Alemanha realiza maior encontro de MP Lafer fora do Brasil

O quinto encontro anual de MP Lafer na Alemanha reuniu 13 unidades da marca na região da Turíngia, em agosto de 2016.

O quinto encontro anual de MP Lafer na Alemanha reuniu 13 unidades da marca na região da Turíngia, em agosto de 2016.

Texto de Jean Tosetto com imagens gentilmente cedidas por Ludwig Stolz.

Se você ainda não conhece a história do MP Lafer na Alemanha, clique aqui antes de continuar a leitura. Mas se você acompanha o site mplafer.net já sabe que o país dos tedescos vem se destacando pela valorização e redescoberta do modelo fabricado no Brasil por uma marca de móveis criada por um imigrante polonês.

O auge do verão europeu ocorre no mês de agosto, reservado para as férias escolares que ditam, em parte, as férias do mercado de trabalho, possibilitando a ocorrência de eventos diversos, entre os quais os encontros de carros antigos que passam o inverno hibernando nas garagens geladas do continente.

Placa interessante: "K" de "Kafer" (o Fusca para os alemães) e MP com 32 cavalos ("H" de "Horse"). Se bem que caberiam mais alguns cavalos no motor do Lafer...
Placa interessante: "K" de "Kafer" (o Fusca para os alemães) e MP com 32 cavalos ("H" de "Horse"). Se bem que caberiam mais alguns cavalos no motor do Lafer...

Assim como ocorre no Brasil, a principal reunião de MP Lafer na Alemanha é de caráter itinerante: a cada ano um destino diferente é estudado para abrigar os entusiastas da marca. Em 2016 a região da Turíngia foi escolhida e os laferistas alemães, vindos de cidades como Hamburgo, Munique, Colônia e Meiningen, se hospedaram no Hotel Zum Klosterno pequeno município de Rohr, entre os dias 18 e 21 de agosto.

Nestes dias os participantes, acompanhados de familiares e amigos, fizeram passeios pelos arredores do hotel e se reuniram na praça central da localidade para fotografar os conversíveis reunidos, enquanto interagiam uns com os outros.

MPs estacionados perto do hotel que hospedou os participantes do encontro em 2016.
MPs estacionados perto do hotel que hospedou os participantes do encontro em 2016.

Eram esperados 12 carros participantes, mas um décimo terceiro apareceu para fazer parte do evento - um record em se tratando de uma reunião de MP Lafer fora do Brasil. Este participante foi justamente um alemão que morou alguns anos no Brasil e levou seu MP Lafer para a Europa, ao retornar para o velho continente. Deste modo, Miro Dudek foi o primeiro proprietário de MP Lafer a participar de encontros no Brasil e na Alemanha. Ele havia participado do encontro de Serra Negra no ano anterior.

De acordo com Ludwig Stolz, editor do site alemão do MP Lafer, "este carro tem emocionado muitas pessoas aqui na Alemanha, e espero que em 2017 teremos mais laferistas para o encontro. Muitos cumprimentos para o Brasil." - Não é preciso ser Sherlock Holmes para deduzir que Ludwig Stolz é o grande incentivador da marca em seu país. São pessoas como ele, na América ou na Europa, que dedicam parte de seu tempo para nos proporcionar momentos de satisfação como estes.

A arquitetura germânica combina com as formas clássicas do MP Lafer.
A arquitetura germânica combina com as formas clássicas do MP Lafer.

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Galeria 2016: Rodrigues

O MP Lafer 1978 de Wagner Rodrigues.
O MP Lafer 1978 de Wagner Rodrigues.

MISTO DE CLÁSSICO E ESPORTIVO

No dia 27 de junho de 2016 recebemos um e-mail do Wagner Rodrigues, no qual ele afirmava ter comprado um MP Lafer 1978, e que estava finalizando uma restauração de seis meses no mesmo, tentando preservar as características originais do veículo. Na ocasião nos foi solicitado auxílio para obtenção da placa preta.

Respondemos que o caminho mais fácil para o proprietário de MP Lafer é procurar a diretoria do Clube MP Lafer Brasil, que está habituada a passar orientações e mesmo encaminhar o processo de placa preta para seus associados.

O carro circula em Suzano, na Grande São Paulo.
O carro circula em Suzano, na Grande São Paulo.

