Salto 2012: o relato de Gilberto Martines

Réplica de um carro de Fórmula Indy chama a atenção na entrada do restaurante do posto de largada. Mas com pneus slicks na chuva, sem chance.

Estou enviando algumas fotos do 16° passeio anual do Clube do MP Lafer Brasil. Este ano a cidade escolhida foi Salto, localizada a 70 quilômetros de São Paulo, às margens do Rio Tiete, no dia 21 de abril de 2012. O sábado amanheceu chuvoso e isso fez com que muitos laferistas deixassem de comparecer ao passeio. O ponto marcado para a saída foi o posto Graal no km 30 da Rodovia Presidente Castelo Branco, às 10:00 horas.

Ao deixar minha casa por volta das 9:00 horas, estava chovendo bastante. Achei que o número de participantes ao passeio seria muito pequeno, porém, me enganei. No posto fomos recebidos pelo nosso presidente Senhor Walter e o diretor Senhor Romeu, que nos presentearam com um chaveiro comemorativo de 15° aniversário da fundação do Clube do MP Lafer Brasil.

Chaveiro comemorativo dos 15 anos do Clube MP Lafer Brasil: um mimo para quem levou seu  conversível para Salto.

Antes de pegar a estrada, o saudável momento de colocar a conversa em dia, aguardando a chegada dos demais companheiros, em Barueri.

Por volta das 10:30 horas saímos com destino a cidade de Salto. Nesse momento éramos mais de 50 carros participantes e a fila indiana de MPs, como sempre, proporcionou um verdadeiro espetáculo na estrada. Por causa da chuva fizemos uma viagem com velocidade média entre 70km/h a 80km/h. Por volta das 11:30 horas chegamos ao nosso destino. Um grupo de viaturas da Guarda Civil Municipal nos escoltaram, facilitando assim a nossa chegada ao ponto marcado.

Nossos carros ficaram estacionados no Parque da Cachoeira, ás margens do Rio Tietê, ponto turístico da cidade de Salto. O local escolhido é muito bonito, com capacidade para receber mais de 100 carros. Estava previsto a presença de duas bandas para receber o nosso grupo. Porém, em decorrência do mau tempo, não foi possível a apresentação.

O céu insistia em ficar cinza, mas o sinal estava verde para a passagem dos MPs pelo centro de Salto. Uma pena que o Sol não apareceu - talvez seu MP tenha engripado na garagem.

Os MPs chegam bem ao Parque da Cachoeira, como é popularmente conhecido o Complexo Turístico de Salto. Uma prova de que o carro é confiável até debaixo de chuva.

Poucas pessoas transitaram entre os carros, entre eles os fotógrafos e aqueles que se lembraram de levar o guarda-chuva.

Reparem no MP malhado feito uma vaca: foi o único carro a permanecer com a capota abaixada o tempo todo. Palmas para o Baiano, piloto arretado!


Chovia pouco quando chegamos, deu tempo para conhecer o parque, tirar algumas fotos da cachoeira, da ponte pênsil e visitar o memorial do Rio Tietê. A cidade conta com bons restaurantes próximos ao local que nos encontrávamos.

Após o almoço, por volta das 14:30 horas,  nos reunimos num espaço cedido pelo restaurante Dom José & Cia, onde a fizemos a nossa confraternização. Este ano não tivemos a tradicional troca de presentes, foi realizado somente o sorteio de uma miniatura do MP Lafer da coleção do 007, fornecido pelo Clube, e de um par de lanternas traseiras doadas gentilmente pelo nosso amigo Toninho da Tony Car.

Após o sorteio o Senhor Walter fez uso da palavra e nos apresentou e agradeceu ao Secretario de Turismo da cidade, que nos ajudou na realização desse nosso evento. Também fizeram uso da palavra os amigos Romeu, Bergaro e Jean Tosetto. Com a finalização da confraternização cada um retornou ao seu destino.


O conjunto arquitetônico nos arredores do anfiteatro revela um tom histórico e nostálgico, marcando a transposição do Rio Tietê: da região metropolitana de São Paulo para o interior.

As saudações ao microfone também fazem parte do programa do passeio. Mas este ano a troca de prendas não aconteceu.


Gostaria deixar o meu agradecimento a todos os laferistas participantes, ao Walter e Romeu pela escolha da cidade, ao grupo de apoio da Tony Car que sempre nos acompanha nos passeios, proporcionando uma viagem mais tranqüila e segura. Um abraço a todos e até a próxima.

MPs em Salto 2012

Salto 2012: o vídeo do Doutor Tanil

Os vídeos do Doutor Tanil estão ficando tão tradicionais quanto os próprios eventos do Clube MP Lafer Brasil. Visite também seu blog: MP Lafer e Carros Antigos.

MPs em Salto 2012

16º Passeio do MP Lafer - Salto 2012

A chuva deu a tônica do grande dia no ano, para os laferistas. Através das gotículas na janela, a silhueta de um MP parece combinar com o painel de outro.

