos.
O jardim do Parque Doutor Octavio de Moura Andrade ficou repleto de carros exóticos.

Os participantes do passeio, ao chegarem no ponto de encontro, foram recebidos pelo Walter com um chaveiro comemorativo pelos 20 anos do clube. Também foi entregue um impresso com o mapa do percurso que iríamos fazer, com algumas orientações.

As 10:20 horas deixamos o posto com destino a Águas de São Pedro e estavam presentes 45 MPs. Neste ano, em virtude de um novo protocolo da polícia rodoviária e do Detran, a nossa tradicional carreata ficou um pouco mais dispersa: os carros se espalharam mais durante o percurso, para não caracterizar uma carreata. Porém, não tem como disfarçar 50 MPs numa estrada - eles nunca passam desapercebidos. Evitamos os buzinaços no pedágio e assim seguimos ao nosso destino.

Seguimos pela Rodovia dos Bandeirantes até o km 134, pegamos a Rodovia Luiz de Queiroz e passamos por Piracicaba para acessar a Rodovia Jornalista Geraldo Nunes, chegando assim em Águas de São Pedro. Ao entramos na cidade fizemos uma breve parada para uma reorganização do grupo e chegamos em fila indiana ao gramado, onde os carros ficaram estacionados no Parque Doutor Octavio de Moura Andrade.

MPs entre pilastras de concreto, o céu azul e o chão verde.
MPs entre pilastras de concreto, o céu azul e o chão verde.

Ao chegarmos, a maioria saiu para almoçar. Um grande grupo de laferistas ficou hospedado no Avenida Charme Hotel. Como eu tinha que voltar para São Paulo e não estava hospedado, eu e minha mulher decidimos almoçar em um restaurante em frente ao fontanário municipal.

Após o almoço voltei ao gramado e refiz a contagem dos carros estacionados, nesse momento contabilizei 57 MPs, ou seja, pelo caminho mais alguns carros se juntaram ao nosso grupo. Deixei a cidade antes do horário marcado para a nossa tradicional confraternização.

Deixo aqui meu abraço a todos laferistas e parabenizo o Walter e o Romeu pelo nosso encontro.

MPs em Águas de São Pedro 2017

Bretas Fotografia prestigia os MPs em Águas de São Pedro

MP Lafer único: de seis rodas. Os estepes salientes ajudam a equilibrar a relação de peso entre eixos, deixando o carro menos arisco.
MP Lafer único: de seis rodas. Os estepes salientes ajudam a equilibrar a relação de peso entre eixos, deixando o carro menos arisco.

Fernando Bretas Junior é fotografo profissional radicado em Águas de São Pedro. Com seu olhar artístico ele clicou os MPs que participaram do encontro realizado na cidade. Seu carro foi registrado? Agora você pode ter um poster dele.

Quando a Prefeitura da Estância Turística Hidromineral de Águas de São Pedro divulgou que o Clube MP Lafer Brasil realizaria um passeio até a cidade, o fotógrafo Fernando Bretas Junior entrou em contato com o site mplafer.net - ele queria ter acesso facilitado aos carros para produzir um grande ensaio fotográfico. Respondemos que ele teria total liberdade para tanto. Inclusive ficamos de apresentar algum proprietário de MP Lafer para fotos mais detalhadas, se fosse preciso.

Recomendamos que ele esperasse a chegada dos conversíveis na praça de contorno da avenida central, pois teria a oportunidade de fazer ótimas imagens. Parece que deu certo. Deu tão certo que logo que descemos do carro reunimos o Bretas com o Roberto Vignon, dono de um reluzente MP Lafer vermelho, que serviu de fonte para um ensaio à parte, com a modelo Marcela Vargas.

Cartão postal ou encarte publicitário? Não é apenas um MP repousando no gramado.
Cartão postal ou encarte publicitário? Não é apenas um MP repousando no gramado.

O Bretas registrou a chegada de quase todos os MPs na cidade de Águas de São Pedro.
O Bretas registrou a chegada de quase todos os MPs na cidade de Águas de São Pedro.

Roberto Vignon conduz seu MP para o acesso de um hotel na Estância Turística.
Roberto Vignon conduz seu MP para o acesso de um hotel na Estância Turística.