No dia seguinte recebemos as imagens do carro e constatamos que ele apresenta várias características do modelo clássico da Lafer, mas que os para-choques eram da versão esportiva, a Ti. Nós não interferimos na avaliação das entidades habilitadas para conceder atestados de originalidade para automóveis, mas recomendamos a troca de tais peças contrastantes.

O Wagner, que é de Suzano na Grande São Paulo, respondeu que já intencionava fazer a substituição, mas que aguardava o contato do Clube. Para nós, no entanto, não há impedimento algum na publicação das imagens, com a ressalva feita sobre a situação dos para-choques, para estender a orientação correta para os demais entusiastas da marca, que buscam referências sobre o carro aqui no site mplafer.net


Apesar da aparência geral da versão clássica, este MP tem para-choques do modelo Ti.
Apesar da aparência geral da versão clássica, este MP tem para-choques do modelo Ti.

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Como adquirir a placa preta
Placa preta: boa notícia para os donos de MP
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Site do MP Lafer completa 15 anos

Site mplafer.net no ar desde 15 de agosto de 2001


No dia 15 de agosto de 2001 as torres gêmeas de Nova Iorque ainda estavam de pé. Não havia Facebook, Twitter e Whatsapp. As pessoas não caçavam monstros virtuais com seus aparelhos móveis de telefone celular. E não havia muita informação disponível na Internet sobre o MP Lafer - modelo brasileiro esportivo de linhas clássicas. A rede mundial ainda estava engatinhando e foi neste contexto que surgiu a página mplafer.hpg.com.br - que se tornaria mplafer.net em 21 de abril de 2003.

Na ocasião, não imaginávamos que seríamos adotados pelo Clube MP Lafer Brasil. Sequer cogitávamos entrar em contato com Percival Lafer, criador do modelo, para publicar uma entrevista que de certo modo foi o embrião do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone" lançado em 01 de dezembro de 2012.

O tempo passou rápido demais. Através do site mplafer.net conhecemos centenas de pessoas que compartilham do mesmo entusiasmo sobre um carro dono de um carisma capaz de vencer décadas sem esmorecer. Não citaremos um nome para não ser injusto com aqueles que ficariam de fora da interminável lista de amigos e colaboradores do site.

Vamos renovar o desejo de continuar por mais 15 anos pesquisando novos conteúdos, respondendo emails, participando dos eventos relacionados ao MP Lafer, entre outras satisfações. Sentimos um grande prazer sempre que atualizamos a página, que agora já é uma debutante na sociedade.

Saudações sempre cordiais,

Jean Tosetto

Carro tem anjo da guarda?

O MP Lafer vermelho, velho de guerra, diante de casebres na roça.
O MP Lafer vermelho, velho de guerra, diante de casebres na roça.

Por Jean Tosetto *

No dia 8 de setembro de 2015 uma tempestade de proporções históricas varreu a região de Campinas, no interior de São Paulo. Paulínia foi uma das cidades mais prejudicadas, onde um galpão industrial simplesmente virou ruínas, com sua cobertura metálica ficando toda retorcida, bloqueando metade de uma avenida.

Postes de concreto foram dobrados na base, como se um cortador de grama gigantesco tivesse passado por ali. Muros extensos de alvenaria, no Bairro João Aranha, foram para o chão, como se o Lobo Mau tivesse soprado a casa de palha do irmãozinho preguiçoso.

Ali perto, na chácara de meus pais, onde meu MP Lafer fica estacionado numa garagem junto ao muro de divisa, o vizinho do lado de lá teve o seu rancho todo destelhado. Nenhuma lasca caiu sobre meu carro.

Vendo a destruição pela cidade, deu a impressão de que as rajadas impetuosas de vento desviaram do meu xodó. A poucos metros dele a torre metálica da antena da casa entortou a ponto de tombar.

Hoje meu carro poderia estar embaixo de escombros, assim como o meu astral. Eu teria ficado desolado caso isso tivesse acontecido.

Felizmente pude colocá-lo na estrada, em direção à zona rural de Americana. Estacionei o conversível sob a copa de uma árvore, perto de uma antiga vila de colonos, agora ocupada por famílias humildes.

Dei graças por eles também terem sido preservados. Eles teriam perdido o pouco que possuem, caso o vulgo tornado tivesse deixado seu rastro por lá. E então aquela tristeza que eu teria, se perdesse meu calhambeque, não faria sentido algum.

