Shell Excede: brinde trazia jogo da memória com veículos brasileiros

Brinde da Shell Excede: miniatura de uma embalagem de óleo para motor, com 44 pares de imagens de veículos brasileiros dos anos 60 e 70.

No final da década de 1960 e começo dos anos 70, as famílias numerosas - com 7, 8 e até 10 filhos - ainda eram comuns no Brasil, especialmente em cidades do interior. A diferença de idade entre os irmãos era tão grande que, normalmente, os filhos mais velhos ajudavam a cuidar dos caçulas - fazendo as vezes de segundo pai ou mãe, dando conselhos, broncas e alguns presentes também. Nada muito caro, pelo contrário: o primeiro sapato de um garoto só vinha lá pelos 15 anos de idade: era como um ritual de passagem para a idade adulta.

Nesta época meu pai já trabalhava no escritório da Petrobrás em São Paulo, no famoso edifício Andraus, que pegou fogo em 1972. Safo, ele estava fazendo um treinamento em Porto Alegre naquela ocasião. No mesmo prédio também havia o escritório da Shell, que tempos depois daria o emprego definitivo para o meu pai (sim, nos anos 70 os jovens não se digladiavam por uma carreira numa estatal). Possivelmente foi por causa desta proximidade que meu pai tenha ganho um brinde dos funcionários da multinacional: uma imitação de lata de óleo com imagens de veículos que circulavam por aqui.

Não tenho como afirmar que foi realmente isso, pois meu pai não se lembra destes pormenores, mas seu irmão caçula sim. Foi o meu tio Amilcar que ganhou o brinde, numa visita que meu pai fez em sua cidade natal, Caçapava. Foi meu tio Amilcar que guardou por tantos anos um brinquedo que era dado de graça, mas ganhou um valor sentimental descolado de qualquer quantia monetária. Cerca de 40 anos depois, o Amilcar continua ouvindo conselhos do Anibal, meu pai. Para ele, tal brinde, um jogo de memória, teria sido ofertado num salão do automóvel. É possível, mas nunca iremos saber: é a memória brincando com a gente.

A coleção contém marcas e modelos que já não mais existem no mercado nacional, como Willys Overland, Brasinca, Dodge, Simca, FNM e DKW.

As marcas mais populares da época são as mesmas de hoje, com exceção da Fiat, que só chegou por aqui em 1976: Ford, Chevrolet e VW.

Caminhões,ônibus, caminhonetes, jipes e outros utilitários: um panorama bem extenso para divertir e cativar a criançada de um Brasil que acordava para a modernidade.

Na mesma conversa que resgatou o jogo de memória com carros brasileiros, resgatamos também uma brincadeira que, apesar da diferença de geração, compartilhávamos: o futebol de botão. Os meus botões eram comprados na padaria ou no armazém: vinham todos iguais, com os símbolos dos clubes estampados na cavidade superior. Os botões do tio Amilcar eram botões mesmo, surrupiados de casacos velhos e lixados com o uso constante. Eles estão lá, até hoje, guardados numa latinha de balas que não existem mais: as azedinhas sortidas Sönksen.

Acredite, cada botão nesta latinha de balas azedinhas sortidas Sönksen tem um nome: Ademir da Guia, Dudu, Leivinha... craques da academia do Palmeiras.

Nesta vida, pequenos brindes podem se converter em grandes lembranças. E as melhores lembranças não precisam de um museu mantido por uma organização sem fins lucrativos (ou de um centro cultural financiado com dinheiro público) para serem conservadas: elas podem caber numa latinha de bolso.

5 comentários:

  1. Conheci sua postagem pelo site grandepremio onde esta o Blog do Gomes

    Lembro de meus times de botao que tenho ate hoje

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  2. Grandes lembranças, Jean.
    Me lembro desse joguinho da Shell, apesar de não ter tido um.
    Das balas Sonksen, quem não lembra?
    E o que dizer do futebol de botão, quando geralmente elegiámos o "nosso centro avante" predileto, geralmente o numero "9". E a base de "lixadas", as mais criativas, deixavamos "jogadores" deslizando vlozmente pelas mesas de jogo.
    E o que falar dos goleiros (de caixa de fosforos) recheadas de chumbo retirados dos gargalos de garrafas de vinho?
    Que viagem, Jean.
    Valeu!
    Romeu

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  3. Caro Jean,
    Li no blog do Flávio Gomes a respeito do jogo da memória da Shell , que também tenho, e voltei ao passado quando ganhei a minha latinha em um Salão do Automovél, levado por meu pai. Não me lembro em que ano foi, mas a lembrança da emoção ao abri-la e ver todos aqueles carros estampados nas fichas do jogo, me emocionou.
    Um forte abraço.
    Aldo

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  4. Michel Ramos3/9/12 18:55

    Cara...eu vou procurar o do meu pai...me lembro de ter jogado muito na infância...q saudade, nossa

    my rosebud !!

    abraço

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  5. Tem um sendo leiloado aqui: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-621307193-jogo-da-memoria-antigo-shell-completo-com-embalagem-_JM

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