Mooca reúne antigos para comemorar aniversário

O MP Lafer do Giba: presença constante nos eventos da Grande São Paulo.
O MP Lafer do Giba: presença constante nos eventos da Grande São Paulo.

A Mooca, tradicional bairro de São Paulo, completa 458 anos em 2014 com direito a um encontro de carros antigos.

Por Gilberto Martines

Estou enviando algumas fotos da exposição de carros antigos que ocorreu neste ultimo final de semana no nosso querido e tradicional bairro da Mooca (São Paulo).

O bairro da Mooca completa neste mês 458 anos, mais precisamente no dia 17 de agosto, e para comemorar esta data tão especial os festejos durarão o mês inteiro com Feira Gastronômica, Missa de Ação de Graças, Noite Italiana, partida de futebol entre a seleção da Mooca versus seleção do nosso Juventus, na Rua Javari, e exposição de carros antigos.

A exposição dos carros antigos foi realizada domingo, 17 de agosto de 2014, organizada pela a Associação dos Proprietários de Veículos Antigos do Estado de São Paulo, que convidou todos os antigomobilistas para participar das festividade de 458 anos da Mooca, com inicio as 8:00 horas e término previsto para as 13:00 horas, no Centro Esportivo da Mooca.

A entrada foi feita pela Rua Taquari pelo portão 01 e para participar bastava doar um quilo de alimento não perecível. O evento contou com a participação de 14 clubes de veículos antigos filiados, e da Escuderia de Motociclismo Pepe Legal.

Eu e o Airton Fernandes estivemos presente no evento, representando o Clube do MP Lafer Brasil. A exposição estava muito boa e o local é muito agradável. Compareceram muitos carros antigos.

Neste espaço, todo 3° domingo do mês é realizado pela A.P.V.A do Estado de São Paulo o encontro de carros antigos, neste mês completou 23° evento.

Gostaria de aproveitar para convidar os nossos amigos laferistas para participarem nesse encontro que vem melhorando a cada edição, e parabenizar o nosso amigo Carlos Guimarães, responsável pelo evento.

Este Mini GT 1972 carrega a tradição inglesa de pequenos esportivos.
Este Mini GT 1972 carrega a tradição inglesa de pequenos esportivos.

O Dodge 1957 ganhou uma cor mais moderna e rodas personalizadas.
O Dodge 1957 ganhou uma cor mais moderna e rodas personalizadas.

Veja também:

Carros antigos em Piracicaba - 2014

O Engenho Central, nas margens do Rio Piracicaba, é um lugar de atmosfera ideal para um encontro de carros antigos.
Por Jean Tosetto

Neste domingo que passou (17 de agosto de 2014) a programação era seguir para Holambra, no interior de São Paulo, para acompanhar uma corrida de tratores. Terrão, motores cuspindo fumaça de óleo diesel, sol para rachar a cuca - um programa nada palatável para a esposa e a criança de apenas um aninho. Então resolvi mudar o script e levar minhas princesas para um lugar mais charmoso, de preferência que tivesse sombra e água fresca.

Em cima da hora avisei lá em casa: "Vamos para a Rua do Porto em Piracicaba". Chegando lá, um som mais do que agradável entorpeceu nossos ouvidos, misturado com o ruído gostoso das corredeiras do Rio Piracicaba. A música vinha da outra margem, lá do Engenho Central, onde acontecia o XV Encontro de Veículos Antigos de Piracicaba, organizado pelo CVAP

Confesso que não sabia de nada. Na verdade queria ficar um pouco longe desses carros antigos, mas eles me perseguem. Aí não teve jeito: tive que sacar a máquina e fotografar. Selecionei algumas imagens para os amigos do site mplafer.net - esperando que apreciem tanto quanto a Renata e a Carol, que me acompanharam neste delicioso passeio.

Este Chevelle 1968 estava impecável. As rodas raiadas não são originais, mas combinaram perfeitamente com o modelo.
Este Chevelle 1968 estava impecável. As rodas raiadas não são originais, mas combinaram perfeitamente com o modelo.

"O presidente João Goulart um dia falou na TV que a gente ia ter muita grana para fazer o que bem entender. Eu vi um futuro melhor no painel do meu Simca Chambord (1962)" - Camisa de Vênus.
"O presidente João Goulart um dia falou na TV que a gente ia ter muita grana para fazer o que bem entender. Eu vi um futuro melhor no painel do meu Simca Chambord (1962)" - Camisa de Vênus.