Com as mãos no volante, perguntei se meu querido MP Lafer tem um anjo da guarda, pois personalidade parece que ele tem. Ocorre que essa pergunta não cabe. Se existem anjos da guarda, a prioridade deles é resguardar as pessoas.

E naquela vila de casebres centenários, com fachadas de tijolinhos de barro, muitas pessoas foram bem amparadas. O Lobo Mau passou por ali e não conseguiu derrubar casinha alguma.

Não é fabuloso?

* Publicado originalmente no Facebook em 13 de setembro de 2015.

Veja também:


Galeria 2016: Nascimento


Este MP Lafer Ti 1979 tem muita história para contar.
Este MP Lafer Ti 1979 tem muita história para contar.

MP LAFER TI 1979: CARRO DE REVISTA E PROGRAMA DE TV

Mensagem recebida em 30 de maio de 2016:

"Boa tarde, Jean

Meu nome é Eliel, acabo de comprar uma história em forma de carro. Um MP Lafer Ti 1979. Sou natural da capital de São Paulo, nasci em junho de 1959, no Hospital Cristo Rei no bairro do Tatuapé.

Quando jovem, tive o privilégio de compartilhar com meu irmão um MP Lafer 1981, branco perolizado, com vidros elétricos. O carro era novo, então imagina o impacto de andar com ele naqueles tempos.

Há quatro anos mudei de São Paulo para Blumenau, em Santa Catarina. Trabalho com tratamento de efluentes têxteis. Simplificando: eu limpo água para ser devolvida à natureza com qualidade acima dos padrões da nossa legislação.

E tudo começou assim.

Conheci um inglês de nome David, um engenheiro que trabalhava aqui em Santa Catarina na área de petróleo. Por conta do desmando e roubalheira que aconteceu na Petrobras, ele foi forçado a regressar ao seu país de origem. Então comprei dele um Fusca Itamar ano 1994.

David um jovem aventureiro: veio de moto do Canada até o Brasil. Em Manaus (Amazonas) encontrou Teresa, sua mulher, e foi morar no Rio de Janeiro. Se tornou torcedor do Flamengo, comprou um violão e, para completar a historia, comprou o Fusca.

Ele veio rodando com o Fusca do Rio de janeiro até Navegantes, em Santa Catarina, onde passou a residir próximo ao mar e descuidou do veículo. O carro estava queimado do sol e com motor travado. Ele me vendeu o carro por um preço baixo o suficiente para pagar a passagem aérea de um cachorro de estimação.

Levar o animalzinho para Londres foi caro. Pintei o teto do Fusca e arrumei o motor. Tentei vender o Fusca, mas não tive comprador disposto a pagar pelo carro, então fiz o contrário: troquei o Fusca por uma Kombi 1974.

Fiquei feliz. A Kombi era maravilhosa, comprei a distância só por fotos. Pensei: "me livrei de um carro com ferrugem e tenho uma Kombi maravilhosa". Bem, descobri que a Kombi também sofria do mesmo mal - carro de surfista corroído pela maresia. Tentei arrumar algumas coisas, mas fui desaconselhado a prosseguir com a reforma total.

Meu problema continuava: tinha que encontrar algum carro que eu gostasse e com certeza sem problemas de ferrugem. Imagine, lembrei do MP Lafer construído em fibra e comecei a procurar um. Encontrei em Itu, interior de São Paulo. Então fiz o mesmo: ofereci a Kombi mais a diferença em dinheiro.

A Kombi eu enviei na plataforma fechada. Quando a Kombi chegou em Itu, o dono do MP Lafer descobriu mais problemas do que eu tinha relatado e realmente eu não tinha conhecimento. Resultado: tive que oferecer mais dinheiro para concluir o negócio. A Kombi foi entregue quinta feira passada em Itu. O MP Lafer Ti vou receber somente hoje de noite.

Neste tempo (dias) comecei a pesquisar a história deste MP Lafer Ti 1979. Além de ser matéria da Revista Quatro Rodas e da Revista Fusca, descobri que o carro foi matéria do programa da Rede Globo, Auto Esporte. O MP Lafer ti 1979 era cor verde escuro na época do programa, depois foi trocado pela cor para verde claro e permanece com esta cor atualmente. Quero - e vou - adquirir a revista como esse MP Lafer.