Confira a mensagem de recebemos do Bretas em 09 de abril de 2017, um dia depois da festa do Clube do MP Lafer:

"Caro Jean, 

Sem palavras pra te agradecer. Estou enviando 60 imagens, por causa da descaracterização das placas ser demorada. Tenho mais de 150 fotos só de carros. praticamente a chegada inteira. Quem veio no comboio foi clicado. 

Como vi interesse de algumas pessoas, estou disponibilizando a cópia digital em alta resolução para quem solicitar. Você poderia informar isso aos membros da comunidade?

Basta que entrem em contato comigo por e-mail, Facebook, ou mesmo pelo meu site, na parte de orçamentos. Vou pedir R$20,00 por arquivo de foto. Também ofereço as imagens em forma de poster, com valores variáveis em função do material escolhido.

Assim que eu acabar de tratar as fotos com a Marcela, te envio para que você possa publicar também. 

Qualquer coisa que precisar aqui na cidade, fale comigo. 

Grande abraço! 

Bretas"
Marcela Vargas no MP Lafer de Roberto Vignon: o Bretas está preparando um ensaio exclusivo para os amigos do mplafer.net
Marcela Vargas no MP Lafer de Roberto Vignon: o Bretas está preparando um ensaio exclusivo para os amigos do mplafer.net

Serviço:

Fernando Bretas Junior
Fotografia - Filmagem - Fotolivros
www.bretasfotografia.com.br
facebook.com/bretasfotografia
(19) 9.9973.4747 / (19) 3482.4714
bretasjr@gmail.com


MPs em Águas de São Pedro 2017

MPs em Águas de São Pedro 2017: os vídeos

Conversíveis da Lafer estacionados no gramado de Águas de São Pedro.
Conversíveis da Lafer estacionados no gramado de Águas de São Pedro.

Para aqueles que desistiram de participar do passeio do MP, por causa da ameaça de chuva, publicamos o registro em forma de vídeos. Para quem foi, fica a oportunidade de assistir e compartilhar.

O vídeo a seguir é da nossa casa mesmo. Criamos um clipe curtinho, para não cansar. Colocamos uma pitada de jazz na trilha sonora, pois acreditamos que é o estilo musical que mais combina com um modelo esportivo de linhas clássicas:


O Celso Zucatelli é jornalista e apresentador de TV, dono de um carisma comparável ao do carro que mantém na garagem: um MP Lafer! Ele esteve na cidade e gravou um registro para seu perfil no Instagram:

Uma publicação compartilhada por Celso Zucatelli (@zucatelli) em

Você tem fotos e vídeos sobre este evento? Compartilhe conosco. Os leitores de mplafer.net agradecem.

MPs em Águas de São Pedro 2017

21º Passeio do MP Lafer - Águas de São Pedro 2017

Uma réplica de Jaguar e 57 MPs na Estância Turística Hidromineral favorita de São Pedro.
Uma réplica de Jaguar e 57 MPs na Estância Turística Hidromineral favorita de São Pedro.

R$ 0,00

Com as águas de março vem os preparativos para mais um passeio do Clube MP Lafer Brasil. E não seria qualquer passeio, mas aquele que marcaria os 20 anos da entidade e 90 anos da Lafer. O Walter Arruda e o Romeu Nardini são muito seletivos na escolha do local e levam em conta os atrativos para as mulheres, que preferem lugares charmosos para se hospedar. Por isso Águas de São Pedro foi eleita pela terceira vez, em 21 passeios, para ser a bola da vez.

Nos dias que antecedem o evento, a correspondência entre os entusiastas do MP Lafer começa a fervilhar. O Rogerio Rodrigues, da Loja do Carro Antigo, é de Campinas. Ele quer saber de onde vou partir para acompanhar a turma até o destino, pois sou de Paulínia. Digo que vou até São Paulo largar com todos. Eles se impressiona com minha disposição para guiar o MP por tantos quilômetros.

Desejei tanto ter um MP Lafer desde criança, que não me importo em dirigir 160 km a mais num só dia. Um passeio como este não é um passeio quando você corta o caminho. O que não dá para cortar, também, é a revisão do carro. Desta vez anotei todos os gastos. Depois de três anos seguidos de recessão na economia do Brasil, ficou difícil fechar um mês com saldo positivo, para não recorrer às reservas feitas nos tempos das vacas gordas.

