Almoço do Clube do MP em Itapecerica da Serra - 2025

MPs para preencher a fotografia digital.
MPs para preencher a fotografia digital.

Trânsito pesado? A gente contorna. Idade chegando? A gente ignora. O que vale é rever os amigos e recarregar as baterias para seguir adiante - sempre!

Por Jean Tosetto

Há um estudo europeu que relaciona a valorização de automóveis usados ao período de 25 anos após sua fabricação. Nessa cultura, em que o carro antigo é visto não apenas como paixão, mas também como investimento, observa-se que os modelos com potencial para se tornarem clássicos começam a se valorizar justamente após esse intervalo de tempo. Esse fenômeno faz sentido no caso do MP Lafer, apresentado no Salão do Automóvel de 1972. Exatamente 25 anos depois, em 1997, foi fundado o Clube MP Lafer Brasil.

O modelo foi fabricado até 1988, com algumas unidades licenciadas até 1990. E o que ocorreu 25 anos após essa data? Em dezembro de 2012 foi lançado o livro MP Lafer: A recriação de um ícone, cuja comercialização inicial se concentrou em 2013. Assim, entre 1997 e 2015 — período que cobre os 25 anos após o lançamento e também após o encerramento da produção — verificou-se o auge do “revival” em torno do MP Lafer, quando o modelo passou por forte valorização.

Esse movimento ocorreu porque o carro era admirado pelos jovens das décadas de 1970 e 1980, que na época não tinham condições financeiras ou estavam em fases da vida que priorizavam a família. Quando essas mesmas pessoas atingiram a meia-idade, já com situação financeira mais sólida e com os filhos encaminhados, puderam realizar o antigo desejo de possuir um MP Lafer. Esse fenômeno se repete com diversos outros modelos.

Após o período de revival, os automóveis com potencial para se tornarem clássicos continuam a se valorizar, mas sua liquidez diminui. Isso acontece porque os jovens das gerações seguintes não desenvolveram vínculo emocional com modelos que não marcaram a sua juventude. Ainda assim, tais veículos seguem valorizados por sua raridade e acabam sendo incorporados a coleções.

Portanto, para quem observa carros antigos sob a ótica do investimento, não adianta buscar apenas modelos que já passaram por grande valorização. O ideal é identificar veículos que despertaram interesse dos jovens de sua época e que estejam prestes a entrar no ciclo de revival, ou seja, aqueles com cerca de 18 a 20 anos de fabricação. Antecipar-se permite comprar automóveis próximos ao seu valor mínimo — já com a desvalorização praticamente esgotada — e captar a fase de revalorização que pode levá-los, anos depois, a valer mais do que custavam quando zero-quilômetro.

MP Lafer: o conversível brasileiro com potencial para ser um clássico.
MP Lafer: o conversível brasileiro com potencial para ser um clássico.

Essa longa introdução ajuda a compreender por que o Clube do MP Lafer Brasil alcançou seu auge de participação de carros em eventos entre 2002 e 2015 e, posteriormente, passou a registrar queda ano após ano. Uma das explicações está na dinâmica natural de valorização e interesse pelo modelo, conforme discutido anteriormente. A outra explicação decorre da dispersão geográfica dos veículos: muitos MPs que estavam concentrados na Grande São Paulo foram adquiridos por pessoas de outras regiões do país. O modelo passou a aparecer no Nordeste, no Sul e até no exterior, com unidades enviadas para países como Alemanha e Itália. Essa dispersão contribui para a redução do número de participantes nos encontros mais recentes.

No entanto, esse não é o único fator. Os proprietários que permaneceram na região metropolitana de São Paulo também envelheceram. Aqueles que estavam na meia-idade há vinte anos hoje se encontram na terceira idade e, naturalmente, ponderam mais antes de tirar o carro da garagem para enfrentar o trânsito complexo da capital e de seus arredores.

Posso testemunhar esse fenômeno mesmo não residindo na capital. Moro em Paulínia, no interior paulista, a 119 quilômetros de São Paulo. Quando o Clube do MP Lafer anunciou o almoço de fim de ano para 29 de novembro de 2025, no restaurante Dr. Costela, em Itapecerica da Serra — às margens da rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba — minha esposa e eu decidimos participar utilizando nosso carro convencional. Avaliei que percorrer essa distância com o MP Lafer, em meio a inúmeros caminhões e automóveis, seria uma experiência atribulada. Como a carta-convite permitia o uso de veículos convencionais, priorizando o encontro entre amigos em torno do modelo, optamos por seguir assim.

