Galeria 2007: Pimenta


Valcir Alves Pimenta vive em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Em sua mensagem para o site mplafer.net, de 21 de setembro de 2007, ele demonstra que um sonho não tem marca ou denominação. Não são as siglas - MG, MP ou VW - que realizam o desejo de compartilhar um momento com alguém especial. Talvez o vento no rosto, o som do mar e o céu azul, e tantos outros fatores de cunho pessoal. Para ler de coração aberto:

ANTIGOMOBILISMOTERAPIA

Tudo começou em um passeio que fiz a Rio das Ostras, região do lagos, Rio de Janeiro, em uma fase delicada de minha vida. Estávamos, eu e minha esposa na Praia da Tartaruga, quando me chamou atenção um simpático casal que desfilava lentamente pela orla com um lindo MP Lafer, amarelo, de capota baixada. Fiquei impressionado com a cena. Aí, me lembrei que tinha visto próximo a minha casa, um carro igual, menos na cor, e que estava abandonado. Achei que poderia repetir a cena que vi na praia. Precisava ocupar minha mente. Já tinha minha linda mulher, para me acompanhar, o carro para tentar comprar e depois reformar.

Com pouco dinheiro, eu teria que ter jeito e paciência. Consegui chegar ao dono do carro, que a princípio se recusou, disse que queria também reformá-lo, mas isso há mais de cinco anos atrás. Insisti e consegui levar o carrinho rebocado para casa. Mesmo sabendo que não se tratava de um autêntico MP, mas sim um VW Agnis 1988, seu irmão gêmeo, que é também uma réplica em fibra do fantástico MG, inglês.

Fui relacionar o que ia precisar e cheguei a desanimar, quando vi que tinha muito que fazer. Faltava quase tudo. Depois do susto comecei por etapa. Primeiro a mecânica, depois estrutura do chassis, rodas e pneus, recuperação da fibra da carroceria, pintura, restauração do painel e forração da porta em madeira, instrumentos do painel, entre outros... Já se passaram mais de dois anos, e ainda não está pronto, mas tenho confiança que vou chegar lá. Essa expectativa me proporciona uma agradável ansiedade que está ocupando parte de meu tempo. Tudo sem psicólogo.



São Paulo recebe o I Brasil Collection Cars

Cortesia da Agência HP Press

Cerca de 150 veículos, entre automóveis (80%) e motocicletas antigos estarão sendo mostrados no I Brasil Collection Cars – Encontro Nacional de Colecionadores de Carros e Motos Antigos de São Paulo, evento que acontece neste final de semana (21 a 23 de setembro) no estacionamento do Jockey Club de São Paulo. Um dos objetivos dos idealizadores é trazer para a cidade de São Paulo, palco de outros importantes acontecimentos automobilísticos, um evento dedicado ao setor de antigomobilismo. A exposição ficará aberta aos visitantes das 10h00 às 18h00. O ingresso para visitação custa entre R$ 20,00 (adultos) e R$ 10,00 (crianças e aposentados) e podem ser adquiridos antecipadamente pelo site www.ticketfacil.com.br, nas lojas Kopenhagen ou nas bilheterias no local que funcionarão de sexta a domingo.

Que o brasileiro é apaixonado por carro todo mundo sabe. E essa paixão tornou-se mais evidente principalmente com a chegada dos imigrantes italianos que se concentraram inicialmente em São Paulo e deram uma contribuição importante para o crescimento da indústria no Estado. A cidade de São Paulo hoje é palco para a realização do maior Salão de Automóveis da América Latina, recebe a etapa nacional do mundial de Fórmula 1 e realiza dezenas de eventos em torno do automóvel. Foi nesse ambiente que surgia a proposta de organizar o evento de carros antigos, denominado Brasil Collection Cars.

A iniciativa também visa a homenagear os colecionadores brasileiros e estimular a preservação e restauração em elevados padrões, de automóveis clássicos e históricos, enriquecendo a cultura brasileira. Proporcionar à cidade de São Paulo um evento interessante e diferente, onde os apaixonados por carros e motos do Brasil inteiro poderão contemplar os seus objetos de desejo, num espaço especialmente criado para receber este público diferenciado, oferecendo entretenimento, diversão e cultura também esta entre os objetivos.