Das palhetas do limpador do para-brisa, encontradas somente na quarta loja visitada, passando pelo balanceamento das rodas, troca de óleo do motor, reposição de fluído de freio, e complemento do tanque de gasolina, só faltou mandar lavar o carro - o que fiz pessoalmente na véspera, às 10:30 da noite. Lavar o carro é um exercício de humildade. É preciso se curvar para passar pano nas portas. É preciso abaixar ainda mais para esguichar sob os para-lamas. É preciso se ajoelhar para lustrar as rodas.

Toninho da Tony-Car e Antonio A. De Mitry: protagonistas na trajetória do MP Lafer.
Toninho da Tony-Car e Antonio A. De Mitry: protagonistas na trajetória do MP Lafer.

R$ 168,42

Recebo mensagem do Marco De Mítry. Ele comunica que seu pai, o Antonio, irá prestigiar a reunião. Sua preocupação é com o cancelamento do evento, pois a previsão do clima não era nada animadora: chuvas e trovoadas no meio do caminho. "Se tiver dois MPs no posto de gasolina, lá em São Paulo, vai ter passeio" - respondo. Um dos MPs seria o meu. Peço para o Marco reservar um exemplar do livro sobre a carreira do pai dele, para mim. O Antonio A. De Mitry foi o homem de confiança de Percival Lafer para chefiar a equipe que construiu o primeiro protótipo do carro em apenas 28 dias, em 1972.

Acordo antes do sol em 08 de abril de 2017. Na verdade nem consegui dormir direito. É sempre assim. Depois da oração ligo o carro, que pega de primeira e me leva até a capital. Completo o tanque novamente. Tomo o café com leite e mastigo o pão com manteiga. Peço o CPF na nota fiscal. Logo vejo o Gilberto Martines, que me pergunta como vão as coisas. Por causa do cenário atual, desenvolvi uma resposta padrão para tal indagação:

- Estou na trincheira, comendo a ração dos soldados. O capitão disse que quem levantar a cabeça para fora, corre o risco de tomar uma balaço na testa. Estamos esperando a guerra passar.

Recebo um abraço carinhoso do De Mitry - o pai. Solicito um autógrafo em seu livro, que folheio enquanto ouço suas histórias. Firmo o compromisso de escrever uma resenha a respeito, para os amigos do site mplafer.net - me cobrem.

Os MPs se alinham na via de acesso de Águas de São Pedro, antes de chegarem ao recinto de exposição.
Os MPs se alinham na via de acesso de Águas de São Pedro, antes de chegarem ao recinto de exposição.

R$ 243,31

Antes da largada, o Walter e o Romeu distribuem um comunicado do Clube do MP, avisando que a Polícia Rodoviária está monitorando as carreatas de carros antigos, esportivos e especiais, por causa de alguns baderneiros que promovem rachas nestas ocasiões. Já teve dirigente de clube penalizado com sete pontos na carteira e suspensão do direito de dirigir por até um ano, em função disso.

Contribuí com um dos parágrafos da carta: "O Clube MP Lafer do Brasil não endossa buzinaços em praças de pedágios, excesso de velocidade, ultrapassagens pela direita, troca de faixas sem sinalização e demais situações que não condizem com motoristas habilitados."

Entre o bom senso e o politicamente correto há mais ideologia do que a razão do homem comum pode compreender. Então, em tempos de demonização do automóvel, o recado está dado: passeios como os promovidos pelo Clube do MP estão com os dias contados. É melhor desfrutar enquanto podemos, queimando combustível fóssil para acelerar o aquecimento global, antecipando o fim da civilização e, com isso, ajudando o planeta na sua recuperação.

Esparramados num gramado digno de comercial de margarina, foi difícil apontar o conversível mais atraente.
Esparramados num gramado digno de comercial de margarina, foi difícil apontar o conversível mais atraente.

R$ 306,51

Contorno o retorno da avenida central de Águas de São Pedro e deduzo que o rapaz de cavanhaque com uma câmera profissional em mãos é o fotógrafo Fernando Bretas Júnior. Ele havia feito um contato prévio, pois queria permissão para fazer um ensaio fotográfico com um MP Lafer nas dependências de um hotel. Apresentei o Roberto Vignon para ele, que prontamente emprestou o seu xodó. Comentei que, diante de tantos carros, quase 60 só da Lafer, seria difícil conseguir uma imagem emblemática. O Bretas me orientou: "É melhor publicar cinco fotos decentes do que dezenas que não acrescentam nada." - Você tem razão, caro Fernando.