Também decidimos não passar pelo ponto de partida oficial, no km 12 da rodovia Raposo Tavares, pois isso exigiria acessar a Marginal Tietê e depois a Marginal Pinheiros, o que poderia atrasar nossa viagem ou nos obrigar a sair de casa muito mais cedo. Escolhemos ir diretamente ao restaurante, utilizando o Rodoanel como rota alternativa. Contudo, essa escolha não funcionou como esperado. Ao sair da rodovia Bandeirantes e entrar no Rodoanel, encontramos um congestionamento intenso, que se estendeu até a rodovia Castelo Branco. Apesar de obras em uma das faixas, o volume de veículos era expressivo. Após esse trecho, o fluxo melhorou um pouco, mas, ao chegar ao entroncamento com a Régis Bittencourt, deparamo-nos com um novo congestionamento, acompanhado de calor acima de 30 ºC.

Comentei com minha esposa que aqueles que decidiram participar com seus MPs estavam enfrentando uma situação ainda mais desconfortável. Por isso, é justo agradecer e parabenizar os 18 proprietários que levaram seus carros ao evento, apesar das dificuldades descritas.

Como chegamos mais cedo ao restaurante, tive a oportunidade de filmar a chegada dos primeiros MPs ao estacionamento. A entrada dos carros formava um verdadeiro balé de cores e movimentos aparentemente aleatórios, mas que, no conjunto, criavam uma cena belíssima. Foi então que se abriu aquela agradável janela de descanso mental: o momento de reencontrar amigos que compartilham dos mesmos interesses, fazer as conversas fluírem naturalmente, matar a saudade, colocar assuntos em dia e apreciar a culinária típica do Sul do Brasil. Afinal, a rodovia Régis Bittencourt funciona como uma espécie de portal paulista para a região Sul, onde as churrascarias de tradição gaúcha predominam às margens da estrada.

Os MPs escapam da rodovia e chegar num recinto tranquilo.
Os MPs escapam da rodovia e chegar num recinto tranquilo.

Um breve congestionamento de MPs procurando vagas para estacionar.
Um breve congestionamento de MPs procurando vagas para estacionar.

Esses momentos fugazes passam rápido demais. No nosso caso, passamos mais do dobro do tempo na estrada — entre ida e volta — do que no local do evento, tentando conversar com todos. E, ainda assim, não conseguimos falar com todo mundo. Eram muitas pessoas, todas em um astral tão positivo que acabou compensando o desconforto e o esforço da viagem.

Como sempre faço nos almoços de fim de ano do Clube do MP Lafer, aproveitei alguns instantes para me afastar das mesas e registrar fotografias dos carros estacionados, tentando encontrar algum ângulo novo — tarefa cada vez mais difícil depois de tantos anos. Também avistei uma bela réplica de uma Alfa Romeo da década de 1930. Estacionada ao lado de um MP Lafer, ela permitia estabelecer comparações visuais entre dois modelos que encantaram a juventude nos anos 1970.

 

Eu esperava que Gilberto Martines estivesse presente desde o início do evento para registrar a largada do passeio na rodovia Raposo Tavares. No entanto, ele demorou a chegar, e por um momento imaginei que não participaria do almoço. O atraso ocorreu porque ele perdeu o acesso ao Rodoanel — distração que o fez chegar mais tarde do que o previsto. Ainda assim, sua presença permitiu completar a cobertura fotográfica do encontro. É sempre necessário registrar nosso agradecimento ao Gilberto: sem ele, o site do MP Lafer seria incompleto.

Também devemos agradecer, como sempre, ao Walter Arruda, presidente do Clube MP Lafer Brasil, e à sua esposa, Regina. Ambos são incansáveis na organização desses eventos que rompem a rotina e trazem leveza aos participantes. O tradicional almoço de fim de ano e o Encontro Nacional, realizado por volta de abril ou maio, funcionam como válvulas de escape que nos ajudam a enfrentar o peso do cotidiano. A mesma gratidão se estende a Romeu Nardini, diretor do Clube MP Lafer Brasil, que mesmo residindo na divisa com o Mato Grosso do Sul faz questão de prestigiar essa grande família chamada MP Lafer.

