Gilberto Martines - Doutor em MPs

Gilberto Martines vive em São Paulo, onde trabalha como dentista - uma profissão que requer empenho e concentração, além de pulsos firmes, para atuar em cada detalhe requerido. Estas qualidades ele empresta para a criação de dioramas, construídos lentamente na pequena oficina que mantém em sua casa, que também abriga vários objetos relacionados a sua paixão pelos MPs.

Mas acima de tudo Gilberto Martines é um pai de família, que divide com sua esposa e filhos, o prazer de inesquecíveis viagens e passeios, responsáveis pelas boas recordações que vão fazendo parte de sua história pessoal. Acompanhe o que o nosso Doutor tem a nos contar:


Entre a primeira vez que avistou um MP e a primeira vez que guiou o modelo, demorou quanto tempo? Quais foram as suas impressões nestas ocasiões?

- O primeiro contato que tive com o MP Lafer foi no ano de 1984, quando um médico amigo do meu irmão emprestou-lhe um MP branco pérola para usar alguns dias. Eu não tive a oportunidade de guiá-lo, por se tratar de um carro muito caro, tinha medo de batê-lo. Somente vim a guiar um quando em Agosto de 1996, já casado na época, comprei meu primeiro MP, ano 1977, branco. Fui buscá-lo no bairro de Santana, pertencia a um piloto de avião. Quando entrei no carro para trazê-lo para casa, a impressão que tive ao dirigi-lo foi de estar guiando uma Brasília no banco de trás, com uma frente enorme.

O primeiro MP de Gilberto.

Ao longo destes anos você poderia revelar quantos MPs já possuiu? Atualmente você preserva algum exemplar específico?

- Fiquei apenas 6 meses com este carro branco e foi tempo suficiente para me apaixonar por MPs. Vendi para comprar um Tempra 93. Logo bateu o arrependimento, comecei a procurar um outro MP, e com muito sacrifício e muita sorte encontrei um 1981, único dono, dourado, com capota bege e interior bege, com apenas 32.000 km rodados. Estava ainda com placa amarela, e daí para frente, já comprei e vendi mais alguns MPs. Tive um 75 vinho, um 79 branco pérola e cinza (saia e blusa), um 79 azul, um 80 prata, um 79 TI verde-mantiqueira, um 81 branco, um 78 branco pérola e um 75 vermelho; no total já tive 10 MPs. Atualmente tenho somente o 81 dourado e o 75, vermelho.

O segundo MP, mantido até hoje - notem a placa amarela.

O MP leva apenas duas pessoas oficialmente, mas você já viajou com sua família certa vez, para o Rio de Janeiro... conte mais a respeito desta aventura!

- Esses carros já me proporcionaram muitos momentos de prazeres e alegrias. Tenho 3 filhos, 2 meninos e uma menina, e quando eram pequenos fiz algumas viagens com a família toda. Colocava os dois meninos atrás e a menina ia ao colo da minha mulher no banco da frente, muito apertado, porém muito gostoso e divertido. Fomos para Praia Grande, Indaiatuba, etc. O tempo vai passando e eles cresceram, não dá mais pra fazer isso. Também tive a oportunidade de fazer uma viagem com minha esposa para o Rio de Janeiro. Fomos pela estrada Rio-Santos, um passeio muito bom. Sem pressa de chegar, saímos de São Paulo na sexta-feira bem cedo, almoçamos em Parati e paramos em Angra dos Reis para dormir. Dormimos em uma marina, de frente para o mar. Nesta noite, choveu muito e quase não fomos para o Rio, já que a estrada ficou bastante danificada, porém o MP demonstrou-se bravo e conseguimos chegar ao Rio por volta do meio-dia. Fomos até o Forte de Copacabana, onde estava sendo realizado um encontro de carros antigos, e, infelizmente, por causa da tempestade da noite anterior, o encontro também foi muito prejudicado. Fomos ao Corcovado para passear de bondinho, e aproveitamos para almoçar. No final da tarde do sábado, decidimos voltar para São Paulo, subimos a serra e dormimos em um hotel em uma cidade próxima ao Rio. Domingo cedo, prosseguimos a viagem com destino a São Paulo. Paramos ainda em Aparecida do Norte para agradecer tudo de bom que Deus nos proporciona. Foi uma viagem muito simples, gostosa, nostálgica e romântica.

Gilberto Martines em Parati, Rio de Janeiro.

Ainda sobre o tema "família". Nota-se que você é muito ligado à sua. Como seus familiares lidam com o seu entusiasmo pelo MP? Eles compartilham dele?

- Por se tratar de um carro para apenas duas pessoas, fica muito difícil reunir toda a família para participar dos passeios e encontros. A minha família aceita e respeita meu gosto. Muitas vezes levo um dos meus filhos ou a minha mulher para me acompanhar aos encontros, e isso quando ocorre me deixa muito contente, pois gosto da companhia deles.

Você esteve presente em todos os passeios anuais do Clube MP Lafer Brasil até o momento. Há algum que fosse o mais marcante em sua memória?