O Vinicius Araquam, de Limeira, me aborda:

- Parece que você manja tudo de MP Lafer.
- Você pode dizer isso, eu não.
- Cara, dá uma olhada no MP do meu pai, ele é original?
- Este MP Lafer está bem original, falta pouca coisa nele.
- O que falta?
- Falta o volante. Mas o seu também é legal. Eu não trocaria.
- O que mais?
- Falta colocar os frisos no estribo. Este item de fábrica não existe mais para vender.
- O que mais está faltando?
- Este MP já pode receber a placa preta. Então não falta nada.
- Fala aí, o que mais falta?
- Falta você comprar o meu livro: "MP Lafer: a recriação de um ícone".

E foi assim que ganhei o meu almoço.

Isolado num canto da festa, este MP Lafer poderia figurar na capa do disco "All things must pass" de George Harrison.
Isolado num canto da festa, este MP Lafer poderia figurar na capa do disco "All things must pass" de George Harrison. 

R$ 362,33

Um dia como esse oferta muitos diálogos. Para gente observadora, reúne-se material para escrever um livro. Mas aqui estamos com a missão de escrever um relato para a Internet, tão somente. Dizem que não se pode escrever demais pois as pessoas não gostam de ler. Pois bem, estou acostumado a nadar contra a corrente, ou não teria um MP Lafer na garagem desde 1997.

Antes do sol se por já estava de volta em minha cidade. Não me hospedei em Águas de São Pedro pois não faria isto sem minha esposa e minha filha. Para ela já estou pensando em patentear uma espingarda de dois canos: um para espantar os gaviões e outro para espantar os patos. Os patos e nerds aprenderam a namorar e já são mais perigosos que os gaviões.

Se tivesse ficado em casa neste sábado, teria economizado R$ 362,33. Pela cotação da sexta-feira, com tal quantia poderia ter comprado 127 ações preferenciais da empresa de energia AES Tietê na Bolsa de São Paulo, já com os emolumentos descontados. Com isso, teria uma expectativa de receber mais de 15% do valor empenhado, por ano, na forma de proventos livres de impostos. Acredito que seria a aplicação mais inteligente e arrojada para lidar com os tempos de crise.

Mas antes de ser um investidor financeiro, sou um contador de histórias. Boas histórias podem render dividendos na forma de lembranças, por tempo indeterminado. Alguns proprietários de tais ativos até se tornam imortais na Academia de Letras. Acho que não será o meu caso. Porém, não me arrependo de ter investido 127 ações da AES Tietê para contar esta história para você.

Até 2018!

Por Jean Tosetto

Veja também:

Galeria 2017: Dauphin

No Canadá, assim como no Brasil, os encontros de carros antigos são populares.
No Canadá, assim como no Brasil, os encontros de carros antigos são populares.

A LOOK OUT CALIFORNIA - HERE COMES CANADA *

Quando publicamos algo na Internet, nunca sabemos exatamente onde seremos lidos. Pode ser em Pirituba ou Santo André, mas o site mplafer.net tem a satisfação de chegar em lugares mais distantes, como Henryville, na província de Quebec, no Canadá - de lá recebemos o pedido para enviar um exemplar do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone" para Gaetan Dauphin, que possui um MP Lafer da última safra (1990).

O primeiro contato foi feito no dia 07 de março de 2017, em francês. Nós respondemos em português mesmo, pois não arriscamos cometer gafes no idioma de Victor Hugo, mesmo com as facilidades do tradutor automático do Google. Logo nos entendemos através da língua inglesa e finalmente, no dia 13 de março, o livro foi despachado para o Canadá.

Pedimos o prazo regulamentar de 30 dias para a chegada do pedido, mas para nossa surpresa a encomenda foi entregue no dia 29 de março, apenas 16 dias depois de selarmos o envelope. Assim que recebeu o livro, Gaetan nos enviou as imagens de seu belo - sempre belo - MP Lafer. E nós temos a satisfação de compartilha-las com você, aí de Pirituba, Santo André ou Henryville.

