Galeria 2019: Almeida

Luis e seu MP Lafer 1977: quem gosta também abraça.
Luis e seu MP Lafer 1977: quem gosta também abraça.

NAS MARGENS DO RIO PARAÍBA E DA RODOVIA DUTRA

Resende, no Vale do Paraíba do Estado do Rio de Janeiro, é uma cidade com seu lugar garantido na história do MP Lafer. Foi lá que, por muitos anos, o jornalista João Saboia editou o site mplafer.com - que infelizmente foi descontinuado. O próprio Saboia vendeu seu MP Lafer 1977, em 2008, para seguir outros caminhos.

Porém, a região não ficou carente de MPs. O Luis Ricardo Almeida conserva outro exemplar, também de 1977, na terra que sedia a Academia Militar das Agulhas Negras. Ele nos enviou a foto dele com seu carro por WhatsApp, após solicitar o contato via Facebook. Sinais dois tempos, quando o e-mail parece ser coisa do passado.

Nós, porém, ainda preferimos a comunicação por e-mail, onde a pressão por responder rapidamente é menor. Um dos princípios desta página é que a gente não faz tudo correndo, para poder fazer bem feito, sempre. Devagar e sempre.


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A grade do MP Lafer

A grade do MP Lafer não abraça um radiador, mas irradia beleza e simpatia.
A grade do MP Lafer não abraça um radiador, mas irradia beleza e simpatia.

Se há uma peça que simbolize o quão exótico é um MP Lafer, que só poderia ser concebido no Brasil durante a década de 1970, esta é a grade dianteira do veículo. Aos desatentos, ela se parece com o colete de radiador, típico dos carros com motorização dianteira fabricados até a década de 1950, com faróis e para-lamas salientes.

O MP Lafer foi claramente inspirado no MG TD, fabricado na Inglaterra entre 1949 e 1952 e que ostentava tais características. Ocorre que o modelo brasileiro usa a mecânica boxer originalmente desenvolvida para o VW Sedan, conhecido como “Beetle” nos Estados Unidos e “Fusca” no Brasil. 

Detalhe: o motor refrigerado a ar do MP Lafer simplesmente não tem radiador e, além do mais, fica pendurado no eixo traseiro do carro - nenhuma incoerência que o Karmann Guia não tenha apresentado antes, com seu par de guelras acima do para-choque dianteiro.

Logo, a grade frontal do MP Lafer, em sua versão clássica, é meramente um elemento decorativo, sem função técnica no carro, salvo envelopar a ponta do corpo central de fibra de vidro. Na versão de Turismo Internacional – TI – a grade do MP Lafer foi ganhando outras cores e formatos, inclusive com uma estampa lisa.

A maioria dos MPs, porém, ostenta a grade que simula as ranhuras de captação de ar de um radiador. Elas são de aspecto cromado e brilhante, sendo que em alguns carros existem listras negras que salientam o contraste entre os altos e baixos no relevo da peça.

Muito leves, elas são feitas de ABS, como o próprio Percival Lafer, criador do modelo, explica:

“Nós desenvolvemos a grade original apostando num sistema que experts diziam que não ia dar certo. Mas, como muitas outras coisas aparentemente malucas que fizemos, deu. O processo era novo, cromação de verdade sobre chapa de ABS, fabricado na época pela extinta Metalúrgica Matarazzo.

A cromação era feita pela Nakahara Nakabara, que ainda está firme no mesmo lugar em São Paulo. Nada a ver com metalização, que é uma espécie de pintura usada em peças decorativas de vida curta, tipo enfeites de Natal, ou em peças protegidas de intempéries.”

O ABS é um tipo de plástico, cuja sigla em inglês significa “Acrylonitrile Butadiene Styrene”, ou seja, trata-se de um polímero desenvolvido nos Estados Unidos no fim da década de 1940, sendo composto de acrilonitrila, butadieno e estireno, que resulta em peças leves, resistentes e altamente moldáveis, podendo ser pigmentadas em diversas cores.

A durabilidade do aspecto visual das grades de ABS cromadas do MP Lafer pode alcançar décadas. No entanto, dependendo da exposição constante ao sol e à chuva, além dos produtos usados na limpeza, algumas peças podem perder o brilho ou escurecer paulatinamente.

Metalização não é cromação

Como o custo de cromação de peças de ABS é relativamente alto e dominado por poucas empresas no Brasil, alguns proprietários de MP Lafer optam por fazer a metalização das grades de seus carros. Alguns profissionais que trabalham com metalização de peças chegam a divulgar seus serviços como sendo de cromação, dado o aspecto semelhante ao final dos processos.

Porém, cabe o alerta: embora mais barata que a cromação de uma peça, a metalização é um processo químico de pintura projetada por compressor e, portanto, completamente diferente da cromação por imersão. De longe o brilho das peças pode ser parecido, mas de perto nota-se com facilidade o aspecto de porosidade típico de uma pintura. Além disso, a durabilidade das peças metalizadas de ABS é muito reduzida, especialmente no caso de exposição às intempéries.

De acordo com Francisco Paz, membro ativo dos Amigos do MP Lafer do Rio de Janeiro, a metalização “na verdade é um processo de pintura com reação química que acontece na própria peça. O resultado final depende muito do preparo da peça. Se a peça ficar bem lisa, o resultado final é perfeito. A durabilidade é que não é a mesma de uma cromagem convencional. A peça perde o brilho em menos tempo. Mesmo com profissional bem treinado, em 40% das vezes o serviço dá errado e é preciso refazer.”

