Memorial da América Latina 2007 - por Romeu Nardini

A Ferrari 355 não é um carro antigo, mas já é considerada um clássico cujo sangue latino tinge de vermelho o Memorial caiado em branco pelo centenário Oscar Niemeyer.

Romeu Nardini, diretor do Clube MP Lafer Brasil, prestigiou o primeiro encontro de veículos antigos e especiais do Memorial da América Latina, um espaço cultural construído na década de 1980, próximo à Avenida Marginal Tietê em São Paulo. O evento ocorreu no dia 26 de agosto de 2007 e será realizado mensalmente, sempre no quarto domingo, contando com a mesma organização do encontro de carros antigos da Estação da Luz, que por sua vez é realizado no primeiro domingo de cada mês.

Esta Vemaguete 1961 conserva para a posteridade uma aliança gravada num nome: DKW-Vemag, comprada e encerrada pela Volkswagen no final dos anos 60.

Cinqüenta anos de história e uma idéia à frente de seu tempo: a Romi Iseta era econômica e ocupava pouco espaço no trânsito. Foi produzida em Santa Bárbara d´Oeste.

O Interlagos foi um esportivo de origem francesa fabricado por americanos no Brasil, numa época de ouro para o automobilismo paulista, pré Emerson Fittipaldi na Fórmula 1.

Nenhum veículo brasileiro está há mais tempo em produção ininterrupta do que a Kombi, que apesar da variação estética e mecânica ao longo das décadas, continua forte no mercado.

Sóbrio e distinto. Palavras que descrevem mas não resumem a essência deste Rolls Royce, sinônimo perpétuo de luxo e conforto sobre rodas.

A pintura em dois tons de azul neste Consul Zephir 1952 revela o bom gosto de seu restaurador, que brinda o visitante do encontro com uma raridade entre as raridades.

O Cadillac 1974 traz para o Memorial a estética predominante entre os americanos naquele período, marcado pelos últimos anos do uso de cromados no acabamento externo.

Em 1966, quando este Malibu saiu da fábrica, os Beatles e os Beach Boys rivalizavam na vanguarda da música pop, lançando discos históricos como Revolver e Pet Sounds.

A Ford produzia a linha Anglia na Inglaterra, especialmente entre os anos 40 e 50, com muitas unidades exportadas para o Brasil.

MP Lafer em francês!

Emprestamos o MP Lafer do Milton Lopes para apresentar o modelo para os visitantes de língua francesa.

Estamos recebendo muitas visitas de países de língua francesa, obviamente da França, além da Bélgica e Suíça. A razão é que o site mplafer.net, através do endereço mp-lafer.blogspot.com, foi citado num fórum dedicado ao VW Sedan Fusca e seus derivados, como referência de informações sobre MP Lafer.

Como não há bibliografia consistente em francês sobre o carro, solicitamos a todos os nossos visitantes que dominam este idioma, que enriqueçam o referido fórum com dados sobre o conversível mais elegante do Brasil. Basta clicar sobre a figura abaixo para acessar - a comunidade crescente de apaixonados pelo MP ficará agradecida:

Galeria 2007: Andrade

Delmar Andrade vive na Grande São Paulo. Entre 16 e 20 de agosto de 2007, através de fotos e textos, ele fez a seguinte colaboração para a galeria do site mplafer.net:

CARRETA MP

"Como sei que algo raro é sempre interessante, aproveito para falar desta carreta MP Lafer, homologada pelo Inmetro e emplacada. O referido veículo foi construído a partir de um MP que foi desmontado, tendo seu antigo dono perdido o interesse em restaurá-lo.

A carreta MP era um antigo projeto, que levei a cabo em 22 meses de trabalho. Nele, foi empregado o melhor disponível no mercado, desde a tinta Dupont até Rádica Piopo italiana. A parte frontal tem uma estrutura em metalom, recoberta com compensado naval flexível e quatro camadas de manta de fibra de vidro.Um sistema de contra-peso foi instalado no cofre do motor, juntamente com o estepe, para não forçar a traseira do veículo rebocador para baixo.

Espero que minhas informações tenham despertado o interesse dos amigos, pois seria uma grande alegria ver um dos meus mais importantes projetos nas mãos de alguém que, certamente, saberá dar valor a obra."

