Galeria 2007: Cypriano
Carlos Miranda em seu cartão de apresentação, autografado para o site do MP.
Ele não dispunha de super poderes e tão pouco contava com regalias tecnológicas de última geração, a não ser o veículo Simca Chambord 1959, mas teve a honra de se firmar nos primórdios das produções de seriados nacionais, que no começo dos anos 60 estavam apenas vislumbrando o seu potencial comunicativo. Porém, o que tornou o Vigilante Rodoviário digno de ser considerado um herói, foi o fato de seu alter ego, o ator Carlos Miranda, ter se convertido num patrulheiro de verdade, como ele mesmo relata em seu cartão de apresentação:
“Em 1961 o Brasil foi supreendido com o lançamento da primeira série de filmes produzida especialmente para a televisão, pioneira em toda a América Latina. Ari Fernandes e Alfredo Palácios foram os idealizadores. A eles se juntou um jovem ator oriundo do Teatro Popular do Sesi, escolhido para personificar o primeiro herói de filmes para TV. O programa surpreendeu a todos e já na primeira semana tornou-se a maior audiência em todo o país. Esse herói teve também o mérito de ser o primeiro ator a tornar-se verdadeiramente o personagem e ingressar no prestigiado Guiness Book. Sua carreira na Policia Militar foi marcada pela colaboração nos mais diversos eventos dirigidos às crianças, na elaboração dos programas de aproximação da população com as atividades da corporação, com a Semana da Criança, dos programas na TV Excelsior e na TV Bandeirantes, do primeiro laboratório de fotografia, de cinema e da primeira revista dirigida a estudantes do primeiro e segundo graus. Após sua passagem para a reserva, o Vigilante Rodoviário continua sua trajetória em quase todas as cidades brasileiras, levando a universidades, escolas e encontros de carros antigos, o trabalho que a Policia Militar desenvolve em prol da população.”
Foi exatamente num destes encontros, realizado na cidade paulista de Holambra em novembro de 2006, que tivemos o contato pessoal com Carlos Miranda. Os quarenta e cinco anos passados desde sua estréia na TV não roubaram a sua compleição atlética e o carisma autêntico das pessoas destinadas a brilhar. Ele mesmo veio guiando o velho Simca da cidade onde reside atualmente, Águas da Prata, e foi muito atencioso com todos que o cercavam.
Com a Harley-Davidson 1952 e o cão Lobo na TV Tupi: outubro de 1961.
Seu aperto de mão caloroso transmite a confiança que devemos ter nas pessoas que patrulham nossas rodovias. E já que estamos tratando de um herói, cuja função é servir de referência positiva aos mais jovens, não custa nada buscarmos inspiração nele, sempre que estivermos ao volante de um carro, dirigindo por uma estrada. Nas viagens rodoviárias, se formos vigilantes na direção, poderemos voltar para casa com segurança. Talvez sem a alcunha de herói perante nossos amigos e familiares, mas certamente um pouco melhores do que quando partimos.
Por Jean Tosetto
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A saga do herói continua - vamos ajudar!
Ter um carro antigo ou especial na garagem requer uma série de cuidados inerentes ao fato de guiá-los nos fins de semana. Estes pequenos passeios justificam o empenho na aquisição do modelo e compensam as horas de dedicação para deixar o veículo em perfeito estado de funcionamento. Mas são nas viagens mais longas que certos itens dos veículos são postos à prova - ou exigidos para valer. Portanto, embora soe redundante para os motoristas mais precavidos, nunca é demais relembrarmos alguns aspectos preventivos, antes de pegar a estrada.
No motor do MP: 1) bobina - 2) alternador - 3) regulador de voltagem - 4) filtro de ar.
Parte mecânica
Finalizando a parte elétrica mais explícita, logo se percebe que existe uma simbiose entre esta e a parte mecânica. Verificar a bobina, por exemplo, é algo que se pode fazer num auto-elétrico ou na oficina mecânica. Porém, toda revisão nesta área passa pela avaliação do estado das velas, além de seus cabos. Se as velas estiverem sujas e não forem limpas ou substituídas, qualquer um dos cilindros do motor pode parar repentinamente.