Se fosse uma manhã ensolarada, não haveria espaço no posto de combustível para  acomodar todos os participantes, antes da largada.

Telas de jardim tensionadas, capotas fechadas e bonés na cabeça: os meios para se proteger da garoa que se intercalava com a chuva.

A relativa pouca distância entre Salto e o posto de combustíveis no km 30 da Rodovia Castelo Branco, pouco mais de 70 quilômetros, indicava que o 16º Passeio do Clube MP Lafer Brasil teria menor duração do que o ocorrido nas edições anteriores, para cidades mais longínquas de São Paulo. Mas como tudo parece tender ao equilíbrio, a chuva - que nunca foi convidada para este evento - tratou de diminuir a velocidade dos carros e com isso alongar o enredo.

As chuvas torrenciais que caíram na véspera de 21 de abril deixaram muita gente desanimada. Mesmo assim, 50 entusiasmados proprietários de MP Lafer, e mais alguns que vieram em seus carros convencionais, prestigiaram o encontro marcado com mais de um mês de antecedência. Como resultado, não foi registrado nenhuma falha mecânica na estrada, pois quem resolveu enfrentar a chuva confiava absolutamente nas condições de manutenção de seus carros.

Não importava o clima nublado e a capota presa no para-brisa, as câmeras captaram sorrisos entre aqueles que se animaram para enfrentar o aguaceiro.

Na praça de pedágio, a água acumulada no pavimento de rodagem refletia a imagem das baratas.  Sinal de que a drenagem do local poderia ser melhor.

Um carro, para ser bonito de verdade, precisa ser vistoso até em baixo de chuva. Felizmente as janelas laterais do MP não são de plástico abotoável... 

Mesmo quando havia intervalos com um pouco de sol, era impossível baixar a capota, por causa do efeito de spray  formado pelos carros no asfalto.

A velocidade reduzida no percurso não significava que as ultrapassagens eram mais fáceis. Pelo contrário: atenção redobrada diante das condições adversas da pista.  

A perna final do passeio foi percorrida também em pista dupla, que liga Sorocaba à  Campinas. Um bom atenuante para as preocupações com a segurança.


Um passeio diferente

Por causa da chuva, este ano tivemos um passeio com velocidade de passeio mesmo. Nada de 100 ou 120 km/h verificados em edições anteriores, com o sol a pino. Desta vez todo mundo andou bem comportado, entre 60 e 80 km/h. Se formos comparar a situação com uma corrida de automóveis, parecia um Grande Prêmio disputado todo em bandeira amarela. Então, quem saiu na frente chegou na frente, pois até as ultrapassagens foram em número bem menor.

Apesar do clima pouco favorável, foi possível curtir a emoção de andar em conjunto na estrada. Os MPs, com seus para-lamas salientes fazendo duas ondas em cada lateral da carroceria, formam um visual que parece multiplicar o número de carros, quando estes resolvem acelerar em fila indiana. Também não se pode esconder uma curiosidade: nunca se viu tantos MPs na estrada com capotas fechadas. Mais um recorde informal para a galeria da associação da marca.

A chegada em Salto foi debaixo de um céu pesado, o que impediu maior interação dos moradores locais com os visitantes da estância turística.


Parando o trânsito, literalmente

A prefeitura de Salto gentilmente destacou alguns guardas municipais para organizar o trânsito, enquanto a fila de MPs cortava o centro da cidade. Mesmo assim ocorreu um incidente para se lamentar: alguns carros locais, que vinham em sentido contrário aos conversíveis, pararam abruptamente para ver a "caravana" passar; com isso houve um pequeno engavetamento, envolvendo alguns veículos de Salto. Não há registros de pessoas feridas, mas fica o aborrecimento em função do prejuízo material, que felizmente é recuperável.

A integração entre os munícipes com os entusiastas do MP Lafer, tão esperada pela organização do evento, acabou não ocorrendo, em função obviamente da chuva, mas também do feriado de Tiradentes. O local reservado para os MPs não tinha cobertura parcial, então alguns proprietários de MP ficaram dentro de seus carros e a maioria foi se abrigar nos restaurantes das proximidades. Os mais ávidos por fotografar o evento eram os poucos que caminhavam entre os conversíveis, junto de um ou outro morador da cidade, que provavelmente levou para casa um bom episódio para contar.

O feriado de Tiradentes resultou no fechamento de boa parte do comércio, o que também colaborou para a presença diminuta das pessoas circulando pelo centro da cidade.

A concha acústica do Complexo da Cachoeira é um dos cartões postais da região, onde o Rio Tietê começa a se oxigenar em direção ao interior de São Paulo.

Os MPs ficaram estacionados de costas para o anfiteatro municipal. Desta vez as atrações estavam do outro lado das arquibancadas.


