Obrigado, Roger Moore

Roger Moore em praia do Rio de Janeiro, diante do MP Lafer usado na gravação de um filme de 007 em 1979. A imagem pertence ao acervo da Lafer.
Roger Moore em praia do Rio de Janeiro, diante do MP Lafer usado na gravação de um filme de 007 em 1979. A imagem pertence ao acervo da Lafer.

Dentre os atores que deram vida ao personagem de Ian Fleming, Roger Moore permanece como o recordista da série oficial de James Bond, com sete produções.

Por Jean Tosetto *

James Bond, o agente secreto mais famoso do mundo, é um personagem inverossímil. Ele se hidrata com Vodca Martini, mas seu fígado não acusa. É promíscuo em relação às mulheres, dirige carros sempre acima dos limites de velocidade e leva um estilo de vida perigoso demais, combatendo vilões cujos capangas nunca lhe acertam tiros a queima roupa. Na vida real, 007 dificilmente passaria dos 45 anos de idade, mas como ele continua habitando o imaginário da cultura popular, transferimos sua imortalidade para os atores que já encarnaram um dos papéis mais icônicos do cinema.

Mais difícil de acreditar que Roger Moore se foi, é aceitar o fato de que ele já tinha 89 anos de idade - quase o dobro da expectativa de vida de um espião internacional. Por ter se afastado das atuações em filmes de 007 há mais de trinta anos, guardamos apenas os bons e divertidos momentos dele usando o smoking que lhe dava permissão para matar - e para ser o canastrão mais querido e elegante em serviço de Sua Majestade.

Se foi Sean Connery que apresentou James Bond ao mundo, foi Roger Moore que tornou-se embaixador do Unicef - o fundo das Nações Unidas para promoção dos direitos das crianças. Como tal, visitou inclusive o Brasil na década de 1990, quando participou de ações para arrecadação de doações ao lado de Renato Aragão, o eterno Didi dos Trapalhões.

Mas a primeira vez de Roger Moore no Brasil se deu no fim dos anos de 1970, durante as gravações de "Moonraker" (007 contra o Foguete da Morte). Os amigos de mplafer.net já conhecem esta história e, por causa dela, volta e meia recebemos mensagens de gente interessada em comprar um MP Lafer, mas com um detalhe: "tem que ser branco".

Roger Moore não dirigiu o MP Lafer no filme, que foi usado por uma espiã brasileira numa cena de perseguição tão curta quanto inofensível. O suficiente, no entanto, para promover o modelo brasileiro na Europa e nos Estados Unidos pois, além do filme, divulgou-se também uma série de fotos do ator britânico ao lado do carro - uma delas republicada acima.

O tempo passa para todos, inclusive para Sir Roger Moore. Nascido em outubro de 1927 na cidade de Londres, tornou-se ator após o fim da Segunda Guerra Mundial. Fez sucesso também na TV a partir de 1962, nas séries "O Santo" e "The Persuaders!". Assumiu o papel de 007 em 1973, atuando em sete filmes da franquia até 1985. Era embaixador da Unicef desde 1991, tendo sido condecorado em 2003 como Cavaleiro do Império Britânico. Faleceu em maio de 2017 na localidade suíça de Crans-Montana, após breve luta contra um câncer.

Descanse em paz, Roger Moore.

* Jean Tosetto é arquiteto desde 1999 e editor do site mplafer.net desde 2001. É também autor do livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” - lançado em 2012.

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3 comentários:

  1. Melhor texto sobre Roger Moore que eu li nesta semana. Show!

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    1. Caro Ênio, em apenas um dia este artigo já é o mais lido dos últimos 30 dias. Eles também bateu record de compartilhamentos. Grato pela leitura. Abraço!

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  2. Saudades eternas sir Moore

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