- Tive a oportunidade de estar em todos os passeios do clube do MP Lafer Brasil. Fui a todos com o mesmo carro, todos eles muito agradáveis, pois além de ver o espetáculo promovido pela carreata de MPs na estrada, temos a oportunidade de rever e fazer novos amigos. Alguns dos passeios deixam marcas, como o encontro de Bertioga. Quando participei deste passeio, fomos com dois carros, eu com o dourado 81 e minha mulher com um vinho 75. Ao sair do ponto de encontro num posto de gasolina da Rodovia dos Imigrantes, eu me distraí e bati com o meu carro no pára-choque de um outro carro que havia acabado de ser restaurado pelo Toninho, mas felizmente, ninguém se machucou e foi possível continuar a viagem. Outros passeios como ao de Campos do Jordão e o 10° passeio a Serra Negra, com a participação do Sr. Percival Lafer e a confraternização no hotel Vale do Sol foi muito bom, trazendo boas lembranças para quem participou.

Confraternização no hotel Vale do Sol, em Serra Negra, São Paulo.

Em alguns encontros de autos antigos e especiais você trouxe, numa carreta acoplada
ao seu carro, uma miniatura motorizada de um roadster, muito parecido com o MP. Era de seu filho?

- Há uns 3 anos, comprei um mini-carro para meus filhos, em um encontro realizado em Santana do Parnaíba. Tratava-se de uma replica de Bugatti, que por sinal lembra muito o MP. O carrinho estava muito destruído. Comprei e mandei restaurá-lo. Foram quase 6 meses de espera: pintei da cor do meu carro, fiz a tapeçaria da mesma cor, e até o volante e painel de madeira fiz, tornando-o muito semelhante ao meu MP. Comprei motor, pneus, tudo novo. Ficou lindo, foi motivo de reportagens em jornal e TV. Meus filhos pouco usaram, não curtiram o carrinho e acabei vendendo-o, pois ocupava espaço muito grande na garagem.

O pequeno Bugatti, quando foi comprado...

E como ficou, após a restauração.

O carrão do pais ao lado do carrinho dos filhos.

Você também é conhecido no meio do antigomobilismo paulistano como um ótimo construtor de dioramas. Como é este trabalho artesanal?

- Além do mini-carro, gosto muito de aeromodelismo e nas horas vagas faço dioramas com temas de carros. Trata-se de uma pequena oficina onde eu uso materiais diversos para confeccioná-las, como por exemplo: as ferramentas são feitas com fios de aparelhos ortodônticos que uso no meu consultório; o compressor movimenta-se com a ajuda de um motor de toca-fitas, as bateria são cabeçotes de toca-fitas, etc. Tudo é feito com materiais que eu reciclo de aparelhos como TVs, rádios, e por ai afora. Já fiz 4 dioramas, 2 com temas de MP Lafer, 1 de Karmann Guia e 1 de carros antigos da Ford. Esses trabalhos são realizados e um quarto que eu tenho em minha casa, uma espécie de oficina onde guardo desde ferramentas a recordações como troféus, peças, fotos e reportagens de MPs.

A oficina do Gilberto, onde ele guarda as recordações dos passeios.

Este é o segundo diorama dedicado ao MP.

Todo entusiasta de uma marca específica se recusa a falar sobre os pontos negativos de sua paixão, mas você teria alguma sugestão para aprimorar algo no projeto do MP Lafer?

- Como todo apaixonado por MP, para nós o carro é perfeito, pois só nos dá prazeres. Como eu uso o carro com bastante freqüência, já me deparei algumas vezes com chuva, e, ao contrário do que muita gente pensa, o MP não molha dentro, porém os vidros embaçam com muita facilidade. Sinto falta de uma ventilação interna. No meu carro eu coloquei um ventilador próximo ao pedal do acelerador, que ajuda muito nos dias de chuva.

Ao lidar com a manutenção do MP, mesmo que só acompanhando o serviço de um profissional, você acaba aprendendo alguns "macetes". Você teria alguma dica específica?

- Gosto muito do MP por ser um carro de manutenção muito simples, e de fácil acesso. Motorização consagrada WV, vidros retos, que facilita sua reposição, fibra que não enferruja. Gosto de fazer a regulagem de motor com um primo que é mecânico e a manutenção da carroceria e peças, procuro fazer sempre com o Toninho, da Tony Car, um grande profissional pelo qual tenho uma grade admiração e considero um grande amigo (um artista no que faz). Procuro sempre comprar peças originais, que nos proporciona maior segurança, não procuro peças em desmanche, pois acho que essa atitude promove o roubo de carros.

Dê seu recado final aos leitores do site mplafer.net !


- Gostaria de aproveitar essa entrevista para deixar uma mensagem a todos: não deixem a paixão e o carinho pelo MP morrer. Gostaria de mandar um abraço para todos os laferistas do Brasil e agradecer a alguns amigos que de um forma ou outra mantêm o mito deste carrinho sempre em alta, amigos como Walter, Marcos, Romeu, Barata, Porto, Serginho, Miguel, Alberto, Tosetto, Sabóia, Sergio Almodovar, Toninho (Tony Car) e muitos outros que fazem do nosso clube uma grande família de amigos, e em especial ao Sr. Percival Lafer, ao qual tive o prazer de conhecer e conversar pessoalmente e que é responsável por este carro, que é um sonho de muitos e uma realidade para poucos.

Percival Lafer e Gilberto Martines, durante evento em Serra Negra, São Paulo.

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