Convite para um desafio

No começo da tarde, quem não foi embora mais cedo se reuniu sob a cobertura lateral de um dos restaurantes recomendados no programa. Para os corajosos que enfrentaram a chuva até Salto, Romeu Nardini, diretor do Clube MP Lafer Brasil, propôs um desafio incomparavelmente maior: seguir de MP Lafer até a Argentina, no mês de setembro, para participar da famosa AutoClasica - um encontro anual de carros antigos realizado em San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires. Por enquanto só o Roberto Gama, um dos 14 membros fundadores da agremiação, topou a aventura.

Depois dos abraços finais, chegou a hora de voltar para casa, mais uma vez. Certas coisas num passeio do MP não mudam, mesmo com chuvas torrenciais: é o calor humano de gente com origens diversas, profissões diversas, religiões diversas e times de futebol diversos. Porém, vestindo a camisa vermelha do Clube do MP, mais do que demonstrar a paixão por um carrinho, essa gente demonstra que veste a camisa dos irmãos, dos amigos. É isso que nos motiva a esperar pelo passeio do ano que vem.

Na varanda do restaurante lindeiro ao parque de estacionamento dos MPs, os membros do Clube fazem sua tradicional reunião. Quase todos vestidos de vermelho.

Clique para ampliar e salvar esta montagem de fotos panorâmicas, com os MPs estacionados no Parque da Cachoeira em Salto. Uma cortesia do site mplafer.net


Nos vemos em 2013!
Por Renata & Jean Tosetto

Veja também:

O relato de Gilberto Martines
O vídeo do Doutor Tanil
Comente o passeio no Grupo do MP Lafer no Yahoo!
A carta convite do Clube
Mais passeios

Shell Excede: brinde trazia jogo da memória com veículos brasileiros

Brinde da Shell Excede: miniatura de uma embalagem de óleo para motor, com 44 pares de imagens de veículos brasileiros dos anos 60 e 70.

No final da década de 1960 e começo dos anos 70, as famílias numerosas - com 7, 8 e até 10 filhos - ainda eram comuns no Brasil, especialmente em cidades do interior. A diferença de idade entre os irmãos era tão grande que, normalmente, os filhos mais velhos ajudavam a cuidar dos caçulas - fazendo as vezes de segundo pai ou mãe, dando conselhos, broncas e alguns presentes também. Nada muito caro, pelo contrário: o primeiro sapato de um garoto só vinha lá pelos 15 anos de idade: era como um ritual de passagem para a idade adulta.

Nesta época meu pai já trabalhava no escritório da Petrobrás em São Paulo, no famoso edifício Andraus, que pegou fogo em 1972. Safo, ele estava fazendo um treinamento em Porto Alegre naquela ocasião. No mesmo prédio também havia o escritório da Shell, que tempos depois daria o emprego definitivo para o meu pai (sim, nos anos 70 os jovens não se digladiavam por uma carreira numa estatal). Possivelmente foi por causa desta proximidade que meu pai tenha ganho um brinde dos funcionários da multinacional: uma imitação de lata de óleo com imagens de veículos que circulavam por aqui.

Não tenho como afirmar que foi realmente isso, pois meu pai não se lembra destes pormenores, mas seu irmão caçula sim. Foi o meu tio Amilcar que ganhou o brinde, numa visita que meu pai fez em sua cidade natal, Caçapava. Foi meu tio Amilcar que guardou por tantos anos um brinquedo que era dado de graça, mas ganhou um valor sentimental descolado de qualquer quantia monetária. Cerca de 40 anos depois, o Amilcar continua ouvindo conselhos do Anibal, meu pai. Para ele, tal brinde, um jogo de memória, teria sido ofertado num salão do automóvel. É possível, mas nunca iremos saber: é a memória brincando com a gente.

A coleção contém marcas e modelos que já não mais existem no mercado nacional, como Willys Overland, Brasinca, Dodge, Simca, FNM e DKW.

As marcas mais populares da época são as mesmas de hoje, com exceção da Fiat, que só chegou por aqui em 1976: Ford, Chevrolet e VW.

Caminhões,ônibus, caminhonetes, jipes e outros utilitários: um panorama bem extenso para divertir e cativar a criançada de um Brasil que acordava para a modernidade.

Na mesma conversa que resgatou o jogo de memória com carros brasileiros, resgatamos também uma brincadeira que, apesar da diferença de geração, compartilhávamos: o futebol de botão. Os meus botões eram comprados na padaria ou no armazém: vinham todos iguais, com os símbolos dos clubes estampados na cavidade superior. Os botões do tio Amilcar eram botões mesmo, surrupiados de casacos velhos e lixados com o uso constante. Eles estão lá, até hoje, guardados numa latinha de balas que não existem mais: as azedinhas sortidas Sönksen.

Acredite, cada botão nesta latinha de balas azedinhas sortidas Sönksen tem um nome: Ademir da Guia, Dudu, Leivinha... craques da academia do Palmeiras.

Nesta vida, pequenos brindes podem se converter em grandes lembranças. E as melhores lembranças não precisam de um museu mantido por uma organização sem fins lucrativos (ou de um centro cultural financiado com dinheiro público) para serem conservadas: elas podem caber numa latinha de bolso.