Essa árvore no Engenho Central de Piracicaba é um exemplo de perseverança. Alguém - ou algo - a quis derrubar, mas ela seguiu forte, encontrando um novo ponto de equilíbrio.
Essa árvore no Engenho Central de Piracicaba é um exemplo de perseverança. Alguém - ou algo - a quis derrubar, mas ela seguiu forte, encontrando um novo ponto de equilíbrio.

Sabem daquela brincadeira de dar um tapinha na cabeça do cara ao lado? É por causa de um Fusca azul como este daí.
Sabem daquela brincadeira de dar um tapinha na cabeça do cara ao lado? É por causa de um Fusca azul como este aí.

Esta Alfa Romeo Spider Duetto 1967 é tão linda que mereceu uma foto em preto e branco, logo depois da chuva que caiu em Piracicaba.
Esta Alfa Romeo Spider Duetto 1967 é tão linda que mereceu uma foto em preto e branco, logo depois da chuva que caiu em Piracicaba.

E esta máquina italiana conversível é tão bonita que mereceu outra foto, em versão colorida.
E esta máquina italiana conversível é tão bonita que mereceu outra foto, em versão colorida.

Antes de ir embora, uma última clicada neste Hot Rod com algum resquício de Ford 1929 e faixas brancas no rodado dianteiro, mescladas com a bandeira quadriculada em labareda na carroceria.
Antes de ir embora, uma última clicada neste Hot Rod com algum resquício de Ford 1929 e faixas brancas no rodado dianteiro, mescladas com a bandeira quadriculada em labareda na carroceria.

MPs em Piracicaba 2013

A ponte de ferro sobre o Rio Jaguari em Cosmópolis

A série "Hunting Roads" visita uma estrutura metálica centenária, que já serviu de ponte para uma ferrovia e hoje faz parte de uma estrada vicinal.


 Esta ponte de estrutura metálica fez parte da ferrovia da Cia. Carril Funilense, inaugurada em 1899, que partia do centro de Campinas e chegava onde hoje se situa o município de Cosmópolis. Quando os trens que recolhiam o café parou de circular no começo da década de 1960, a ponte foi adaptada para o uso de automóveis, sendo abandonada na virada do século. Dez anos depois, com a implantação da praça de pedágio na rodovia que liga Paulínia a Cosmópolis, a ponte foi reformada para funcionar como alternativa de ligação entre as cidades.
Esta ponte de estrutura metálica fez parte da ferrovia da Cia. Carril Funilense, inaugurada em 1899, que partia do centro de Campinas e chegava onde hoje se situa o município de Cosmópolis. Quando os trens que recolhiam o café parou de circular no começo da década de 1960, a ponte foi adaptada para o uso de automóveis, sendo abandonada na virada do século. Dez anos depois, com a implantação da praça de pedágio na rodovia que liga Paulínia a Cosmópolis, a ponte foi reformada para funcionar como alternativa de ligação entre as cidades paulistas.

Para chegar até a ponte sobre o Rio Jaguari, quem sai de Paulínia precisa percorrer alguns quilômetros de uma estrada de terra bem judiada. Por isso deixamos o MP Lafer na garagem e usamos um utilitário, que deixamos devidamente estacionado numa pequena ilha de retorno junto da velha estrutura construída com tecnologia britânica.
Para chegar até a ponte sobre o Rio Jaguari, quem sai de Paulínia precisa percorrer alguns quilômetros de uma estrada de terra bem judiada. Por isso deixamos o MP Lafer na garagem e optamos por um utilitário, que deixamos devidamente estacionado numa pequena ilha de retorno junto da velha estrutura construída com tecnologia britânica.

O acesso até a margem do Rio Jaguari é feito por uma trilha que serpenteia a mata ciliar da região. Uma árvore parcialmente tombada forma um pórtico informal de um parque que sequer existe no papel, mas é frequentado por ciclistas, motoqueiros e amantes da natureza.
O acesso até a margem do Rio Jaguari é feito por uma trilha que serpenteia a mata ciliar da região. Uma árvore parcialmente tombada remete a um pórtico informal de um parque que sequer existe no papel, mas é frequentado por ciclistas, motoqueiros e amantes da natureza.