Motores mais cansados fazem as velas sujarem mais rápido, pois o óleo lubrificante que circula em seu interior começa a subir pelas minúsculas frestas que surgem inexoravelmente, com o desgaste dos anéis. Neste momento, não se sinta constrangido em pedir para o seu mecânico instalar um tucho, se uma vela aparecer mais suja que as demais. Eficaz e barata, esta solução protela a retífica do motor. Mas neste caso as visitas de verificação junto ao mecânico deverão ser mais constantes, pois os tuchos não fazem milagres.
Após repassar as válvulas, está na hora de conferir a regulagem do carburador. Se o motor for de dupla carburação, ambos devem funcionar simultaneamente, para tanto, o mecânico deve estar com os ouvidos apurados ao fazer a equalização. Se o quesito a ser analisado forem os giclês, adote os mecânicos, que são mais simples, leves e pequenos. Giclês eletrônicos são relativamente pesados e grandes, por isso desregulam facilmente, devido à trepidação causada por pavimentos irregulares.
A trepidação também pode prejudicar a fixação dos filtros de ar sobre os carburadores. Um filtro tombado não significa necessariamente que o motor vai parar, mas esta situação pode ser muito danosa se o ambiente da estrada estiver empoeirado. Muitas vezes ocorre que o próprio suporte para o filtro está danificado, mas existem adaptadores de plástico reforçado que solucionam a questão facilmente.
Em revisões mecânicas não se adota o hábito de abrir o motor ou a caixa de câmbio. Estes procedimentos são custosos e só devem ser feitos em casos de ruídos metálicos evidentes ou a observação de vazamento de óleo em excesso. Todo carro antigo necessita de complemento de óleo lubrificante, antes mesmo que este esteja vencido, mas só quando a quantidade a ser adicionada for exagerada ou freqüente é que se deve prestar mais atenção na vida útil do conjunto.
O mesmo procedimento, no entanto, não pode ser adotado para o fluído dos freios. Se for necessário completar o nível deste, é imperativo rastrear, antes, a origem de possíveis vazamentos. Quando estes forem detectados e devidamente sanados, deve se promover uma sangria no sistema e repor com fluído novo. Ainda no quesito “freios”, não deixem de averiguar as condições das pastilhas e discos.
Ao lado do pedal do freio temos o pedal da embreagem. O cabo desta também entra na lista de peças de reposição que se deve ter por perto, por ocupar pouco espaço – e peso – no bagageiro. Sua regulagem é bastante flexível e se adapta ao estilo de dirigir de cada um. Há os que preferem respostas rápidas e secas, assim como outros que optam por um curso maior e mais suave. O importante é que este item não fique esquecido na hora de se pedir uma revisão geral.
O extintor de incêndio deve estar dentro do prazo de validade.
Suspensão, alinhamento e balanceamento
Ao levar seu carro para trocar o óleo, experimente acompanhar o serviço, especialmente quando o veículo ficar suspenso pelo macaco hidráulico. Observe o estado das coifas de borracha: se estiverem ressecadas está no momento de trocar. Solicite ao funcionário da ocasião que engraxe os braços da suspensão. Infelizmente não são todos os postos de serviço que dispõem desse tipo de equipamento. Procure se informar, portanto, de um local adequado para realizar esta rotina de manutenção.
Certas suspensões são reguladas facilmente através de catracas, neste caso resista à tentação de alterar a altura padrão de seu veículo. Sua geometria foi concebida para trabalhar com o máximo de segurança e eficácia possível. Aumentar a altura da suspensão pode conferir um ar mais imponente ao carro, mas gera também, sensivelmente, maior consumo de combustível. Por outro lado, ao abaixar a suspensão, haverá uma dúbia impressão de maior estabilidade, porém certamente o conjunto sofrerá com as lombadas e buracos das vias brasileiras - sem contar que certos objetos estranhos podem oferecer um risco à dirigibilidade.
Entre as suspensões e o chão temos os pneus. Obviamente deve-se descartar o uso de pneus carecas. Só que no caso de veículos antigos, mesmo com os sulcos preservados, pode ser que os pneus estejam ressecados, havendo o risco de dechaparem em alta velocidade, com conseqüências traumáticas. Respeite a vida útil deles, portanto. Ela pode ser maior se alguns cuidados forem tomados, o mais simples é fazer a calibragem, sempre que possível.