O interior do restaurante Dr. Costela é rústico e aconchegante.
O interior do restaurante Dr. Costela é rústico e aconchegante.

Mas, como tudo que é bom dura pouco, chegou o momento de voltar para casa — e, com isso, de enfrentar novamente o congestionamento no entroncamento da Régis Bittencourt com o Rodoanel. O trânsito continuava lento; piorou após a Castelo Branco, até que pudemos acessar a rodovia dos Bandeirantes. E vale um registro importante: passamos por regiões cercadas de morros ocupados de forma aparentemente irregular. Sobre um dos túneis, inclusive, havia barracos de favela. É lamentável constatar que isso ainda ocorre em um país que se apresenta como uma das principais economias do mundo. Causa espanto também lembrar que São Paulo foi classificada entre as 20 melhores cidades do mundo para viver, trabalhar e visitar — difícil acreditar que tal avaliação tenha considerado um passeio de carro pelo Rodoanel. A sensação é de que estamos próximos de um colapso urbano: o Rodoanel, mesmo incompleto — falta o trecho Norte —, já não comporta o crescimento constante do trânsito na megalópole.

Ao nos afastarmos rumo ao interior, decidimos parar no Serra Azul, em Itupeva, para ir ao banheiro, aproveitando para entrar no Outlet local. A experiência durou apenas quinze minutos. O espaço estava completamente tomado por pessoas: filas para os banheiros, para comprar sorvete, café e até para pagar nas lojas. Diante disso, desistimos e seguimos viagem. Esse registro é pertinente porque aquele sábado era o primeiro após a Black Friday — tradição importada dos norte-americanos — e o adensamento excessivo de pessoas evidencia como a qualidade de vida vem sendo corroída. É impossível negar essa realidade.

E não adianta simplesmente substituir o carro a combustão por um carro elétrico. Os veículos elétricos, inclusive, tendem a ser mais largos do que os movidos a gasolina ou álcool, o que agrava ainda mais os problemas de circulação nas grandes cidades. Dessa forma, a solução para a mobilidade urbana precisa ser encarada de maneira coletiva, com investimentos maciços em transporte público de qualidade, especialmente em trens e, quando possível, no uso de hidrovias urbanas.

Aproveitando o tema dos automóveis elétricos, vale mencionar o recente comercial da fabricante chinesa BYD, que utilizou o personagem Primo Rico como garoto-propaganda. No anúncio, ele compara os custos do carro elétrico com os custos de um veículo a combustão, sugerindo que quem opta pelo elétrico está sendo mais econômico. Para reforçar a mensagem, o comercial opõe o “Primo Rico” ao “Primata”, figura que representaria quem insiste em manter um carro tradicional. Nesse contexto, chego a brincar que seria um “Primata Hard”, já que mantenho um MP Lafer na garagem — movido a combustão, equipado com dois carburadores, embreagem acionada por cabo e câmbio manual.

Ainda assim, fica a reflexão: será que os carros da BYD terão apelo suficiente para formar clubes de proprietários no futuro? Será que, daqui a 25 anos, os veículos elétricos — em especial — estarão valorizados, com potencial para se tornarem clássicos, assim como ocorre hoje com o MP Lafer? Quem viver, verá.

Uma última avistada nos MPs antes de ir embora com o coração acalentado.
Uma última avistada nos MPs antes de ir embora com o coração acalentado.

Contudo, no site do MP Lafer, não podemos encerrar um relato de qualquer jeito. É preciso transmitir uma mensagem edificante. O fim do ano se aproxima; é o momento em que lembramos dos familiares, dos amigos — inclusive daqueles que já partiram — e também de que o tempo passa para todos nós. Precisamos encontrar entusiasmo em cada etapa da vida, e cultivar uma paixão em comum, como a paixão pelo MP Lafer, ajuda nesse propósito. Essa afinidade aproxima pessoas de astral positivo e renova nossas energias para iniciar um novo ano.

Que o próximo ano seja magnífico para todos nós.

Um grande abraço e até a próxima!

Veja também:

Almoço do Clube do MP em Santana de Parnaíba - 2024

A carta convite do Clube

Mais reuniões de fim de ano

MP Lafer: The recreation of an icon (Amazon)

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