Aos poucos a visão da ponte vai se descortinando por detrás das árvores e folhas secas. Um clima de mistério é embalado nos sons das águas correndo pelas pedras do leito do rio, até que se avista uma escadinha improvisada para descer a barranca que dá acesso a uma pequena praia.
Aos poucos a visão da ponte vai se descortinando por detrás das árvores e folhas secas. Um clima de mistério é embalado nos sons das águas correndo pelas pedras do leito do rio, até que se avista uma escadinha improvisada para descer a barranca que dá acesso a uma pequena praia.

Logo abaixo da ponte conseguimos captar a imagem do muro de pedra que sustenta uma extremidade da mesma. Neste ponto, porém, por mais que nossa câmera tenha uma lente de grande angular, não foi possível enquadrar e estrutura como um todo.
Logo abaixo da ponte conseguimos captar a imagem do muro de pedra que sustenta uma extremidade da mesma. Neste ponto, porém, por mais que nossa câmera tenha uma lente de grande angular, não foi possível enquadrar e estrutura como um todo.

Se há algum aspecto positivo na estiagem histórica que acometeu o estado de São Paulo, é o fato dos níveis dos rios terem baixado a ponto de se poder caminhar sobre as lajes de pedra que formam alguns deles. Foi deste modo que conseguimos nos colocar nesta posição para fazer a imagem.
Se há algum aspecto positivo na estiagem histórica que acometeu o estado de São Paulo, é o fato dos níveis dos rios terem baixado a ponto de se poder caminhar sobre as lajes de pedra que formam alguns deles. Foi deste modo que conseguimos nos colocar nesta posição para fazer a imagem.

Alguns passos para a direita e encontramos o ponto de fuga da perspectiva abaixo do centro da ponte. Ganhamos também a linda visão do reflexo da treliça no espelho de água. A moto passando confere uma ótima noção de escala. Nossa estimativa é que a ponte vence cerca de 48 metros de vão, com vigamento de 6 metros de altura, distantes 8 ou 9 metros do nível da água.

Eis a foto que valeu o dia, e que perseguímos desde o início do passeio. Escolhemos fazer ela em preto e branco, com um distanciamento maior, para salientar a quietude e a solidão atemporal que nos cala fundo na alma. Uma equilibrada composição que mescla a intervenção humana com a riqueza de um ambiente natural. Uma ponte ordinária que, no entanto, conseguiu ligar o século 19 ao século 21.
Eis a foto que valeu o dia, e que perseguímos desde o início do passeio. Escolhemos fazer ela em preto e branco, com um distanciamento maior, para salientar a quietude e a solidão atemporal que nos cala fundo na alma. Uma equilibrada composição que mescla a intervenção humana com a riqueza de um ambiente natural. Uma ponte ordinária que, no entanto, conseguiu ligar o século 19 ao século 21.

MP Lafer: a recriação de um ícone

Veja também:

De Mitry lança livro sobre sua trajetória como designer

Livro: Antonio A. De Mitry - na prática a teoria é outra
Imagem gentilmente cedida pela MAGU Comunicação Integrada Ltda.

Antonio A. De Mitry, designer com atuação no projeto do MP Lafer, ganha livro sobre sua trajetória, pela Editora SENAI-SP.

Recebemos um telefonema animado do Antonio A. De Mitry, que o leitor do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone" já conhece como um importante personagem no desenvolvimento do primeiro protótipo do MP Lafer. Ele convida os entusiastas do carro esporte para o lançamento de seu livro produzido pela MAGU Comunicação Integrada Ltda. para a Editora SENAI-SP.

"Antonio A. De Mitry: na prática, a teoria é outra" faz parte da coleção "Série Design" voltada para a publicação de trabalhos e projetos que trazem conceitos e tendências mundiais atualizadas neste vasto campo de atuação, investindo na riqueza de ilustrações para servir de inspiração para estudantes e leitores em geral.

Além do relato sobre suas passagens pela fábrica da Lafer, De Mitry fez um extenso depoimento para os autores do livro, relatando sua longa trajetória no design brasileiro, com incursões por diversas empresas e projetos pessoais.

De Mitry e Percival Lafer em dezembro de 2012, durante lançamento do livro do MP Lafer (foto: Rene Sarli).
De Mitry e Percival Lafer em dezembro de 2012, durante lançamento do livro do MP Lafer (foto: Rene Sarli).

O livro em português tem 116 páginas em formato quadrado com 20,7 por 20,7 cm. O preço sugerido pela editora é de apenas R$ 46,00 e a venda antecipada já está disponível, mediante encomenda, na loja virtual da Saraiva.