Confesso que fiquei fora do contexto dos carros antigos até me mudar para Santa Catarina, então comprei um Fusca ano 1971 em São Paulo e reformei o carro. Há dois anos venho construindo o "The Best", até revestimento em fibra de carbono eu fiz. Importei a fibra e revesti para-choques e muito mais, o carro ainda esta na metade do projeto.

Neste universo eu encontrei uma velha paixão, o MP Lafer. Seu feito em resgatar a historia deste carro é incrível, eu trabalhei em São Bernardo do Campo e conheci a Lafer. Quis dividir esta história com você, que tem uma obra e paixão, eu assisti o vídeo onde você narra sua história com o MP Lafer desde a infância.

Parabéns, Jean Tosetto.

Eliel Nascimento"

De Itu para Blumenau: a nova casa do MP Lafer Ti, agora de posse do Nascimento.
De Itu para Blumenau: a nova casa do MP Lafer Ti, agora de posse do Nascimento.

Nossa resposta, no mesmo dia:

"Caro Eliel, parabéns pelo relato e pelo MP Lafer Ti adquirido. Esse carro era do Nelson Porto na época da reportagem no Auto Esporte. Trata-se de um exemplar único. Tomarei a liberdade de publicar sua colaboração no site do MP Lafer. Quando o carro chegar, envie novas imagens!"

O MP Lafer Ti chegou ainda naquela noite:

"Boa noite, Jean. Feliz pela sua atenção. Troquei a bateria, por uma nova e mais potente.
Amanhã vou poder cuidar do carro e poderei ver melhor. Estou parecendo um menino, com brinquedo novo. Muito show."

Bateria nova para recarregar o ânimo também do motorista do conversível.
Bateria nova para recarregar o ânimo também do motorista do conversível.

Na manhã seguinte:

"Caro Eliel, bom dia! Parabéns pelo seu MP Lafer Ti! Pelas imagens o carro parece estar bem conservado. Nos primeiros dias você vai reconhecê-lo, pegar as manhas e descobrir um ou outro item para ajustar. Curta bastante seu novo conversível!"

O Eliel encomendou dois exemplares do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". Quando eles chegaram ao destinatário, no dia 07 de junho de 2016, tivemos o seguinte retorno;

"Bom dia, Jean. Recebi os livros de devo confessar minha empolgação. Agradeço cada palavra escrita na dedicatória, a narrativa da história deste carro é fantástica. Obrigado pelas informações.
Tenho agora o privilégio e o dever de cuidar com muito carinho deste MP Lafer Ti. Parabéns.

Anualmente é realizado o encontro de Fuscas e derivados aqui em Blumenau, o Sul Brasileiro.
Este ano eu levei o "The Best" (Fusca 1971) mais a Kombi que entrou como parte de pagamento do Lafer.

Seria uma honra receber você neste evento com 18 mil m² totalmente cobertos. Creio que venderia muitos livros e poderia divulgar seu brilhante trabalho. O evento é realizado no pavilhão onde se realiza a Oktoberfest."

Ao que finalmente respondemos, no dia seguinte:

"Fico feliz que tenha apreciado o livro. Espero que a leitura seja muito prazerosa. Agradeço o convite para o encontro de Blumenau, onde o livro do MP Lafer já tem um representante de vendas, o Horacio Zabala, da Espaço MotorMachine. Foi ele que agenciou a gráfica (Gandrei) do livro, que fica em Indaial. Grande abraço!"

O retorno do Eliel, em 31 de julho de 2016:

"Boa tarde, Jean. Ao ler a sua publicação e, ao final, ver a narrativa do Sr. Gilberto Martines, fiquei muito feliz.

Fiz uma revisão completa no carro, percebi que o escapamento estava vazando gás. Tinha uma corrosão na bengala de saída, então ao remover a peça notei que tinha duplo abafador. Não tive dúvidas: troquei por peças novas e mantive a configuração do escape que faz um lindo ronco abafado.

Outra particularidade: os pneus do carro tem a data de fabricação de abril de 1994. Estão no carro há 22 anos e pretendo mantê-los, pois uso o carro esporadicamente num pequeno percurso, para mantê-lo em atividade.

Este MP Lafer Ti é com certeza uma história a parte, rica e documentada. Por ter participado de eventos em TV, revistas e tudo documentado pode gerar um capítulo à parte, escrito por você, Jean.

Ao querido Gilberto meus sinceros agradecimentos por representar mais um elo da rica história deste automóvel. Abraço a todos."