Há quem pregue a fabricação artesanal de grades de inox para o MP Lafer, que resultaria em peças com menor necessidade de manutenção. Além do problema de falta de originalidade que a peça metálica causaria, haveria o desafio de moldar uma grade esbelta, que ficasse à altura do acabamento esmerado de um MP Lafer.

Nas palavras de Romeu Nardini, diretor do Clube MP Lafer Brasil, “todas as tentativas de fazer essa grade em metal foram desastrosas. Ficam com visual pesado demais, grosseiro. Nunca vi uma que tivesse o mesmo efeito da grade de ABS.”

A boa grade à casa torna

Portanto, a solução para cuidar bem de uma grade de ABS do MP Lafer clássico, é buscar os mesmos profissionais que trabalharam para a Lafer durante os anos em que o carro foi fabricado. Conforme antecipado por Percival Lafer, a Nakahara Nakabara & Companhia Limitada, também conhecia como PlastiCrom, segue em plena atividade.

Além da cromação em peças de plástico ABS, a empresa de São Paulo faz cromação também em peças de alumínio e metais diversos, além de trabalhar com projetos especiais e galvanoplastia.

Acostumados a lidar com clientes da indústria automotiva, de setores de telecomunicação e de redes de hospitais, o pessoal da PlastiCrom tem uma boa notícia: eles atendem os proprietários e restauradores de MP Lafer. No entanto, o Romeu Nardini avisa:

“Se a grade estiver em bom estado, apenas sem brilho, é possível uma segunda cromação. O Nakahara consegue esse milagre. Mas não pode ter nenhum dano, ou risco profundo.”

O Paulo Simão, que tem um MP Lafer em Florianópolis, Santa Catarina, nos traz um bom testemunho dos serviços:

“Em 2015, me deparei com a perda de brilho da minha grade. E mais desesperado fiquei ao saber que não havia solução. Teria de comprar uma nova?

Pergunta daqui e pergunta dali. Acabei por falar com o Toninho (da Tony-Car Restaurações de MP Lafer, de São Bernardo do Campo/SP), que indicou o Nakahara Nakabara. Pensem num atendimento nota 10. Mandei a grade via Sedex e em quinze dias ela estava de volta. Impecável.”

Para quem deseja comprar uma grade nova de MP Lafer, a própria Tony-Car Restaurações encomendou moldes novos das grades, a partir de peças originais, incluindo o modelo inclinado desenvolvido para a versão TI, que teve boa aceitação entre proprietários do MP Lafer clássico. Vale lembrar que existem diferenças sensíveis entre as peças fabricadas até 1978 e as posteriores, além das variações da versão TI.

Serviço:

Nakahara Nakabara & Cia Ltda. – PlastiCrom

Endereço: Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 1316 - Butantã
CEP: 05582-001 - São Paulo - SP
Telefones: (11) 3723-4222 e (11) 9-5590-1194
Horário de atendimento: segunda a quinta-feira das 07:00 as 17:00 horas; sexta-feira das 07:00 as 16:00 horas

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Galeria 2019: Pizzolato

A soma deste MP Lafer com a beleza de Vitória, a capital do Espírito Santo ao fundo, resulta num cartão postal, do Brasil para o mundo.
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PAIXÃO ANTIGA E REATADA

O José Carlos Pizzolato é um sujeito de sorte. Ele mora na linda cidade praiana de Vitória, a capital do Espírito Santo; toca guitarra e sua esposa canta muito bem. De quebra ele comprou e restaurou um MP Lafer há alguns anos.

Nós publicamos as primeiras fotos na Galeria de 2011 (lá se vai quase uma década). No ano seguinte recebemos imagens do carro restaurado e um vídeo com uma bela trilha sonora para um passeio de conversível pelas ruas de Vitória.

Com tanta felicidade transbordando no balde, o que o nosso amigo fez? Vendeu o MP Lafer em 2015. Vai entender.

Logicamente bateu o arrependimento e, no começo de 2019, o Pizzolato já estava de MP Lafer novo. Quer dizer: um modelo branco ano 1977. Tivemos a satisfação de ajudar ele a obter o certificado de placa preta para o carro, via contato com o Clube MP Lafer Brasil.

Alguns meses se passaram e finalmente recebemos novas fotos, revelando uma paixão reatada. Nosso voto é que, de agora em diante, tal paixão siga por um longo tempo. Afinal de contas, raramente um cavalo encilhado passa duas vezes diante de nós.

O que você vê nesta imagem? "Uma constelação" seria uma resposta plausível.
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Um MP, dois Pumas e um estradinha vicinal para curtir carros que foram feitos para isso: explorar as alternativas.
Um MP, dois Pumas e um estradinha vicinal para curtir carros que foram feitos para isso: explorar as alternativas.

Pizzolato ao volante de seu conversível passeando pela orla de Vitória. Deduzimos que sua esposa seja autora da foto.
Pizzolato ao volante de seu conversível passeando pela orla de Vitória. Deduzimos que sua esposa seja autora da foto.

Quem se entusiasma com MP Lafer certamente já ouvir falar do Toninho da Tony-Car Restaurações, de São Bernardo do Campo.
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