O lançamento da obra será no dia 18 de agosto de 2014, a partir das 18 horas, na loja da Saraiva no Shopping Pátio Paulista. Endereço: Rua Treze de Maio, 1947 - Paraíso - Piso Térreo Paraíso - São Paulo -SP - Tel: (11) 3289-5873. Obviamente, todos os amigos do mplafer.net estão convidados!

Tão breve seja possível vamos publicar uma resenha sobre este livro que desde já merece fazer parte de sua biblioteca.

Galeria 2014: Magrinelli

Este MP Lafer 1977 repousa em linda garagem integrado ao verde de Cuibá, a capital de Mato Grosso.
Este MP Lafer 1977 repousa em linda garagem integrado ao verde de Cuibá, a capital de Mato Grosso.

EM CUIABÁ TAMBÉM TEM MP LAFER

Mateus Magrinelli Gonçalves mora em Cuibá, a capital do Mato Grosso, região centro-oeste do Brasil. Ele conserva um lindo MP Lafer de fino trato, ano 1977. E justamente para não deixar o carro atrasado em relação a sua manutenção, ele entrou em contato conosco em 23 de julho de 2014, solicitando auxílio para entrar em contato com especialistas em MP Lafer, para lhe fornecer peças de reposição.

Encaminhamos uma lista baseada na seção "Peças & Manutenção", deixando livre sua escolha. Parece que deu certo e ele foi bem atendido neste quesito. Então pedimos autorização para publicar as imagens magníficas que ele nos enviou, para dividir com os leitores do site. Para finalizar, ele deixou um gratificante elogio: "Parabéns pelo trabalho em manter viva a(s) história(s) dos MP Lafer, o site é nota 10!"

Deve ser muito bom chegar em casa tendo a visão de um conversível no hall de entrada.
Deve ser muito bom chegar em casa tendo a visão de um conversível no hall de entrada.

O painel de madeira do MP combina com a estrutura da casa em estilo rústico e contemporâneo.
O painel de madeira do MP combina com a estrutura da casa em estilo rústico e contemporâneo.

A espera de um passeio: a frente convidativa do MP Lafer
A espera de um passeio: a frente convidativa do MP Lafer

Galeria 2014: Alviano

O MP Lafer do Alviano é amarelo e recebeu apliques de vinil com formas que lembram a bandeira do Brasil.
O MP Lafer do Alviano é amarelo e recebeu apliques de vinil com formas que lembram a bandeira do Brasil.

A CACHAÇA AMARELINHA QUE NÃO EMBRIAGA

No dia 13 de julho de 2014 recebemos uma mensagem de Waldir Alviano, morador do Rio de Janeiro. Ele queria encomendar um exemplar do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". As fotos de seu "Amarelinho" - como ele chama seu MP Lafer 1977 - chegaram no dia 17, enquanto curtia uma folga na cidade de Iguaba Grande, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Nas imagens o conversível está alegremente decorado com as coras da bandeira do Brasil, através de apliques removíveis de vinil, em alusão à campanha da seleção brasileira pelo hexa-campeonato - que todos sabemos, não veio, depois que um trator germânico passou por cima do nosso time.

Do Waldir, temos a promessa de que ele vai nos contar uma história emocionante, como ele mesmo afirma: "Como estive no lançamento do protótipo no Salão do Automóvel de 1972, quero dizer que, quando escrever um livro sobre memorias de donos de MP Lafer, eu darei o depoimento da minha história.
Tenho certeza que irá se emocionar."

 Depois desse convite subjetivo para escrever mais um livro, nos resta declarar que vamos pensar com carinho neste desafio de reunir tantos depoimentos - se bem que é justamente isso que estamos fazendo desde 2002, com a criação da seção "Galeria" deste site.

O apelido deste conversível tem nome de bebida popular: Cachaça. Mas neste caso ninguém fica embriagado.
O apelido deste conversível tem nome de bebida popular: Cachaça. Mas neste caso ninguém fica embriagado.

O Brasil perdeu a Copa de 2014 em casa novamente, mas o Waldir não perdeu o bom humor a bordo deste MP 1977.
O Brasil perdeu a Copa de 2014 em casa novamente, mas o Waldir não perdeu o bom humor a bordo deste MP 1977.