Consulte o manual de instruções para saber quanta pressão cada pneu pode receber. Conforme a distribuição de peso do modelo, pode haver variação entre pneus dianteiros e traseiros. É o caso do MP Lafer, por exemplo: o eixo traseiro recebe mais carga, pois o motor e os ocupantes estão concentrados sobre ele. A dianteira do MP é mais leve e, portanto, a calibragem do eixo dianteiro é ligeiramente menor. De qualquer forma, nunca esqueça de calibrar também o estepe que, mesmo sem uso, costuma esvaziar com o passar das semanas.
Por fim, proceda com o alinhamento e balanceamento das rodas, ocasião em que se confere também a situação dos amortecedores. Evite as cambagens negativas ou positivas demais: elas geram desgaste maior nas zonas periféricas dos pneus e, fora do ambiente esportivo, não resultam em qualquer ganho de performance para o motorista - que não é piloto profissional. Os amortecedores, por sua vez, devem ser substituídos sempre que, ao serem testados manualmente, responderem com mais variações do que as provocadas pelos braços do avaliador.
Leitura recomendada: Pressão correta nos pneus do MP
Conclusão
Não é nossa intenção, com este texto, cercar todas as possibilidades da manutenção preventiva de um veículo. Longe disso: são inúmeros componentes que podem ser verificados, entre eles as correias, polias e mangueiras. O que ocorre, muitas vezes, é que ao inspecionarmos algum aspecto do veículo, poderemos notar irregularidades em itens que não eram de nossa suposição. Sempre que isso acontecer, certamente estaremos eliminando uma surpresa desagradável num momento inesperado.
Com o carro devidamente em ordem, só falta fazer a limpeza do interior e enceramento da carroceria, além de ter os itens de segurança obrigatórios sempre em dia. Poucas coisas dão mais prazer ao entusiasta de carros antigos ou especiais, do que esvaziar a mente dirigindo uma máquina com o horizonte aberto ao fundo. No mais, é encher o tanque e boa viagem!
Por Jean Tosetto
Hospedagem
Caçapava é uma cidade relativamente próxima de São Paulo, um município à frente de São José dos Campos, para quem parte da capital paulista. Mas como muitos participantes do passeio vem de cidades do interior e outros estados, cabe aqui a sugestão de dois dos principais hotéis caçapavenses, ambos muito próximos ao principal viaduto local, em margens opostas da Rodovia Dutra.
O Arcadas Hotel fica na Avenida Coronel Manoel Inocêncio 2000, no sentido Rio-São Paulo. O telefone para reservas é (12) 3653-2177. Já o Plaza Dutra Hotel é visível para quem transita pela Dutra no sentido São Paulo-Rio, na Rua Wenceslau Bras 155. Telefones para contato: (12) 3653-3500 e (12) 3653-3501.
Vista do calaçadão da Rua Sete de Setembro.
Culinária
Quem se hospedar na cidade de Caçapava poderá apreciar a típica comida caipira do Vale do Paraíba, no Restaurante Toca do Coelho, que fica no início da estrada que conduz à Vila Caçapava Velha, partindo da Rodovia Dutra. O lugar possui arquitetura rústica e ambiente familiar. Reservas para o jantar de sábado - ou para o almoço de domingo, dia 22 de abril - podem ser feitas diretamente com o proprietário, o Senhor Coelho, através dos telefones (12) 3655-3842 e (12) 8124-1384.
Turismo regional
Num raio inferior à 90 km do centro de Caçapava, estão cidades de forte apelo turístico. As praias de Caragatatuba, no litoral norte, podem ser acessadas pela Rodovia dos Tamoios, que se liga à Caçapava pela estrada de Jambeiro - um pouco estreita e sinuosa, mas ótima para o motorista atencioso que abaixar a capota do MP. No entanto, se a pedida for subir a serra até Campos do Jordão, basta seguir de Caçapava para a vizinha Taubaté, pela Rodovia Dutra, e tomar o viaduto para Tremembé.
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