O estacionamento do Jockey Club de São Paulo será transformado para receber e ambientar toda a estrutura do evento onde serão mostrados os produtos, atrações e serviços relacionados ao setor automobilístico. O Brasil Collection Cars terá uma área de negócios dedicada à compra e venda de carros e motos antigos, oficinas especializadas na conservação e manutenção desses modelos raros, lojas de miniaturas de carros, roupas, peças e acessórios, além de um grande espaço destinado ao entretenimento com bares e restaurantes.

Nota do editor: o Jockey Club de São Paulo se localiza na Rua José Augusto de Queiroz, junto à Marginal Pinheiros na zona sul da cidade. Mais informações podem ser obtidas via e-mail com o jornalista André Gomide ou através do site: www.jornalveiculos.com.br

O MG Bandeirante Amarelo

Perfil inconfundível do MG na homenagem da Bandeirante ao MP Lafer.

Há várias maneiras de acalentar um sonho. Pedalar é uma delas. No final dos anos setenta e começo do anos oitenta, não eram só os jovens e adolescentes que nutriam interesse pelo MP Lafer - um modelo que senhores de meia idade bem sucedidos tinham o prazer de desfrutar pessoalmente - as crianças na primeira dentição já podiam curtir o pequeno carro concebido pela Brinquedos Bandeirante e desta forma, sem saber, estariam garantindo a manutenção e restauração de vários MPs um quarto de século depois. Sim, o MG Bandeirante foi possivelmente o "primeiro carro" de muita gente grande hoje...

Custódio Saraiva, nosso correspondente do Rio Grande do Sul, teve a felicidade de encontrar um exemplar amarelo deste brinquedo, que também era comercializado na cor vermelha, e prontamente agraciou o site mplafer.net com mais um belo e singelo relato, cujas memórias que evoca costumam ficar guardadas no coração daquela criança que muitos ainda carregam - pelo menos aqueles que tiveram o prazer de crescer numa época em que os brinquedos ainda não precisavam de pilhas e componentes eletrônicos.

O para-choque levemente deformado demonstra que alguém pedalou muito nesta barata.

As linhas elegantes do MG se preservam mesmo em escala reduzida, para encantar os garotos de todas as idades.

"Tenho acompanhado com muito interesse as matérias veiculadas no site. Volto a escrever, trazendo uma simples contribuição que, a meu ver, poderá ser proveitosa.

Há alguns dias, em um passeio pela serra gaúcha, visitei um morador local que faz cestos em vime e qual não foi minha surpresa quando descobri que, em um canto do porão da casa, coberto pelo pó,estava um brinquedo de época, a pedal, retratando uma MG. Apesar das precárias condições, tal achado motivou-me a voltar ao local em outro dia para fotografá-lo.

A pequena calota do sobressalente se perdeu com o tempo. As lanternas lembram o formato adotado pelo MP Lafer.

Embora denominado MG, o brinquedo é claramente inspirado no MP Lafer. Vide entrada de ar na tampa traseira do motor.

Realmente o brinquedo, na minha opinião, tem muito a ver com o MP tanto na estética quanto no significado. Explico: sou um entusiasta de carros conversíveis. Porém, a meu ver, o MP Lafer é o único que transmite a quem o dirige, uma sensação mágica, talvez idêntica a aquela experimentada por nós quando crianças, "a bordo" do carrinho a pedal, viajando pelas estradas da imaginação.

O Lafer desperta um pouco da criança que cada um traz dentro de si e isso, nos dias de hoje, é muito necessário.
Apesar de não possuir mais o carro, sou testemunha do valor terapêutico de um passeio com o MP - no verão com a capota arriada ou no inverno no aconchego de seu "cockpit".

Não é para menos que um comercial da época se referia ao MP como o pássaro da liberdade."

As peças enferrujadas indicam que nem só de plástico se faziam brinquedos antigamente...

A plaqueta não mente: um MG Bandeirante autêntico. Só faltou a numeração do chassi.

Galeria 2007: Blanco


CHARME SOBRE RODAS NO PLANALTO CENTRAL

No dia 10 de setembro de 2007 recebemos uma feliz notícia de Claudia Blanco Carvalho, que assim escreveu:

"Tenho a satisfação de comunicar que meu MP Lafer 1974 foi premiado no XIX Encontro Centro Oeste de Carros Antigos, realizado em Brasília."

Parabéns Claudia, não só pela premiação, mas por conservar em sua garagem um conversível mais do que indicado para curtir as largas avenidas da capital do Brasil, em meio às belezas naturais do cerrado, no coração do país.