Este carro circula (ou desfila) pelas ruas de Iguaba Grande, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro.
Este carro circula (ou desfila) pelas ruas de Iguaba Grande, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro.

Pequenas viagens, grandes lembranças

Campanha por um mundo mais gentil: homens que se prezam abrem a porta do carro para as mulheres. (Foto: D'J Martinez)
Campanha por um mundo melhor: homens que se prezam abrem a porta do carro para elas.


Para que a paixão por carros antigos não interfira no relacionamento pessoal, é importante compartilhar os momentos prazerosos.

Por Jean Tosetto *

Que homens são apaixonados por carros, todo mundo está cansado de saber. Que nem todas as mulheres compartilham de tal sentimento, idem. Então, como fazer para administrar essas diferenças de comportamento, que tanto enriquecem a relação entre os sexos? A resposta está em oferecer doses homeopáticas de seu possante para a sua esposa, namorada ou “ficante” – essa categoria criada por adolescentes que contaminou gente adulta e até pessoas ingressando na terceira idade.

Quando você trabalha muito, as horas livres para curtir a vida ficam escassas e nestas ocasiões bate a ansiedade: você não quer deixar seu carango na garagem, mas por outro lado precisa dar atenção para a dona de seu coração. Não caia na roubada de levá-la para uma viagem muito longa, especialmente se a sua máquina for mais antiga. Todo o entusiasmo que você sente acelerando o automóvel não atinge a sua companheira na mesma medida por uma simples razão: ela não está no volante.

Quem é apenas passageira também aprecia um passeio pelo campo, mas em proporções menores. A janela aberta manualmente deixa o vento entrar, assim como o cheiro de mato e eventualmente da lenha queimando no fogão de uma colônia. Ao abaixar a capota o sol bronzeia a pele, mas são as gotículas de óleo queimado por caminhões que deixam a face mais avermelhada, perceptível quando se tira os óculos escuros. O refresco das copas das árvores se cruzando num fundo de vale é bem vindo.

Todas essas sensações – misturadas com o ronco do motor, com a conversa fácil e com os cabelos balançando junto com as pequenas ondulações do asfalto – dão lugar ao cansaço depois de uns 200 quilômetros. A partir daí o acento começa a incomodar, os buracos da pista são recebidos com irritação e o sobe e desce das regiões serranas apenas provoca enjoos.

Quem está na direção continua se divertindo, pois a concentração no comando do conjunto mecânico protela as tensões nos ombros e no pescoço. Mas quando chega o destino você olha para o lado e não vê uma pessoa satisfeita, com o potencial se despertando para admirar seu carro, mas constata que ela está agradecendo pela viagem finalmente ter se encerrado.

O segredo para evitar isso? Não ultrapasse a barreira dos 200 quilômetros e estabeleça um gostoso intervalo no meio. Vá para uma cidade não muito longe, que seja servida por uma estradinha idílica e que tenha atrativos locais. As mulheres adoram caminhar por lojinhas, em busca de produtos de artesanato e lembrancinhas. Pode ser um porre para você, mas acompanhe ela pelo lado de fora da calçada e a leve para almoçar num restaurante de fato – e não num fast-food, OK?

Nos passeios pequenos, somente os prazeres do dia vão se sobressair. Portanto, dirija de modo comedido e não banque o piloto de rali dos sertões. Quando a estrada deixar, coloque seu braço direito sobre o encosto do banco dela. Deixe a reminiscência do orvalho soprado em suas narinas misturar-se com o sabor da comida típica do lugar e depois leve a moça para tomar um café revigorante, antes de pegar o caminho de volta para casa.

Logicamente, abra sempre a porta do carro para ela, que deve perceber que você gosta ainda mais dela do que de seu veículo. Deste modo, as chances dela começar a ver sua máquina com outros olhos aumentam, a ponto de você poder combinar passeios mais distantes, desta vez sem problemas: na barreira dos 200, você pode até passar o volante para ela!

Se você pensa que estou querendo te ajudar com as garotas, lhe passando um pouco da minha experiência – que afinal de contas nem é tão grande assim – não se engane, pois a verdade é outra: estou jogando mesmo é para o time das mulheres. Ao casar com minha namorada, percebi que o mundo gira por causa delas e para elas.

Leia mais artigos da coluna "Editor Volante".
* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012. 

RevistaMotorMachine.blogspot.com.br



 Este artigo foi publicado originalmente na Revista MotorMachine número 02, em maio de 2013.