Questionado sobre a autenticidade da carroceria de MP utilizada no processo, pois as imagens denotam certas diferenças do modelo original, Delmar nos esclarece:

"Quando comprei o veículo, o antigo proprietário não me vendeu como carro, mas como sucata, pois ele não tinha os documentos originais. Realmente não sei se era MP ou uma réplica. Foi necessário comprar um chassis de uma carreta para montar a carroceria sobre ela. Tanto que não consta MP Lafer no documento, mas a marca do fabricante da carreta, que após ser vistoriada pelo Inmetro, recebeu a documentação de transporte recreativo.

Quanto ao MP na foto, foi meu até o ano passado. Hoje ele pertence a uma entidade religiosa, a qual faço parte há 20 anos, por motivo de uma doação que fiz ano passado. É um modelo 1983, com aproximadamente 90 mil km originais, bem como todas as peças originais, tais como: bancos, vidros elétricos, volante de madeira, capota, rodas em alumínio - não magnésio. Fui o terceiro dono e,segundo o ex-proprietário, o primeiro dono solicitou à Lafer que o estepe fosse colocado na lateral esquerda, embutida no pára-lama, bem ao estilo europeu dos anos 20 e 30."

Segundo Delmar, a entidade religiosa referida teria posto o MP à venda, ao passo que ele já trabalha num projeto novo, desta vez para utilizar a parte frontal da carroceria que deu origem à carreta. Desta vez o objetivo é criar um bar temático e converter a peça num item de mobiliário único. Para saber mais sobre os projetos do Delmar, que inclusive se dispõe a agendar uma visita para mostrar sua carreta, basta enviar um e-mail para ele, clicando aqui.

Vem aí: encontro no Forte de Copacabana

Mensagem da Revista Classic Show para o site mplafer.net, em 10 de agosto de 2007 - clique na imagem para ampliar:

MG: tamanho não é documento

Para comemorar o primeiro ano do MP Lafer hpG no ar (*), extraímos de nosso arquivo um artigo de Expedito Marazzi, publicado originalmente na edição de número 44 da Revista Quatro Rodas, em março de 1964, abordando uma breve história da famosa marca MG, da qual deriva o início da produção em série do MP, dez anos depois!

Reprodução da capa em questão.

O Sr W. Morris produzia na Inglaterra pequenos carros. "Morris Garages" era o nome do estabelecimento e os negócios iam de vento em popa. Cecil Kimber ocupava o cargo de gerente da organização e era louco por automóveis de desempenho esportivo. Supomos que, como seu ordenado não fosse lá grande coisa, estava fora de cogitações a compra de um carro de alto preço, como Duesenberg, Alfa Romeu, Bugatti ou qualquer outro monstrinho daqueles tempos, capaz de satisfazer à sua gana de velocidade.

Que fez o Sr Kimber? Envenenou um pequeno Morris, aliviando-o de todo peso inútil. Balanceou a árvore de manivelas, poliu os coletores de admissão e escape, adaptou um carburador vitaminado, um comando mais quente e substituiu o distribuidor por magneto. Além disso, fez uma carroçaria de madeira revestida com lona, para dois lugares apenas e... saiu estourando por lá, em 1923.

O sucesso foi imediato. Estrondoso. O carrinho era tão nervoso e veloz, que o próprio Sr. Morris interessou-se em produzí-lo, embora em pequeno número. Aliás, esse cidadão sabia a quantas andava. Tanto que se tornou lider de um dos maiores complexos industriais europeus.

Batismo de fogo

O recém-nascido, na falta de melhor batismo, adotou as iniciais da empresa - MG. De saída venceu um concurso de robustez (pouco infantil) quando, em 1923 mesmo, competiu na "Land´s End Trial", desenvolvendo 135 Km/h - um assombro para a época e para a sua categoria.

Três anos depois, a procura dos MGs suplantava de longe a produção. E isto se justificava: com um custo inicial baixíssimo - cerca da quarta parte do preço normal dos carros mais potentes - o MG estava apto a proporcionar as mesmas sensações, privativas dos multimilionários, oferecidas pelos caríssimos carros esportivos clássicos de então.

Em 1928, surgiu o primeiro modelo da série Midget, que se tornou famosa mundialmente. Sua capacidade, de 850 cc, foi ainda mais reduzida, tempos depois, para 750 cc, menor portanto do que muita motocicleta. O importante não era o acúmulo de HP - cujo total não passava de duas dezenas - e sim a relação peso-potência.