Lafer LL

A frente do Lafer LL, com dois pares de faróis em respeito às normas técnicas norte-americanas dos anos 70. Seu desenho conciso antecipou em uma década, o estilo adotado pelo VW Santana, entre outros.

O Lafer LL foi um projeto da Lafer desenvolvido em meados dos anos de 1970, na esteira do sucesso do MP Lafer, um modelo exportado para vários países.
Na década de 1970, o Brasil tinha seus portos fechados para a importação de veículos. Naquela época três grandes empresas dominavam o mercado nacional: a Volkswagen, a General Motors e a Ford - com a Chrysler fechando suas portas no país, que mais tarde receberia a Fiat. Com a falta de concorrência de modelos internacionais, pouco se investia na diversificação de nichos de mercado, deixando lacunas para empreendedores de menor porte explorarem seu potencial criativo, especialmente para atender a demanda por carros de apelo esportivo, assim como a busca de alternativas de maior requinte.

Justamente por tolerarem um acabamento mais espartano, as versões esportivas foram as primeiras que saíram das pranchetas dos projetistas, conquistando o público brasileiro através de uma receita que seria muito usada pelos fabricantes de carros especiais ou foras-de-série: carroceria de fibra de vidro sobre conjunto mecânico de fácil manutenção, ou seja, de confiabilidade absoluta com grande disponibilidade de peças de substituição. Como é de se imaginar, não haviam muitas variações para a escolha deste conjunto, elegendo-se os motores VW do Sedan Fusca, e o GM do Opala, como as opções mais lógicas.

Surgido ainda no final dos anos 60, temos o Puma como o grande referencial neste campo que se abria no cenário automobilístico brasileiro, cuja fila de espera para se comprar um exemplar incentivou outras firmas a ingressar no jogo. Entre elas a Lafer, que teve o mérito de ser a pioneira no ramo das réplicas - ou como queiram alguns, referências clássicas - com o MP Lafer, que inclusive foi muito bem aceito no rigoroso mercado norte-americano, onde este tipo de automóvel é muito apreciado e possui um público fiel. O sucesso do MP, baseado nas linhas do MG TD e na qualidade de sua construção, mostrou que se poderia ir além.

Na traseira, a coerência do design apreciado em seu conjunto, com formas de fácil compreensão, tanto por entusiastas como por especialistas. A se notar a concordância do alojamento da placa com as lanternas avermelhadas.

Tanto o Puma quanto o MP utilizavam a mecânica refrigerada a ar do Sedan Fusca, cujo desempenho modesto impedia que seus aficionados desfrutassem de uma direção um pouco mais aguerrida. Mas as boas vendas de ambos deram o aval para o surgimento de uma segunda geração de veículos especiais, desta vez com a força do motor de seis cilindros do Opala e com a promessa de um acabamento mais luxuoso e confortável. Em meados dos anos 70 aparecem, quase que simultaneamente, o Puma GTB e o Santa Matilde, mas engana-se quem pensou que a Lafer não acompanharia esta tendência.

Surge o Lafer LL

O projeto era ambicioso: oferecer a um seleto público consumidor brasileiro o que de melhor se poderia encontrar em outros países - enquanto coupé de luxo com características esportivas - mas que não se poderia trazer ao hemisfério sul por questões legais. A referência clara para comparação eram os Mercedes da série SLC, até então o paradigma de sucesso comercial, tanto na Alemanha como nos Estados Unidos. Deste modelo o Lafer LL herdou o perfil alongado, distribuído em três volumes ordenados por linhas limpas e aerodinâmicas, antecipando tendências que vingariam apenas uma década adiante, no mercado nacional.

Visto de lado, o Lafer LL revela seu aspecto esportivo e envolvente, com ótima visibilidade para motoristas e passageiros. Linhas decorativas e cromados dão lugar a um aspecto "clean", que seria muito comum nos anos subseqüentes.

Apenas cinco protótipos foram desenvolvidos, entre 1976 e 1979, sempre com a mecânica 250-S do Opala, cujas 4.100 cilindradas cúbicas distribuídas em seis cavidades garantiam um ótimo desempenho, dado o pouco peso da carroceria de fibra de vidro, em relação aos 171 cavalos de potência. A título de curiosidade, a numeração destes raros exemplares pode ser conferida no compartimento do motor, atentando para a superfície sobre a caixa de uma das rodas dianteiras. Difícil mesmo é encontrar um dos LL para averiguar este quesito.