Para exportar o MP para a América do Norte, a Lafer tinha que fornecer bancos com encosto alto - o que não era exigido no Brasil.
Para exportar o MP para a América do Norte, a Lafer tinha que fornecer bancos com encosto alto - o que não era exigido no Brasil.

Ao contrário da Europa, que vetava as rodas originais do MP Lafer, no Canadá elas acompanhavam a carroceria do carro na exportação.
Ao contrário da Europa, que vetava as rodas originais do MP Lafer, no Canadá elas acompanhavam a carroceria do carro na exportação.

A placa personalizada adorna o veículo durante eventos correlatos.

Henryville, na província de Quebec, fica na região canadense onde o idioma predominante é o francês.
Henryville, na província de Quebec, fica na região canadense onde o idioma predominante é o francês.

O verão no Canadá permite que se abaixe a capota do MP Lafer.
O verão no Canadá permite que se abaixe a capota do MP Lafer.

O troféu no capô do MP: modelo premiado aqui e lá fora.
O troféu no capô do MP: modelo premiado aqui e lá fora.

* Trecho da letra da música de maior sucesso da banda "Pilot", lançada em 1976 com o sugestivo nome de "Canada" - mplafer.net também é cultura.


Veja também:

CAAS - Clube de Autos Antigos de Santos - completa 20 anos

Um Corvette da virada da década de 1970: esportividade líquida e certa.
Um Corvette da virada da década de 1970: esportividade líquida e certa.

Gilberto Martines escreve em 01 de abril de 2017:

"Faz tempo que não mando nada para o site.

Tenho participado de alguns encontros de carros antigos, porém não tenho mandado fotos, pois são eventos semanais ou mensais, - os quais já relatei em outras publicações.

Hoje participei de um evento na cidade de Santos, São Paulo. Trata-se de um encontro em comemoração aos 20 anos do CAAS - Clube do Automóvel Antigo de Santos. O convite foi realizado pelo Senhor João, presidente do CAAS, ao Clube do MP Lafer. O encontro foi realizado no Jardim Botânico Municipal Chico Mendes.

Decidi participar ontem de noite, meio de última hora. Fiquei sabendo que um grupo de amantes do antigomobilismo iria se encontrar na Rodovia dos Imigrantes, no primeiro posto de combustível da BR, por volta das 9 horas.  O sábado não amanheceu muito bonito e saí de casa com garoa - nada muito animador. No posto o tempo já se apresentava melhor. Com o sol querendo aparecer, deixamos o posto as 9:30 horas em direção à Baixada Santista. Estávamos em cinco carros: dois MPs, um Ford 29 do nosso amigo Bergaro, e dois carros comuns do Senhor Nelson e Tanil. Fizemos boa viagem e por volta das 10:45 horas já estávamos em Santos.

O local escolhido é muito bonito, os carros ficaram estacionados na sombra das árvores do Jardim Botânico. O tempo permaneceu meio nublado e isso inibiu muitos colecionadores, que não compareceram. Mesmo assim foi possível encontrar alguns amigos e apreciar alguns carros antigos. No local também tinha uma feira de produtos orgânicos. O CAAS ofereceu um pequeno coquetel aos participantes com salgadinhos e refrigerantes."

A entrada do Jardim Botânico Municipal de Santos.
A entrada do Jardim Botânico Municipal de Santos.

Alcateia de Pumas em seu habitat natural.
Alcateia de Pumas em seu habitat natural.

O Ford 29 de 1929 mesmo.
O Ford 29 de 1929 mesmo.

"O nosso clube estava representado por dois MPs - o meu e do nosso amigo Carlos "Portuga". Permaneci no local até as 12:30 horas e resolvi fazer um pequeno passeio passei por São Vicente. Atravessei pela nostálgica ponte pênsil e fui até a Praia Grande, nesse momento o tempo estava bom e acabei almoçando em um quiosque a beira mar entre o Forte e o Boqueirão. Foi um passeio rápido, porém eu e minha mulher desfrutamos muito desses momentos.

Esse passeio serviu como um “esquenta” para o próximo fim de semana, quando ocorre o passeio anual do Clube  do MP Lafer Brasil , comemorando também 20 anos de fundação com destino à Águas de São Pedro. Pessoal, não vamos esquecer: 08 de abril de 2017, às 10:00 horas conforme o convite. Até sábado e um abraço a todos."

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