Recomendamos a troca do pneu, sempre que este ultrapassar os cinco anos de fabricação, independentemente de seu estado de conservação. Após tal prazo, nenhum pneu oferece segurança regulamentar, mesmo para uso ocasional.

No mais, o site mplafer.net existe para isso mesmo: contar histórias - de carros e de pessoas!


Imagem enviada junto com o respaldo do Eliel.
Imagem enviada junto com o respaldo do Eliel.

Veja também:

MP Lafer no programa Auto Esporte
O Lafer TI na subida do Pico do Jaraguá
Galeria 2013: Aleixo

Galeria 2016: Coito

Um homem diante de seu carro favorito vira um garoto.
Um homem diante de seu carro favorito vira um garoto.

Todo passeio do Clube MP Lafer Brasil rende imagens que merecem o registro aqui no site mplafer.net - são tantas que não dá para publicar todas de uma vez. Então, aos poucos, vamos dando o devido destaque para as mesmas.

Por exemplo? Flagramos o Milton Coito, vulgo Jabá, diante de seu MP Lafer 1986 antes da largada para o passeio até Holambra, no dia 16 de abril de 2016. Agora que quase todos carregam em seus telefones celulares verdadeiros computadores com câmeras fotográficas acopladas, estamos testemunhando o nascimento de novos costumes relacionados com a tecnologia.

Chegamos mais perto para ver o que ele estava registrando: era o motor de seu carro. Uma olhada mais para baixo e vimos o motivo de sua satisfação: uma plaqueta da oficina de restauração especializada em MP Lafer, comandada pelo Toninho em São Bernardo do Campo, afixada perto da trava da tampa do compartimento.

O detalhe próximo à trava da tampa do motor explica parte da beleza deste MP Lafer.
O detalhe próximo à trava da tampa do motor explica parte da beleza deste MP Lafer.

Veja também:

20º Passeio do MP Lafer - Holambra 2016
Campos do Jordão 2011: uma família laferista
Toninho - Restaurador de MPs

A saudade também viaja de carro

Um MP Lafer estacionado diante de um moinho.
Um MP Lafer estacionado diante de um moinho.

Por Jean Tosetto *

As vezes estou sozinho, dirigindo meu carro, e tenho a impressão de que estou acompanhado. Você está do meu lado, como nos velhos tempos. Sei que para manter esta sensação não posso lhe contar sobre coisas importantes, pois elas me lembram que você se foi para sempre.

Então falo sobre coisas aparentemente corriqueiras, enquanto troco as marchas e vou separando as moedas para pagar o pedágio. Hoje te contei que levei minha filha ao circo pela primeira vez.

Quando o homem voador circulou o picadeiro pelos ares, pendurado numa corda elástica, ela sorriu feito alguém que não sabe conter a felicidade, com seus olhos brilhando como se tivesse feito uma grande descoberta.

O vendedor ambulante apareceu com uma pistola de plástico, que atira bolhas coloridas por um efeito luminoso. Ela encheu a minha cara com essas bolhas e fingi que fui atingido, caindo de lado. Ela gargalhou e, se eu soubesse que isso era tão bom, teria me casado bem antes.

Será que a minha esposa se daria bem com você? Que pergunta tola. Você sempre se deu bem com todo mundo. Acho que a sua patroa é que teria algumas rusgas com a cunhada, de vez em quando, pois casamos com duas mulheres de personalidade forte. Também sinto falta dela.

Segura aí que eu vou descer para a terceira no câmbio, para nós subirmos essa encosta. Sinta o cheiro dos eucaliptos... Aproveite, pois vão derrubar todos em breve, ou tocar fogo neles. Sempre que passo por aqui vejo menos árvores.

Olhá lá, estamos chegando no moinho. Milagre: hoje ele está funcionando. O som das rajadas de vento movendo as pás é sublime. É o som do tempo passando, vencendo o atrito das peças de madeira.

Vamos abaixar a capota. Depois de tantos anos ainda curto os acenos das pessoas nas calçadas. As crianças apontam o dedo para o carro. Sei que os sorrisos não são para mim, mas surfo pela energia positiva emanada em nossa direção.

Quer dirigir um pouco?

E aquela doce impressão vai embora com o vento. Não há uma construção engenhosa para segurá-la no chão. Gostaria de criar um moinho de vento que pudesse moer a a saudade que sinto de você, meu querido irmão.

* Publicado originalmente no Facebook em 18 de outubro de 2015.

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