À esquerda, o modelo Midget, 1928. Em seguida o MG TC, fabricado entre 1946 e 1950 já com motor de 1.250 cc; notar a pequena mudança externa entre ambos.

Vitórias sobre vitórias

A maior parte dos grandes volantes de competição fez seu aprendizado em carros da marca MG. Um exemplo, Stirling Moss, que conseguiu grande número de vitórias pilotando-os. O próprio Tazio Nuvolari venceu o "Ulster Tourist Trophy" de 1933 - prova de quase 800 quilômetros - com um MG Magnette. O grande ás sentou-se pela primeira vez num veículo desse tipo minutos antes da largada, recebendo as instruções para dirigí-lo apenas por sinais, pois não entendia inglês. Atrapalhou-se com o seletor de marchas e, somente algumas voltas depois de iniciada a competição, pôde alcançar o acelerador ao fundo. Alguns metros depois da chegada, seu MG parou por falta de gasolina...

Impossível catalogar todas as vitórias esportivas do filho dileto de Cecil Kimber: seu número é elevadíssimo. O carrinho participava de competições de toda espécie: velocidade, resistência, aceleração, subidas de montanhas, tentativas de recordes etc.. Alguns fanáticos chegaram a cortar ao meio o motor MG, para - com apenas dois cilindros - competir (e vencer) em provas de carros até 500 cc.

O valente motorzinho de quatro cilindros e válvulas na cabeça servia admiravelmente para excessos de todos os gêneros. Podia-se competir com ele como saia de fábrica, ou envenená-lo à vontade. Com ou sem compressor. Enfim, pau para toda a obra. E seu dono - depois de competir no domingo - ia trabalhar com o MG na segunda-feira.

MG TD, tentativa de atualização da marca, posto à venda de 1951 a 53.

Vários modelos, de 28 para cá

De 1928 para cá, diversificou-se bastante a produção dos MGs. Todos, porém, derivados diretamente do protótipo de Kimber. A coisa começou com uma série de Ts: TA, TB, TC, TD e TF. Posteriormente, por volta de 1956 - a fábrica aerodinamizou seus veículos. Surgiram o MG-A e, em seguida, o MG-B. No campo dos carros de turismo existiram o Magna, o Magnette, o Sallon e o Tourer.

Fato notável: o aficionado da marca nunca vê com bons olhos as modificações introduzidas. Por exemplo, quando o modelo TD - em 1951 - abandonou as rodas raiadas e os cubos rápidos, foi uma gritaria geral. Os atuais modelos voltaram atrás. Por esse motivo, a grade do radiador conservou-se inalterada de 1928 a 1953 e, daí para frente, continuou com as mesmas características, embora estilizadas. Recentemente, a MG passou a produzir um modelo com apenas 1.100 cc, lembra os primitivos Midgets e leva esse nome.

MG TF, modelo um tanto aerodinamizado; notar os faróis incorporados. O TF é dotado de motor de 1.500 cc.

Uso e abuso: o MG resiste

Um carro ruidoso pede para ser dirigido esportivamente, quanto mais se for MG. Abusando-se das mudanças de marchas, utilizando-se todas as rpm disponíveis e mesmo passando das 5.200 recomendadas, o MG é uma delícia. E mais: inquebrável. Somente o poderá estragar se dirigir em marchas muito desmultiplicadas e em baixas velocidades. Suas molas fariam falir qualquer oficina especializada: jamais quebram. Mesmo quando dez "play-boys" se abancam num MG.

Famoso conjunto motor-câmbio do MG. De pequena evolução, pois nasceu avançado.

MG A, de linhas atuais. Sua evolução chegou ao MG B que se vê em duas versões na foto abaixo.

Um carro excepcional

O MG é um carro excepcional, quando na mão do volante certo. Deixa recordações felizes, ensina muitos truques de bem dirigir e é relativamente fácil de ser regulado pelo próprio dono. Não é o mais bonito, nem o mais veloz; muito menos o mais caro dos carros esportivos. Mas, numa coisa ganha fácil: é o mais querido deles todos.

Imagem feita durante o Encontro Paulista de Veículos Antigos em Águas de Lindóia, realizado em maio de 2002.

(*) Primeira publicação no site mplafer.net: agosto 2002 - na ocasião o site ainda era conhecido como MP Lafer hpG, tendo sido lançado em agosto de 2001.