O motor do LL não deixa ninguém na mão, pois conta com a ampla gama de comércio de peças sobressalentes, que atendem aos modelos que GM fabricava na época, como o Opala e a Caravan. Além disso, ele aceita uma boa preparação, a gosto do cliente.

Vanguarda

Internamente, o protótipo da Lafer contava com todo o respaldo em termos de acabamento que a empresa já empregava, de forma notória, no conversível MP, com direito à bancos de couro espaçosos para até quatro passageiros, no esquema dois mais dois, além do uso de madeiras nobres no console. Ao contrário dos demais automóveis da época, o para-brisa não era considerado uma peça à parte, pois era instalado em conformidade plena com a carroceria - um conceito que seria comum apenas nos modelos mais recentes, demonstrando o caráter inovador da proposta.

Outra grande novidade estava no painel, que era digital e ostentava mostradores de leds vermelhos em pleno volante. Uma solução que só encontrava paralelo no Aston Martin Lagonda, fazendo do Lafer LL um dos pioneiros neste sentido, na indústria automobilística mundial. Para se ter uma idéia do que isso representa, algo semelhante ocorreria com o carro conceito Buick Wildcat somente nos anos 80, e apenas nos anos 90 os instrumentos de leitura apareceriam nos volantes dos carros de Fórmula 1. Mas cerca de vinte anos antes, esta tecnologia ainda não estava totalmente desenvolvida, razão pela qual mostradores analógicos convencionais tiveram que ser adaptados na manutenção dos protótipos em questão.

O volante de dois raios e grande superfície de metal exposto, abrigava na verdade os mostradores digitais, que foram substituídos por componentes convencionais da própria Lafer, os mesmos que equipavam os MPs, também em painéis de madeira.

Bancos anatômicos ante a generosa porta de acesso lateral, acabada com madeira nobre e janela de vidro com ampla visão para o exterior. Todo o rigor da Lafer no acabamento, proveniente de sua experiência com a manufatura de móveis de alto padrão.

Os assentos são revestidos com couro legítimo. As unidades posteriores também são bipartidas na base, em função do túnel central versus a pouca altura da capota rígida. O encosto, no entanto, é comum para as duas peças.

Tamanha complexidade nos detalhes inovadores do LL ajudaram a impedir que o veículo fosse lançado em série, devido ao crescente vulto dos investimentos requeridos para levar o projeto adiante. Afinal de contas, a Lafer não tinha o porte de uma grande multinacional, para manter mais de um modelo no mercado - e isto ela já fazia com o MP, na versão clássica e também com a versão Ti, recém criada no mesmo período. No começo dos anos 80 porém, a Miúra soube conjugar a junção de conforto, tecnologia e bom desempenho, para ocupar a fatia de mercado que bem poderia ser destinada ao LL, pelo menos até a abertura para os importados no limiar da década seguinte, que sepultou boa parte das encarroçadoras brasileiras.

A mosca branca

O exemplar de 1979, que ilustra esta matéria, encontra-se com menos de 30 mil quilômetros rodados, descansando sob uma capa num galpão de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, aos cuidados de Diego Sampaio, a quem foi confiada a tarefa de zelar pelo carro e, eventualmente, encontrar um novo dono para ele, de preferência que entenda do assunto e saiba dar valor a uma autêntica preciosidade. Seu proprietário - apenas o segundo - é uma pessoa reservada e preza pela discrição. De acordo com Diego, o carro está funcionando perfeitamente, possuindo rodas e estepe originais, e sem adaptações. Mesmo o painel, que antes era digital, recebeu mostradores analógicos da Lafer, utilizados também nos MPs.


Saindo do abrigo para tomar um pouco de sol. O Lafer LL 1979 tem seu motor ligado regularmente, para manter a lubrificação de seus componentes. Tamanho cuidado, porém, impede que ele faça grandes passeios, mantendo sua baixa quilometragem.

Um modelo pouco conhecido como o Lafer LL desperta a curiosidade de quem o vê, que pode até se confundir, como o próprio Diego relata:"O engraçado da história é que quando eu era garoto, via esse carro e pensava que se tratava do Santa Matilde, mas só agora que fui ver que se tratava de um modelo LL." Para que o LL não passe despercebido na história da indústria automobilística brasileira, solicitamos aos demais proprietários do modelo - ou mesmo quem tenha a oportunidade de fotografar uma unidade num encontro de carros antigos - que entre em contato através de nosso e-mail.

Texto de Jean Tosetto
Fotos de Diego Sampaio


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